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Internações de Crianças em UTIs por Doenças Respiratórias Comuns Caem 80% no Ano no Brasil

Internações de Crianças em UTIs por Doenças Respiratórias Comuns Caem 80% no Ano no Brasil

As internações de crianças em UTIs devido a infecções respiratórias comuns — principal causa de emergência pediátrica — tiveram uma queda de 80% em 2020 em comparação com os três anos anteriores. O dado é de um estudo do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), realizado em 15 hospitais de Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Distrito Federal.

O motivo da redução foram as medidas de contenção da Covid-19, que diminuíram a circulação de outros vírus. O sacrifício da sociedade valeu a pena, reduziu drasticamente doença e perdas econômicas, afirma o pediatra e pesquisador do Idor Arnaldo Prata, um dos coordenadores do trabalho.

Pediatra Arnaldo Prata, do Idor Foto: Divulgação

Em que medida as medidas de contenção levaram à redução de internações por outros vírus respiratórios?

Houve um desaparecimento dessas doenças, como as infecções por rinovírus, adenovírus, influenza e vírus sincicial respiratório. A mais notável foi a drástica diminuição da internação de crianças de até 2 anos por bronquiolite causada pelo vírus sincicial respiratório. Esse vírus responde por 85% dos casos de bronquiolite (inflamação dos brônquios).

Que medidas surtiram mais efeito?

O distanciamento social, o uso de máscara, cuidados com higiene respiratória. No caso das crianças, o fechamento de creches e escolas teve papel fundamental, foi determinante, porque interrompeu uma fonte importante de contágio de infecções.

Mas as escolas estão reabrindo, esse efeito benéfico não desaparecerá?

Ele não precisa desaparecer. Ficará como um legado positivo do esforço contra a pandemia o aprendizado de que cuidados simples fazem enorme diferença. Usar máscara ou não ir à escola em caso de sintomas de doença respiratória, lavar sempre mãos e objetos, tudo isso, se mantido como em países asiáticos, pode ter um impacto positivo muito grande na contenção desses vírus daqui para a frente.

O estudo foi realizado com crianças de até 2 anos. E as mais velhas?

As crianças de até 2 anos predominam nas internações em UTIs pediátricas devido a doenças respiratórias porque até essa faixa etária as vias aéreas são menores, mais estreitas. Por isso, são mais sujeitas a obstruções devido infecções e complicações decorrentes disso. As mais velhas também adoecem, mas, em geral, com menor gravidade. As crianças pequenas acabam por ser um indicador do impacto das medidas sobre a contenção dos vírus respiratórios.

Qual o impacto mostrado no estudo?

Estimamos que nos 15 hospitais cerca de 1.500 internações deixaram de ser feitas. Acreditamos que no Brasil, milhares de internações por infecções respiratórias (não-Covid-19) foram evitadas. Mas não houve impacto sobre outras doenças, mais um indicador da relação direta com as medidas contra a propagação da Covid-19.

O que o senhor recomendaria aos pais?

Que, mesmo quando a pandemia passar, continuem a manter os cuidados com etiqueta respiratória, contenção de sintomas. E que vacinem os filhos, não apenas contra a Covid-19, quando existir uma vacina, mas contra a gripe e todas as doenças do Programa Nacional de Imunizações.

Fonte: O GLOBO



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