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Roupas de compressão, elas funcionam?

Roupas de compressão, elas funcionam?

Sempre foi muito comum ver ciclistas e triatletas profissionais usando roupas agarradas no corpo como bermudas, tops ou até mesmo macaquitos.  Essas roupas são chamadas de roupas de compressão. Já há alguns anos o uso dessas roupas vem se proliferando entre corredores e ciclistas recreacionais alegando-se melhora do conforto e redução da fadiga durante o treino ou prova. Me lembro que no início essas roupas chamavam muita atenção e muitos olhavam com estranhamento para aquele visual. Hoje já é tão comum que as pessoas nem sequer prestam mais atenção. São meias, polainas, calças, bermudas e camisas que tem o propósito de reduzir a fadiga, melhorar a recuperação pós exercício, auxiliar o retorno venoso e aumentar a eficiência da contração muscular.

Criadas há mais de 50 anos, as roupas de compressão foram utilizadas inicialmente para melhorar a recuperação de tecidos e a circulação sanguínea de pacientes em pós-operatório. Sua função terapêutica depois foi ampliada para tratamento de edemas e trombose, chegando também à cirurgia estética. No início dos anos 1990, a revolução alcançou o esporte de elite e as roupas de compressão se tornaram um grande aliado de atletas de corrida e ciclismo. Quais os efeitos propostos então? O que a ciência diz sobre elas?

O primeiro benefício dessas peças é o mais óbvio, melhorar o retorno venoso. Um benefício amplamente conhecido por angiologistas no tratamento da insuficiência venosa. Num estudo de Varela em 2011 onde foi analisado os efeitos da roupa de compressão em atletas de alta performance, é relatado que o efeito moldante sobre a musculatura da perna melhora o efeito da bomba muscular, sobretudo em condições de esforço extremo. Considera-se ainda um discreto efeito redutor sobre a circulação superficial da pele melhorando a irrigação do músculo. Como a melhora do retorno venoso produz-se um maior pré-load cardíaco com maior volume sistólico diminuindo obrigatoriamente a frequência cardíaca. Esses efeitos, em tese, promoveriam uma maior economia de corrida reduzindo o VO2máx em condições de grande esforço. Varela verificou que o grupo de atletas que usou meias de leve compressão (15 – 21 mmhg) apresentou maior resistência à fadiga, menor VO2máx e menor frequência cardíaca máxima.

O outro benefício atribuído às roupas de compressão é que elas funcionam como um reforço ao tecido fascial mimetizando sua função. Isso significa que a compressão produzida por essas roupas diminui a vibração muscular e o temblor (movimentação dos músculos durante o esforço) que causam gasto excessivo de energia e favorecem os microtraumatismos musculares. Se isso é verdade podemos esperar que haja redução da fadiga durante a corrida e da dor após o exercício. Essa tese está longe de ser um consenso na literatura. Alguns estudos confirmam esses efeitos e outros os refutam.

Numa revisão de mais de 30 pesquisas sobre os efeitos de roupas de compressão observou-se um resultado positivo do seu uso. Nesses estudos, os atletas relataram sentir menos dor quando usam roupas de compressão do que quando não as utilizam. Os pesquisadores também chegaram à conclusão de que pode ocorrer um efeito placebo. Isso não significa que os benefícios resultantes não são reais. Se a pessoa acredita que há melhora e se sente bem acho que deve usar. Para finalizar, nenhum estudo encontrou efeitos fisiológicos negativos com o uso de roupas de compressão. Portanto, o máximo que pode acontecer é o corredor perder o dinheiro investido. Na minha vivência pessoal e empírica de correr com bermuda de compressão senti uma diferença significativa na fadiga durante a prova e maior conforto nos dias seguintes. Se foi placebo, que continue assim.

 

Fonte: Biomecânica da Corrida



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