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Teste de Respiração Espontânea no Processo de Extubação de Neonatos: Uma Revisão Integrativa

Teste de Respiração Espontânea no Processo de Extubação de Neonatos: Uma Revisão Integrativa

INTRODUÇÃO

Os estágios de desenvolvimento dos sistemas orgânicos durante a vida fetal são importantes para a transição da vida intrauterina para a extrauterina, no entanto, mediante a eminência e ocorrência de parto prematuro a maturação dos sistemas é afetada e os mesmos cursam em desenvolvimento e crescimento na vida pós-natal, afetando significativamente o desenvolvimento do sistema nervosa central (SNC) e sistema respiratório, provocando o aumento das taxas de mortalidade e morbidade de recém-nascidos prematuros. 1-2-3-4

O surgimento de novas técnicas de cuidados intensivos neonatais como a ventilação mecânica não invasiva (VMNI) tem aumentado a sobrevida de recém-nascidos com peso e idades gestacionais mais baixos, esse fator vem ao longo da história modificando e desenvolvendo práticas mais assertivas nos cuidados neonatais. 5-6

Mas o uso da ventilação mecânica invasiva ainda é um recurso importante para a sobrevida dos prematuros e muito utilizada nas unidades de terapia intensiva neonatais, no entanto o seu uso por tempo prolongado está associado ao aumento do risco de doença pulmonar crônica em recém-nascidos de muito baixo peso por provocar lesão induzida pela pressão positiva.7-8-9 Esse fato coloca a ventilação mecânica não invasiva estratégia de primeira escolha para tratamento em alguns distúrbios respiratórios agudos.10-11-12

A permanência do neonato no suporte invasivo está diretamente associada a uma série de complicações como: colonização de bactérias, infecções, obstrução do tubo endotraqueal, pneumonia associada a ventilação, pneumotórax, lesão subglótica e a displasia broncopulmonar. 1-6-13-14-15-16-17-18-19-20-21-22-23-24

Diante disso, determinar o momento exato para a extubação é de fundamental importância para a obtenção de sucesso pós-extubação,6 essa exatidão diminui a necessidade de reintubação que tem sido associado com hipóxia, hipercapnia, trauma das vias aéreas, pneumonia e hemorragia intraventricular25 e consequentemente evita os riscos de falência respiratória e mortalidade.12-26-27

O teste de respiração espontânea (TRE) foi desenvolvido para identificar pacientes que estão aptos para sair da ventilação. Quando realizada antes da extubação pode fornecer informações e identificar uma série de fatores que são necessários para o neonato respirar espontaneamente.12 Para realização do TRE é necessário colocar o ventilador mecânico no modo CPAP, utilizando pressão positiva expiratória final (PEEP) de 5cmH2O e fluxo inspiratório de 10L/min durante 30 minutos.6

O objetivo do presente estudo é realizar uma revisão da literatura e buscar suporte científico do Teste de Respiração Espontânea (TRE), demonstrando suas formas de aplicabilidade.

MATERIAL E MÉTODOS

Este estudo consiste em uma revisão de literatura elaborada através de algumas etapas metodológicas: estratégia de pesquisa; seleção; análise e descrição dos artigos.

1.1 Estratégia de pesquisa

A busca dos artigos foi realizada nas bases de dados: MEDLINE (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online), PubMed, SciELO (Scientific Electronic Library Online), PEDro (Physiotherapy Evidence Database) e LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde). Os descritores utilizados foram: prematuro, extubação e terapia intensiva neonatal. Seus correspondentes em Inglês (Infant, premature and extubation and Intensive care, neonatal) e em Espanhol (prematuro, extubación y terapia intensiva neonatal).

1.2 Seleção dos artigos

Foram selecionados estudos publicados no período de janeiro de 2010 a janeiro de 2018, em Português, Inglês ou Espanhol. A inclusão dos artigos foi limitada a ensaios clínicos realizados com neonatos, em ventilação mecânica, que realizassem o teste de respiração espontânea destes indivíduos. Os artigos que obedeceram aos critérios de inclusão foram analisados de forma independente, sendo excluídos aqueles estudos que estivessem em duplicidade na base de dados.

1.3 Análise dos artigos

A busca foi realizada por um revisor, que avaliou os títulos, resumos e métodos de forma independente. Na primeira seleção, os artigos foram lidos na íntegra e aqueles que estivessem dentro dos critérios de exclusão foram eliminados.

2.4 Descrição dos artigos

Para auxiliar na visualização dos resultados encontrados nos artigos, foram selecionadas informações referentes aos autores, às características dos participantes, situação dos participantes no que se refere à respiração espontânea e como a mesma foi analisada pelos autores de maneira a demonstrar, ou não, algum tipo de intervenção.

RESULTADOS

No decorrer da busca bibliográfica, foram encontrados 154 artigos. Foram excluídos os estudos que se repetiam entre as bases de dados e os artigos que não foram publicados entre 2010 e 2018. Os demais passaram por uma leitura dos títulos e resumos, para identificar o amoldamento dos mesmos aos critérios de inclusão. Em seguida, os artigos selecionados foram lidos na íntegra, para identificar os estudos que entraram nos critérios de exclusão.

Em relação à origem das publicações, foram selecionados 2 artigos internacionais, dos quais 1 foi proveniente do Reino Unido e 1 proveniente do Irã. Dentre os nacionais, foram identificados apenas 1 artigo. No que se refere às formas de realizar o teste, os estudos foram bastante homogêneos entre si e utilizaram as mesmas formas de avaliação para a análise desta característica.

Entre os 3 estudos analisados nesta revisão, o CPAP endotraqueal foi a forma de avaliação mais utilizada, estando presente em 2 estudos, tendo em vista ser um teste de fácil aplicabilidade e bons resultados. Outros protocolos de intervenção também foram encontrados nos estudos, entretanto com uma frequência consideravelmente menor quando comparados ao CPAP.

DISCUSSÃO

Os estudos demonstraram que o teste de respiração espontânea em CPAP endotraqueal possui uma boa acurácia para realização de extubação mais segura por reduzir consideravelmente a taxa de necessidade de reintubação.

Andrade (2010) analisou 60 neonatos sob ventilação mecânica invasiva com o ventilador INTER 3 – Intermed, realizando o TRE em cpap endotraqueal com pressão expiratória final (PEEP) de 5 cmH2O, fluxo inspiratório de 10 L/pm e fração inspirada de oxigênio (FIO2) de 30% durante 30 minutos. Após o procedimento, 66,7% obtiveram sucesso na extubação, comparado aos que não foram submetidos ao teste, apresentaram menor taxa de sucesso que ficou em 36,7%. Dessa forma o estudo conclui a eficácia do teste como preditor de sucesso pós extubação, diminuindo o risco de reintubação.

Porém, no estudo de Dassios (2017), que utilizou o TRE com cpap endotraqueal em 46 neonatos, 41 conseguiram permanecer no teste, entretanto apenas 23 tiveram sucesso na extubação. Durante o estudo, foi visto que o músculo respiratório teve um relaxamento significativamente maior em crianças cuja extubação falhou durante o teste de respiração espontânea, não sendo indicado o TRE com cpap endotraqueal pelo autor sem avaliar a musculatura respiratória.

Já no estudo de Farhadi (2015), o TRE foi realizado com pacientes ventilados no modo SIMV, que foram passados para PSV (pressão de suporte) 30 minutos antes da extubação. Foram divididos 50 RN’s em dois grupos ventilados com pressões diferentes, sendo essas pressões 10cmH2O e 14cmH2O respectivamente. Ao decorrer do estudo foi visto que a MAP (pressão média das vias aéreas) foi menor com a pressão de suporte com 10cmH2O. Concluindo que a redução gradual do pico de pressão inspiratória e sua conversão para pressão de suporte de 10 cmH2O aumenta a taxa de sucesso de extubação em comparação com a pressão de suporte de 14 cmH2O, e ajuda a evitar complicações adicionais de possiveis extubações falhas e os recém-nascidos podem ser extubados no modo PSV.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar de alguns estudos se aprofundarem no TRE, a literatura focada na aplicabilidade do teste na população neonatal ainda é escassa. As evidências disponíveis nos estudos analisados nesta revisão, mostram que, realizar o TRE é de fundamental importância para obter uma extubação bem sucessida. Porém, todos os estudos utilizaram métodos de TRE diferentes, impossibilitando definir o melhor e mais seguro para o neonato.

REFERÊNCIAS

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Artigo Publicado no dia 07/01/2021.



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