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Mobilização Precoce nas Unidades de Terapia Intensiva: Uma Revisão de Literatura

Mobilização Precoce nas Unidades de Terapia Intensiva: Uma Revisão de Literatura

INTRODUÇÃO

A mobilização precoce (MP) nas unidades de terapia intensiva refere-se às atividades de mobilização que são iniciadas imediatamente após a estabilização das alterações fisiológicas do paciente e não somente após a utilização da ventilação mecânica ou alta da UTI. (1)

Diversos estudos mostram que as disfunções decorrentes de um longo período de imobilismo podem acontecer com 72 horas da admissão na UTI e suas consequências podem durar até cinco anos após alta hospitalar. (2)

A imobilização e o uso de ventiladores mecânicos por um longo período nos pacientes críticos levará a uma fraqueza muscular adquirida na UTI. A MP mantém ou aumenta a força muscular, melhorando a qualidade de vida desses pacientes. (3)

Uma das mais importantes intervenções para a redução da mortalidade e morbidade é a mobilização precoce. A inatividade dos pacientes no leito levam à déficit cerebral, tecidual, pulmonar, muscular e cardiovascular. Atrofia muscular, úlceras de decúbitos e delírio também são alguns dos efeitos da imobilidade nas UTIs. (4)

A mobilização e o posicionamento preventivo de contraturas articulares na UTI são medidas importantes na reabilitação precoce do paciente, melhorando o desempenho respiratório, muscular e articular. Facilitando assim, o desmame da ventilação mecânica e consequentemente, diminuindo o tempo de internação nas unidades de terapia intensiva. (5) A MP é efetiva e diminui a mortalidade em pacientes de traumas e queimados. A equipe multidisciplinar como médicos, fisioterapeutas e enfermeiros, bem como a gestão hospitalar, devem aderir a programas de mobilização precoce em suas UTIs. (6)

A utilização do cateter central ou periférico para a monitorização e a administração de drogas nos pacientes críticos é comum. Estudos demonstram que a mobilização precoce nos pacientes que utilizam esses cateteres, não é critério de exclusão. Mas, ainda existem alguns centros médicos que não iniciam um protocolo de reabilitação precoce por causa do uso dos acessos. (7)

MATERIAIS E MÉTODOS

O presente estudo resultou de uma revisão literária, onde foi realizada uma pesquisa bibliográfica através das bases de dados do Pubmed e Scielo. A opção por esses sites de artigos científicos se justifica por serem amplamente conhecidos e muito utilizados por acadêmicos e profissionais da área de saúde e pelo rigor na classificação dos seus periódicos. As palavras-chave utilizadas como descritores foram: Fisioterapia, Mobilização Precoce, Reabilitação e Unidade de Terapia Intensiva.

A seleção buscou citações dos últimos cinco anos (2012-2016), nas línguas inglesa e portuguesa. Observaram-se oito referências com o período de busca de novembro de 2016 a fevereiro de 2017.

Dos artigos extraíram-se informações sobre autores, tipo de estudo, método e resultados, sendo esquematizados em forma de tabela. Neste contexto, foram discutidos os resultados encontrados das citações bibliográficas.

DISCUSSÃO

A utilização de cateteres nos pacientes em unidades de terapia intensiva é bem comum. Por causa disso, muitos profissionais ficam inseguros nos momentos das mobilizações. O estudo realizado verificou que a fisioterapia motora não está relacionada a eventos adversos, como a perda de cateteres. Dos 275 pacientes avaliados, 49% usavam cateter venoso central, 26% faziam hemodiálise e 29% utilizavam o cateter de pressão arterial invasiva. 82% desses pacientes receberam a fisioterapia motora e 94% o tratamento da fisioterapia respiratória. (7)

É frequente a diminuição da força muscular (FM) em pacientes internados em UTIs. No estudo, os pacientes mantiveram e/ou aumentaram a força muscular inspiratória. Os pacientes não respondedores apresentaram idade superior (74,3 ± 15,1 anos; p = 0,03) e maior tempo na UTI (11,6 ± 14,2 dias; p = 0,047) e no hospital (34,5 ± 34,1 dias; p = 0,002). (2)

A equipe multidisciplinar e os gestores hospitalares devem aderir a um protocolo de mobilização precoce. Nesse estudo é possível observar através da MP a melhora nos sistemas respiratório e cardiovascular em pacientes de traumas e queimados na UTI. Durante a pesquisa, não foi relatado nenhum evento adverso relacionado à mobilização precoce. Porém, durante o protocolo não foi observada a diminuição de dias no uso da ventilação mecânica. (6)

Os pacientes que aderiram ao protocolo de mobilização precoce passaram menos dias na UTI. O protocolo da MP foi dividido em 5 etapas. No primeiro estágio, com o paciente ainda inconsciente, eram realizados os alongamentos e as mobilizações passivas nos 4 membros e também o posicionamento articular. No segundo estágio, com o paciente já consciente, foram realizados os alongamentos passivos (AP), exercícios ativo-assistidos (EAR) nos 4 membros e a transferência de deitado para sentado. Na terceira fase, AP nos 4 membros, EAR contra gravidade e com auxílio do peso, transferência de deitado para sentado na borda do leito e cicloergometria para membros inferiores (MMII). Na quarta etapa, AP nos 4 membros, EAR com auxílio do peso, cicloergometria para MMII, transferência de sentado para a cadeira e postura ortostática. E no último, AP nos 4 membros, exercícios contrarresistidos para membros superiores, cicloergomêtrico para MMII, treinamento de equilíbrio e deambulação. Aproximadamente 50% dos pacientes que participaram desse estudo, saíram da unidade de terapia intensiva com grau 5 de funcionalidade. (8)

Durante o estudo, foi observado que não houve ganho na pressão expiratória máxima dos pacientes avaliados e que não houve diminuição significativa de dias no uso da ventilação mecânica, tempo de internação na UTI e hospitalar. (5)

Através dos estudos desses autores foi possível observar que os pacientes que se encontram sob uso da ventilação mecânica por um longo período e que não realizam a mobilização, adquirem fraqueza muscular, onde ela é avaliada através do MRC < 48. A pesquisa também aponta que os pacientes submetidos a um protocolo de mobilização precoce e sistemático, aumentaram a força muscular periférica e inspiratória.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA

1. Mota CM, Silva VG da. A segurança da mobilização precoce em pacientes críticos: uma revisão de literatura. Interfaces Científicas-Saúde e Ambiente; 2012 Out;1(1):83-91.

2. Murakami FM, Yamaguti WP, Onoue MA, Mendes JM, Pedrosa RS, et al. Evolução funcional de pacientes graves submetidos a um protocolo de reabilitação precoce. Revista Brasileira de Terapia Intensiva; 2015 Mar; 27(2): 161-169.

3. Taito S, Shime N, Ota K, Yasuda H. Early mobilization of mechanically ventilated patients in the intensive care unit. Journal of Intensive Care; 2016 Jul 29. doi: 10.1186/s40560-016-0179-7.

4. Zomorodi M, Topley D, McAnaw M. Developing a mobility protocol for early mobilization of patients in a surgical/trauma ICU. Critical Care Research and Practice; 2012 Dec 20. doi: 10.1155/2012/964547.

5. Dantas CM, Silva PFS, Siqueira FHT, Pinto RMF, Matias S, et al. Influência da mobilização precoce na força muscular periférica e respiratória em pacientes críticos. Revista Brasileira de Terapia Intensiva; 2012 Jun; 24(2): 173-178. 6. Clark DE, Lowman JD, Griffin RL, Matthews HM, Reiff DA. Effectiveness of na early mobilization protocol in a trauma and burns intensive care unit. Physical Therapy; 2013 Feb;93(2): 186-196.

7. Lima NP, Silva GMC, Park M, Neto RCP. Mobility therapy and central or peripheral catheter-related adverse events in an ICU. Jornal Brasileiro de Pneumologia; 2015 May-Jun; 41(3): 225-230.

8. Feliciano VA, Albuquerque CG, Andrade FMD, Dantas CM, Lopez A, et al. A influência da mobilização precoce no tempo de internamento na unidade de terapia intensiva. Assobrafir Ciência; 2012 Ago; 3(2): 31-42.



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