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Epidemiologia de Dor Osteomuscular em Atletas de Triatlo em uma Prova Internacional

Epidemiologia de Dor Osteomuscular em Atletas de Triatlo em uma Prova Internacional

INTRODUÇÃO

O Triatlo surgiu em San Diego (EUA), no ano de 1974. É uma modalidade que também possui variantes necessárias ou facultativas, dentre elas o Duatlo, Aquatlo, Cross Triatlo, onde envolve as modalidades de natação, ciclismo e corrida de forma combinada ou não. No Brasil o esporte chegou em 1981 e a primeira competição oficial aconteceu somente em 1983 na Cidade do Rio de Janeiro. O ano de 2000 foi muito importante para o Triatlo que fez sua estreia nos XXVII Jogos Olímpicos, Sydney – Austrália (CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE TRIATLO, 2013).

Este esporte é praticado por mais de 1 milhão de pessoas (CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE TRIATLO, 2013). Tais praticantes levam o corpo a esforços extremos, exigindo o máximo de suas capacidades fisiológicas e psicológicas, tornando a participação em uma prova deste porte um desafio quase que de vida ou morte. (MENEZES, 2015).

Korkia et. al. (1994), relataram uma taxa de 17,4 lesões para cada 1000 horas de competição e 5,4 lesões para cada 1000 horas de treino. Segundo Engebretsen et. al. (2013), durante a Olimpíada de Londres em 2012, 14,5% dos triatletas que competiram referiram o aparecimento de lesões durante os jogos.

A crença generalizada entre muitos treinadores e atletas é que volumes relativamente grandes de treinamento intenso deve ser realizado para maximizar os ganhos e desempenho. No entanto, elevados volumes de treino e/ou recuperação insuficiente tem sido associada com overtraining (HALSON, JEUKENDRUP, 2004).

Além disso, há que se considerar o fato de que os atletas que do grupamento de elite da prova, são em sua maioria amadores. Embora haja uma alta exigência física, são raros os atletas que recebem dinheiro e se sustentam a partir do triatlo no Brasil. A maioria desses sujeitos tem outras profissões paralelas, o que algumas vezes acaba prejudicando o treinamento do atleta. Nesse contexto, os distúrbios osteomioarticulares também podem ser mais frequentes (MENEZES, 2015), sendo desde dores musculares a lesões mais graves como fraturas e luxações, além de distúrbios metabólicos. (HAUSSWIRTH, LEHÉNAFF, 2001).

Diante do exposto faz-se necessário traçar um perfil epidemiológico de dores osteomusculares apresentadas por atletas após uma prova de triatlo, a fim de verificar os valores desse tipo de ocorrência.


MATERIAIS E MÉTODOS

O presente estudo foi realizado após a aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade do Estado de Santa Catarina –UDESC (CAAE:  15225113.5.0000.0118).

Constituiu-se de um estudo transversal realizado por meio da coleta de dados com triatletas participantes do Challenge Family Maceió, no dia 23 de Agosto de 2015. O Challenge é um evento esportivo internacional que começou em Roth na Alemanha. O Challenge Maceió foi a segunda prova do Challenge Family na América Latina e consistiu nas seguintes opções de provas: Challenge Half Distance (percurso da prova totaliza 113km, divididos em 1,9km de natação, 90km de ciclismo e 21,1km de corrida); Challenge Sprint Distance (750m de natação, 20km de ciclismo e 5km de corrida); Challenge Women (5km de corrida ou caminhada apenas para mulheres) e o Challenge Junior (crianças de 07 a 15 anos com as modalidades natação, ciclismo e corrida).

Utilizaram-se como critério de inclusão, triatletas brasileiros, acima dos 18 anos, de ambos os sexos, que tivessem completado a prova do Challenge Family Half Distance e fossem passar pelo atendimento no setor de fisioterapia da prova. Foram excluídos atletas menores de 18 anos, atletas que participaram de outras modalidades do evento, que possuíssem outra nacionalidade, que não completaram a prova e que não foram atendidos pelo setor da fisioterapia.

Inicialmente foi entregue aos triatletas o Termo de Consentimento Livre-Esclarecido (TCLE), para que os mesmos entendessem melhor do que se tratava a pesquisa e os que concordaram em participar espontaneamente assinaram o termo.

Em seguida os dados foram coletados a partir de entrevista realizada com os triatletas, sendo preenchido um formulário de coleta de dados elaborado pelo autor da pesquisa, contendo as seguintes variáveis: Idade, Sexo, Nacionalidade, Membro Dominante, Dor antes do atendimento, Dor muscular (Coxa, perna, pé, braço, antebraço, mão, coluna cervical, torácica e lombar), Dor articular (Quadril, joelho, tornozelo, ombro, cotovelo, punho, coluna cervical, torácica e lombar), Câimbra (Coxa, perna, pé, braço, antebraço, mão, cervical, torácica e lombar).

Para mensurar a dor que os triatletas sentiam antes do atendimento, foi utilizada a Escala Analógica Visual de dor (EVA). Um instrumento unidimensional, validado, que avalia a intensidade da mesma através de uma linha com as extremidades numeradas de 0-10, onde 0 é marcado como “nenhuma dor” e 10 a “pior dor imaginável”. (MARTINEZ, GRASSI, MARQUES, 2011).

Após a análise, os dados coletados foram armazenados em uma pasta e posteriormente foram descartados a fim de evitar riscos de exposição.

Os dados foram submetidos à análise descritiva avaliando-se a distribuição de cada variável estudada por meio do programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS) versão 17.0. Os resultados foram apresentados em tabelas em números absolutos, porcentagem.

RESULTADOS /DISCUSSÃO

Foram entrevistados 220 triatletas que completaram a prova de Half Distance do Challenge Family Maceió. Destes, apenas 13% (29) eram do sexo feminino e 87% (191) do sexo masculino. O membro dominante da maioria foi o direito, aproximadamente 86% (189).  Bertola et. al. (2014) em um estudo semelhante, avaliou 190 triatletas pós prova, e obteve a proporção de 80% do sexo masculino e 20% do sexo feminino.

De acordo com as respostas dos triatletas à EVA, a média de dor encontrada após a realização da prova foi de aproximadamente 5,9 pontos, sendo as dores musculares as mais prevalentes, totalizando 73% de todas as queixas relatadas pelos atletas, seguida de câimbras (17,4%) e dores articulares (9,6%). As lesões musculares, segundo Korkia (1994), também foram as maiores queixas dos atletas, compreenderam em média 40% do total de lesões, seguidas de lesões articulares. No estudo de Velck (2013) as câimbras apresentaram-se como 36,1% perdendo apenas para desidratação. Já Rimmer e Coniglione (2012) encontraram a câimbra sendo a principal causa de dores após uma prova de triatlo, com 38,9%.

Quanto às dores musculares (tabela 1), os segmentos mais afetados foram as pernas (38,6%), seguido da coxa e do pé. Esse resultado corrobora com o encontrado por Bertola et al. (2011) que teve em seu resultado as panturrilhas como o segmento mais prevalente, com 40% das lesões encontradas.

Analisando as dores articulares (tabela 2), os segmentos mais afetados foram os joelhos (33,0%), seguido de quadril e tornozelo. Corroborando com Bezem, Bezem (2011), onde 34,% das lesões relatadas foram no joelho. Já no estudo de Bertola et al. (2011) houve um empate entre joelho e tornozelo (18%). As áreas de risco com maiores valores de prevalência, geralmente relatados são joelho (43%), tornozelo/pé (23%) e região lombar (31%) segundo Egermann, et. al, (2003) e Korkia et. al. (1994).  Ongaratto e Toigo (2010) sugeriram que as lesões articulares acontecem predominantemente na etapa de ciclismo.

Quanto às câimbras (tabela 3), as maiores queixas foram nos segmentos de perna (43,3%), seguido de coxa. Segundo Peterson e Renström (2002) e Whiting, Zernicke (2001), as cãibras acontecem es-pecialmente no gastrocnêmio, semimembranoso, semitendinoso, bíceps femoral e abdominal. Durante as provas Olímpicas, os problemas médicos mais comumente observados são a exaustão pelo calor (29%) e cãibras (29%) (DALLAN , JONAS,  MILLER , 2005).

Sendo assim, é possível perceber que durante as competições os membros inferiores são os mais acometidos por lesão e consequentemente dor. Podendo ser relacionadas principalmente às fases de corrida e ciclismo (BEZEM, BEZEM, 2011; REY, 2012). Vleck (2013) constatou resultados de distribuição das lesões por modalidade praticada, sendo a corrida (58,7% a 64,3%) a grande responsável pela maioria delas seguida pelo ciclismo (15,9% a 34,5%).  Resultado semelhante ao de Korkia (1994) que observou que 65% das lesões ocorreram durante a corrida; 16% no ciclismo; e 12% na natação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O perfil epidemiológico de dor osteomusculares nos atletas de triatlo após a prova internacional em Maceió mostrou que a maioria foi do sexo masculino, destros, apresentaram maiores queixas de dores musculares, seguidas de câimbras, principalmente em membros inferiores (nível de perna). A média de dor relatada foi de 5,9 pontos, uma dor considerada moderada.

Diante do exposto por este estudo, confirma-se a importância de se realizarem cada vez mais pesquisas principalmente detalhando suas lesões para que possa ser realizada uma intervenção mais eficiente imediatamente após as provas, protegendo o atleta dessa modalidade, ajudando-o a permanecer nesse esporte por um período mais prolongado.



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