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Efeitos do Uso do Cateter Nasal de Alto Fluxo após Extubação Comparado a Outras Terapias: Uma Revisão de Literatura

Efeitos do Uso do Cateter Nasal de Alto Fluxo após Extubação Comparado a Outras Terapias: Uma Revisão de Literatura

INTRODUÇÃO

Cânula Nasal de Alto Fluxo (CNAF) e sua indicação está associada principalmente a insuficiência respiratória hipoxêmica, além disso, essa modalidade tem se mostrado eficaz em outras condições clínicas, incluindo a insuficiência respiratória hipercápnica, suporte durante intubação de sequência rápida, desmame após extubação e em cuidados paliativos.

A CNAF é uma modalidade de apoio respiratório não invasivo de oxigenoterapia que fornece misturas de gases condicionadas (aquecidas e totalmente umidificadas) para pacientes com patologias relacionadas à insuficiência e/ou desconforto respiratório, por meio de uma cânula nasal. Mais recentemente, em 2020, observou-se a relevância do CNAF no tratamento das infecções decorrentes do vírus SARS-CoV-2 durante a pandemia da doença COVID-19.

Em pacientes com COVID-19, o tratamento de suporte é a principal estratégia, incluindo oxigenoterapia para pacientes hipoxêmicos, em Cateter Nasal de Alto Fluxo (CNAF), uma técnica considerada eficaz na melhora da oxigenação, como no caso de pacientes com IRAH, em que a intubação pode ser evitada em comparação com dispositivos convencionais de oxigênio.

Deste modo, tem beneficiado no tratamento da COVID-19, pois reduz a necessidade de intubação, a permanência do paciente na unidade de terapia intensiva e complicações da ventilação mecânica. Seu papel é reduzir a necessidade de intubação nos dois tipos reconhecidos de pneumonia infectada por coronavírus. A CNAF é uma modalidade terapêutica eficaz em 61,9% nos casos de COVID grave. É um tratamento que vale a pena considerar para COVID-19.

A priori, para adultos, o CNAF é uma terapia emergente para a IRAH, permitindo o fornecimento de oxigênio aquecido e umidificado através de cânulas nasais de ângulo longo em fração definida de oxigênio inspirado (FiO2). Em geral, o CNAF pode ser utilizado como alternativa segura em casos de insuficiência respiratória hipoxêmica e para evitar a intubação em pacientes críticos, em comparação com a oxigenoterapia convencional ou a VNI. Bem como, após extubação de pacientes clínicos e cirúrgicos, quando o uso de VNI é contraindicado ou quando não há adaptação ao seu uso, e em situações especiais, como cuidados paliativos e alívio da dispneia.

Diante do exposto acima, a revisão se justifica pela relevância clínica do tema, uma vez que a escolha da terapia pós-extubação pode impactar diretamente a recuperação dos pacientes e a eficiência dos serviços de saúde. A terapia por meio da CNAF é uma alternativa cada vez mais popular de suporte ventilatório/oxigenoterapia no âmbito hospitalar, atuando na assistência respiratória de qualquer indivíduo que a necessite.

Este estudo teve como objetivo, investigar e comparar os resultados clínicos e a eficácia do CNAF em comparação com outras terapias após a extubação em pacientes. E como objeto a ser investigado o seguinte questionamento: Qual a eficácia do uso do cateter nasal de alto fluxo após extubação comparado a outras terapias?

Materiais e Métodos

Para atender ao objetivo proposto, realizou-se uma revisão da literatura, no qual a coleta de dados foi realizada nas bases de dados United States National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO), U.S. National Library of Medicinee (via PubMed), e Google Acadêmico, no mês de dezembro de 2023 a janeiro de 2024, pesquisas em línguas portuguesa e inglesa utilizando os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): Cânula Nasal de Alto Fluxo, suporte ventilatório não invasivo, extubação; insuficiência respiratória; COVID-19; Oxigenoterapia, bem como seus correspondentes em inglês High Flow Nasal Cannula, non-invasive ventilatory support, extubation; respiratory insufficiency; COVID-19; Oxygen. Artigos a partir de 2011.

Os descritores foram utilizados em diversas combinações e a expressão booleana “AND” foi utilizada a fim de localizar os registros que contivessem simultaneamente os descritores desejados. Foram utilizados os seguintes critérios de inclusão: estudos disponíveis na íntegra; textos publicados no idioma inglês e/ou português; artigos que tivessem como assuntos principais “uso do cateter nasal de alto fluxo após extubação; uso do cateter nasal de alto fluxo após extubação comparado a outras terapias”.

Foram excluídos os publicados em duplicatas e os que não apresentavam relação com o objetivo do estudo. Ademais, fez-se leitura dos títulos e resumos que estavam combinando com a temática do trabalho e os artigos que atenderam aos critérios de inclusão foram selecionados para a pesquisa, e a introdução e as conclusões foram lidas para buscar uma relação direta com os objetivos da pesquisa.

Resultados

Conforme os descritores utilizados na pesquisa, após reunida a base bibliográfica, foi dado início ao processo de leitura dos artigos com as seguintes etapas (figura 2):

A leitura do material permitiu incluir no presente trabalho de conclusão de curso 30 artigos. Após a exclusão dos artigos duplicados, e cujo ano não contemplava a abordagem desse estudo, apresenta-se 9 incluído no presente estudo no quadro abaixo (Quadro 1), os demais encontram-se na introdução e discussão.

Os achados da pesquisa indicaram que o uso da CNAF, quando adotado como estratégia de suporte primário, reduz as taxas de falha na extubação e reintubação. Esta abordagem pós-extubação se revela uma forma de tratamento viável e eficaz para os pacientes, especialmente na diminuição da taxa de reintubação, notadamente quando comparada à oxigenoterapia convencional. Além disso, em pacientes afetados pela COVID-19, os efeitos positivos da CNAF na melhora da mecânica respiratória são evidentes.

Discussão

O período que sucede a retirada do tubo de ventilação é uma fase de risco para os pacientes da UTI, e a Insuficiência Respiratória Aguda (IRA) após uma extubação planejada está associada a uma taxa de mortalidade significativamente elevada. Nesse contexto, diversos fatores, como acúmulo excessivo de secreções, progressiva exaustão, enfraquecimento dos músculos respiratórios, aspiração ou sobrecarga de fluidos, contribuem para o desenvolvimento da IRA. Um estudo inicial, que comparou o uso da CNAF com a máscara de Venturi durante 48 horas após a extubação em pacientes com hipoxemia, mas sem IRA, demonstrou maior conforto, menos episódios de dessaturação, melhor tolerância à interface e uma redução na taxa de reintubações com o uso de CNAF.

Em pacientes considerados de baixo risco, a aplicação de CNAF por 24 horas após a extubação, em comparação com a máscara de Venturi, mostrou uma significativa redução na necessidade de reintubação. Já em pacientes de alto risco, a CNAF, quando comparada à Ventilação Não Invasiva (VNI), demonstrou não ser inferior à VNI na prevenção de reintubações e na ocorrência de IRA pós-extubação.

Mas, um estudo em que se comparou os efeitos de curto prazo da oxigenoterapia por meio de uma cânula nasal de alto fluxo (CNAF) nos parâmetros respiratórios funcionais e subjetivos em pacientes com insuficiência respiratória hipóxica aguda em comparação com a ventilação não invasiva (VNI) e tratamento padrão por meio de máscara Venturi. Obteve-se como confirmação que na insuficiência respiratória hipóxica a CNAF oferece um bom equilíbrio entre oxigenação e conforto em comparação com a VNI e a máscara de Venturi e parece ser bem tolerada pelos pacientes.

Em pacientes com insuficiência respiratória hipoxêmica após extubação, o uso de CNAF se associa com diminuição na taxa de reintubação, particularmente quando comparado à oxigenoterapia convencional. Assim, o uso de CNAF pode ser uma alternativa segura para o controle da insuficiência respiratória após extubação e em situações nas quais a VNI é contraindicada ou não tolerada.

Some-se a isso um estudo, onde foi comparado os efeitos da CNAF e da terapia convencional com O2 de baixo fluxo no impulso neuroventilatório e no trabalho respiratório pós-extubação em pacientes com histórico de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) que receberam ventilação mecânica por insuficiência respiratória hipercápnica. Constatou-se que Em pacientes com DPOC, a aplicação de oxigenoterapia de alto fluxo nasal pós extubação tem resultados significativos quando comparado a oxigenotepia convencional de baixo fluxo.

Igualmente em um estudo que se utilizou a CNAF em pacientes com COVID-19 foi verificado que a oxigenação conservadora precoce realizada por meio da CNAF é significante e efetiva quando comparada a estratégia de intubação precoce nos pacientes com insuficiência respiratória hipoxêmica afetados pela COVID-19. Some-se a isso um estudo de metanálise que comparou o uso oxigenoterapia de cânula nasal de alto fluxo com a convencional de baixo fluxo e a ventilação não invasiva em pacientes com insuficiência respiratória aguda, concluindo que a oxigenoterapia com cânula nasal de alto fluxo gera uma diminuição na taxa de intubação quando comparada com a oxigenoterapia convencional e sem diferença para VNI.

Salienta-se que a CNAF pode ser utilizada em combinação com aquecedores/umidificadores do gás inspirado e adaptadores, o que facilita a tolerabilidade dos pacientes, em parte pela substituição da máscara facial. Os resultados apresentados corroboram com um estudo em que os efeitos positivos no uso da oxigenoterapia nasal de alto fluxo melhoraram a oxigenação, aumentando os volumes e complacências pulmonares, reduzindo o espaço morto, e assim favorecendo a performance e sincronia torácica-abdominal.

Portanto, a oxigenoterapia é uma modalidade terapêutica indicada para pacientes que devido a um processo respiratório agudo apresentam hipoxemia. Entretanto, a escolha da terapia pós-extubação deve ser criteriosa, levando em consideração a condição clínica específica do paciente, a gravidade da insuficiência respiratória e a avaliação médica.

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ARTIGO PUBLICADO EM 09/07/2026



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