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A Quiropraxia no Tratamento da Disfunção Sacroílica

A Quiropraxia no Tratamento da Disfunção Sacroílica

Introdução

Distúrbios da articulação sacroilíaca podem ser um problema no que se refere ao diagnóstico e tratamento. A anatomia dessa articulação é complexa e exclusiva, com um compartimento superior sindesmótico e um compartimento inferior sinovial. O osso ilíaco apresenta uma cartilagem fibrocartilaginosa delgada e o osso sacro é coberto por uma cartilagem hialina mais grossa, o que deixa o lado do ilíaco mais vulnerável a qualquer patologia capaz de afetar a articulação.

A disfunção da articulação sacroilíaca é considerada uma das fontes de dor lombar, além de seu envolvimento com a espondiloartrite e espondilite, e ainda uma associação com a hipo ou hipermobilidade articular, artrite degenerativa, uso excessivo, infecção, fratura por estresse, nas queixas pélvicas decorrentes da gravidez.

A incidência de dor sacroilíca representa até 30% em pacientes portadores de dor lombar baixa.

Na maioria das vezes o diagnóstico clínico da sacroileíte é difícil, dependendo substancialmente da confirmação dos achados radiológicos, em que a radiografia convencional e, atualmente, a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) assumem papel importante.

As imagens podem revelar a presença de esclerose óssea do sacro e do ilíaco, irregularidades dos contornos articulares, erosões ósseas e, em graus mais avançados, o pseudo alargamento articular e até a anquilose total (fusão da articulação sacroilíaca). Outros métodos de imagem também podem contribuir para a obtenção do diagnóstico, como a cintigrafia óssea.

De um modo geral, o tratamento é conservador e envolve medidas terapêuticas como o uso de medicamentos específicos, fisioterapia, utilizando-se de técnicas como o ajuste quiroprático que consiste em resolver rapidamente os sintomas do paciente, como o alívio da dor e sua causa, através de manipulações nas quais reestabelecem a amplitude de movimento normal para a determinada articulação, músculos e outras estruturas presentes no sistema musculoesquelético.

MATERIAIS E MÉTODOS

Para o desenvolvimento deste estudo adotou-se como método a revisão da literatura baseada em critérios de inclusão artigos encontrados na bases de dados PubMed, ABQuiro, PEDro, BVS, Lilacs e SciELO. Foram selecionados estudos em língua portuguesa e inglesa. Após análise qualitativa, revisões sistemáticas em livros e artigos publicados nos últimos anos, as referências selecionadas possibilitaram a observação, descrição e classificação dos dados afim de contextualizar o tema proposto.

RESULTADOS

Através da leitura do título e resumo, foram encontradas nas bases de dados pesquisadas, 57 estudos. 10 artigos foram excluídos por apresentarem inadequações ao tema proposto. Considerando os resultados de concordância entre as pesquisas deste estudo, foram elegíveis para o respectivo, 47 artigos que reportaram a anatomia, biomecânica e os aspectos clínicos mais relevantes da disfunção sacroílica enfatizando que a quiropraxia, através da terapia manipular articular (TMA) avalia e trata a deficiência orgânica das articulações, reestabelecendo a função, reduzindo a dor e recuperando a integridade sistêmica do corpo. Evitando ao máximo o uso de medicamentos e cirurgia.

DISCUSSÃO

Sob o ponto de vista biomecânico, a coluna vertebral apresenta quatro curvaturas, sendo duas anteriores, na região cervical e lombar, denominadas lordoses, e duas posteriores, nas regiões torácica e sacral, denominadas cifoses. A coluna vertebral estabelece e mantém o eixo longitudinal do corpo. A coluna lombar (L1 a L5) inicia na base da coluna torácica e termina no sacro. A região lombar é a que suporta a maior carga, conserva grande flexibilidade, estabilização, absorção de impacto e movimento, as quais são conectadas por 3 tipos de estruturas: uma parte óssea, os componentes articulares não-ósseos (ligamentos, músculos, articulações) e os nervosos (medula, raízes e envoltórios).

Nesse contexto, a articulação sacroilíaca é formada bilateralmente pela conexão do sacro com os ossos ilíacos direito e esquerdo. Essa articulação conecta a coluna vertebral com o a pelve, e apresenta características morfológicas de anfiartrose ou sínfise (escassa mobilidade e interposição de fibrocartilagem) e diartrose (cavidade no centro e presença de membrana sinovial) e é responsável pela transferência eficaz de carga dos membros inferiores para a parte superior do corpo.

Pelo fato de ser uma região solicitada em praticamente todos os movimentos, é necessário que haja uma grande estabilidade local, pois o alinhamento das superfícies articulares está próximo dos 90º, fazendo com que as forças resultantes atuem no sentido de cisalhamento das mesmas. Essa estabilização é feita pela própria superfície local, por ligamentos e músculos. A maior amplitude dos movimentos ocorre proximalmente nas articulaçoes da coluna vertebral e distalmente nas articulaçoes dos quadris. A articulação sacroilica é a maior articulação axial do corpo, cuja função primaria é a estabilidade.

A disfunção da articulação sacroílica (DASI) é o termo utilizado para descrever o quadro clinico doloroso dessa articulação. A lombalgia é o sintoma clinico comum as diferentes doenças intrínsecas ou extrínsecas da coluna vertebral, e articulação sacroílica faz parte do diagnóstico diferencial; sendo que a DASI corresponde a 15 – 30% das dores lombares crônicas.

A dor começa geralmente na espinha ilíaca póstero-superior e irradia ao longo do bordo do sacro numa direção inferior e medial. Geralmente é agravada com o apoio, principalmente unipodal com a flexão e com as rotações do tronco em flexão da coluna. É descrita como sendo aguda e localizada na região da SI, podendo irradiar pelos isquiotibiais por vezes até à perna.

É descrita como sendo aguda e localizada na região da SI, podendo irradiar pelos isquiotibiais por vezes até à perna. A dor referida é mais frequente na superfície posterior do membro inferior, por vezes lateralmente e ocasionalmente na região inguinal.

Estudos reforçaram que com maior frequência, a dor se localiza abaixo do território do L5 (estando a área mais específica a 10 cm caudalmente e 3 cm lateralmente em relação à espinha ilíaca posterior-superior, ou seja, a assim chamada área de Fortin) que se irradia para a nádega, coxa e virilha, acabando por se estender para a perna e, às vezes, por imitar a dor ciática. Os pacientes com disfunção sacrilíaca descrevem uma dor que se agrava quando a pessoa se abaixa, se senta. Ficar em pé ou andar pode aliviar a dor. A doença pode ser bilateral, mas quando é unilateral, com maior frequência afeta o lado direito.

A dor é um experiência sensorial e emocional desagradável, de caráter subjetivo. Além dos mecanismos fisiológicos de processamento do estimulo nocivo, denota aspectos cognitivos, emocionais e comportamentais. Mesmo nos casos em que a gravidade da lesão é semelhante, as experiências de dor individuais podem variar drasticamente. Assim, estado emocional, grau de ansiedade, atenção e distração, experiências passadas, memorias e muitos outros fatores podem aumentar ou diminuir a experiência da dor.

Ao longo da pesquisa, autores citaram que a articulação sacroilíaca, devido a sua anatomia, é uma articulação especial, difícil de diagnosticar, uma vez que se pode confundir com outras causas de dor lombar. A radiografia convencional é o método de imagem ainda mais usado na prática clínica. Não há consenso internacional quanto à melhor técnica e incidência para avaliação radiográfica da articulação sacroilíaca. As incidências mais usadas no nosso meio são a ântero-posterior com angulação caudal do raio de 25°,30° e oblíquas, na tentativa de minimizar a sobreposição de estruturas, facilitando assim a interpretação do exame. Os principais achados radiográficos são erosões ósseas, alteração do espaço articular, esclerose subcondral e anquilose.

A avaliação das sacroileíte por meio da tomografia computadorizada (TC), comparativamente à radiografia convencional, mostrou ser mais sensível, definindo melhor e mais precocemente as alterações ósseas, principalmente em virtude da sua capacidade de realizar cortes sequenciais, evitando, desse modo, a sobreposição de estruturas. A TC mostra maior sensibilidade na detecção de pequenas erosões ósseas e na redução do espaço articular.

Os achados mais comuns de sacroileíte na TC são redução do espaço articular, esclerose subcondral, erosões ósseas e anquilose. A redução do espaço articular é caracterizada por espessura menor que 2,0 mm na sua porção sinovial. A esclerose subcondral é encontrada na presença de área focal ou assimétrica de aumento da densidade maior que 5,0 mm no lado ilíaco e 3,0 mm no lado sacral. Erosões ósseas são pequenos defeitos corticais na porção sinovial da articulação. Estes dois últimos achados podem ser vistos em ambos os lados da articulação, entretanto, são frequentemente vistos do lado ilíaco, pois esta face apresenta uma menor espessura e algumas fissuras na sua cartilagem. A fusão focal ou completa da articulação caracteriza a anquilose.

A ressonância magnética (RM) tem sido sugerida como método de escolha na avaliação das sacroileítes, pela qualidade de imagem superior, não utilização de radiação ionizante e, principalmente, pela sua capacidade de detecção e diferenciação das alterações agudas e crônicas.

A ressonância magnética (RM) tem sido sugerida como método de escolha na avaliação das sacroileítes, pela qualidade de imagem superior, não utilização de radiação ionizante e, principalmente, pela sua capacidade de detecção e diferenciação das alterações agudas e crônicas. As principais alterações observadas na RM em portadores de sacroiliíte são líquido intra-articular, com saturação de gordura, substituição da cartilagem articular por pannus (proliferação sinovial), assumindo sinal heterogêneo, com áreas de espessamento focal com hipersinal em T2 e realce pelo meio de contraste, erosões ósseas corticais representadas por focos de alto sinal ou sinal intermediário em T1 e T2 na cortical sacral ou ilíaca, com irregularidade marginal e defeitos mais profundos atingindo inclusive a medular óssea adjacente. Estas erosões são mais bem demonstradas na sequência T1 com saturação de gordura; esclerose subcondral caracterizada por zonas de baixo sinal em T1 e T2; edema medular ósseo subcondral caracterizado por baixo sinal em T1 e alto sinal em T2, sinais de reconversão medular (acúmulo de gordura), focal ou difusa, periarticular nas fases crônicas e anquilose óssea.

A cintilografia apresenta alta sensibilidade na detecção de sacroiliíte, porém a especificidade é baixa. Este exame deve ser interpretado à luz de outro exame radiológico, sendo melhor valorizado quando as alterações são unilaterais. A indicação mais importante seria na detecção da localização de outra enfermidade para a causa da dor lombar.

Para avaliar clinicamente a articulação sacroilíaca vários testes são utilizados. Os testes podem ser divididos em dois grupos; provocativos: são manobras que provocam tensão na articulação sacroilíaca e, consequentemente, provocam dor. Os testes de Patrick, Ganeslen, Thigh thrust, compressão sacra e ilica, são exemplos bem conhecidos. E os de mobilidade: se baseiam nas alterações de uma referência que podem surgir em movimentos padronizados. O teste de Gillet, o teste de rotação do quadril e o teste supino/sentado são exemplos desta classe.

De acordo com a IASP (International Association For The Study Of Pain) o exame clinico e as imagens apresentam valor limitado, necessitando da confirmação diagnostica com o bloqueio teste intra-articular sacroilíaco somente com anestésico local, sendo considerado positivo quando há alivio completo da dor por período limitado de tempo, variando com a vida-média do anestésico local utilizado.

É essencial um bom diagnóstico para poder prosseguir com o tratamento correto da disfunção sacroílica. O tratamento conservador, ou não cirúrgico, é recomendado como primeira linha de tratamento e engloba a utilização de medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos e a realização de fisioterapia.

A fisioterapia convencional é definida como a intervenção que visa modificar déficits nas estruturas e funções corporais. Inclui exercícios de força, alongamento, equilíbrio, treinamento aeróbio, modulação do tônus, e aplica os princípios baseados na abordagem do neurodesenvolvimento. Existem três princípios fundamentais para esta abordagem que inclui a facilitação do movimento e a facilitação ou inibição de padrões patológicos.

Afim de reabilitar e reduzir a dor do paciente, na fisioterapia, dentro do seu leque de condutas, realiza-se a termoterapia (utilizando tanto o calor, quanto o frio); fototerapia (procedimentos com luz); mecanoterapia (emprego de aparelhos mecânicos); eletroterapia (uso de cargas elétricas) e a massoterapia (terapias manuais).

A fisioterapia, tem um papel importante na reabilitação, tendo vários métodos, recursos e terapias que auxiliam no tratamento, priorizado sempre aquele tratamento que der um melhor resultado para o paciente de forma individualizada e humanizada.

Partindo dessa premissa, a quiropraxia baseia-se principalmente em ajuste articular vertebral, removendo interferências do sistema nervoso e subluxações articulares vertebrais, como consequência trazendo maior reflexo biomecânico e mobilidade articular, possui técnicas, conceitos, princípios e filosofia únicos, diferenciando das demais profissões da saúde, criando uma relação muito próxima entre a coluna vertebral, a função do sistema nervoso e o sistema músculo esquelético.

Estudos corroboram que, a quiropraxia é um método de tratamento natural. Avalia e trata a deficiência orgânica das articulações, reestabelecendo a função.

Estudos corroboram que, a quiropraxia é um método de tratamento natural. Avalia e trata a deficiência orgânica das articulações, reestabelecendo a função, reduzindo a dor e recuperando a integridade sistêmica do corpo. Evitando ao máximo o uso de medicamentos e cirurgias, é sobretudo através do manuseio corporal do paciente que o profissional ajusta, alinha e estabiliza as estruturas anatômicas.

Em 1895, se deu o início da quiropraxia através do canadense Daniel David Palmer, dando significado como “prática com as mãos”, assemelhando conceitos gregos como “keirós” de mãos, e “práxis” de prática. A primeira escola de quiropraxia fundada por Palmer foi na cidade de Davenport, Iowa, (EUA) no ano de 1897, onde seus estudos e desenvolvimentos sistemáticos sobre técnicas de manipulação articular (TMA), foram aprofundados e aprimorados com o passar dos anos.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a quiropraxia é uma profissão independente, de formação universitária, encontrada em mais de 90 países de primeiro mundo e encontra-se amparada pela Federação Mundial de Quiropraxia (WFC – World Federation of Chiropractic) que é filiada à OMS.

Os registros historiográficos apontam que até os anos de 1980, no território brasileiro não havia instituições que oferecessem formação em Quiropraxia e tão pouco quiropraxistas brasileiros graduados conforme os protocolos acadêmicos para formação básica e segurança estabelecidos nos países desenvolvidos, cuja sistematização para formação e estruturação da profissão teve início logo após a sua criação, nos Estados Unidos da América, em 18 de setembro de 1895.

A partir de 1982 portanto, retorna ao Brasil o Dr. Marino Schuler, que vivia na América do Norte com a família onde trabalhava como Doctor of Chiropractic após formar-se no Cleveland University – Chiropractic and Health Sciences. Ao voltar ao seu país de origem, estabeleceu seu consultório em Porto Alegre – Rio Grande do Sul, tornando-se assim o primeiro brasileiro oficialmente formado em Quiropraxia atuando no Brasil.

No Brasil a quiropraxia é representada pela Associação Brasileira de Quiropraxia (ABQ), que também é membro da WFC e existente desde 16 de novembro de 1992, como uma entidade jurídica de direito privado sem fins lucrativos, de caráter científico e cultural, de estudo, pesquisa e educação. Fundada para representar a profissão quiroprática no Brasil e a quiropraxia brasileira internacionalmente, a ABQ trabalha para estruturação da quiropraxia dentro dos parâmetros preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A formação de quiropraxistas no Brasil segue diretrizes clínicas que preconizam uma formação com extensa prática clínica sob supervisão.

O termo quiropraxista é aplicado ao profissional da área de saúde em primeiro nível que possui habilidade para diferenciar e diagnosticar dentre as condições de saúde, aquelas que são passíveis de tratamento com quiropraxia. Atualmente, com o apoio e incentivo da OMS para as medicinas chamadas tradicionais/complementares e alternativas, termo que inclui práticas manuais e espirituais, sem uso de medicamentos, também foi relacionada a quiropraxia como tratamento dentro das práticas integrativas para a população que utiliza o Sistema Único de Saúde (SUS).

Ressalta-se que a quiropraxia foi incluída no Programa de Saúde da Família (PSF) por meio de estágios práticos supervisionados como parte da formação acadêmica e há quiropraxistas brasileiros no Comitê Olímpico Internacional, hospitais e clubes de desenvolvimento de atletas profissionais, exercendo papéis importantes para a visibilidade, estruturação, reconhecimento e crescimento da profissão.

O propósito da prática quiroprática baseia-se no estudo dos sistemas neuromúsculo-esquelético no qual a medula espinhal, que é envolvida pelas vértebras, é uma continuidade do tronco encefálico. Esta é o meio de comunicação entre pele, músculos e articulações com o encéfalo e vice-versa e comunica-se com o corpo através dos nervos espinhais que formam o sistema nervoso periférico. Estes se dirigem aos ossos, músculos, articulações, ligamentos, músculos e pele do corpo através desse sistema, que é responsável por informar ao encéfalo e ser informado a respeito de pressão, equilíbrio, posição e dor.

Os nervos, via sistema nervoso autônomo, controlam o funcionamento dos órgãos internos ou viscerais através destas informações para o encéfalo ou, a partir dele, para o organismo. A quiropraxia busca manter em equilíbrio este sistema de comunicação entre encéfalo, sistema nervoso periférico, sistema nervoso autônomo que pode entrar em disfunção a partir de alguma redução na amplitude de movimento articular, encurtamento ou tensão muscular. A quiropraxia pretende, assim, restaurar a função do sistema nervoso.

É importante e válida a prática da quiropraxia em diversas afecções da coluna lombar, posto que favorece o equilíbrio dinâmico do corpo humano, devolve aos indivíduos o seu melhor estado de saúde, baseada na relação do corpo e de suas estruturas, com a função comandada pelo sistema nervoso.

Nesse sentido, desde o século XX acredita-se que a disfunção na articulação sacro-ilíaca (DASI) é um dos fatores que ocasionam a lombalgia, pois, a mesma, devido sua anatomia, é uma articulação especial, com pequenos graus de movimentos, simétricos e assimétricos, que causam alteração no funcionamento da quinta vértebra lombar, anatomicamente ligada ao sacro. Os ligamentos sacroespinhal e sacrotuberoso, além do ligamento iliolombar, que liga a articulação sacroilica e conecta os processos transversos da quinta vértebra lombar, são considerados importantes nas síndromes de dor lombar. Baseado nos relatos, uma disfunção sacroilíaca alteraria a mobilidade de L4 ou L5, causando hipermobilidade destas vértebras, e consequentemente dor lombar.

Fisiologicamente, a quiropraxia consiste na aplicação de métodos não invasivos, destacando-se nas técnicas de terapia manual, em especial a terapia de manipulação articular (TMA), a qual se mostra benéfica nas mais diversas situações, em especial nas afecções da coluna vertebral. Técnicas da terapia de manipulação articular são manipulações, mobilizações e exercícios específicos que tem como objetivo, estimular a propriocepção, estimular o líquido sinovial, produzir elasticidade a fibras aderidas e promover a redução da dor, fazendo com que bloqueie ou diminua seu quadro álgico da dor. O quiropraxista procura sempre a causa de sua sintomatologia em seu paciente e, no caso de uma dor reversível, encontrar uma solução que busque a cessar essa dor.

A técnica de mobilização articular (TMA) baseia-se em movimentos passivos oscilatórios, rítmicos, onde se dividem em quatro níveis de mobilizações e o quinto nível a manipulação articular. As técnicas diferenciam-se de acordo com a amplitude dos movimentos auxiliares, naturalmente, presentes nas articulações e também na regra côncavo-convexa, abordando a combinação dos movimentos conforme a superfície das articulações sinoviais. A superfície convexa móvel desliza no sentido oposto ao movimento osteocinemático.

Os quatro graus da mobilização articular são classificados por suas variações nas formas de aplicações e efeitos fisiológicos: grau I é caracterizado por micro movimentos no começo do arco de movimento em ritmo lento, livre da resistência de tecidos, tendo como efeito fisiológico a entrada de informações neurológicas através de mecanorreceptores, ativando as comportas medulares; grau II, movimento grande no meio do arco em ritmo lento sem resistência, que, além de ativar as comportas medulares, estimula o retorno venoso e linfático, causando clearance articular; grau III, movimento por todo arco com oscilação mais rápida que o grau I e II, com resistência dada pelos tecidos periarticulares, causando os mesmos efeitos do grau II acrescido de estresses nos tecidos encurtados por aderências; grau IV, micromovimentos no final do arco que promovem estresses teciduais capazes de movimentar discretamente tecidos fibróticos. Maitland também classificou a manipulação articular como grau V.

As técnicas de manipulações articulares envolvem movimentos em alta velocidade e baixa amplitude nas articulações, forçando-as além do limite para fisiológico do movimento articular. Em comparação com os quatro graus de mobilização articular (graus I a IV), as técnicas de alta velocidade e baixa amplitude (thrust) se denominam grau V. A mobilização articular utiliza vários graus de amplitude, enquanto a manipulação articular emprega, geralmente, o thrust de alta velocidade e de baixa amplitude.

O movimento brusco (thrust) é um movimento de alta velocidade e curta amplitude que não pode ser impedido pelo paciente. O movimento é realizado no final do limite para fisiológico, ou seja, no final da amplitude de movimento da articulação e visa alterar as relações de posicionamento, soltar aderências ou estimular receptores articulares. Quando uma força específica é aplicada às articulações corporais para permitir a distração articular, notam-se alguns sons como estalidos conhecidos por cavitação.

A queda da pressão intra-articular abaixo da pressão parcial de dissolução do gás carbônico determina a formação de bolhas de gás carbônico neste espaço. Isto determina ruptura da força de coaptação entre as superfícies articulares apostas, gerando uma rápida separação entre as mesmas. Esta rápida separação leva ao súbito tensionamento da cápsula articular. Isto determina a vibração dos tecidos periarticulares, o que gera a emissão de uma onda sonora.

A manipulação provoca efeitos fisiológicos locais e sistêmicos. Entre estes, pode-se citar a diminuição de sintomas dolorosos, o aumento da amplitude de movimento, aumento do limiar de dor à pressão, diminuição da tensão muscular e da atividade elétrica da musculatura, aumento do fluxo sanguíneo periférico, diminuição da pressão sanguínea, maiores níveis plasmáticos de beta-endorfina e aumento da atividade metabólica dos neutrófilos. Como qualquer outro método terapêutico, a TMA apresenta indicações e contra indicações específicas. Entre as contra-indicações absolutas e relativas mais importantes pode-se citar a presença de déficit neurológico progressivo, fratura ou luxações em fase de consolidação, instabilidade segmentar das articulações vertebrais, uso de anticoagulantes e desmineralização óssea, entre outros.

Portanto, a seleção adequada de pacientes que tem menor risco e maior probabilidade de benefício com o tratamento depende do exame criterioso e habilitação adequada do profissional que realizará a conduta. Ou seja, na consulta de quiropraxia inicialmente é realizada uma anamnese para entender a queixa do paciente seguida de uma avaliação física que inclui testes ortopédicos e neurológicos, palpações, análise da biomecânica, avaliação da amplitude dos movimentos articulares, pontos gatilhos musculares e então a análise dos exames de imagem quando existentes.

Um estudo revelou que o processo de avaliação quiropráxica para diagnóstico de disfunções de mobilidade sacroilíacas incluiu: análise postural estática do indivíduo em vista anterior, posterior e laterais; avaliação da mobilidade global ativa da coluna por meio do teste de flexão ativa de tronco, e avaliação da mobilidade dos ilíacos por palpação estática, palpação dinâmica, Teste de Gillet, Teste de Thompson, Teste de Downing, bem como Teste de abdução e adução ativa de quadril em posição sentada para mobilidade sacrilíaca. Após a avaliação e o diagnóstico de lesão quiropráxica (hipomobilidade) de ilíaco, os sujeitos foram tratados apenas com técnicas quiropráxicas de ajuste de ilíaco (manipulação e mobilização) específicas para correção da lesão quiropráxica diagnosticada e listada.

A quiropraxia deve ser executada seguindo um padrão dividido em seis tempos: (a) localização da fixação, (b) escolha da melhor posição para o ajuste, (c) condução da articulação até sentir uma restrinção, (d) o aguardo do reflexo neurotendinoso e (d) desencadeamento da ação do ajuste através de uma manipulação rápida. Os ajustes gerais são ações direcionadas a regiões determinadas. Seu objetivo é a recuperação da mobilidade regional, cervical, torácica, lombar, pélvica e extremidade. O tempo de tratamento e duração vai depender de um diagnóstico por parte do terapeuta, no qual deverá ser feito uma anamnese e exame físico.

Este estudo se justifica mediante que as disfunções da coluna lombar, são causadoras de incapacidades funcionais, de alta incidência, acarretando em custos econômicos altos para a sociedade, custos financeiros relacionados à ausência no trabalho, encargos médicos e legais, pagamento de seguro social por invalidez, indenização ao trabalhador e seguro de incapacidade.

Através dos estudos encontrados reportou-se que a sacroileíte é uma disfunção inflamatória das articulações sacroilíacas, causada por um desnível na articulação do sacro, que é a parte final da coluna, com a articulação do quadril. Esta inflamação provoca dor e desconforto devido à magnitude das cargas que esta estrutura suporta, há várias origens de dores lombares, desde patologias específicas, seguindo de alterações posturais, inatividade física, maus hábitos no ambiente de trabalho e o estresse mecânico prolongado nas articulações.

Muitas são as possibilidades de tratamento dessa condição incapacitante; acredita-se que técnicas complementares da quiropraxia utilizadas como a terapia de manipulação articular (TMA), mostram a eficácia em casos de alivio em algias lombares, evidenciando-se ainda mais em como a quiropraxia pode ser benéfica, quando aplicado de maneira correta por um profissional capacitado.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a quiropraxia é uma profissão da saúde que lida com o diagnóstico, tratamento e a prevenção das desordens do sistema neuromusculoesquelético e dos efeitos destas desordens na saúde em geral. Há uma ênfase em técnicas manuais, incluindo o ajuste e/ou a manipulação articular, com um enfoque particular nas subluxações. O ajuste quiroprático é um procedimento preciso e específico, direcionada à articulações que apresentam alterações biomecânicas específicas. Tem o propósito de restaurar a mobilidade, reduzir a dor e restabelecer a função articular normal. Outros procedimentos manuais como mobilização articular, orientação de exercícios, correção postural e técnicas de relaxamento muscular também são utilizados no tratamento dos pacientes com disfunção sacroílica.

Recentes estudos evidenciam a potência clínica da quiropraxia para o tratamento de diversos problemas musculoesqueléticos, incluindo a satisfação dos pacientes. Dessa forma, preconiza-se o aprimoramento constante da formação, o desempenho clinico excelente, ao qual transmite credibilidade e segurança ao paciente permitindo a qualidade de vida.

AGRADECIMENTOS

Agradeço a minha família pelo apoio durante a pós graduação, aos meus colegas de turma pelo tempo juntos e por fim, agradeço a todos os mestres, em especial aos coordenadores Diego Iorio e Leonardo Viana. Muitíssimo obrigado por todo conhecimento que nos foi passado.

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