Efeitos da Fisioterapia Respiratória na Função Pulmonar de Recém Nascidos
INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas se tem observado a sobrevida de recém-nascidos com idades gestacionais cada vez menores, graças ao crescente avanço da pediatria neonatal. Os avanços concebidos pela medicina nos cuidados intensivos neonatais levaram a um aumento na sobrevida dos recém-nascidos de baixo peso, fazendo com que a prematuridade seja considerada significativo fator de desenvolvimento e crescimento na infância. (BANCALARI, 2001)
Isso decorre do desenvolvimento de modernas técnicas de suporte ventilatório, associadas à disponibilidade crescente de novos fármacos no tratamento das complicações neonatais e da maior capacitação de profissionais, dentre eles a fisioterapia, que auxiliam no desenvolvimento e manutenção de funções vitais.
Assim o objetivo desta pesquisa consiste foi o de revisar a literatura dos últimos 15 anos, com ênfase nos efeitos da fisioterapia respiratória e a influência desta na função pulmonar e consequentemente desenvolvimento global dos recém-nascidos.
METODOLOGIA
A pesquisa apresentada, foi realizada através de uma metodologia de revisão bibliográfica, buscando o posicionamento de autores influentes na área, selecionando assim artigos científicos através de bancos de dados, como a base SciELO, além de pesquisas feitas no motor de buscas acadêmicos Google Scholar ®, pesquisando os temas abordados entre 2005 e 2020, de forma a fundamentar o estudo.
Buscando pelos termos, “fisioterapia”, “respiratória”, “função”, “Recém-Nascido”, onde foram selecionados para estudo doze artigos relacionados a aplicação da fisioterapia no desenvolvimento global do RN, no entanto apenas dois artigos enfocaram a questão e desenvolvimento pulmonar sendo estes utilizando para o estudo. Pesquisando as palavras chaves: “fisioterapia recém-nascidos” na base de dados SciELO retornou 36 resultados em português. Foram excluídos os artigos que não obedeciam aos critérios de inclusão quais eram ter em seu título ou resumo a conjunção dos termos “fisioterapia”, “pulmonar”, “recém-nascido”. Destes foram selecionados sete estudos relacionados a função pulmonar do recém-nascido.
Aponta Minayo (2010), que a coleta de dados é a etapa da pesquisa que exige um grande volume de tempo e trabalho para se reunir as informações indispensáveis à comprovação da hipótese. Pressupõe a organização criteriosa da técnica e a confecção de instrumentos adequados de registro e leitura dos dados colhidos no decorrer da pesquisa bibliográfica.
REFERENCIAL TEÓRICO
A fisioterapia é uma modalidade terapêutica relativamente recente dentro das unidades de terapia intensiva pediátrica e neonatal e que está em expansão, especialmente nos grandes centros. Segundo a portaria do Ministério da Saúde nº 3.432, em vigor desde 12 de agosto de 1998, as unidades de terapia intensiva de hospitais com nível terciário devem contar com assistência fisioterapêutica em período integral, por diminuírem as complicações e o período de hospitalização, reduzindo, consequentemente, os custos hospitalares.
Por conta da imaturidade do sistema respiratório, os recém-nascidos (RN) prematuros apresentam altos riscos de desenvolver complicações respiratórias com necessidade de ventilação pulmonar mecânica, assim, a possibilidade de fisioterapia respiratória torna-se cada vez mais necessária em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal.
Os distúrbios respiratórios são responsáveis pela maior parcela das complicações relacionadas aos recém-nascidos prematuros, o que aumenta a necessidade de suporte ventilatório invasivo e não invasivo, tornando a presença da fisioterapia respiratória na unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN) cada vez mais necessária. (VASCONCELOS, ALMEIDA e BEZERRA, 2011)
Assim o principal foco da fisioterapia respiratória sobretudo quando aplicada ao RN é de atingir uma função respiratória normal de forma curativa ou em caráter profilático, ou seja, evitar complicações ou sequelas definitivas, tendo o intuito de melhorar a ventilação alveolar e a relação ventilação/perfusão, promover melhor mecanismo respiratório e mobilidade da caixa torácica, através do posicionamento corpóreo adequado, reduzindo o trabalho respiratório.
Desta forma neste ponto, a fisioterapia respiratória nos RN os auxilia na eliminação das secreções, melhorando a ventilação, reduzindo a resistência respiratória, corrigindo as alterações na ventilação / perfusão e diminuindo a atividade proteolítica das secreções. Mantendo as vias aéreas pérvias, prevenir complicações pulmonares e melhorar a função respiratória nas patologias que acometem o período neonatal. A função do fisioterapeuta é reabilitar; no caso da ventilação mecânica, tratar a musculatura respiratória e adequar o melhor sincronismo da bomba respiratória com a ventilação mecânica.
Na ventilação mecânica, a fisioterapia pode reduzir a demanda respiratória, melhorar a impedância respiratória e aumentar a eficiência respiratória, tornando a assistência respiratória menos prolongada. (MARTINS, SILVA, et al., 2013).
Para o RN em respiração espontânea que apresenta hipersecreção pulmonar ou aquele que está intubado sob ventilação mecânica deverá ser submetido à fisioterapia respiratória antes de ir para a posição canguru. Devem ser usados os recursos da fisioterapia respiratória para garantir a higiene brônquica, expansão pulmonar e proporcionar padrão respiratório confortável. (RODRIGUES e SOUZA, 2015)
Os pesquisadores Nicolau e Falcão (p. 172, 2010), relembram que a fisioterapia respiratória neonatal vem atraindo interesse por parte dos pesquisadores, com a crescente aplicação e indicação das metodologias e técnicas nos últimos anos. Porém juntamente com esta atenção tem surgido controvérsias sobre o papel desta atividade de forma sistemática nas unidades neonatais.
É demasiada importante a análise e entendimento dos efeitos dos recursos fisioterapêuticos a serem empregados, necessário entender que o recurso eleito não cause alteração nos parâmetros hemodinâmicos do recém-nascido, considerando que estes são mais suscetíveis a variações da pressão arterial sistêmica (PA) decorrentes de fatores como alterações dos tônus vasomotores, diminuição da complacência, efeito da pressão positiva durante o suporte ventricular.
Com a inserção de tecnologias aprimoradas no tratamento de insuficiências respiratórias do RN, tais como uso de surfactante exógeno, óxido nítrico e técnicas ventilatórias, deslocou o curso das doenças pulmonares surgindo novos padrões de comprometimento dos pulmões, observando-se assim mudanças nas características das populações neonatais, onde ocorrendo um predomínio de recém-nascidos imaturos, altera, consequentemente a assistência fisioterapêutica indispensável. (NICOLAU e FALCÃO, 2010)
A atuação da fisioterapia respiratória em RN ventilados mecanicamente promove melhora da relação ventilação/perfusão, além de preservar a função motora e neurológica do recém-nascido sob ventilação mecânica, além de diminuir a hipotrofia muscular e as secreções, resultando em melhora do desenvolvimento motor.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Fundamentando-se nas pesquisas feitas, foram analisados categorizados para melhor estudo os trabalhos selecionados em autor, título, ano objetivo e resultados obtidos, assim obteve-se a seguinte tabela abaixo. A partir da tabela e dos autores, foi apresentado e discutidos os resultados demonstrados por estes.

Nicolau e Falcão (2010), selecionando como fatores os valores de frequência cardíaca e respiratória, saturação de oxigênio e pressão arterial sistêmica, por serem representativos da função cardiopulmonar e também, por serem utilizados rotineiramente nas unidades neonatais por conta da facilidade de mensuração e por não serem invasivas.
Observaram que com relação a frequência cardíaca esta foi diretamente afetada pelos procedimentos fisioterapêuticos e de aspiração nos RN de baixo peso, na análise que fizeram a frequência respiratória não apresentou grande variabilidade durante as intervenções de fisioterapia e aspiração endotraqueal, aponta-se esse fato ao RN ser mais sensível aos estímulos periféricos, não possui uma boa coordenação entre seus músculos respiratórios e os músculos que controlam a permeabilidade das vias aéreas superiores e exibe um padrão de sono ainda imaturo, com predominância de sono REM. Além disso, mostra uma resposta aguda à hipóxia diferente, com diminuição importante do metabolismo, ventilação e temperatura corporal.
Nicolau e Falcão (2010) apontaram também que o estudo mostrou que os procedimentos fisioterapêuticos empregados não podem ser considerados prejudiciais para os RN, no entanto, a aspiração endotraqueal teve maior repercussão sobre a pressão arterial sistêmica.
Por fim os autores Nicolau e Falcão (2010), constataram que os procedimentos de fisioterapia respiratória quanto o procedimento de aspiração endotraqueal não influenciaram de forma significativa a função cardiopulmonar, sugerindo que, quando bem indicados e realizados, não comprometem a estabilidade clínica dos RN pré termo.
Analisando a linha de pesquisa da prática do manuseio mínimo Cabral e Velloso (2013), apontaram que a prática de manuseio mínimo em recém-nascidos de muito baixo peso não alterou a estabilidade fisiológica quando executada durante 12 horas ou 72 horas após administração surfactante, corroborando assim para influência positiva do empregado de procedimento fisioterapêutico nos RN. Ademais os autores acrescentam que o protocolo é seguro. Contudo, essa recomendação deve ser aplicada com cautela, uma vez que podem existir peculiaridades e outros fatores associados aos cuidados de saúde realizados nas diversas UTIN do Brasil, os quais também podem gerar impacto na estabilidade clínica desses RN.
Por vezes o RN, pode nas UTIN estar expostos a diversos estímulos nocivos tais como: luz, ruídos, temperatura instável e frequentemente procedimentos que possam ser dolorosos, assim estratégias que possam humanizar o atendimento destes tem sido empregue, melhorando o desenvolvimento pulmonar destes, há indagações de quem as técnicas fisioterápicas possam desencadear desconforto ou dor nos RN. De encontro a esses questionamentos, (MARTINS, SILVA, et al., 2013) Martins, Silva, et al (2013) apontaram que RN avaliados, internados na UTIN e submetidos à fisioterapia respiratória, especificamente a compressão torácica, vibração mecânica e ao método RTA, não apresentaram alteração significativa em parâmetros cardiorrespiratórios e na dor.
Após examinar o emprego das técnicas de reexpansão pulmonar, CPAP nasal, higiene brônquica e reequilíbrio toracoabdominal. Ribeiro, Melo e Davidson (2008), depreenderam que as principais complicações pulmonares em recém-nascidos com PCA são atelectasias, infecções pulmonares e falha na extubação, que levam ao aumento do tempo de ventilação mecânica e de internação hospitalar.
Em consequência, há maior risco de novas complicações, como infecções de repetição, DBP e aumento na mortalidade. Em longo prazo, o prognóstico da PCA está associado à presença de complicações respiratórias, destacando-se, sobretudo, nos primeiros anos de vida, as infecções pulmonares de repetição, os quadros de broncoespasmo e o déficit de crescimento pôndero-estatural. Assim apontando que as a fisioterapia respiratória contribui de forma importante na evolução de recém-nascidos com tais complicações.
De forma mais conclusiva e analisando os benefícios da inserção do fisioterapeuta sobre o perfil de prematuros de baixo risco internados em unidade de terapia intensiva neonatal, (OLIVEIRA, SOARES, et al., 2019) Oliveira, Soares, et al.(2019) indicam que a presença do fisioterapeuta gerou benefícios, contribuindo para a manutenção dos tempos de internação e de oxigeno-terapia mesmo diante de um perfil de recém-nascidos mais imaturos e com mais intercorrências no período após a inserção da fisioterapia.
Entende-se também que o pulmão da criança prematura, por ser frágil, exige grande prudência na assistência, mas a fisioterapia respiratória não oferece perigo ao recém-nascido com a condição de que se respeitem certas regras, como não realizar no recém nascido em mau estado, principalmente fases agudas; deve-se respeitar os diferentes tempos de ventilação impostos pela criança ou pelo respirador; respeitar a tolerância do paciente que constitui o principal limite; referir-se constantemente aos parâmetros de vigilância; é preferível multiplicar as intervenções do que induzir um estado de fadiga atribuído a uma sessão de longa duração (RODRIGUES e SOUZA, 2015).
CONCLUSÃO
Ao término da pesquisa pode-se depreender que o fisioterapeuta deve estar consciente quanto à fragilidade dos RNPT, sabendo que esses bebês não suportam muito manuseio, respondendo ao excesso de manipulação com um aumento do consumo de energia e com perda de calor acentuada; portanto, o fisioterapeuta deverá graduar a sua terapia.
A realização da fisioterapia respiratória em RN requer cuidados redobrados, dosando a força aplicada, sentindo a tolerância às posturas, observando a qualidade e a quantidade de secreções e avaliando as respostas obtidas.
Por meio deste estudo, que possibilitou um olhar sobre a atuação da fisioterapia respiratória em recém-nascidos, foi apurada e entendida a importância da intervenção fisioterapêutica nas UTI’s Neonatais, tendo em vista que, ao promover o diminuição da mortalidade neonatal com segurança e eficácia, essa área da saúde melhora o quadro clínico do paciente, reduz o tempo de internação e os gastos hospitalares.
A atuação do fisioterapeuta buscou promover, de forma preventiva, a harmonia no desenvolvimento motor dos bebês prematuros, através de técnicas que promovessem, aos poucos, uma melhora funcional, desenvolvessem a psicomotricidade, o controle motor e estimulassem a relação entre o bebê a sua família.
REFERÊNCIAS
BANCALARI, E. Changes in the pathogenesis and prevention of chronic lung disease of prematurity. American Journal of Perinatology, v. 18, n. 1, p. 1-9, 2001. Disponivel em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11321240/. Acesso em: 03 Julho 2021.
CABRAL, L. A.; VELLOSO, M. Comparação dos efeitos de protocolos de manuseio mínimo em parâmetros fisiológicos de prematuros submetidos à terapia de surfactante exógeno. Brasilian Journal of Phisical Therapy, Belo Horizonte, v. 18, n. 2, p. 152-164, Mar-Abril 2013. Disponivel em: https://www.scielo.br/j/rbfis/a/dzY8HRyyDW5gQq7mXZJD6kr/?lang=pt. Acesso em: 06 Julho 2021.
MARTINS, R. et al. Técnicas de fisioterapia respiratória: efeito nos parâmetros cardiorrespiratórios e na dor do neonato estável em UTIN. Revista Brasileira Saúde Maternidade Infantil, Recife, v. 13, n. 4, p. 317-327, Out-Dez 2013. Disponivel em: https://www.scielo.br/j/rbsmi/a/sPxr9PdZ56jmwhf4LYQMmFp/abstract/?lang=pt. Acesso em: 03 Julho 2021.
MINAYO, M. C. O desafio do conhecimento. São Paulo. 2010.
NICOLAU, C. M.; FALCÃO, M. C. Influência da fisioterapia respiratória sobre a função cardiopulmonar em recém-nascidos de muito baixo peso. Revista Paulista de Pediatria, São Paulo, v. 28, n. 2, p. 170-5, JAN 2010. Disponivel em: https://www.scielo.br/j/rpp/a/8BKkQnf9JvMrygX8ppBL7Pq/abstract/?lang=pt#:~:text=CONCLUS%C3%95ES%3A%20Os%20procedimentos%20de%20fisioterapia,a%20estabilidade%20cl%C3%ADnica%20de%20RNPT.. Acesso em: 04 Julho 2021.
OLIVEIRA, A. M. et al. Benefícios da inserção do fisioterapeuta sobre o perfil de prematuros de baixo risco internados em unidade de terapia intensiva. Revista Fisioterapia e Pesquisa, Universidade de São Paulo, v. 26, n. 1, p. 180-92, Jan-Mar 2019. Disponivel em: https://www.scielo.br/j/fp/a/ysMMX6w77Ck4nb56NJDTVKL/abstract/?lang=pt. Acesso em: 02 Julho 2021.
RIBEIRO, I. F.; MELO, A. P.; DAVIDSON, J. Fisioterapia em recém-nascidos com persistência do canal arterial e complicações pulmonares. Revista Paulista de Pediatria, São Paulo, v. 26, n. 1, p. 77-83, Jan 2008. Disponivel em: https://www.scielo.br/j/rpp/a/7nyjZBv4djpHFqwB9xczhGC/?lang=pt. Acesso em: 05 Julho 2021.
RODRIGUES, D. C.; SOUZA, D. A Eficácia da Fisioterapia Respiratória em Recém – Nascidos Pré A Eficácia da Fisioterapia Respiratória em Recém – Nascidos Pré. Portal Bio Cursos, Recife, v. 1, n. 2, p. 1-12, Jan 2015. Disponivel em: https://portalbiocursos.com.br/ohs/data/docs/184/2_-_A_EficYcia_da_Fisioterapia_RespiratYria_em_RecYm_-_Nascidos_PrY_-_Termos_Internados_na_UTI.pdf. Acesso em: 08 Juho 2021.
VASCONCELOS, G. A. R.; ALMEIDA, R. C. A.; BEZERRA, A. L. Repercussões da fisioterapia na unidade de terapia intensiva neonatal. Fisioterapia em Movimento, Rio de Janeiro, v. 24, n. 1, p. 65-73, 2011. Disponivel em: https://www.scielo.br/j/fm/a/CQGLQCWWz7TZSW5kLtYvzhB/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 05 Julho 2021.
ARTIGO PUBLICADO EM 27/11/2025
Sem comentários