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Uso do Cateter Nasal de Alto Fluxo em Pacientes com Insuficiência Respiratória Aguda

Uso do Cateter Nasal de Alto Fluxo em Pacientes com Insuficiência Respiratória Aguda

INTRODUÇÃO

A Insuficiência respiratória aguda (IRA) é causa frequente de internamento em unidades de terapia intensiva. No doente crítico, uma das funções vitais frequentemente ameaçada é a função respiratória, evoluindo em muitos casos, rapidamente, para falência respiratória. A oxigenoterapia continua a constituir, sem dúvida, um dos tratamentos de primeira linha na sua gestão. Em condições de IRA, podemos administrar oxigênio de forma invasiva ou não invasiva, porém, sempre que possível, deve-se tentar evitar o estabelecimento de suporte ventilatório invasivo.

O suporte respiratório é aplicado para manter a oxigenação e a ventilação alveolar adequadas, e o tratamento de primeira linha para a IRA é a suplementação de oxigênio. Atualmente, existe uma ampla gama de dispositivos para fornecimento de oxigênio, que podem ser agrupados em três grupos: sistemas de baixo fluxo (cânula nasal e cateter nasal), sistemas com reservatório (máscara simples e máscara com bolsa) e sistemas de alto fluxo (máscara de venturi, nebulizador). Em casos graves é necessário combinar o fornecimento de oxigênio com ventilação mecânica (VM), podendo esta ser feita de modo invasivo ou não invasivo.

Como alternativa à oxigenoterapia convencional, cujo fluxo de oxigênio gerado vai até 15 L/min, surge o cateter nasal de alto fluxo (CNAF), que vem ganhando atenção como meio alternativo de suporte respiratório para pacientes gravemente enfermos. Este sistema compreende por meio de alto fluxo através de uma cânula nasal pela qual oxigênio aquecido e umidificado é fornecido ao nariz em altas taxas de fluxo. Estas altas taxas de fluxo geram baixos níveis de pressão positiva nas vias aéreas superiores, e a fração inspirada de oxigênio pode ser ajustada alterando a fração de oxigênio no gás propulsor. Um misturador de ar/oxigênio, umidificador ativo aquecido, circuito único aquecido e cânula nasal, a oxigenoterapia com CNAF permite o fornecimento de concentrações de oxigênio entre 21% e 100% capaz de gerar fluxos até 60 L/min de forma não invasiva.

Aquecido e umidificado pelo umidificador ativo, o gás é distribuído através do circuito, e adequadamente umidificado fornecido em alto fluxo, e tem efeitos fisiológicos benéficos aparentes. A principal diferença entre ventilação não invasiva (VNI) e CNAF é a interface. Enquanto as interfaces VNI aumentam o espaço morto anatômico, o CNAF na verdade diminui o espaço morto, além de também melhorar a ventilação alveolar. O CNAF alivia rapidamente os sintomas de desconforto respiratório e melhora a oxigenação através de vários mecanismos, incluindo lavagem de espaço morto, a redução na diluição de oxigênio e na resistência da nasofaringe inspiratória, um efeito de pressão positiva de vias aéreas moderadas que podem gerar recrutamento alveolar e uma maior tolerância geral e conforto com a interface e os gases inspirados aquecidos e umidificados. O CNAF também pode fornecer oxigênio durante procedimentos invasivos, e ser utilizada para prevenir ou tratar a pós-extubação por insuficiência respiratória.

A simplicidade e excelente tolerância do sistema são especialmente atraentes. Em pacientes com IRA de diversas origens, foi demonstrado que o oxigênio de alto fluxo resulta em melhor conforto e oxigenação do que a oxigenoterapia padrão administrada através de máscara facial. O CNAF é simples e fácil, facilita o início do suporte respiratório mais precocemente e tem possibilidade de diminuir o uso de VM.
O objetivo desta revisão sistemática é avaliar a efetividade do uso do Cateter Nasal de Alto Fluxo em pacientes com insuficiência respiratória aguda.

METODOLOGIA 

Esta pesquisa trata-se de uma revisão sistemática, exploratória com foco qualitativo. O questionamento deste estudo foi “uso do cateter nasal de alto fluxo em pacientes com insuficiência respiratória aguda” baseando no modelo PICO (população, intervenção, comparação, desfecho) usado na prática baseada em evidências.
Para auxiliar na melhora da qualidade da revisão sistemática, foi utilizada a recomendação PRISMA, que consiste em um checklist com 27 itens e 1 fluxograma.

A busca por artigos se deu nas seguintes bases de dados: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PubMed®, Medline e COCHRANE. Foram usados os operadores Booleano AND e OR. As palavras chaves utilizadas foram: cateter nasal de alto fluxo; oxigenoterapia; hipoxemia; insuficiência respiratória.

Os critérios de inclusão utilizados foram ensaios clínicos, coorte, observacional retrospectivo e prospectivo, encontradas nas bases de dados, realizadas em pacientes com diagnóstico de IRA que receberam o CNAF como intervenção. Os critérios de exclusão foram artigos de revisão sistemática, artigos com a temática relacionada a outras condições do sistema respiratório que não traga a IRA como uma das condições; artigos que não usem CNAF como intervenção para IRA. Não houve restrição de idioma, local ou data da publicação.

A fase de identificação foi realizada em três etapas: primeiro foi feita a leitura dos títulos dos estudos encontrados e realizada a exclusão dos que não se enquadraram em qualquer um dos critérios de inclusão. Em seguida a leitura dos resumos dos estudos selecionados na etapa 1 e exclusão daqueles que também não estavam de acordo com os critérios de inclusão; por último a leitura na íntegra de todos os estudos restantes das etapas anteriores e seleção dos que se enquadraram nos critérios de inclusão.

RESULTADOS 

Após a busca nas bases de dados com as palavras chaves estabelecidas, foi obtido um total de 287 artigos, sendo eliminados 27 por duplicação. Após a leitura dos títulos e resumos foram excluídos 242 por não haver compatibilidade com os objetivos desta revisão, restando 18 estudos para leitura na íntegra. Por fim foram eliminados com seguintes justificativas: 7 por não se enquadrarem nos critérios de elegibilidade; 2 por serem novos duplicados. Sendo assim, foram incluídos 9 artigos para revisão por contemplação dos critérios de inclusão (Figura 1). A análise descritiva dos dados encontra-se na Tabela 1.

O critério de elegibilidade foi especificado por todos os artigos, mas apenas 3 artigos utilizaram distribuição aleatória dos participantes. Em relação ao critério de comparabilidade, todos os artigos utilizaram o CNAF comparado com oxigenoterapia convencional e somente 2 artigos utilizaram a comparação com VNI.
Os objetivos dos estudos consistiram basicamente em avaliar os efeitos do CNAF em pacientes com IRA, e os estudos variaram de ambiente, sendo eles em unidades de terapia intensiva e pronto-socorro. Já quanto a idade e sexo dos pacientes, houve discrepância quanto à distribuição do tamanho amostral, não sendo especificado por todos os estudos.


DISCUSSÃO

Esta revisão sistemática buscou reunir evidências acerca do uso do CNAF em pacientes com IRA a fim de avaliar sua eficácia e tolerância por parte dos pacientes. Através desta revisão, foi possível observar que os estudos possuem resultados em que corroboram com o benefício quanto ao uso do CNAF em pacientes com IRA.

Nesse sentido, o uso do CNAF tem sido reconhecido como alternativa eficaz no prognóstico dos pacientes com IRA, os estudos selecionados evidenciam que há significativa redução na frequência respiratória, reverte a acidose respiratória, melhora a oxigenação, dispneia e desconforto respiratório, além de ser bem tolerada e preferida pela grande maioria dos pacientes para suplementação adicional de oxigênio, conforme evidenciado nos estudos de Roca (2010), Lenglet (2012) e Rittayamai (2015).

Os artigos analisados mostram que a maior parte dos estudos buscam mostrar a eficiência do CNAF em comparação com a oxigenoterapia convencional ou com o dispositivo de VNI. Os resultados também pontuam que o CNAF pode beneficiar o transporte mucociliar, a mobilização de secreções respiratórias, melhora considerável da frequência respiratória e cardíaca, escore de dispneia e melhora na utilização da musculatura acessória responsável pela respiração, ou seja, revelam que os indivíduos com IRA respondem significativamente a CNAF sem precisar evoluir para a VNI.

Quanto à comparação com a VNI, o estudo realizado por Schwabbauer (2014) comparou a oxigenoterapia com CNAF à VNI e máscara de venturi em pacientes com quadro de hipóxia aguda, foi aplicado o protocolo a 14 pacientes com IRA onde foram tratados com CNAF, VNI e máscara de venturi em ordem aleatória por 30 min cada, e o estudo de Peters (2013) onde analisou 50 pacientes com IRA e foram submetidos a VNI e CNAF. Os resultados mostraram que na IRA, o CNAF oferece um bom equilíbrio entre oxigenação e conforto em comparação à VNI e à máscara de venturi e parece ser bem tolerada pelos pacientes, resultado este que corrobora com o evidenciado na grande parte dos estudos analisados nesta revisão quando comparados não somente com a VNI e sim com outros tipos de oxigenoterapia convencional.

Esta revisão possui algumas limitações que devem ser levadas em consideração na interpretação de seus resultados, são elas: os artigos incluídos foram em sua maioria observacionais, com apenas três ensaios clínicos; número limitado de artigos foram incluídos na revisão, fator agravado pela falta de informações relevantes e a baixa pontuação da qualidade metodológica da maior parte dos estudos; pouca quantidade de base de dados utilizada; estudos selecionados apresentarem uma heterogeneidade ampla de pacientes, não havendo na maioria dos estudos restrição do quadro clínico dos pacientes analisados.

CONCLUSÃO 

A oxigenoterapia com CNAF é uma terapia de sucesso para pacientes que sofrem com IRA e vem ganhando atenção como uma alternativa eficaz no tratamento de doenças respiratórias em indivíduos criticamente enfermos, além do efeito benéfico sobre os sinais clínicos, redução na frequência respiratória, reverte a acidose respiratória, melhora a oxigenação, dispneia e desconforto respiratório, foi bem tolerada e preferida pela grande maioria dos pacientes para suplementação adicional de oxigênio.

Com base nos estudos incluídos nesta revisão o CNAF é seguro e parece ter um efeito benéfico para pacientes com IRA, mas é necessário que mais estudos intervencionais randomizados e com as variáveis controladas sejam feitos para esclarecer melhor os efeitos da intervenção, como também na escolha de um protocolo de tratamento para ser utilizado na prática clínica.

ARTIGO PUBLICADO EM 04/12/2025



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