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Avaliação de pontos de tensão muscular em usuários de Smartphone

Avaliação de pontos de tensão muscular em usuários de Smartphone

Introdução

Recentemente, o uso de smarthphones inovou o meio de comunicação e interação entre as pessoas, esta tecnologia traz aparelhos acessíveis para a maior parte da população, porém o seu uso excessivo está diretamente ligado ao desenvolvimento de quadros patológicos. De acordo com Yang e colaboradores (2016), a associação do tempo de uso do aparelho com a postura inadequada, poderia ocasionar dor na região cervical e nos ombros, sendo assim, o quadro se agrava equivalente ao tempo de uso do aparelho.

Os pontos de tensão estão relacionados com o aumento de tensão e fadiga muscular, são hiperreativos e podem estar localizados em bandas tensas do múscul2. O ponto de tensão manifesta-se tipicamente com variações tensionais de dor que pode ser irradiada ou localizada, durante o repouso ou somente ao toque. Segundo Bron et al (2011), o ponto de tensão muscular é classificado como ativo ou latente.

A palpação manual ainda é indispensável para a identificação do ponto de tensão muscular durante o processo de diagnóstico. A avaliação para determinar presença ou ausência do ponto envolve um conjunto de critério, ou seja, deve haver uma banda tensa no músculo, sensibilidade local do nodúlo formado, reconhecimento de dor pelo paciente no momento da palpação, referência de dor espontânea ou induzida com a pressão sobre o ponto, resposta muscular com contração da região acometida no momento da palpação e retirada ao toque.

O uso do smartphone é comum entre os adultos jovens e com isso pode desenvolver distúrbios músculo esqueléticos devido a posturas estáticas adotada pelo usuário por tempo prolongado.

Sendo assim, o presente estudo buscou correlacionar o desenvolvimento dos pontos em regiões de cervical, ombros, flexores, extensores de punho e dedos associado ao uso de smartphone, distinguir a característica do ponto como “ativo” ou “latente”, assim como descobrir quais regiões e músculos são acometidos. Com a identificação de sintomas e pontos de tensão muscular relacionados ao smartphone, futuramente a fisioterapia poder intervir na prevenção destes distúrbios.

Metodologia da pesquisa

Para o alcance do objetivo, optou-se pelo método da revisão da literatura científica na medida em que essa modalidade possibilita sumarizar as pesquisas já concluídas e obter conclusões a partir de um tema de interesse.

A pesquisa foi realizada via eletrônica nas bases de dados da biblioteca virtual SciELO Brasil – (Scientific Electronic Library Online) e LILACS (Centro Latino-Americano de Informação em Saúde), utilizando-se os seguintes descritores constantes no DeCS (Descritores em Ciências da Saúde): “Pontos de tensão muscular”, “Smartphone”,
“Sintomas”, em busca de artigos publicados no período de 2013 a 2018.

Foram adotados, como critério de inclusão, aqueles artigos que apresentavam especificidade com o tema, a problemática do estudo, que contivessem os descritores selecionados, que respeitassem o período supracitado. Foram excluídos os artigos que não tinham relação com o objetivo do estudo e aqueles trabalhos que não foram
encontrados na íntegra.

De posse dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados todos os artigos lidos na íntegra e logo após será preenchido um formulário eletrônico, construído especificamente para a pesquisa, com dados de cada um.

A partir da análise dos artigos foram formuladas as discussões sobre os principais resultados e conclusões do estudo.

Resultados e discussão

Kim e Kim (2015), avaliaram os sintomas musculoesqueléticos em estudantes universitário através do Guia de Levantamento de Fatores Nocivos para Distúrbios Musculoesqueléticos apresentado pela Agência Coreana de Segurança e Saúde no Trabalho. A análise dos resultados foi apresentada através da tabulação dos dados e certificou que 55,8% dos voluntários tiveram sintoma na região cervical. Relatam ainda que os distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao uso de smartphones incluem fadiga muscular e sobrecarga dos músculos cervicais, devido aos movimentos repetidos e de pequena amplitude de movimento das mãos, punhos e braços enquanto o usuário permanece com a cabeça direcionada à tela. Corroborando com os achados deste estudo, foi observado que a maior
ocorrência de sintomas em homens e mulheres, no período de doze e sete dias precedentes a entrevista, encontrava-se na região cervical.

No sexo feminino e masculino, a segunda região com maior presença de sintomas entre os doze meses precedentes e sete dias precedentes a entrevista foi a região lombar. A força de compressão na coluna lombar aumenta durante a postura sentada, ao utilizar um aparelho de smartphone com uma postura inadequada, a lordose lombar tende a se retificar devido a pelve estar posicionada em retroversão, deste modo ocorre um aumento de carga nos discos
intervertebrais.

De acordo com Werth e Babski-reeves (2014)7, adotar uma postura incorreta na posição sentada durante um longo período de tempo, ao utilizar o smartphone, pode levar a uma redução na função dos músculos lombares que estabilizam a coluna, desencadeando distúrbios musculoesqueléticos. No presente estudo, praticamente metade dos integrantes de cada grupo teve queixa de sintomas na região lombar.

Bron et al. (2011), utilizaram o método palpação de pontos, nos músculos da região cervical, tórax e membro superior. Realizaram avaliação bilateral buscando pela presença de banda tensa, sensibilidade no ponto de tensão, nódulos, resposta local de contração muscular e dor referida pelo paciente. Neste estudo, quando o paciente reconheceu a dor que sentia pela compressão no ponto de tensão muscular, foi considerado “ativo”, já em caso apenas de dor local e não familiar, eram considerados “latente”. Os resultados apontam significativamente que
quando comparado o membro superior esquerdo com o direito, ambos tem predomínio da incidência de pontos de tensão muscular latentes.

Inal et al. (2015), efetivaram um estudo que avaliava o impacto do uso prolongado de smartphone em relação a função manual, a força de pinça e a espessura do nervo mediano e utilizaram o questionário Duruӧz Hand Index. O estudo foi aplicado em 102 universitários, divididos em grupos relacionados ao seu uso (muito, pouco e que não o faziam). Por meio de ultrassonografia, foram mensuradas as espessuras do nervo mediano e do tendão do músculo
flexor longo do polegar no membro dominante de cada voluntário. A consequência nos voluntários que utilizavam o smartphone por período prolongado foi que o tendão do músculo flexor longo do polegar e o trajeto do nervo mediano, apresentavam maior espessura comparado aos que utilizavam por menor tempo. De acordo com os autores, estas descobertas podem estar associadas ao aumento do escore de dor, decréscimo da força de pinça e diminuição do escore relacionado à função da mão nos voluntários que faziam uso prolongado. De acordo os
resultados do estudo os músculos oponente e adutor do polegar podem estar relacionados juntamente com o flexor longo do polegar ao decréscimo da função e desenvolvimento de pontos de tensão, isto devido a característica do voluntário não utilizar a força muscular no touchscreen, apenas simulando a ação muscular.

Lin et al. (2015), objetivaram determinar os efeitos das mudanças na posição de uso e design do teclado virtual em relação ao desconforto corporal auto relatado, percepção de uso e posturas de punho, cotovelo e pescoço associadas a um prolongado período de digitação. A avaliação foi realizada em nove homens e nove mulheres por meio de eletrogoniômetria durante a utilização do tablet em 3 posições diferentes com 3 design de teclado diferentes. Os resultados nas 3 posturas adotadas mostrou que houve um aumento do ângulo articular para manter a digitação por 60 minutos. Em relação ao teclado, a pesquisa mostrou que os teclados normais encontrados em tablets e smartphones convencionais aumentam o desvio radial e ulnar do punho. Corroborando com os achados foi observado a incidência de pontos de tensão nos músculos pronador redondo e supinador do antebraço, podendo estar relacionados com este aumento dos desvios radial e ulnar do punho provenientes do uso excessivo do smartphone.

Kietrys et al. (2015), através da análise eletromiográfica buscaram avaliar a atividade muscular da extremidade do membro superior e cervical durante a tarefa de digitar no touchscreen em dispositivos com diferentes tamanhos. Os eletrodos foram posicionados nos músculos trapézio superior, extensor radial do carpo (curto e longo), flexor superficial dos dedos e abdutor do polegar. O voluntário foi instruído a sentar em uma cadeira e digitar frases na tela
sensível ao toque bilateralmente e unilateralmente. Perceberam que ao colocar o dispositivo no colo para manusear, a flexão cervical aumentava exigindo maior atividade do músculo trapézio superior para compensar a flexão da coluna cervical. Foi verificado um aumento na atividade do extensor radial do carpo (curto e longo) e flexor superficial dos dedos de acordo com o aumento do tamanho do dispositivo. Foi possível observar o desenvolvimento de pontos de tensão muscular no músculo oponente do polegar, os demais resultados corroboram com a incidência dos pontos de tensão nos demais músculos, a postura estática durante o olhar fixo à tela enquanto a cervical permanece em flexão pode estar associado à formação de pontos de tensão nos músculos escalenos, esternocleidomaotídeo, elevador da escápula e trapézio superior.

Os achados do questionário NMQ demonstraram que mais da metade dos universitários que utilizam diariamente o smartphone tem queixa de sintoma na região de cervical que pode estar associada ao uso do celular na postura estática com flexão de cervical. Esta evidencia se correlaciona entre homens e mulheres.

Estudos comprovam que as mulheres permanecem por mais tempo em posturas estáticas, além de trabalhar com posturas que não exijam tanto a movimentação ativa como a profissão de secretária ou vendedora. Trabalhos que envolvam posturas estáticas prolongadas e/ou movimentos repetitivos podem levar ao desenvolvimento de pontos de tensão muscular. A fisiopatologia destes pontos não é totalmente esclarecida em mulheres, mas há uma hipótese de que posturas estáticas e tarefas repetitivas com baixo nível de força conduzem o desenvolvimento de pontos de tensão muscular18. No que diz respeito aos pontos de tensão muscular, foi avaliado que a maioria dos voluntários do sexo feminino apresenta incidência de pontos latentes nos músculo oponente do polegar e pronador rendondo que pode estar associada a permanecer na mesma postura durante a utilização do smartphone. Os homens
apresentaram a maior incidência de pontos latentes em oponente do polegar, adutor do polegar e trapézio superior, durante a palpação não evidenciaram expressão de reação a dor ou sintoma, apenas relatavam a dor local.

Ge et al. (2005), realizou um estudo com 10 homens e 9 mulheres para verificar o mecanismo de ação muscular durante a dor, sua análise foi realizada através de eletromiografia. Os resultados deste estudo mostraram que os homens durante a fadiga muscular possuem um mecanismo protetor da fadiga que recruta maior número de unidades motoras para o músculo em ação, as mulheres não tem esse mecanismo de proteção tão eficaz e devido a isso tem maiores manifestações de dor. Estes achados explicam os resultados do presente estudo no qual as mulheres tiveram maior incidência de sintomas e pontos de tensão muscular durante a postura estática ao utilizarem o smartphone.

Dentre as limitações dos estudos podemos citar o número reduzido da amostra masculina para fazer uma comparação ideal com mulheres, o compromisso dos voluntários para o preenchimento dos formulários e o comparecimento nas avaliações presenciais. Assim, novos estudos com diferentes metodologias podem trazer contribuições para a área.

Conclusão

O estudo identificou que as regiões de cervical e lombar são as que apresentam maior ocorrência de sintomas. Os pontos de tensão muscular foram encontrados com prevalência nos músculos oponente do polegar, adutor do polegar, pronador redondo, palmar longo, supinador, escalenos e trapézio superior. Os achados podem ser correlacionados ao uso excessivo do smartphone. Houve maior incidência do ponto de tensão muscular latente, seguido por ativos e ausentes.

Referências

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