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Intervenções fisioterapêuticas para a diminuição da dor no parto normal humanizado

Intervenções fisioterapêuticas para a diminuição da dor no parto normal humanizado

Introdução

Os tipos de parto mais conhecidos são o parto normal/vaginal e o parto cesáreo. No parto normal, a saída do bebê será pelo canal vaginal da forma mais natural possível e o no parto cesáreo haverá intervenção cirúrgica. No parto humanizado todo o trabalho de parto, parto e o pós-parto deverá ser de acordo com o desejo da mulher, não permitindo que haja intervenções desnecessárias.

trabalho de parto é dividido em duas fases. As contrações uterinas e a dilatação do colo uterino caracterizam o início do trabalho de parto, ou seja, a primeira fase. O aumento dessas contrações e da dilatação do colo uterino, é o momento de expulsão fetal, fazem parte da segunda fase. A dor está presente nas duas fases, sendo mais intensa na segunda.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a taxa de parto por cesariana não deveria ultrapassar 15% dos partos realizados. No Brasil em 2013 a porcentagem de parto cesárea chegou a 52,3% dos partos realizados. Deste total, 40,0% foi pela rede pública e 84,0% pela rede privada.

Provavelmente o medo da dor durante o parto, levou o Brasil a ser um dos países que mais realiza parto cesáreo no mundo. E muitas vezes por influência do médico, que não quer perder muito tempo no parto normal e opta por realizar o parto cesáreo com hora marcada. O parto cesáreo deveria acontecer apenas quando existe o risco de complicação para a gestante e/ou para o bebê. O parto normal é mais benéfico para a parturiente e seu bebê. A mulher se recupera rápido, a amamentação é imediata e é menor o risco de infecção hospitalar.

Desde o ano 2000, o Ministério da Saúde incentiva programas como “Humanização no pré-natal e Nascimento” nas maternidades.1 O objetivo é fazer com que a gestante participe ativamente durante o parto6. Desta forma, ela facilitará todo o processo do trabalho de parto.

O fisioterapeuta é um profissional qualificado para preparar a gestante para o trabalho de parto e parto, mantendo-a calma e relaxada, além de utilizar técnicas não farmacológicas que possam proporcionar alivio, reduzindo assim a percepção da dor. Este profissional deverá orientar a gestante a realizar respiração correta, contração abdominal e exercícios para a musculatura perineal, visando facilitar a expulsão do bebê. Todas estas orientações serão passadas na preparação para o parto e também durante o trabalho de parto.

Poderá aplicar massagem na região lombo-sacra e nas pernas das gestantes, onde geralmente elas referem mais dor. Realizar massagem perineal, esta com o objetivo de prevenir lacerações evitando a episiotomia. Orientar e treinar exercícios de respiração. A respiração torácica para o momento das contrações, pois este tipo de respiração expande a caixa torácica no sentido lateral, respiração abdominal para relaxar a gestante e respiração abdominal nos
intervalos das contrações.

O movimento ativo do corpo e a adoção de posturas verticais da parturiente são recursos para analgesia, pois evitam ou retardam o uso de anestesia e também facilitam o parto vaginal. As posturas verticais aumentam o diâmetro do quadril.

Outro recurso que também pode ser utilizado durante o trabalho de parto é a bola Suíça. Com a bola Suíça o  fisioterapeuta poderá trabalhar alinhamento da postura, alongamento, fortalecimento e relaxamento. Também pode ser usada durante a massagem e o banho quente de chuveiro.

A crioterapia é um recurso que deve ser usado com cautela para evitar queimadura. O gelo pode ser usado em compressas para alívio da dor.

A eletroestimulação transcutânea (TENS) também é indicada como recurso terapêutico que tem por objetivo a diminuição da dor na fase inicial do trabalho de parto, porém não deve ser utilizada como único recurso. Outros recursos também são sugeridos como hipnose, aromoterapia, música e acupuntura.

Junto de todos esses recursos, a educação em saúde, com assuntos relacionados à gestação, parto e pós-parto, poderão promover benefícios físicos e psíquicos durante todo o período gestacional.

Apesar de toda a contribuição da fisioterapia na preparação da gestante para a hora do parto, o Ministério da Saúde e o Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (CREFITO), ainda não a colocaram como uma prática durante o trabalho de parto.

Esse trabalho justifica-se por destacar a importância das intervenções fisioterapêuticas para a diminuição da dor da gestante durante o parto normal humanizado. O fisioterapeuta está capacitado a utilizar técnicas não farmacológicas que proporcionam alívio da dor e relaxamento durante o trabalho de parto e parto, fazendo com que este momento seja o menos traumático e doloroso possível.

Métodos

Este estudo é uma revisão de literatura. A busca dos artigos foi realizada nas bases de dados eletrônicos Scientific Electronic Library Online (Scielo), Biblioteca Virtual em Saúde (BIREME), Google Acadêmico e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), no período de Junho a Setembro de 2017. A seleção dos artigos científicos foi realizada a partir do título e do resumo, publicados nos últimos doze anos. Com bases nos
seguintes critérios de inclusão: estudos nos idiomas português e espanhol que abordassem o tema proposto, que tivessem sido publicados nos últimos doze anos e artigos indexados em revistas ou periódicos. Como critérios de exclusão: estudos escritos no idioma inglês, teses, artigos duplicados e artigos provenientes de estudo em animais. Foram utilizados como descritores os termos: tipos de parto, parto humanizado, parto normal, dor do parto, fisioterapia no trabalho de parto, recursos fisioterapêuticos e cinesioterapia. Foram pesquisados individualmente e em associação para refinar a busca.

Resultados

Durante a pesquisa foram encontrados 132 estudos com bases de dados consultados. Deste total, 31 eram repetidos em mais de uma base de dados. Foram selecionados 101 artigos. Destes, 20 foram excluídos pelo título e 56 foram excluídos pelo resumo. Na íntegra foram lidos 25 artigos e 14 foram excluídos por não corresponderem aos critérios de inclusão. (figura 1).

Os resultados dos estudos selecionados, demonstram que o fisioterapeuta é um profissional capacitado a intervir de forma positiva, através de recursos não farmacológicos, permitindo que a parturiente tenha alívio da dor, diminuição do tempo do trabalho de parto e um parto sem intervenções desnecessárias. (Tabela1).

Este estudo se propôs a demonstrar que o fisioterapeuta é um profissional capacitado a preparar a gestante para que o seu trabalho de parto, parto e pós-parto seja menos doloroso e traumático. Através de recursos terapêuticos, poderá diminuir o tempo de trabalho de parto e a percepção de sensações dolorosas, sendo assim descartadas as intervenções desnecessárias.

No Brasil, apesar de todos os recursos não farmacológicos que podem ser utilizados pelo fisioterapeuta, ainda não é uma prática do sistema de saúde este profissional também atuar no momento do parto.

Treinar a respiração, dar consciência a esta gestante de sua musculatura perineal, de modo que facilitasse o trabalho de expulsão do bebê.

Em um estudo transversal no Centro de Parto Normal do Hospital e Maternidade Terezinha de Jesus, na cidade de Juiz de Fora, onde foram selecionadas cinco gestantes para participarem da pesquisa sobre atenção fisioterapêutica no trabalho de parto e parto. Foi realizado durante o trabalho, mudança de decúbito, massagem, deambulação, ficar na posição de cócoras e também percepção da musculatura do assoalho pélvico. Os autores do trabalho sugerem que seja feita uma nova pesquisa com um número maior de amostra.

Um estudo de revisão bibliográfica cita alguns dos benefícios que o uso da bola Suíça, pode proporcionar a parturiente durante o trabalho de parto. Deverá ser trabalhado entre outras coisas, alongamentos, relaxamento e fortalecimento muscular. A bola Suíça também pode ser usada como suporte na massagem e no banho de chuveiro.

O uso de recursos não farmacológicos que podem aliviar a dor durante o trabalho de parto não é suficiente para que a parturiente se sinta confortável. É importante que o profissional envolvido saiba fazer com que ela se sinta cuidada e confortada. Proporcionar um ambiente tranquilo, agradável, seguro, de respeito à privacidade e a vontade desta parturiente.

Conclusão

Os resultados desta pesquisa sugerem que o profissional fisioterapeuta dispõe de recursos não farmacológicos capazes de diminuir a dor e o desconforto da parturiente durante seu trabalho de parto, evitando intervenções desnecessárias e diminuindo o tempo do parto.

Para o reconhecimento da importância deste profissional durante o pré-natal, trabalho de parto, parto e pós-parto, novos estudos se fazem necessários nesta área.

Referência Bibliográficas

1-SILVA,H.F.S., LUZES,R.; Contribuição da fisioterapia no parto humanizado: revisão da literatura; Alumni-Revista Discente da UNIABEU, V.3, Nº 6, Agosto-dezembro de 2015.

2-ALBUQUERQUE,D.B.L.; GAMA, N.V.P.; MELO,P.H.; Fisioterapia na facilitação do parto normal humanizado. Revista Fisioterapia Ser, Vol.11, Nº3,2016.

3-CASTRO,A.S.; CASTRO,A.C.; MENDONÇA,A.C.; Abordagem fisioterapêutica no pré-parto: proposta de protocolo e avaliação da dor; Fisioter. Pesqui. (on line),2012, Vol.19, Nº 3, pp. 210- 214. 201; ISSN 2316-9117. Disponível em www.scielo.com.br.

4-ABREU, N.S.; CRUZ, M.V.; GUERRA, Z.F.; PORTO, F.R.; Atenção fisioterapêutica no trabalho de parto e parto; Revista Interdisciplinar de Estudos Experimentais, V. 5, Nº único, p.7- 15, 2013). Disponível em www.riee.ufjf.emnuves.com.br.

5-CANESIN,K.F.; AMARAL,W.N.; Atuação fisioterapêutica para diminuição do tempo do trabalho de parto: revisão da literatura; Femina, V. 38, Nº 8, Agosto 2010; Disponível em www.scielo.com.br.

6-BIO,E.; BITTAR, R.E.; ZUGAIB,M.; Influência da mobilidade materna na duração da fase ativa do trabalho de parto; Rev. Bras. Ginecol. Obstet., 2006; 28(11):671-9. Disponível em www.scielo.com.br.

7-OLIVEIRA,L.M.N.; CRUZ,A.G.C.; A utilização da Bola Suíça na promoção do parto humanizado; Revista Brasileira de Ciências da Saúde, Vol. 18, Nº 2; Páginas 175-180, 2014, ISSN 1415-2177. Disponível em www.scielo.com.br.

8-CARRARO,T.E.; KNOBEL, R.; RADUNZ,V.; MEINKE,S.M.K.; FIEWSKI,M.F.C.; FRELLO,A.T.; MARTINS,M.S.; LOPES,C.V.; BERTON,A.; Cuidado e conforto durante o trabalho de parto e parto na busca pela opinião das mulheres; Texto Contexto Enferm., Florianópolis, 15 (Esp): 97-104; 2006. Disponível em www.lilacs.com.br.

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10-SILVA,S.R.; SOUSA,V.P.S.; BEZERRA,D.A.; RIBEIRO,S.O.; VIANA E.S.R.; Influência da cinesioterapia sobre a dor e qualidade de vida em mulheres grávidas; Fisioterapia Brasil – Volume 13 – Número 6 –novembro/dezembro de 2012. Disponível em www.scielo.com.br.

11-OLIVEIRA, V.H.B.; BRANDÃO, D.L.S.; FILHO, G.G.F.; MICUSSI, M.T.A.B.C.; VIANA, E.S.R.; LISBOA, L.L.; Recursos fisioterapêuticos disponíveis para o trabalho de parto: uma revisão; Fisioterapia Brasil, v 13, n° 6, Novembro/Dezembro 2012. Disponível em www.schielo.com.br.



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