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AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA E FUNÇÃO ERÉTIL EM INDIVÍDUOS PÓS-ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL: UM ESTUDO TRANSVERSAL

AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA E FUNÇÃO ERÉTIL EM INDIVÍDUOS PÓS-ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL: UM ESTUDO TRANSVERSAL

INTRODUÇÃO

A sexualidade é um aspecto que interfere diretamente no bem-estar e na qualidade da vida humana, uma atividade sexual apropriada contribui para maior segurança pessoal, melhora da auto estima, diminuição de tensões, satisfaçã0 relaxamento, além de diminuir o risco de disfunções, a resposta sexual é divida em fases que são elas: desejo, excitação, orgasmo e resolução. (ALMEIDA et al., 2015; BEZERRA et al., 2015; CAMARGO et al., 2016; FERREIRA et al., 2013; HAJIAGHABABAEI et al., 2014; KHAK et al., 2014 MATHIAS et al.,) Disfunção sexual é o termo utilizado para designar qualquer desconforto que prejudique as respostas durante a atividade sexual. Tem característica multifatorial, acarreta dor, diminuição do desejo sexual e piora na qualidade de vida contribuindo para o estresse pessoal. A disfunção erétil é a insuficiência da obtenção e permanência da ereção peniana em 50 % das tentativas de atividade sexual e que seja incapaz de produzir resposta sexual adequada. Entre as diversas formas de manifestação da disfunção erétil, encontramos fatores psicológicos, vasculares, endócrinos e neurológicos. (APPOLONI; NAPOLEÃO; CARVALHO, 2016; ARAUJO et al., 2015; BEZERRA et al., 2015; CUENCA et al., 2015; FERNANDES; FRIGO, 2015; FERREIRA et al., 2013; MORENO-LOZANO et al., 2016; PIASSAROLI et al., 2010; SARRIS et al., 2016) O aparecimento da disfunção erétil pode ser neurológico e não neurológico. Os fatores neurológicos estão relacionados com a diminuição da velocidade resposta sexuais e alterações nos impulsos nervosos que desencadeiam problemas no fluxo sanguíneo. (BOLLER; AGRAWAL; ROMANO, 2015; MONTEIRO et al., 2012; SIKIRUL; SHMAILA; YUSUF, 2009) Entre as causas neurológicas encontra-se o Acidente Vascular Cerebral (AVC). O AVC é a interrupção brusca do fluxo sanguíneo cerebral que acomete cerca de 44 milhoes de pessoas no mundo, está entre as patologias de maior índice de morte e incapacidade funcional e ainda pode levar ao paciente comprometimento motor e perceptual, além da diminuição da atividade sexual. (BOLLER; AGRAWAL; ROMANO, 2015; CALABRÒ, 2014; MENEGHETTI et al., 2010; O’KEEFFE et al., 2017; PALAVRO et al., 2013; RODRIGUES et al., 2013; TREGER et al., 2012) Os fatores não neurológicos apresentam relação com própria diminuição da tentativa de atividade sexual a utilização de medicamentos, e fatores psicossociais (BOLLER; AGRAWAL; ROMANO, 2015; CALABRÒ, 2014; ROSENBAUM; VADAS; KALICHMAN, 2014)

Nesse sentido, o objetivo do presente estudo foi avaliar a qualidade de vida e função sexual em pacientes pós-AVC.

MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de um estudo do tipo transversal, realizado, no período de Janeiro a setembro de 2017. Aa Clínica Escola de Fisioterapia da Faculdade Estácio do Recife. Sendo a população constituída por 8 homens. O presente estudo teve como critérios de inclusão homens com idade entre 40 e 70 anos com atividade sexual ativa com tempo de lesão acima de um ano. Foram excluídos indivíduos que apresentem outras lesões neurológicas associadas, diabetes descompensada, hipertensão arterial descompensada e disfunção erétil pregressa. Ao participar do estudo os pacientes foram esclarecidos sobre o objetivo da pesquisa e foi-lhes fornecido o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), que seguiu os termos preconizados pelo Conselho Nacional de Saúde 466/12 para pesquisa em seres humanos, além disso, foi aprovado pelo Comitê de Ética e pesquisa da Faculdade Estácio do Recife, com CAAE 65351817.3.0000.5640 Os voluntários responderam a um questionário sociodemográfico elaborado pela pesquisadora, além disso, utilizou-se a versão validada por Gonzáles et al. 2013 do Índice Internacional de Função Erétil (IIFE). Vale ressaltar que o IIEF foi desenvolvido exclusivamente para o uso em relacionamento entre homens e suas parceiras. O questionário é composto de 15 questões, agrupadas em cinco domínios: função erétil, orgasmo, desejo sexual, satisfação sexual e satisfação geral. Cada questão tem valor que varia de 1 a 5, e a soma das respostas gera escore final para cada domínio, com valores baixos indicando qualidade da vida sexual ruim. Para a mensuração da qualidade de vida foi aplicado o questionário ―Medical Outcomes Study 36- Item Short-Form Health Survey‖ (SF-36) . Trata-se de um questionário genérico que avalia aspectos da qualidade de vida que estão diretamente relacionadas à saúde do indivíduo. O SF-36 avalia oito conceitos ou dimensões de saúde: capacidade funcional, limites físicos, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspectos sociais e mentais e saúde mental. Este questionário foi traduzido e validado no Brasil em 1997 pela pesquisadora Rozana Mesquita Ciconelli. A pontuação varia de 0 a 100, em que 0 refere-se a baixa qualidade de vida e 100 a uma excelente qualidade de vida.

A análise dos dados foi realizada através da utilização do software Statistical Package for Social Sciences (SPSS) versão 21.0 para Windows. A análise descritiva será exposta utilizando frequências, média e desvio padrão.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O estudo incluiu 8 homens, com idade média de 57 anos. As características em relação às variáveis sociodemográficas, apresentadas na tabela 01, indicaram que a maioria dos voluntários era casado (75%), possuía grau de escolaridade entre 8 a 11 anos de estudo (37,5%), e eram aposentados (75%).

Tabela 1. Distribuição dos homens de acordo com as variáveis sociodemográficas. (2017)
Características Frequência n =8
Percentual (%) Estado civil Solteiro 1 12,5 Casado 6 75 Divorciado 1 12,5 Viúvo 0 0 União estável 0 0
Escolaridade (anos de estudo)
Nenhum
1-3 2 25
4-7 1 12,5 8-11 3 37,5 Mais de 12 2 25 Renda familiar < 1 SM 3 37,5 1 e 3 SM 4 50 4 e 6 SM 0 0 Mais de 5 SM 1 12,5 Ocupação Ativo 2 25 Aposentado 6 75 Procedência Região metropolitana 7 87,5 Interior PE 1 12,5 Outros estados 0 0 *SM: Salário Mínimo

Com relação à qualidade de vida, observou-se que os homens possuiam menor qualidade de vida, principalmente para os domínios limitação por aspectos físicos, capacidade funcional, limitação por aspectos emocionais e dor. (tabela 2).

Tabela 2. Valores dos domínios avaliados pelo SF-36. (2017) Domínio Média + DP Variação Capacidade Funcional 28,13 + 27,767 0 – 85
Limitação aspectos físicos 15,63 + 26,517 0 – 75
Dor 56,13 + 33,685 0 – 100
Estado geral saúde 55 + 19,928 25 – 82
Vitalidade 61,88 + 22,029 20 – 90
Aspectos sociais 67,188 + 19,9749 37,5 – 100
Limitações emocionais 49,9988 + 47,14028 0 – 100
Saúde mental 63,50 + 17,558 32 – 92 A avaliação da disfunção erétil indicou que a maioria dos voluntários tinha disfunção erétil severa (tabela 3)

Tabela 3. Valores dos domínios avaliados pelo IIFE. (2017)

Categoria Resultados Severa 62,5% Moderada 25% Suave para Moderada 12% Suave 0% Sem DE* 0% *DE: disfunção erétil O resultado encontrado nos mostra baixos escores relacionados à qualidade de vida para os participantes da pesquisa. A qualidade de vida é um termo amplo, muitas vezes utilizado para designar a noção que o indivíduo possui de si mesmo dentro do contexo em que vive. Pacientes que sofreram AVC possuem limitações físicas que levam à queda da qualidade de vida afetando diretamente a sua experiência diante de atividades da vida diária. (BARROS et al., 2014; SCHREUDERS et al., 2017) O presente estudo apontou baixos valores no item de capacidade funcional e acreditase que esses valores tenham tido relação com o item de limitação por aspectos fisicos. Estudos mostram que a capacidade funcional está diretamente ligada a aspectos de independência física e funcional (LANGHAMMER; STANGHELLE; LINDMARK, 2008; WIJK et al., 2007). Pacientes que sofreram AVC apresentam déficit de percepção corporal e queda da função motora o que os levam a evoluir com perda de capacidade funcional, e nesse sentido é importante montar estratégias relacionadas à melhora da função motora resultando na melhora da capacidade funcional. (COSTA et al., 2015; LANGHAMMER; STANGHELLE; LINDMARK, 2008; RANGEL; BELASCO; DICCINI, 2013) Outro aspecto que pode infuenciar na perda de capacidade funcional é a dor. A maior parte dos pacientes que passaram por um episódio de AVC sofrem, de dor muitas vezes associada à parestesia sejam por subluxação, contratura, tensões ou até polineuropatias (CHOI-KWON et al., 2016; HUANG et al., 2017; KAIHO et al., 2017; SACKLEY et al., 2008; SATO et al., 2007.). No presente estudo foi observado que a dor está entre os principais domínios relacionados à diminuição da qualidade de vida com média de 56,13. Além disso, o aspecto limitação emocional também apresentou resultados insatisfatórios. A diminuição da qualidade de vida relacionada com a queda dos aspectos emocionais no paciente pós avc é comum. A piora emocional dos pacientes pode levar à depressão severa e evolir até o suicídio. Esses pacientes podem apresentar riso ou choro exagerado sem controle e sem motivo aparente (KIM, 2012; PARK; OVBIAGELE; FENG, 2015; SHI et al., 2017; STENAGER et al., 1998; THOMAS et al., 2008) Um estudo realizado no Reino Unido (THOMAS et al., 2008) objetivou identificar fatores associados à dificuldade emocional aos 1 mês e 6 meses após AVC, em uma amostra que incluiu pacientes com afasia e concluiu que as alterações emocionais permaneceram durante o período do estudo e devem permanecer até a fase crônica da doença. Quando avaliada a função sexual, os pacientes deste estudo apresentaram resultados insatisfatórios com grande média apresentando disfunção erétil severa. A disfunção erétil é de causa multifatorial e apresenta respostas como a diminuição da libido e até problemas de ejaculação em pacientes que sofreram AVC. (WINDER et al., 2017) Um estudo realizado na Nigéria objetivou avaliar disfunção erétil em pacientes pós AVC e como resultado foi encontrado que o AVC afeta diretamente a função erétil dos pacientes. (SIKIRUL; SHMAILA; YUSUF, 2009) Os resultados encontrados podem estar relacionados ao fato de problemas cardiovasculares possuírem relação direta com a disfunção erétil. (BENER et al., 2008; SIKIRUL; SHMAILA; YUSUF, 2009; WINDER et al., 2017).

CONCLUSÕES

De acordo com os resultados da amostra analisada, quanto ao perfil sociodemográfico viu-se que a maioria dos voluntários era casado (57,5%), possuía de 8 à 11 anos de estudo (37,5%) e eram aposentados (75%). Os 8 homens incluídos na pesquisa apresentaram qualidade de vida ruim assim como a função sexual.



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