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Avaliação da Força de Preensão Palmar à Beira Leito: Uma Revisão Integrativa

Avaliação da Força de Preensão Palmar à Beira Leito: Uma Revisão Integrativa

INTRODUÇÃO

O repouso absoluto foi utilizado durante muito tempo como a melhor indicação para tratar pacientes críticos, acreditava-se que estes, não teriam capacidade de resistir a qualquer estímulo. Com o passar do tempo, a evolução tecnológica e a interação multidisciplinar contribuiu para a sobrevida destes pacientes. No entanto as complicações da restrição ao leito vem sendo estudadas.

A longa permanência no leito acarreta na perda das funções motoras e consequentemente, a qualidade de vida. A fraqueza neuromuscular está presente entre 25% e 60¨% dos casos, contribuindo diretamente no aumento do tempo da internação. Podendo estes pacientes em menos de duas semanas, ter um declínio de até 1,5kg peso ao dia e aumento da taxa de mortalidade. Além disso, tais consequências podem persistir por até 5 anos após alta
hospitalar. Além dos pacientes críticos, a fraqueza também pode estar presente em pacientes menos graves. Pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos sob anestesia geral, sendo estes eletivos ou não, são expostos a um cenário semelhante, incluindo o tempo de sedação, imobilização, ventilação mecânica, bem como uma resposta inflamatória severa induzida cirurgicamente.

Essas complicações podem ser primárias, diretamente ligadas à doenças neuromusculares ou se desenvolver como um distúrbio secundário, sendo este, o mais frequente. Ainda sem uma fisiopatologia definida especificamente, estudos recentes atribuem à alterações estruturais/funcionais complexas no sistema nervoso central, periférico, na perda de massa e função muscular corporal e respiratória e interligado à características únicas de pacientes críticos à certas doenças.

Os resultados funcionais da fraqueza do doente crítico são de maioria heterogêneos, alguns indivíduos podem se recuperar totalmente desta condição, outros experimentarão uma fraqueza persistente, a depender do grau de acometimento. Além disso, a fraqueza resulta em limitações funcionais e diminuição da qualidade de vida dessas pessoas.

Por ser não invasiva, a avaliação da força preensão palmar pode fornecer uma alternativa simples de diagnosticar a fraqueza nos pacientes críticos, podendo ser aplicada de forma muito rápida e fácil à beira leito. Além disso a função muscular monitorada pela força de preensão palmar pode ser preditora de um desmame difícil conforme alguns estudos.

As complicações decorrentes da restrição ao leito na unidade de terapia intensiva podem ser minimizadas através da mobilização precoce. A fisioterapia atua neste sentido, mantendo e restabelecendo a funcionalidade através da prevenção de alterações osteomioarticulares. Diante do exposto, visando contribuir ao conhecimento científico, o objetivo desta pesquisa é verificar evidências em relação a mensuração da força de preensão palmar na avaliação de pacientes críticos na unidade de terapia intensiva.

MATERIAIS E MÉTODOS

O presente artigo consiste em estudo de revisão de literatura, realizado entre agosto e outubro de 2022. As bases de dados utilizadas como fonte de levantamento foram: Literatura LatinoAmericana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e PubMed. Utilizadas para estudos compreendidos entre 2017 e 2022. Durante a busca foram empregadas as seguintes palavras-chave: “doente crítico”, “terapia intensiva”, “força de preensão palmar”, “fraqueza periférica”, “perda de força”. Além disso, foi realizada a combinação de termos oriundos do Medical Subject Headings (MeSH) e no Descritores em ciências da saúde (DeCS), que fossem capazes de proporcionar resultados específicos.

Os critérios de inclusão utilizados para a seleção dos artigos durante a leitura foram: ensaios clínicos controlados e/ou estudos prospectivos, escritos na língua portuguesa e/ou inglesa, publicados nos últimos cinco anos e disponibilizados na íntegra; A população estudada destes artigos deveriam ser definidos como pacientes adultos críticos (≥ 18 anos) internados em unidades de terapia intensiva. Como critérios de exclusão foram adotados todos aqueles estudos duplicados, não gratuitos e/ou não disponíveis na íntegra para leitura, fora do período determinado, cartas, resumos, dissertações, revisões de literatura, teses, população estudada com menos de 1 dia de internação em casos de pesquisas de desenho transversal, estudos que utilizaram crianças e animais, e/ou que foram publicados há mais de 5 anos.

Inicialmente foi realizado a análise do título do artigo e respectivamente o seu resumo, para garantir que contemplavam o assunto em questão, sendo eliminados os artigos que se enquadravam em algum dos critérios de exclusão. Aqueles que se enquadravam aos critérios foram agrupados e submetidos à leitura na íntegra para avaliação de seus métodos, resultados e discussões.

RESULTADOS

Durante a busca com os devidos descritores selecionados através do MeSH e DeCS, foram identificados 205 artigos científicos. Sendo 185 artigos da base de dados PuBMED e 20 artigos da base LILACS. Após a utilização dos critérios de inclusão e exclusão préestabelecidos, foram considerados 50 estudos em texto completo conforme título e resumo, destes, apenas um total de doze artigos (n=12) se adequaram aos critérios estabelecidos após a leitura na íntegra e foram incluídos nesta revisão. Durante a leitura destes, foram encontrados 2 artigos usados como referência que atendiam aos critérios e também foram incluídos.

DISCUSSÃO DOS DADOS

A força de preensão manual está associada à um desfecho hospitalar ruim. Segundo estudos, uma única semana de imobilização em um ambiente de terapia intensiva é suficiente para causar atrofia muscular, ou seja, uma fraqueza muscular que é agravada ainda mais em pacientes que necessitam de hospitalização.

Chen et al. apontam que a baixa força de preensão é considerada um forte indicador de desfechos desfavoráveis, como maior tempo de internação, maiores limitações funcionais, menor qualidade de vida relacionada à saúde e óbito. Em seu estudo, dividiram 34 pacientes em dois grupos, onde o primeiro (n=17) apenas obteve as medições e o segundo grupo (n=16) recebeu intervenção fisioterapêutica durante 5 dias. Foi possível observarem resultados obviamente maiores no segundo grupo e consideraram que a força de preensão palmar é um teste de capacidade funcional eficaz para avaliar a força muscular.

Cottereau et al. analisaram a força de preensão manual de 233 pacientes em relação à falha na extubação, onde não encontraram associação, porém pôde ser observado que o tempo de permanência no leito hospitalar foi significativamente maior no subconjunto de pacientes com fraqueza muscular definida através da aferição da força de preensão manual. Saiphoklang e Keawon realizaram uma pesquisa com pacientes críticos para avaliar a correlação do desmame com a força de preensão manual, porém houve divergências em relação à um estudo anterior, onde observaram que baixa força de preensão estava correlacionada com o aumento significativo da taxa de reintubação. Porém no estudo atual, os resultados apresentaram correlação significativamente negativa sugerindo um estudo mais aprofundado, onde ao buscarem um valor de corte para força de preensão palmar verificaram que o grupo de sucesso de desmame obteve uma força significativamente maior do que o grupo de falha de desmame ao longo do tempo.

Em relação à doenças específicas que levam o paciente à internação no setor de terapia intensiva, Gil et al. buscaram durante a pandemia por COVID-19, evidências de uma associação entre o aumento da força de preensão manual e menor tempo de internação, avaliando 196 pacientes. E concluíram que a baixa força muscular são preditivas de um maior tempo de internação neste grupo. Corroborando com o estudo de Andrade-Junior et al. que também encontraram redução da força em pacientes graves com COVID-19 após o décimo dia de internação. Já Schmidit et al. em sua pesquisa com pacientes sépticos, afirmaram que os resultados da avaliação da força muscular periférica através da dinamometria foram sensíveis e contribuíram para o diagnóstico da fraqueza adquirida na UTI. No entanto ressaltam que a avaliação da força muscular periférica não pode especificamente detectar a fraqueza, visto que este tipo de avaliação depende da cooperação do paciente e pode ser influenciado por fatores como edema, rigidez articular, falta do membro a ser avaliado dentre outros fatores. Mas continua sendo um método de baixo custo, fácil execução e com resultados objetivos no auxílio do diagnóstico precoce.

Em relação à diferença entre faixas etárias Martins et al. relatam em sua amostra que o grupo de adultos mais velhos apresentaram menores ganhos na força muscular entre o despertar e a alta. Ressaltando a importância da terapia preventiva para minimizar os efeitos negativos da internação.

Há também na literatura dados sobre diferenças entre sexos, o que torna um fato interessante, tais características fisiológicas relatadas em relação ao sexo feminino por sua anatomofisiologia juntamente ao fator idade, podem então tornar um idoso do sexo feminino ainda mais vulnerável.

Rentería-Sierra et al. realizaram um estudo classificando por gênero (feminino e masculino), onde encontraram menor pontuação no grupo feminino que, apesar da melhora durante o processo de internação, continuou abaixo do valor de corte comparado ao grupo masculino.

O declínio funcional dos pacientes críticos durante o tempo de internação na unidade de terapia intensiva é um tema bastante destacado e estudado na literatura, havendo nos últimos anos bastante revisões e pesquisas. A avaliação da força de preensão palmar é um método avaliativo eficaz, acessível e de baixo custo podendo ser utilizado à beira leito como auxílio ao setor de reabilitação contribuindo para as práticas de prevenção à fraqueza adquirida na unidade de terapia intensiva além de contribuir como um possível sinalizador de um desmame difícil. Tendo por exemplo pesquisas como a de Ogawa et al onde foi utilizado no prognóstico da fragilidade em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca.

CONCLUSÃO

A avaliação do estado funcional do paciente criticamente enfermo vem sido cada vez mais analisadas na última década. Tais ferramentas ajudam o profissional a identificar as deficiências deste indivíduo e possibilita a continuidade do protocolo de intervenção proposto, retardando os efeitos decorrentes da internação e promovendo a independência funcional.

Sendo um dispositivo de baixo custo e fácil manuseio, a avaliação da força de preensão palmar através do dinamômetro pode ser utilizada como complemento das escalas de funcionalidade no protocolo de intervenção fisioterapêutica. Embora sua principal dificuldade ser a necessidade de pacientes não sedados, continua sendo bastante utilizado, porém as evidências fornecidas neste estudo demonstram que ainda há algumas lacunas a serem
aprofundadas e analisadas neste método de avaliação. Podemos em síntese dizer que ainda fazem-se necessários mais estudos específicos, que possuam um n de pesquisa em grande quantidade, que sejam além disso, comparativos em relação à faixa etária e sexo. Fica ainda uma sugestão da criação de um protocolo padronizado em relação ao modo de mensuração e tipo de dinamômetro em relação aos valores de corte. Ressaltamos a importância de uma
avaliação multicomponente e multiprofissional para os pacientes que requerem os cuidados da terapia intensiva.

REFERÊNCIAS

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ARTIGO PUBLICADO EM 12/12/2024



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