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Avaliação da Carga Mental de Trabalhadores de uma Empresa de Instalação Civil em Recife – PE

Avaliação da Carga Mental de Trabalhadores de uma Empresa de Instalação Civil em Recife – PE

A cadeia produtiva da construção civil é um dos maiores ramos da economia em qualquer país (BARKOKÉBAS, 2010). Em Pernambuco, a construção civil vive um de seus melhores momentos batendo recordes de crescimento a cada ano, fato que pode ser evidenciado com o crescimento de 4,1% a partir dos primeiros meses de 2011/2012 em comparação ao mesmo período de 2010/2011 que foi de 2,3% segundo pesquisa da FIEPE (2012).

Os trabalhadores da construção têm como característica preponderante o gênero masculino, baixo nível de instrução escolar, além da baixa qualificação profissional. Ademais, a grande maioria dessa mão de obra cursou apenas até o 1º grau completo (CARDOSO, 2007; SESI, 2008; BARZELLAY, 2011). A qualificação requerida para esse tipo de ocupação na grande maioria não é transmitida pela escola. Ou seja, a aprendizagem se faz no próprio exercício do trabalho (BARZELLAY, 2011).

Aos trabalhadores da construção exige-se a compreensão de sinais, interpretação de dados, compreensão de projetos de arquitetura, estrutura e instalações gerais. Como também disposição e capacidade para executar atividades físicas. Muitas vezes, atividades que requerem movimentos repetitivos e posturas inadequadas, como levantamento de peso, uso de ferramentas vibratórias, pesadas, cortantes, quentes e perfurantes. Isso tudo em ambientes ruidosos, empoeirados, pisos e passagens irregulares, trabalhos nas alturas, riscos de acidentes e outros riscos ocupacionais. Além disso, são atividades que dependem de condições climáticas, mas mesmo assim, também são lhes exigidos prazos a serem cumpridos, qualificação profissional e responsabilidades (BARZELLAY,20011; ONUKA et al,2011; NR-18).

Em contrapartida, os trabalhadores, com nível técnico ou superior, responsáveis pelas atividades gerenciais, executivas e administrativas na construção civil, costumam realiza-las em escritórios em ambiente fechado, climatizado. No geral, esses trabalhadores passam a maior parte do tempo sentados, utilizando computadores, telefones, máquinas de calcular, escrevendo, desenvolvendo pesquisa e projetos (BARZELLAY, 2011).

A principal diferença entre o trabalho não informatizado com um informatizado é a variedade de atividades, tanto mentais como físicas, que ocorre com o não uso do computador (GRANDJEAN, 1998). O trabalho informatizado impõe ao corpo posturas paradoxais: enquanto alguns seguimentos corporais permanecem estáticos por longos períodos de tempo, como a coluna vertebral, outros seguimentos, como os membros superiores, precisam realizar movimentos altamente repetitivos, impedindo igualmente a recuperação dos tecidos e das estruturas fisiológicas envolvidas nessa manutenção postural (COURY, 1993).

Em todo trabalho há exigências físicas e mentais, no entanto, conforme o tipo de atividade, algumas dessas demandas podem se sobressair, caracterizando-o como físico ou mental. Tratando-se de um trabalho predominantemente muscular procura-se avaliar a carga física, em contra partida, se o trabalho requer um maior esforço intelectual considera-se a carga mental (SANTOS, 2012). 

Uma das formas de verificar a sobrecarga de trabalho nos indivíduos é através da avaliação da carga mental de trabalho. A partir daí, é possível alterar os fatores que estão sobrecarregando-os, e diminuir a ocorrência de doenças, acidentes, ou risco de distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho, evitando prejuízos à saúde e consequentemente melhorando o desempenho do trabalhador.

Diante da necessidade de investigar a carga mental desses dois grupos de trabalhadores, esse estudo contribui para identificar quais fatores estão sobrecarregando esses profissionais. Sendo assim a melhora nesses índices faz com que o número de erros, acidentes e adoecimento sejam reduzidos. Para que a empresa busque a prevenção de doenças ocupacionais, e obtenha um nível de melhoria contínua no seu desempenho. Dessa forma,        este estudo tem como objetivo avaliar a carga mental de trabalho dos funcionários de uma empresa de instalação civil em Recife.

MATERIAIS E MÉTODOS

O presente trabalho trata-se de um estudo transversal do tipo descritivo. Sendo desenvolvido em uma empresa de instalação civil em Recife, no período de setembro a outubro de 2012. Foi cumprida a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), uma vez que foi solicitada a autorização através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) que informa e esclarece ao sujeito da pesquisa de maneira que ele possa tomar sua decisão de forma justa e sem constrangimentos sobre a sua participação em um projeto de pesquisa.

A amostra foi constituída por todos os funcionários que trabalham no escritório totalizando 27 funcionários, e também selecionada de forma aleatória o mesmo número de trabalhadores que atuam no canteiro de obras, totalizando uma amostra de 54 trabalhadores da empresa.

Para a avaliação da carga de trabalho, foi utilizado o questionário NASA-TLX (Task Load Index) de avaliação subjetiva, desenvolvido por Hart e Staveland (1988). O NASA-TLX é um procedimento multidimensional que fornece uma avaliação quantitativa global da carga mental de trabalho, baseada na média ponderada da avaliação de seis dimensões dessa carga: exigência mental; exigência física; exigência temporal; nível de realização; nível de esforço; e nível de frustração. Esses conceitos foram apresentados ao sujeito antes da aplicação do instrumento.

Destaca-se que o NASA-TLX apresenta a particularidade de ponderar as dimensões da carga mental de trabalho, de acordo com a importância subjetiva (peso) atribuída pelo sujeito, multiplicada pela taxa aferida para cada dimensão da carga, visto que as dimensões da carga de trabalho variam de acordo com as tarefas/atividades e a forma como o sujeito às percebe. O grau com que cada uma das dimensões contribui para essa carga mental pode ser determinado pelo valor das taxas. Cada taxa é determinada a partir de um valor numérico aferido em uma folha que contém as seis dimensões em escalas graduadas sem valores numéricos. O sujeito assinala como ele percebe em que magnitude determinada dimensão contribuiu para a formação da carga mental de trabalho na tarefa, e o examinador posteriormente identifica o valor numérico vinculado ao nível assinalado pelo sujeito. Cada escala apresenta uma linha de 15 cm, ancoradas em descrições bipolares (pouco e muito).

O peso com que cada dimensão contribui para a carga mental de trabalho é aferido por meio de um conjunto de confrontos das dimensões dessa carga, em que são apresentados 15 pares das dimensões combinadas (todas as combinações possíveis). O sujeito deve escolher a dimensão que mais contribui para a carga mental de trabalho que ele percebe durante a execução da tarefa. Desse modo, cada dimensão pode ser selecionada desde nenhuma vez até cinco vezes. As taxas e os pesos de cada dimensão são obtidos após o sujeito ter efetuado a tarefa ou parte dela. As dimensões que apresentam maior peso na origem da carga mental de trabalho apresentarão maior peso na pontuação da carga de trabalho global, dando, dessa forma, um implemento em sensibilidade para a escala. Ao final do procedimento, é calculada a taxa global ponderada da carga mental de trabalho do sujeito. Essa taxa global ponderada é obtida por meio do somatório de todos os pesos multiplicados pelas taxas de todas as dimensões e esse valor é dividido por 15, oferecendo o valor final.
Os dados coletados foram submetidos ao estudo estatístico e foram utilizados o Software STATA/SE 9.0 e o EXCEL 2007. Os resultados estão apresentados em forma de tabela com suas respectivas frequências absoluta e relativa, enquanto que as variáveis numéricas estão representadas pelas medidas de tendência central e medidas de dispersão. O Teste de Normalidade de Kolmogorov-Smirnov foi utilizado para variáveis quantitativas e para a comparação dos dois grupos foi realizado o Teste t Student (Distribuição Normal) e teste de Mann-Whitney (Não Normal). Foi considerado o nível de significância p≤0,05.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foram analisados dois grupos de funcionários da empresa de instalação na construção civil, um grupo formado por todos os que trabalham no escritório, totalizando 27 funcionários, distribuídos nos cargos de recepcionista, diretor, motorista, analista de custos, gerente financeiro, gerente contábil, gerente de compras, gerente de orçamento, gerente de recursos humanos, analista de custo, copeira, almoxarife, técnico eletrotécnico, estagiários e auxiliares de compras, contabilidade, de pessoal, de serviços gerais, e de almoxarife. No total, 16 são mulheres e 11 são homens.

Enquanto isso, o segundo grupo, formado pela mesma quantidade de trabalhadores que atuam no canteiro de obras, porém escolhidos aleatoriamente, são distribuídos nos seguintes cargos: ajudante de elétrica, ajudante de encanador, encanador, eletricista, soldador, engenheiro civil, encarregado de elétrica, gerente de planejamento, almoxarife, assistente administrativo, técnico eletrotécnico. Esse grupo de trabalhadores é formado por 26 homens e 1 mulher.

Os resultados encontrados na Tabela 1 demonstram o perfil sócio- demográfico dos funcionários avaliados no estudo, onde revela as variáveis quanto à idade, o tempo de trabalho na empresa, o sexo, escolaridade e a destreza dos grupos.

Tabela 1: Dados sócio-demográficos dos participantes do estudo.

Variáveis n %
Idade    
< 30 27 50,0
30 |- 40 17 31,5
≥ 40 10 18,5
Tempo de Trabalho    
 Até 1 ano 28 51,9
Mais de 1 ano 26 48,1
Sexo    
Masculino 37 68,5
Feminino 17 31,5
Escolaridade    
1º grau incompleto 8 14,8
1º grau completo 1 1,9
2º grau incompleto 7 13,0
2º grau completo 23 42,5
Superior incompleto 8 14,8
Superior completo 5 9,3
Pós-graduação 2 3,7
Destreza    
Destro 47 87,0
Canhoto 7 13,0

Pode-se observar que 50% dos funcionários apresentaram idade inferior a trinta anos, 51,9% tem até um ano de trabalho, e 68,5% são do sexo masculino. Já quanto à escolaridade, a maioria, com 42,5%, possui o segundo grau completo. Enquanto isso, com relação à destreza, a maioria (87%) dos entrevistados é destra.

De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério do Trabalho, a pedido da Câmara Brasileira de Indústria da Construção (CBIC), com dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) mostra que em 2002, quase dois terços dos ocupados no setor (63,6%) não havia sequer concluído o ensino fundamental (apresentavam menos de oito anos de estudo). Apenas 36,1% conseguiram chegar ao ensino médio (mais de oito anos de estudo). Em 2010, o número de pessoas que estudou mais de oito anos já chega a quase metade dos trabalhadores 47,8%. Atualmente, um quarto dos trabalhadores do setor tem 11 anos ou mais de estudo 26,6% (CBIC, 2011; SINDUSCON SP, 2011).

A partir da análise da tabela 1, observa-se que 50% dos funcionários apresentou idade inferior a trinta anos, indicando que é um grupo que tem muitos jovens, diferente do encontrado na literatura.  Segundo o sindicato da construção Civil (Sinduscon SP, 2011), em 2001, a idade média dos trabalhadores era de pouco mais de 37 anos, hoje chega há 41 anos; e 41% da mão de obra possuem mais de 45 anos – esse percentual era de apenas 31% em 2011.

Com um percentual de 31,5%, o gênero feminino na empresa não representa nem a metade dos entrevistados. Ainda segundo CBIC (2011), O dado estatístico que relaciona o gênero dos trabalhadores ocupados com o setor de atividade, é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). A mais recente (divulgada em setembro de 2009) se refere a 2008. De acordo com a pesquisa, as mulheres ainda representam 3,4% do total de trabalhadores na construção civil, mas o volume está crescendo ano a ano. Em 2006, eram 171 mil mulheres, em 2007, 184 mil e em 2008, 240 mil trabalhadoras. Ou seja, em apenas dois anos, 69 mil mulheres passaram a trabalhar nos canteiros de obras.

O resultado encontrado na variável tempo de trabalho foi 51,9% para quem trabalha até um ano na empresa. Isso vem corroborar com achados na literatura quanto à rotatividade na construção civil. Segundo (BARZELLAY, 20011) a construção civil caracteriza-se por um alto grau de rotatividade da mão de obra empregada.

O resultado encontrado na Tabela 2 demonstra os resultados das médias das demandas dos funcionários da empresa com a aplicação do questionário NASA-TLX.

Tabela 2: Média das demandas dos funcionários da empresa.

  Local  
Variáveis Trabalhadores da Obra Trabalhadores do Escritório p-valor
  Média ± DP Média ± DP  
Demanda mental 34,89 ± 22,14 46,16 ± 21,91 0,066
Demanda física 26,62 ± 15,95 10,03 ± 16,65 < 0,001 *
Demanda temporal 20,71 ± 14,91 30,85 ± 14,95 0,016 *
Desempenho 47,56 ± 19,27 44,96 ± 14,77 0,581
Esforço 32,66 ± 19,00 30,18 ± 24,83 0,682
Nível de Frustração 11,39 ± 12,38 9,64 ± 16,88 0,189
Carga Global 11,64 ± 2,40 11,45 ± 1,81 0,753

Demanda Mental

Observa-se que o grupo que trabalha no escritório foi o que apresentou maior carga no fator demanda mental (46,16). Apesar do valor numérico da carga mental ter sido maior no grupo que trabalha no escritório, não foi significativo estatisticamente, com relação ao valor encontrado no grupo de trabalhadores da obra (34,89). Esse fator pode ser atribuído à rotatividade que a construção civil apresenta, já que os fatores geradores da demanda mental são acumulativos. Pelo fato dos funcionários que trabalham no escritório possuírem mais tempo de serviço na empresa, seu valor da demanda mental foi mais elevado, ao contrário dos funcionários de obra, cuja rotatividade é maior e consequentemente o valor da demanda mental diminui. Ou seja, quando comparada a média dos dois grupos, o resultado não foi significativo.

Essa importante carga mental encontrada no grupo que trabalha no escritório, pode ser atribuída pela característica do trabalho, por ser um trabalho administrativo, informatizado onde se passa grande parte do tempo sentado e exige concentração, raciocínio, memória, tomadas de decisões e prazos a serem compridos (BARZELLAY, 2011).

Nível de Frustração

Essa demanda esta relacionada aos fatores que inibem a realização do trabalho. Também nos dois grupos foi a que apresentou menor valor. Por tanto no grupo que trabalha em obra apresentou (11,64) e no grupo do escritório (9,64).

Comparando os resultados do grupo do escritório nas variáveis demanda mental e nível de frustração, verifica-se a demanda mental apresenta valor de (46,16) maior do que do nível de frustração (9,64). De acordo com Balardim (2009) Há indícios de que quanto maior a demanda mental, menor o nível de frustração, e vice-versa. O crescimento da demanda mental parece contribuir para diminuir o nível de frustração dos trabalhadores. Esse aumento representa a valorização dos trabalhadores, bem como implica em maior satisfação no trabalho (BALARDIM, 2009).

Demanda Física

Em relação a variável demanda física, houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos de obra (26,62) e escritório (10,03), sendo o P valor igual a 0,001. Verifica-se que, a demanda física no grupo dos trabalhadores de escritório, foi um dos componentes que apresentou menor carga de trabalho. E o grupo que trabalha em obras, apresentou um valor muito superior, representando mais que o dobro do valor do grupo que trabalha no escritório. 
Esse era um fator esperado, tendo em vista que segundo Barzellay (2011), os trabalhadores que realizam suas atividades no canteiro de obras da construção civil apresentam um trabalho predominantemente muscular, no qual, as tarefas a serem executadas, são basicamente as que requerem força e vigor físico, como exemplo o transporte e remoção de material e a limpeza dos locais de trabalho.

Segundo Grandjean (1998), a principal diferença entre o trabalho não informatizado com um informatizado é a variedade de atividades, tanto mentais como físicas, que ocorre com o não uso do computador.

Demanda Temporal  

Os valores desta demanda, no grupo que trabalha no escritório, foi bem mais alto (30,85) em relação ao grupo que trabalha em obras (20,71), apresentando diferença estatisticamente significativa. Isso pode ocorrer devido aos prazos de entrega dos orçamentos, para participação da empresa em concorrência, que geralmente são muito curtos, e a quantidade grande de orçamentos, exigindo um ritmo de trabalho maior do que o dos trabalhadores de obra.

Segundo Couto (1987), os principais fatores de pressão que assolam o indivíduo no trabalho estão ligados à urgência com que as atividades são impostas, e a má administração do tempo vinculado a uma série de exigências. 

Desempenho

Em relação aos funcionários que trabalham em obra, o fator de maior carga de trabalho foi o desempenho (47,56) enquanto que para os funcionários que trabalham no escritório foi encontrado um valor de (44,96). Talvez isso aconteça por causa do programa da qualidade (certificação ISO) implantado na empresa, no qual é exigido um padrão na execução dos serviços, buscando a melhoria contínua do desempenho, eficiência e eficácia.

A certificação da qualidade é um instrumento qualificador das empresas que tem interesse em seguir alguns requisitos previamente determinados, possibilitando-a estruturar-se segundo os princípios básicos de qualidade. As normas ISO possibilitaram uma melhor adequação dos requisitos à grande parte das empresas, em especial no setor de serviços e à construção civil, (OHASHI, 2004; CARPINETTI, 2010).

Desta forma, todos devem ser capazes de realizar o trabalho com o mesmo padrão e qualidade. Sendo assim, torna-se mais fácil para os operários obterem um bom desempenho, que pode gerar uma satisfação dos resultados, tendo em vista que o seu trabalho fica visível para todos, e existe o reconhecimento por parte do empresário. Entretanto, esta padronização às vezes enrijece o trabalho dos funcionários, exigindo uma maior demanda mental, principalmente dos trabalhadores do escritório.

 Esforço

O nível de esforço foi o componente da carga de trabalho que mais gerou dúvidas quanto a sua definição. Constantemente, a pesquisadora foi solicitada a esclarecer a diferenciação do esforço; da demanda física; e da demanda mental. Isso ocorreu devido a dificuldade de esclarecer que o esforço é o quanto se tem que trabalhar física e mentalmente para atingir um nível desejado de performance. Os resultados entre os grupos foram muito próximos, no grupo de trabalhadores de obras foi (32,66) e no do escritório (30,18). O resultado dos dois grupos apontou que existe um esforço físico e mental de ambos para se atingir um nível desejado de performance.

Carga Global

Os resultados encontrados da carga de trabalho foram muito próximos, (11,64) para os funcionários que trabalham em obras e de (11,45) para os funcionários que trabalham no escritório. De acordo com os resultados, a carga de trabalho da maior parte dos trabalhadores apresentou pontuações elevadas. Entre os seis componentes da carga de trabalho, a que apresentou maior peso foi o desempenho (47,56) no grupo que trabalha em obra, e a de menor peso foi nível de frustração (9,64) para o grupo que trabalha no escritório. Desta forma, a carga global elevada pode indicar que existem demandas com cargas elevadas, e vai pode refletir futuramente em aparecimento de perturbações físicas e adoecimento (MORAES, 2002).

CONCLUSÕES

A partir da análise dos resultados da pesquisa, foi possível determinar e comparar quais demandas afetam com maior intensidade os trabalhadores da empresa e influenciam na carga de trabalho. Assim, verifica-se que entre os trabalhadores de escritório, a demanda de maior intensidade foi à demanda mental, enquanto que para os trabalhadores de obra foi o desempenho. Além disso, foi encontrada uma diferença significativa entre as demandas física no grupo de trabalhadores de obra, e temporal e no grupo de trabalhadores de escritório. Sendo assim, considerando que mais da metade dos funcionários possui menos de um ano na empresa. Não podemos deixar de perceber que a rotatividade apresentada pela construção civil, teve muita influência negativa nos resultados da pesquisa.

Também foi encontrada carga global com pontuações elevadas e semelhantes entre os grupos. Assim, os resultados das demandas mentais encontradas e em associação com uma avaliação ergonômica dos postos de trabalho, podem identificar as situações de sobrecarga e riscos à saúde dos trabalhadores auxiliando a empresa no investimento em prevenção ocupacional.

REFERÊNCIAS

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