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Atuação do Fisioterapeuta em Fraturas de Pelve em Idosos

Atuação do Fisioterapeuta em Fraturas de Pelve em Idosos

INTRODUÇÃO

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define idoso como indivíduo com 65 anos ou mais nos países desenvolvidos, enquanto nos países em desenvolvimento a idade de 60 anos ou mais ainda existe pela Lei nº 10.741 da Lei do Idoso de outubro de 2003 1 dia. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira continua envelhecendo desde a última pesquisa e deve quadruplicar até 2050, atingindo 27% da população total do Brasil.

O processo de envelhecimento é gradativo e subjetivo, cada indivíduo tem sua forma específica de envelhecer, com declínio motor e cognitivo, capacidade funcional limitada, levando a quedas e aparecimento de comprometimento cognitivo(DA SILVA SANTOS 2014).

Uma fratura pélvica afeta os ossos que compõem a pelve. A pelve, comumente conhecida como bacia, podemos encontrá-la na parte inferior do tronco. Existem também duas articulações chamadas articulação sacroilíaca e sínfise púbica. A pelve tem a função de unir a região do tronco com os membros inferiores e vasos sanguíneos e nervos também passam por ele. (MORIOKA)

O maior problema associado às fraturas pélvicas e pélvicas é a mobilidade limitada. Mesmo com fraturas estáveis que não requerem cirurgia, os pacientes ainda precisam descansar. Para os idosos, este é um fator complicador, onde os tempos de recuperação podem ser mais longos e a mobilidade reduzida aumenta o risco de distúrbios pulmonares, circulatórios e cutâneos, além de afetar a autonomia e independência (ALMEIDA).

As fraturas pélvicas são as quebras da integridade pélvica, causando fraturas na asa ilíaca e também envolvendo o anel pélvico. Os idosos podem ter fragilidade para este tipo de fratura, com amplo histórico de trauma ou de quedas, em alguns casos também é possível a discrepância do comprimento dos membros, podendo causar dores intensas e também redução dos movimentos.

O diagnóstico é clínico e confirmado por exames de imagem. O tratamento inicial inclui controle do sangramento, ressuscitação volêmica e imobilização mecânica. Pacientes com trauma de alta energia geralmente requerem cirurgia. Após a recuperação, a qualidade de vida pode diminuir.

A maioria das fraturas pélvicas são causadas por violência decorrente de quedas ou golpes, ou no caso de as formas mais severas por esmagamento. Além do choque sofrido pelo paciente no momento da lesão, ou de danos aos órgãos pélvicos, a lesão raramente é perigoso e se ocorrer deslocamento pode ser mínimo por causa do suporte oferecido ao osso por os numerosos músculos e ligamentos ligados à sua superfície.

O anel pélvico pode ser descrito como composta por dois segmentos. o anterior ou posterior que protege os órgãos pélvicos e fornece para a fixação dos músculos da parte inferior extremidade e a porção póstero-lateral ou ilíaca que transmite o peso do corpo para as pernas. Uma fratura isolada em qualquer segmento não é uma regra sério, a menos que seja complicado por danos aos órgãos internos. O mesmo é verdade para duplo ou mesmo fraturas múltiplas no segmento anterior desde que não há fratura ou luxação no segmento ilíaco.

Mas se houver duas ou mais fraturas ou luxações com pelo menos um em cada segmento então o deslocamento pode ser considerável. Ela é provocada tanto pela força causal e pela tração dos músculos que passam da coluna até a pelve ou fêmur. Para fraturas com pequeno deslocamento imobilização completa não é necessária e geralmente o paciente fica em repouso na cama por 1-3 semanas e depois é autorizado a se levantar.

Quando a pélvis o anel é gravemente rompido, então a redução e a fixação são necessários. Se for possível reduzir o deslocamento manualmente então a fixação pode ser por meio de gesso spica, mas outro método de fixação externa podem ser usados (pinos através dos ossos ilíacos e fixados uma barra transversal).

A maioria das fraturas simples não exigirá qualquer fisioterapia, mas se houver risco de complicações no desenvolvimento de exercícios respiratórios devem ser administrados para garantir o uso total do tórax e a expansão dos pulmões. A dor pode impedir o movimento completo e pode ser necessário administrar ao paciente um analgésico ou anestésico local antes do tratamento.

Quanto menos tempo um paciente passa na cama com mobilidade limitada, menor a chance de complicações. Desta forma, a fisioterapia do quadril é um tratamento preventivo além de trabalhar na reabilitação da área e movimentação da parte inferior do corpo, também previne doenças em outros órgãos ou sistemas. (RAFAEL).

Normalmente, o trabalho de um fisioterapeuta começa algumas horas após a cirurgia. No caso da cirurgia de substituição do quadril, a fisioterapia começa no dia seguinte à cirurgia. Os profissionais são responsáveis por orientar o paciente, estimular e garantir a recuperação pós-operatória.

Ele também é responsável por instruir os movimentos corretos a serem executados imediatamente após a cirurgia, principalmente movimentos proibidos como cruzar as pernas ou sentar muito baixo. Nos casos de tratamento conservador (não cirúrgico), a fisioterapia visa aliviar a dor, aumentar a força muscular, acelerar a consolidação da fratura e restaurar ou manter a amplitude de movimento articular10 (VOGLIA ORTOPEDIA).

MATERIAIS E MÉTODOS

O caminho metodológico percorrido durante esse estudo consistiu em traçar uma revisão de literatura, com abordagem qualitativa. Entende-se que as revisões de literatura dizem respeito aqueles no qual o pesquisador colhe os dados por meio das produções cientificas que já foram realizadas sobre a temática que se pretende abordar. No que se refere a abordagem qualitativa, ela consiste em um tipo de análise na qual o pesquisador tem maior espaço para selecionar e analisar os dados de forma a observar, explicar, avaliar e determinar o modo como certo fenômeno ocorre e como se pode fazer pode sugerir estratégias e intervenções para tal.

Logo, o primeiro momento do estudo consistiu na definição, delimitação do tema, para em seguida se chegar a uma problemática, consequentemente, traçar os objetivos que pudessem responder à questão norteadora do estudo. Nesse caso, após estabelecido essas questões iniciais, partiu-se para o levantamento de dados. Para a busca utilizou-se as bases de dados SciELO, repositórios de universidades e revistas da área da Fisioterapia. As palavras chaves tiveram como referência os descritores do DECs nos idiomas português e inglês, respectivamente, fratura de pelve, fisioterapia, fisioterapeuta, idoso.

Os critérios de inclusão foram estudos publicados sem restrição de anos, nos idiomas inglês e português, realizados em seres humanos, sem distinção de gênero e com indivíduos de idade maior que 60 anos que sofreram fratura de pelve. Foram considerados ainda, como critério de inclusão, ensaios clínicos controlados e randomizados com a atuação ou importância do fisioterapeuta no tratamento da fratura de pelve.

Foram excluídos estudos que apenas citam e não detalham o programa de reabilitação utilizado nos idosos e fraturas de pelve tratadas com fisioterapia. Também foram excluídos relatos de caso, estudo em cadáveres, revisões sistemáticas e ensaios clínicos não controlados e/ou randomizados.

RESULTADOS

Após a análise de todos os materiais elencados de acordo com os descritores mencionados anteriormente, foi possível verificar o déficit de estudos realizados no ramo da fisioterapia para idosos com fraturas de pelve. Foram selecionados 3 artigos com testes e resultados após a terapia de mobilização em casos de fratura de pelve leves e médias, resultados satisfatórios.

Além dos estudos realizados com os idosos com fraturas de pelve, foram selecionados revistas e artigos que tratam de como o fisioterapeuta poderá atuar e auxiliar o paciente fraturado, como prevenir quedas e os meios necessários para o tratamento, demonstraremos em tabelas os estudos julgados relevantes e importantes para o assunto.

DISCUSSÃO

Diante do exposto, podemos visualizar como uma fratura de pelve pode ser dolorosa e prejudicial. A estadia do paciente em leito hospitalar pode ser pior e causar imobilidade, por isto é recomendado assim que possível a atuação do fisioterapeuta aplicando exercícios variados e sempre se mantendo atualizado do quadro clínico do idoso juntamente com a equipe de ortopedia. (NUNES).

Com os exercícios repassados pelo fisioterapeuta, por exemplo, o de alongamento é necessário para que traga de volta a utilidade do músculo, pois em alguns casos com a demora da cura da fratura e a demora de o paciente conseguir sair do leito hospitalar, o músculo poderá fadigar, encurtar. O exercício de alongamento poderá auxiliar com que o músculo volte a funcionar em sua capacidade máxima.

Já os exercícios isométricos, podem ser passados na fase inicial da reabilitação, de forma que evite qualquer atrofia muscular, juntamente com os exercícios metabólicos. E quanto a movimentação assistida é possível promover o controle da articulação, diminuir a dor, fortalecer os músculos para que os idosos possam voltar a exercer as atividades habituais. (NUNES)

No estudo de Sherrington, em conclusão, embora não tenha havido impacto significativo nos resultados primários, foi considerado que esta e outras intervenções semelhantes merecem uma investigação mais aprofundada, dada a complexidade e variabilidade da população de estudo, o crescente problema global de quedas e fraturas em idosos e a necessidade de intervenções que poderia ser ampliado para uma implementação mais ampla.

Em casos de que o paciente passou por cirurgia após a fratura, pode ser ideal que o fisioterapeuta recomende sentar em uma cadeira de forma de reduzir as chances de ulceras e coágulos e auxiliando na transição de ficar em pé após a fraturação, recomendando-se exercícios diários para fortalecer o tronco, músculos do braço e das pernas. O recomendado é que também comecem a aderir a postura correta durante a recuperação, para evitar dores na região lombar, má postura e instabilidade.

As maiores recomendações são de não levantar ou empurrar objetos pesados e nem permanecerem sentadas por muito tempo. Os fisioterapeutas ensinam como realizar a atividade diária, por exemplo: como sentar adequadamente, como lavar roupas ou passar, como pegar coisas que estão fora de alcance, mesmo após a recuperação são aconselhadas a realizar esportes e atividades leves diárias (MSD).

Para o médico Murilo, o maior problema associado a fratura de pelve, é a imobilidade. Mesmo que sejam fraturas leves e simples, para os idosos ficar imóvel é um fator complicado, visto que o tempo de recuperação é imprevisível, e a imobilidade pode causar riscos de doenças pulmonares e também circulatórios, e infelizmente compromete a independência e a autonomia.

Podemos mencionar algumas fisioterapias como a ortopédica e a respiratória, pois essas trazem o objetivo de reestabelecer o movimento da articulação e a força muscular que pode ser perdida conforme mencionado anteriormente. Os profissionais fisioterapeutas trabalham com os exercícios e alongamento.

A atuação fisioterapêutica na fratura de pelve segundo Kendall, é possível indicar os exercícios de contração concêntrica, exercícios abdominais, alongamentos ativos ou assistidos, realinhamento postural, aconselhamentos sobre postura, recomendar exercícios a longo prazo como caminhar, nadar, correr devagar, entre outros.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DA SILVA SANTOS, Francisca; JÚNIOR, Joel Lima. O idoso e o processo de envelhecimento: um estudo sobre a qualidade de vida na terceira idade. Id on line Revista de Psicologia, v. 8, n. 24, p. 34-55, 2014.

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KENDALL, F. et al. Músculos, provas e funções. 4ª ed. São Paulo: Manole, 1992.

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FRATURA de Pelve. [S. l.], 5 set. 2022. Disponível em: https://ortonibra.com.br/index.php/especialidades/quadril/fratura-de-pelve. Acesso em: 21 dez.2022.

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MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos da metodologia cientifica. 5ed. São Paulo: Atlas. 2013.

ARTIGO PUBLICADO EM 20/06/2024



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