A Importância e o Papel do Fisioterapeuta no Pós-Operatório de Abdominoplastia
Introdução
De acordo com a obra O mito da beleza, de Naomi Wolf (2018), “a cultura da beleza não apenas nos diz que devemos ser magras e jovens, mas que a aparência é a única coisa que importa para nós”. Com essa proposta filosófica, Wolf demonstra que a sociedade ocidental tende, a todo momento, construir padrões estéticos, principalmente, no que diz respeito às mulheres.
Esses padrões estéticos de magreza são representados pela mídia a partir do século XIX e, ao perpetuar essa comunicação, como aponta Queiroz (2006), há certa idolatria excessiva tanto ao corpo quanto à beleza. Ambas trazem insegurança a diferentes corpos femininos que tentam se encaixar no que é mais bem aceito pela sociedade vigente, muito diferente de antes, cujo sinônimo de saúde e beleza eram corpos mais volumosos. (ALVES, 2021)
Dessa forma, nessa busca incessante por aceitação social, há um aumento na quantidade de indivíduos que buscam alcançar esse padrão através de medicamentos, dietas, exercícios e procedimentos estéticos. (NUNES, 2019)
Tais procedimentos estéticos, como abdominoplastia, por exemplo, têm o intuito de melhorar a autoestima e o bem-estar das pessoas através da aparência. Assim, cirurgias plásticas servem, principalmente, para alterar partes do corpo que não agradam ao indivíduo.
Embora haja diferentes tipos de cirurgia, o trabalho em questão pretende dar ênfase a abdominoplastia. Essa cirurgia visa remover o excesso de tecido adiposo da região abdominal e pele. (BEZERRA; FERREIRA, 2021)
Inclusive, vale destacar que, no mundo inteiro, há diferentes técnicas para esse tipo de cirurgia plástica e, como aponta Bezerra e Ferreira (2021), a maior incidência de pessoas que fazem essa cirurgia são mulheres.
Somado a essas técnicas há também a fisioterapia dermatofuncional que tem como objetivo trazer melhores resultados no tratamento das disfunções estéticas, como aponta Da Silva et al. (2014). Assim, o papel do fisioterapeuta é de suma importância no tratamento pós-cirúrgico da abdominoplastia, visto que, para além de trazer um progresso cirúrgico satisfatório, também previne complicações cirúrgicas.
Por lidar com a aparência, diversos indivíduos desejam passar por esse procedimento. Assim, considerou-se importante tratar sobre o papel do fisioterapeuta no pós-operatório de abdominoplastia como tema do trabalho em questão, já que é possível explorar os diferentes procedimentos, como a drenagem linfática, entre outros.
Dessa maneira, tendo como objetivo aprofundar o papel e a importância do fisioterapeuta nesses casos, analisou-se diferentes pesquisas que demonstram o quanto a fisioterapia, aplicada no pós-operatório de abdominoplastia, auxilia na reabilitação, otimização de resultados, bem como previne complicações.
Materiais e Métodos
Durante a pesquisa, foi realizado um levantamento bibliográfico que incluíam artigos, principalmente, dos últimos cinco anos. No entanto, todos eles levavam a fontes anteriores que foram estudadas e analisadas. Dessa maneira, é possível encontrar referências entre 2006 e 2023, embora tenha se dado ênfase a pesquisas mais atualizadas, como as feitas desde 2019 até os dias atuais.
De acordo com o Conselho Nacional de Saúde, através da resolução nº 466/2012, não há obrigatoriedade de submissão dessa pesquisa ao comitê de ética e pesquisa visto que o presente trabalho é uma revisão de literatura.
Durante a pesquisa, foram utilizadas as bases da Pubmed, Scielo e Google Acadêmico. Nelas, buscou-se por palavras-chave, tais como: abdominoplastia, pós-operatório, fisioterapeuta, fisioterapia, cirurgia plástica, função do fisioterapeuta. Assim, embora tenham sido aplicados filtros para artigos mais recentes, foi possível encontrar uma vasta literatura no que diz respeito ao tema, no entanto, grande parte dela não foi publicada nos últimos cinco anos.
Após a coleta de artigos, dissertações e teses, os trabalhos que não foram usados no decorrer do desenvolvimento dessa pesquisa foram removidos da lista para melhor compreensão das referências usadas. Assim, leu-se um total de 28 artigos, 1 dissertação, 1 tese e 1 livro.
Discussão
A cirurgia plástica, como aponta Bezerra e Ferreira (2022), possui cuidados na preparação e características similares de outros tipos de intervenções cirúrgicas, visto que o paciente pode passar por complicações, imprevisibilidades do organismo e consequências indesejadas.
Assim, cirurgias como a abdominoplastia são indicadas quando existe, na região abdominal, um excesso de gordura ou pele localizada, visto que objetiva tratar a flacidez através da reconstrução da parede por meio de duas incisões, as quais podem envolver tanto a retirada do tecido tegumentar quanto do adiposo (GUTOWSKI, 2018). Ela se trata de uma intervenção cirúrgica que ocorre sob anestesia geral e pode ter duração de três a quatro horas.
Diferente de outras cirurgias, caso o paciente não apresente nenhuma complicação, ele pode receber alta em até vinte quatro horas se usar uma cinta modeladora. Dentre os pequenos contratempos, há aumento de sensibilidade na região e desconforto intenso nos primeiros dias. (CAVALCANTE et al., 2022)
De acordo com Hurvitz (2014), existe diversidade no que diz respeito aos pacientes e aos tipos abdominais, o que tornam cada planejamento cirúrgico individual. Dessa maneira, até mesmo o tamanho da cicatriz varia, bem como a existência de complicações cirúrgicas no pós-operatório.
Há três tipos de abdominoplastia. Como apontado por Villegas (2022), a abdominoplastia clássica é feita a partir de duas incisões, uma horizontal na região do abdome e, a outra, ao redor da cicatriz umbilical. O segundo tipo é conhecido por âncora, pois, além das duas incisões da primeira versão, ainda há uma terceira, que é vertical e feita no centro da região abdominal para a remoção de mais tecidos. A última é conhecida como mini abdominoplastia, realizada com apenas uma incisão horizontal entre a região pubiana e a cicatriz umbilical.
Após essas incisões, a região adquire grande sensibilidade e é nesse momento que a fisioterapia dermatofuncional atua de maneira a auxiliar não só o corpo desejado, mas também a melhorar o dia a dia do paciente através de uma recuperação mais saudável e adequada.
Dessa maneira a aplicabilidade da fisioterapia dermatofuncional tem atuado de maneira cada vez mais gradual e resultativa. Assim, no pós-operatório, bem como no pré-operatório, o fisioterapeuta avalia diversos fatores que estão relacionados tanto às disfunções estéticas quanto funcionais dos pacientes.
Vale destacar que, como aponta Silva (2010), os tópicos de avaliação mais importantes são: reconhecimento de problemas cirúrgicos, identificação dos tipos e profundidade dos tecidos, cicatrização, reconhecimento das contraindicações e escolha do tratamento adequado.
Como apontam os estudos de Da Silva et al. (2014), a intervenção no início do pós-operatório em abdominoplastias não só favorece a otimização dos resultados do procedimento, mas também a própria reabilitação dos pacientes. Isso significa que a volta à vida cotidiana, graças ao fisioterapeuta atento às necessidades de quem passou pela cirurgia, é muito mais rápida a partir de tratamentos eficazes, como drenagem linfática manual, ultrassom e radiofrequência.
Dessa maneira, como recursos fisioterapêuticos, devem ser considerados para o pós-operatório de cirurgias como abdominoplastia: a drenagem linfática manual, a massagem de tecido conjuntivo e ultrassom. Como aponta Coutinho et al. (2007), tais modalidades objetivam modular o processo inflamatório e controlar a disseminação da fibrose. Aliás, os autores também destacam que não existe um tempo definido no pós-operatório para começar com o tratamento fisioterapêutico, visto que a particularidade de cada procedimento altera não só o tratamento, mas também afeta na recuperação dos pacientes.
Sendo assim, consideram que, quanto mais tarde o paciente passar pelos processos dermatofuncionais, mais sofrimento, menos resultados e mais lenta será a recuperação do indivíduo. (COUTINHO et al., 2007) No entanto, por mais que não parametrizem ou estipulem um tempo preciso, os autores sugerem que se inicie o tratamento após quarenta e oito horas de cirurgia, enquanto Silva et al. (2014) acreditam que o ideal é após setenta e duas horas.
O tratamento fisioterapêutico a ser selecionado depende de quais técnicas permitem minimizar com mais eficácia o edema no período pós-cirúrgico da abdominoplastia. Inclusive, como Macedo (2011) comenta, é importante salientar que na fase inicial, nem todos os procedimentos são adequados, como, por exemplo, algumas técnicas de drenagem linfática manual, as quais podem ser impróprias por poderem desenvolver tensões na lesão cirúrgica e, assim, elas podem acabar aumentando a possibilidade de que exista uma cicatriz hipertrófica ou queloideana na região sensível em vez de ajudar na recuperação adequada do paciente.
Para prevenção de seromas e hematomas, geralmente, no fim do procedimento cirúrgico, é posto uma cinta abdominal na região e, nela, colocam-se os drenos para a compressão das superfícies descoladas e dissecadas. Assim, durante esse tempo, é necessário que o paciente se mantenha em repouso e numa posição adequada. (BEZERRA e FERREIRA, 2021)
Entre as técnicas de drenagem linfática, destaca-se também a drenagem linfática reversa que, a partir da drenagem dos quadrantes, os quais confluem para a região inguinal, interrompem a retirada de tecido e deixam restar apenas as vias dos quadrantes superiores, confluindo nos linfonodos axilares. Por conta disso, há certa defesa no que diz respeito ao uso dessa manobra por fisioterapeutas dermatofuncionais no pós-operatório de abdominoplastia. (PEREIRA, 2016)
Pereira (2016) também aponta a importância do linfotaping, o qual tem sido usado por fisioterapeutas após cirurgias de abdominoplastia através de bandagens elásticas e neurofuncionais, as quais ampliam a circulação do sistema linfático e permitem que novos vasos se abram, o que diminui o acúmulo de líquidos e melhora a textura da pele. Assim, há tanto a redução de edemas quanto de aderências.
Mais uma das técnicas empregadas por fisioterapeutas é a intervenção precoce com laser e ultrassom nas feridas cirúrgicas. O uso desses tratamentos auxilia na redução da lesão e melhora a qualidade da cicatriz, como aponta Meyer et al. (2011). Assim, o tratamento fisioterapêutico no pós-operatório acelera o processo de cicatrização, não só reduz como também previne aderências e edemas, além de agir de maneira preventiva em alterações posturais ocasionadas por cicatrizes cirúrgicas.
Como Bezerra e Ferreira (2021) salientam através da perspectiva de Leduc (2007), o procedimento de ultrassom terapêutico também é usado no período inflamatório para reabsorção de hematomas. Aliás, a sua principal função acaba sendo reduzir as chances de formações fibróticas, bem como melhorar a circulação sanguínea e a nutrição celular, o que reduz edemas e a dor dos pacientes.
Considerações Finais
Ter o acompanhamento de um fisioterapeuta nos casos de pós-operatório de abdominoplastia é essencial, visto que não há só a redução de edemas, mas também de complicações no período pós-cirúrgico. Além disso, também facilita na recuperação de pacientes e melhora a sua qualidade de vida, já que tais procedimentos ajudam na redução de cicatrizes.
Somado a isso, fisioterapeutas que trabalham no seu dia a dia com cirurgias plásticas podem se tornar mais conscientes de que, para além da aparência, é necessário se preocupar com o período pós-cirúrgico do paciente, já que a reabilitação acaba sendo encurtada graças aos procedimentos dermatofuncionais.
Como um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns e recorrentes, influenciado pela mídia e por seus padrões estéticos, a abdominoplastia ajuda na autoestima e no bem-estar de diversas pessoas, principalmente, mulheres. Assim, como qualquer outro procedimento cirúrgico, há riscos que a terapia dermatofuncional pode conter, bem como trazer melhora de qualidade de vida e saúde durante o período pós-operatório e até mesmo depois, com a redução de cicatrizes.
Referências Bibliográficas
ALVES, Maria Vieira. Atuação da fisioterapia dermatofuncional no pós operatório de abdominoplastia: uma revisão de literatura. Centro Universitário Dr. Leão Sampaio, 2021.
BEZERRA, Bruna Rodrigues. FERREIRA, Tairo Vieira. A importância da fisioterapia dermatofuncional no pós-operatório em abdominoplastia. Revista Saúde dos Vales, 2021.
CAVALCANTE, Aniegely Roberta Oliveira De Brito; PASSOS, Maria Claudia Nehme; VIVAS, Ivan dos Santos. O Papel da Fisioterapia Dermatofuncional nas complicações pós-operatórias de abdominoplastia. XIX Simpósio internacional de ciências integradas da Unaerp, 2022.
COUTINHO, Mariana de Morais; DANTAS, Rafaela Barbosa; BORGES, Fábio dos Santos; DA SILVA, Inês Cristina. A importância da atenção fisioterapêutica na minimização do edema nos casos de pós-operatório de abdominoplastia associada à lipoaspiração de flancos. Revista Fisioterapia Ser. V.4, 2007.
DA SILVA, Rodrigo Marcel Valentim; TAVARES, Luana; FONSECA, Welyda Tavares. Avaliação da fibrose cicatricial no pós-operatório de lipoaspiração e/ou abdominoplastia. Revista Catussaba. V.3, 2014.
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ARTIGO PUBLICADO EM 11/02/2026
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