A Importância e Atuação do Fisioterapeuta em Cuidados Paliativos na Unidade de Terapia Intensiva
INTRODUÇÃO
O conceito de Cuidados Paliativos foi criado no Reino Unido no ano de 1967, cuidados esses que inicialmente eram direcionados para portadores de câncer em estágio avançado e foram ampliados para outras doenças crônicas. Essa data marcou a formação do movimento hóspice, derivado do latim hospitium, que significa “hospedagem ou hospitalidade”, traduzindo um sentimento acolhedor. (GOMES ALZ, 2016).
Oscuidados paliativos são uma forma de melhorar a qualidade de vida do paciente frente a doenças com possibilidades de cura inexistentes. Quando modificações do quadro patológico de um paciente desafiam o tratamento e os cuidados curativos já não surtem mais efeitos benéficos, a equipe multidisciplinar deve assegurar que o indivíduo tenha qualidade e dignidade no processo de morte. (Profisio-Fisioterapia em terapia intensiva adulto, ciclo 9. Vol 3 P. 11)
Existem no Brasil leis e normas de conselhos federais que autorizam os cuidados paliativos e a retirada de medidas que não beneficiem o quadro clínico do paciente como o Código de ética Medica, pela resolução do Conselho federal de Medicina N° 1.931 de 17 de setembro de 2009 e a N° 1805 de 9 de novembro de 2006,que relata: “Na fase terminal de enfermidades graves e incuráveis, é permitido ao médico suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do doente, garantindo-lhe os cuidados necessários para aliviar os sintomas que levam ao sofrimento, na perspectiva de uma assistência integral, respeitada a vontade do paciente ou seu representante legal”.

O objetivo do fisioterapeuta na UTI é melhorar a capacidade funcional geral dos pacientes, diminuindo o risco de complicações associadas à permanência no leito, sua atuação profissional em uma unidade de terapia intensiva vem passando por transformações ao longo dos anos, ganhando gradativamente credibilidade e visibilidade, no entanto muitas vezes, os profissionais de saúde não reconhecem a importância do seu papel referente aos cuidados paliativos em pacientes terminais, o que pode levar a uma subutilização dessa intervenção e uma falta de adesão ao tratamento. Nesse contexto é importante ressaltar o fisioterapeuta como parte integrante da equipe multidisciplinar que apresenta um papel fundamental nos cuidados paliativos em UTI.
O cuidado fisioterapêutico para pacientes paliativos em ambiente de terapia intensiva é capaz de prevenir e tratar complicações que muitas vezes surgem, melhorando assim a qualidade de vida e conforto desses pacientes que em sua maioria encontram-se com um quadro de complicações motoras, respiratórias e circulatórias.
A fisioterapia deve ser incluída em um plano de cuidados multidisciplinar, visando garantir a assistência integral e individualizada aos pacientes, pois a avaliação e monitorização dos pacientes em cuidados paliativos em ambiente de UTI, são realizadas utilizando conhecimento e instrumentos específicos para avaliar a funcionalidade, mobilidade, capacidade respiratória, entre outras variáveis que são de extrema importância para o prognóstico e tratamento de comorbidades e patologias podem e devem ser acompanhadas e tratadas através de intervenções fisioterapêuticas.
A abordagem do tema da atuação do fisioterapeuta em ambiente de UTI para pacientes de cuidados paliativos é extremamente importante, porque tais cuidados são essenciais para melhorar a qualidade de vida e trazer conforto para pacientes que apresentam um quadro patológico ameaçador.
A atuação multidisciplinar inclui a fisioterapia para garantir um tratamento integrado e individualizados para pacientes paliativos.
Nesse sentido, emprega-se a valorização do conhecimento prévio em cuidados paliativos, e a luta por assistência para o bem-estar aos pacientes em terminalidade, momento fundamental para atuação do fisioterapeuta.
Assim considera-se relevante essa revisão bibliográfica em razão dos profissionais de fisioterapia que atuam com cuidados paliativos em unidade de terapia intensiva, pois estão em busca constante da qualidade de vida, bem-estar físico e mental de seus pacientes.
MÉTODOS
Foi realizada pesquisa com diversos artigos, tratando-se de uma revisão bibliográfica, percebendo artigos científicos publicados e indexados nos períodos de 2012 a 2020. Foram considerados aqueles artigos cujo acesso ao periódico era livre aos textos completos.
Foram analisados 16 artigos sobre o tema através de pesquisa eletrônica da Biblioteca Virtual Scientific Electronic Library Online – SCIELO e PUBMED. Foram exclusos artigos que não se tornaram relevantes para a pesquisa, para realização da busca usou-se os seguintes descritores: Cuidados paliativos, atuação fisioterapêutica, unidade de terapia intensiva.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Em concordância a metodologia citada anteriormente, foram lidos 16 artigos dentro das buscas utilizadas, mediante a primeira triagem os artigos foram lidos na íntegra e sendo excluídos os que não contemplaram os objetivos da presente revisão como: ano de publicação, liberação de texto completo, o que resultou em 16 artigos para leitura e análise.
Após leitura e análise 9 artigos atenderam os pontos necessários para a construção final.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os cuidados paliativos são essenciais para melhorar a qualidade de vida de pacientes em estado grave ou em fase terminal, oferecendo uma melhor qualidade de morte a estas pessoas quando seu tratamento já não é mais possível, atuando de acordo com às necessidades e limitações de cada paciente, com abordagem individualizada e humanizada em conjunto com a equipe, visando não prolongar o seu sofrimento e de seus familiares.
A presente revisão bibliográfica visa apontar a importância e benefícios dos cuidados fisioterapêutico em pacientes paliativo em ambiente de UTI, tendo em vista que essa atuação por muitas vezes pode ser entendida de forma errada pelos familiares e muitas vezes para ooutros profissionais da saúde.
REFERÊNCIAS
-
Beca JP, Montes JMS, Abarca J. Diez mitos sobre el retiro de la ventilación mecânica en enfermos terminals. Rev. Med. Chile 2010;
-
138: 639-44..
-
CARVALHO, Ricardo T. et al. Manual da residência de cuidados paliativos – abordagem multidisciplinar. 1 ed. São Paulo: Editora Manole, 2018..
-
ANCP. Manual de cuidados paliativos. 2 ed. São Paulo, 2012.
-
Alveno DA, Antunes BO. Cuidados Paliativos. In: Cunha TMN, Lucato JJJ, editores. Guia pratico de fisioterapia e cuidados paliativos no ambiente hospitalar. São Paulo: Atheneu; 2018. P. 299-341
-
Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM n° 1.931, de 24 de setembro de 2009. Brasília: DOU; 2009
-
Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM n° 1.805, de 28 de novembro de 2006. Brasília: DOU; 2006
-
Kelley AS, Morrison RS. Palliative car for the serously ill. 2015
-
Catalão D F G. Qual a importância dos cuidados paliativos nos cuidados intensivos? 2015
-
Moraes GSN, Costa SFG, Fontes WD, Carneiro AD, Comunicação como instrumento básico no cuidar humanizado em enfermagem ao paciente hospitalizado. Acta Paul Enferm. 2009 Jun; 22(3): 323-7
-
Noje C, Bernier M, Costabile P M, Klein B L .Kudchadkar S R. Pediatric Critical Care Transport as a Conduit to Terminal Extubation at Home: A Case Series. 2017
-
São Paulo. Lei n° 10.241, de 17 de março de 1999. São Paulo: DOU; 1999
-
Barbas CVS, Ísola AM, Farias AMC, Cavalcanti AB, Gama AMC, Duarte AMC, et al. Recomendações brasileiras de ventilação mecânica. 2013. Parte 2. Ver Bras Ter Intensiva. 2014 Jul-Set; 26(3): 215-39.
-
Costa CHV, Costa WNS, Cunha TMN, Alveno DA. Extubação paliativa, In: Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratoria e Fisioterapia em terapia intensiva; Martins JA, Reis LFF, Andrade FMD, organizadores. PROFISIO Programa de atualização em fisioterapia em terapia intensiva adulto: Ciclo 9. Porto Alegre: Artemed Panamericana; 2019. P. 11-29. V 3
ARTIGO PUBLICADO EM 12/03/2026
Sem comentários