Digite sua palavra-chave

post

A Importância de um Relacionamento Verdadeiro entre o Profissional de Fisioterapia e o Paciente Oncológico Terminal

A Importância de um Relacionamento Verdadeiro entre o Profissional de Fisioterapia e o Paciente Oncológico Terminal

Introdução

Os cuidados paliativos em fisioterapia são um conjunto de medidas que visam o bem estar do paciente oncológico quando não existe mais possibilidade de tratamento curativo para o mesmo. Para obter sucesso na realização desse tipo de abordagem, há que se considerar o estado geral de cada paciente individualmente, bem como suas aspirações, e a compreensão dele e da família a respeito da situação de finitude eminente para então, traçar um plano de tratamento visando o bem estar físico, emocional e espiritual do paciente.

Nesse sentido, é importante observar alguns aspectos que envolvem o processo de cuidado do paciente terminal: a aceitação da morte por parte do mesmo e da família, os possíveis quadros de depressão e ansiedade advindos dessa situação, a importância da manutenção de uma rotina que vise à qualidade de vida na condição em que o paciente se encontra, os dilemas profissionais no que tange a ética, a prática de princípios de beneficência, e a própria insegurança do profissional em lidar com a rotina paliativa, para a qual na maioria das vezes ele não está preparado, visto que os cursos de formação na área enfatizam muito a cura e solução de problemas, deixando a rotina paliativa em segundo plano.

A falta de uma abordagem concisa e objetiva a esse respeito leva a dois problemas: a inabilidade do profissional em lidar com a impossibilidade de cura, para a qual ele foi tecnicamente treinado, e em segundo plano, um aspecto de “vaidade” do profissional e uma esfera de frustração que se desenvolve no mesmo diante da impossibilidade de cura do paciente. Tais observações levam à conclusão de que, mesmo na área médica, a morte ainda é, em muitas instâncias, tratada como um tabu.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS)¹, o conceito de cuidados paliativos foi definido como o cuidado ativo e total de pacientes cuja doença não responde mais ao tratamento curativo, sendo prioritário o controle da dor e de outros sintomas e  problemas de ordem psicológica, social e espiritual, tendo como objetivo proporcionar a melhor qualidade de vida para pacientes e a família.

Tomando como base tais premissas, o presente artigo tem o objetivo de efetuar uma revisão bibliográfica acerca dos cuidados paliativos em fisioterapia para pacientes oncológicos, enfatizando a importância da realização dos mesmos, os desafios enfrentados pelos profissionais dessa área e o provimento de qualidade de vida para o paciente mediante as condições em que ele se encontrar dentro deste contexto.

Materiais e Métodos

Foram selecionados 13 artigos que tratam de cuidados paliativos em pacientes oncológicos terminais, nas bases PubMed e SciELO, a partir das palavras-chave a seguir, tanto no título como no corpo do texto: cuidados paliativos, fisioterapia oncológica, terminalidade, cuidados de fim de vida. Não foram aplicados filtros temporais, devido ao entendimento de que este é um assunto relativamente recente em publicações da área médica, e que carece de mais estudo específico. A partir dos textos selecionados foi feita uma revisão bibliográfica, levando em consideração os aspectos humanísticos de tratamento ao paciente oncológico em fase terminal. Da análise dos textos, foram apurados alguns pontos comuns e divergentes, que serão abordados ao longo do presente artigo.

Os artigos selecionados são unânimes no que tange a importância da realização de um trabalho personalizado, visando o provimento de dignidade e qualidade de vida na situação em que o paciente se encontra. Para fins de revisão bibliográfica, foram criadas subseções no tópico “Discussão” onde se discorre sobre os seguintes temas: a importância da manutenção de uma rotina que vise à qualidade de vida na condição em que o paciente se encontra, os dilemas profissionais no que tange a ética, a prática de princípios de beneficência, e a própria insegurança do profissional em lidar com a rotina paliativa, para a qual na maioria das vezes ele não está preparado, a importância de um relacionamento verdadeiro entre o profissional de fisioterapia e o paciente oncológico terminal.

Discussão

O conceito de cuidados paliativos se originou do movimento hospice, elaborado por Dame Cecily Saunders entre as décadas de 50 e 60, como sendo a filosofia do cuidado da pessoa que está morrendo, com o objetivo de aliviar o sofrimento físico, psicológico, social e espiritual da mesma. A partir deste conceito, o presente artigo trata, após revisão bibliográfica, de três questões relevantes nesse cenário: a importância da manutenção de uma rotina que vise à qualidade de vida, os dilemas profissionais, e a importância de um relacionamento verdadeiro entre o profissional de fisioterapia e o paciente oncológico terminal.

A importância da manutenção de uma rotina que vise à qualidade de vida

Dentro da rotina de cuidados paliativos, é importante observar a manutenção de uma rotina que ofereça bem estar ao paciente, baseada em uma visão humanizada e holística da situação em questão. Em muitos casos, na situação de terminalidade, o paciente é assistido não só pelo fisioterapeuta, mas por um grupo de profissionais que pode englobar psicólogo, terapeuta ocupacional e nutricionista, entre outros. É importante que o paciente e a família estejam cientes de tudo o que se passa, a fim de se prepararem da melhor forma possível.

Girão & Alves², mencionam a classificação da NA – SNAP (The Australian National Sub-Acute and Non-Acute Patient Classification), descrevendo quatro fases paliativas em função do estágio da doença, correspondendo cada uma a diferentes níveis de complexidade: a fase Aguda, que diz respeito ao desenvolvimento inesperado de um problema ou aumento da gravidade dos problemas já existentes; a fase em Deterioração, caracterizada por um desenvolvimento gradual de problemas, sem que haja a necessidade de uma alteração súbita na gestão da situação, a fase Terminal, em que a morte está iminente; e por fim, a fase Estável, onde estão incluídos utentes que não estão em nenhuma das fases anteriores (ANCP, 2006). Tendo esses dados como base, o profissional de fisioterapia deve desempenhar sua função com o objetivo de prestar a melhor assistência, mantendo a dignidade do paciente.

A fisioterapia conta com um vasto repertório de técnicas complementares dos cuidados paliativos, como: terapia para a dor, alívio de sintomas psicofísicos, atuação nas complicações osteomioarticulares, reabilitação de complicações linfáticas, atuação na fadiga, melhora na função pulmonar, atendimento de pacientes neurológicos e cuidados com úlceras de pressão. Há, dentro de cada uma dessas técnicas, uma gama de atividades que podem ser desempenhadas pelo fisioterapeuta no intuito de manter um mínimo de qualidade de vida e dignidade para o paciente. É necessário observar a situação especifica de cada paciente, de modo a desenvolver uma rotina que atenda às particularidades de cada situação.

Melo et al³ relatam que a tristeza e o sofrimento se caracterizam por estados emocionais intrínsecos a todo e qualquer ser humano, privado de determinada satisfação pessoal e emocional. É uma reação do organismo quando o mesmo se depara profundamente com a sua fragilidade. E ainda, que a incapacidade para a realização de tarefas consideradas simples e corriqueiras passa a ser extremamente desgastante para essas pessoas, virando fonte de sofrimento e angústia para a pessoa com câncer. A constatação da limitação física crescente, a dependência de terceiros para a realização de tarefas simples, e a consciência da finitude são situações difíceis de lidar, considerando que o ser humano normalmente não está preparado para a morte e suas consequências. Há uma série de fatores envolvidos no óbito de alguém, e a obrigatoriedade em encarar tais questões (que perpassam por fatores físicos, psicológicos, emocionais e até financeiros) funcionam como a configuração de agentes potencialmente causadores de ansiedade e depressão, para a família, mas principalmente, para o paciente. Por isso, é necessário que o trabalho do fisioterapeuta seja integrado com os desejos e capacidades do paciente, e a ciência de sua família, de modo que a rotina sirva como um agente de melhoria na vida do paciente, em consonância com os parâmetros propostos pela OMS. O profissional pode ser um facilitador nesse sentido, desde que esteja adequadamente preparado para lidar com os desdobramentos da situação geral de cada paciente.

Marcucci4 relata que a impossibilidade de cura não significa a deterioração da relação profissional/paciente, mas sim o estreitamento desta relação que certamente trará benefícios para ambos os lados. Então, os profissionais acabam criando vínculo afetivo com seus pacientes, devido ao tempo que passam cuidando dos mesmos, e também pela gravidade da doença e pelo pouco tempo de vida que resta a esses pacientes, mobilizando, assim, alguns sentimentos nestes profissionais, pois faz parte da natureza do homem a busca por envolvimento com os outros. O profissional pode ser um facilitador nesse sentido, desde que esteja adequadamente preparado para lidar com os desdobramentos da situação geral de cada paciente.

Dilemas profissionais

Dentro da rotina de cuidados paliativos, os profissionais de fisioterapia se veem na obrigação de confrontar uma série de situações para as quais muitas vezes ele não está preparado. É possível que o contato constante com pacientes terminais proporcione mudanças de comportamento e de valores, por exemplo. No entanto, ainda há que se estudar a respeito dos efeitos do contato com pacientes terminais para o profissional.

Müller, Scortegagna e Moussalle5 refere que nossa sociedade lida com a morte através da tentativa de excluí-la do seu cotidiano e no trabalho dos profissionais de saúde a situação não poderia ser outra, uma vez que a morte deve ser recusada e negada, pois leva o profissional a se defrontar com o inevitável da finitude: a morte do paciente. E ainda, que a equipe de saúde testemunha o fracasso de sua prática justamente quanto ao enfoque no qual é treinado para curar. É uma forma de se evitar o contato com as questões levantadas pela morte, o que acaba resultando numa impossibilidade de reflexão e elaboração dos conteúdos presentes no que o assunto que a morte promove. Sendo assim, o profissional se envolve em uma série de questões no que tange a ética, a prática de princípios de beneficência, e a sua própria insegurança em lidar com a rotina paliativa, para a qual na maioria das vezes ele não está preparado.

Pinto, Oliveira e Teive6 referem que a ética dos cuidados paliativos opõe-se totalmente à eutanásia (abreviação passiva ou assistida da vida) e à distanásia (prolongamento inútil da vida) frequentemente realizadas em hospitais, muitas vezes devido a um despreparo ético e à obstinação terapêutica comum na vida contemporânea. Os cuidados paliativos identificam-se com o conceito de ortotanásia (morte boa) na medida em que acreditam na manutenção da vida dentro de um contexto de bem estar e renegam a introdução indiscriminada de técnicas agressivas ao paciente fora de possibilidades terapêuticas.

Silva, Lima e Seidl7 relatam que é importante que o profissional conheça os limites de sua atuação, a fim de não gerar expectativas irrealísticas e frustrações, visto que a morte iminente não é sinônimo de indignidade. Considerando o inevitável caráter de envolvimento do profissional com o paciente, dada a natureza de seu convívio de tratamento, que envolve tocar, manusear partes do corpo, conversar e lidar com aspectos como tristeza e sentimento de inutilidade, por parte do paciente, o profissional de fisioterapia, em um certo sentido, também se coloca em situação de vulnerabilidade. A mera execução mecânica de procedimentos que tem por objetivo a melhoria do paciente se torna um conjunto de práticas sem sentido, se o fisioterapeuta não tem um mínimo de interação com o mesmo. Frequentemente os profissionais da área de fisioterapia relatam um turbilhão de emoções relacionadas a essa prática. Ao mesmo tempo em que observam sentimentos como gratidão pela oportunidade de  vivenciar a experiência de lidar com algo tão complicado, há relatos de sentimentos como angústia pela não aceitação da morte e por testemunhar o sofrimento crescente do paciente.

Considerando a literatura selecionada, é possível observar uma série de questões relacionadas ao bom desempenho do profissional, em um binômio com seus conflitos pessoais em relação ao tratamento empregado aos pacientes. Conforme mencionado anteriormente, a falta de uma abordagem adequada no que tange a terminalidade da vida ainda no âmbito acadêmico faz com que muitos profissionais enfrentem dificuldades em lidar com a situação de seus pacientes em estágios terminais de doença oncológica. Há situações em que os profissionais se veem em conflito com questões como o princípio da beneficência, saber diferenciá-la da não maleficência, os limites de atuação sem prejuízos para a própria saúde física e emocional.

Ainda segundo Silva, Lima e Seidl7, é necessário que o profissional considere o limite da biotecnologia para a manutenção da vida, e que também esteja preparado para aceitar que há limites para a intervenção terapêutica, reconhecendo a linha tênue entre benefícios e danos, não apenas ligados ao corpo físico, mas também à dimensão psicossocial.

A importância de um relacionamento verdadeiro entre o profissional de fisioterapia e o paciente oncológico terminal

Levando em consideração todos os aspectos apresentados até aqui, tanto pela ótica do paciente como pela do fisioterapeuta, é possível constatar que a melhor maneira de lidar com todas as questões envolvidas é o estabelecimento de um relacionamento verdadeiro entre o profissional e o paciente oncológico terminal.

Resultados

Foi observado que a manutenção de uma rotina em cuidados paliativos é de grande valia para o paciente, e que o profissional de fisioterapia tem que estar adequadamente preparado para enfrentar as questões advindas desse relacionamento.

A presente revisão apresentou os principais aspectos envolvidos nas dificuldades enfrentadas pelo paciente na situação de terminalidade, e os problemas advindos de tal situação, e os desafios enfrentados pelo profissional de fisioterapia, no que tange a impossibilidade de cura do paciente e a sua atuação mediante as questões éticas que envolvem o assunto.

Marcucci4 relata que a comunicação é essencial para o alívio do sofrimento e ajudar o paciente a achar um senso de controle. A comunicação pode dissipar o sentimento de abandono, que é um dos principais desagrados enfrentados pelo paciente e familiares. Através da discussão de prognóstico e explicação do tratamento, os profissionais podem demonstrar sua atenção e mutualidade frente ao estado do paciente, respeitando as diferenças culturais e convencendo que o crescimento pode ocorrer mesmo no fim da vida. Observa-se que o paciente, em via de regra, vivencia sentimentos que precisam ser partilhados, a fim de melhor lidar com os mesmos. Sendo o profissional um indivíduo em contato constante com o paciente, e que não faz parte do seu círculo direto de relações pessoais, o compartilhamento dos seus sentimentos com o fisioterapeuta acaba sendo relativamente comum. Em algumas situações, o profissional acaba se tornando um confidente do paciente, com quem ele divide suas inquietudes referentes à situação de doença fora de possibilidades terapêuticas (FPT).

Oliveira8 relata que o profissional não pode prescindir as compreensão sobre o dinamismo relacional inerente à tríade paciente-família-equipe. Se isso é válido para qualquer campo de atuação em saúde, quando se trata de oncologia, passa a ser condição sine qua non de toda intervenção eficaz.

Góes, Munduruca, Ferreira e Passos9 referem que o fisioterapeuta é um dos profissionais que trabalha de forma direta com o paciente oncológico, não só durante seu processo de reabilitação, mas também na fase paliativa da doença, quando a dor é o sintoma mais frequente e causa de sofrimento desse paciente. O mesmo deve ser capaz de clarificar os objetivos da intervenção.

Para uma atuação eficaz do profissional, o mesmo tem que buscar especialização no campo da utilização de cuidados paliativos direcionados a pacientes oncológicos terminais. Dado o caráter recente do desenvolvimento desse campo no ramo da saúde – que remonta às décadas de 50 e 60, baseado nos preceitos de hospice introduzidos por Dame Cecily Saunders – ainda há pouca literatura a respeito. No ambiente acadêmico, a abordagem de tratamento de caráter bem sucedido está relacionada às práticas que visam a cura, o que faz com que a maior parte dos profissionais da área de saúde passe por sua fase acadêmica sem adquirir conhecimento sobre tratamento em cuidados paliativos e portanto, sem desenvolver posturas condizentes com a realidade do paciente fora de possibilidades terapêuticas.

Kappaun e Gomez10 relatam que ao se referirem aos impactos físicos e mentais de suas atividades, os profissionais frequentemente utilizam o termo “desgaste” que, a rigor, representaria a perda, parcial ou efetiva, da capacidade biológica ou psíquica. Tal desgaste pode ser relacionado às atribuições ligadas ao lidar com pacientes terminais, tanto no âmbito físico como psicológico, visto que o profissional tem que encarar a morte do paciente cada vez mais próxima e fornecer a ele condições de passar por esse período do modo mais tranquilo e digno possível. Quando o profissional tem uma formação adequada para lidar com essas questões, o impacto da perda do paciente tende a ser menor.

Ainda em Kappaun e Gomez10, os colaboradores citaram que precisam desenvolver habilidades e competências que não são transmitidas em treinamentos, nem são alcançadas por prescrições. Descrevem como uma estratégia importante para o enfrentamento do cotidiano: “ a gente [precisa] trabalhar a gente primeiro, para depois trabalhar e estar com eles [doentes e familiares].” (sic. Entrevistada 8).

Além dos fatores diretamente relacionados ao lidar com o paciente, o profissional tem que encarar questões éticas. Conforme Silva e Sudigursky11, os cinco princípios éticos que fundamentam a medicina paliativa, denominados princípios da veracidade (dizer a verdade ao paciente e à família), da proporcionalidade terapêutica (só adotar medidas terapêuticas úteis), do duplo efeito (os efeitos positivos devem ser maiores que os negativos), de prevenção (prever complicações, aconselhar a família), e do não abandono (ser solidário sempre, acompanhando paciente e família sempre).

Sendo assim, o paciente tem que contar com uma rede de apoio fornecida pela família e a equipe de tratamento. Os componentes da equipe, fisioterapeutas como objeto desta análise e como parte da equipe de apoio ao paciente, tem que ser fortes pra lidar tanto com questões emocionais como as burocráticas do processo.
Os dados mencionados como parâmetros de tratamento em Florentino, Sousa, Maiworn, Carvalho e Silva12 e Burgos13, Marcucci4, oferecem uma base sólida de procedimentos a serem adotados no cuidado a ser prestados a pacientes em condição de terminalidade de vida.

Cabe ressaltar que a melhor postura é a de um relacionamento verdadeiro de ambas as partes, no intuito de obter as melhores condições de tratamento possíveis, tanto para o paciente e a família como para o profissional, visto que todos tem que lidar com um fato imutável, que é o óbito iminente do paciente.

Conclusão

Através da presente revisão bibliográfica, foi possível constatar e elencar alguns dos principais problemas observados no âmbito dos cuidados paliativos em pacientes oncológicos terminais. Tais questões acometem tanto o paciente e seus familiares como o profissional de fisioterapia.

É importante destacar que o estabelecimento de um bom relacionamento entre o paciente e sua família e o profissional de fisioterapia é fundamental para que a rotina aconteça de modo tranquilo e eficaz. Uma relação pautada em respeito e empatia pela condição do paciente, cordialidade, e que mantenha o caráter humanístico é o ideal em situação de terminalidade.

Do lado do paciente, existe a dificuldade em lidar com o caráter de finitude iminente da vida, a crescente debilitação física, motora, o comprometimento da autonomia, que acarreta um grau igualmente crescente de dependência de terceiros para a realização de tarefas relativamente simples, além de fatores psicológicos, financeiros e de relacionamento familiar, possíveis quadros de depressão e ansiedade advindos desse cenário.

No âmbito da função do profissional, são observados vários desafios no que concerne a prática da rotina paliativa em pacientes terminais. O ambiente acadêmico normalmente não prepara os profissionais para lidar com cuidados paliativos, dando ênfase muito maior à cura como objetivo de tratamento, como se esta fosse a única possibilidade de sucesso em uma abordagem junto ao paciente. Tal prática provoca inabilidade dos fisioterapeutas para a atuação nessas condições. Soma-se a isto o fato de o profissional ser obrigado a lidar com um arcabouço de questões éticas inerentes à sua rotina profissional. Prática de beneficência e não maleficência, o distanciamento do paciente, tornando o atendimento um mero cumprimento de formalidade, e a dificuldade de encontrar um meio termo que não fira seu código de ética profissional diante de uma realidade para a qual na maioria das vezes ele não foi preparado, e o tratamento eficaz que pode comprometer a sua própria condição física e ou psicológica, visto que ele também tem que lidar com a perda do paciente.

Inserido nesse contexto, o presente artigo visou apresentar uma revisão bibliográfica que abordasse a importância da manutenção de uma rotina que vise à qualidade de vida na condição em que o paciente se encontra, os dilemas profissionais no que tange a ética, a prática de princípios de beneficência, e a própria insegurança do profissional em lidar com a rotina paliativa, para a qual na maioria das vezes ele não está preparado, a importância de um relacionamento verdadeiro entre o profissional de fisioterapia e o paciente oncológico terminal.

Foi constatado que a área de medicina e saúde já caminha para uma evolução no que diz respeito ao uso de cuidados paliativos para uma rotina com pacientes oncológicos terminais, mas que a área carece de mais estudos a respeito. Espera-se que o presente contribua para a disseminação de fatores de relevância relacionados ao tema de cuidados paliativos, como um modo de acrescentar informações que auxiliem a rotina de aplicação de cuidados paliativos na prática cotidiana dos profissionais de fisioterapia.

Referências Bibliográficas

1. World Health Organization (WHO). Câncer 2008 [boletim]. Disponível em: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs297/en/>

2. Girão, M., Alves, S., Fisioterapia nos cuidados paliativos, Revista de Ciências da Saúde da ESSCVP, volume 5 – Novembro de 2013:34-41.

3. Melo, T.P.M., Maia, E.J.O., Magalhães, C.B.A., Nogueira I.C., Morano M.T.A.P., Araújo F.C.S., Mont´Alverne D.G.B., Cuidado Paliativo de Fisioterapia e Câncer, Revista Brasileira de Cancerologia 2013, 59(4): 547-553.

4. Marcucci, F.C.I, Fisioterapia em cuidados paliativos, Revista Brasileira de Cancerologia 2005: 51(1): 67-77.

5.Müller, A.M., Scortegagna D., Moussalle L.D., Paciente Oncológico em Fase Terminal, Revista Brasileira de Cancerologia 2011: 57(2): 207-215.

6. Pinto J.L., Oliveira J.R., Teive M., Pós Graduação em Fisioterapia Hospitalar, 2013

7. Silva L.F.A., Lima M.G., Seidel E.M.F., Conflitos bioéticos: atendimento fisioterapêutico domiciliar a pacientes em condição de terminalidade, Ver. Bioét.(Impr.), 2017; 25(1): 148-157.

8. Oliveira, L.L. de, As Mortes e a morte em oncologia,

9. Góes, G.S., Munduruca, T.L.L., Ferreira, V., Passos, E.C., Atuação do fisioterapeuta nos cuidados paliativos em pacientes oncológicos adultos hospitalizados, Pós Graduação em Fisioterapia Hospitalar, 2016.

10. Kappaun, N. R. C., Gomez, C. M., O trabalho de cuidar de pacientes terminais com câncer, Ciência e Saúde Coletiva, 18(9): 2549-2557, 2013.

11. Silva, E.P., Sudigursky, D., Concepções sobre cuidados paliativos: revisão bibliográfica, Acta Paul Enferm. 2008; 21(3): 504-8.

12. Florentino, D.M., Sousa F.R.A. de, Maiworn A.I., Carvalho, A.C.A., Silva, K.M., A Fisioterapia no alivio da dor: uma visão reabilitadora em cuidados paliativos, Abr/Jun 2012, Vol. 11 N. 2 – Cuidados Paliativos.

13. Burgos, D.B.L., Fisioterapia Paliativa Aplicada ao Paciente Oncologico Terminal, Ensaios Cienc., Cienc, Biol. Agrar. Saúde, v. 21, n2, p 117-122, 2017.



Conteúdo Relacionado

Sem comentários

Adicione seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

Open chat
Olá! Seja bem-vindo(a). Se tiver alguma dúvida, me procure. Estou a disposição para te ajudar.