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A Eletroestimulação Como Forma de Treinamento em Paciente com Insuficiência Cardíaca Congestiva na UTI

A Eletroestimulação Como Forma de Treinamento em Paciente com Insuficiência Cardíaca Congestiva na UTI

A qualidade de vida em indivíduos portadores de Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) tende a ter limitações em suas funcionalidades1. Alguns dos fatores que causam essas limitações funcionais estão diretamente ligados a uma insuficiência de bomba cardíaca e a perda de massa muscular2.

O exercício físico na ICC, melhora a qualidade de vida e a tolerância ao exercício3. Em Indivíduos restritos ao leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) com ICC grave (classe III e IV) que, estão muitas vezes, impedidos de realizar exercícios físicos ativos devidos, as suas alterações tanto metabólicas quanto hemodinâmicas, a utilização da Estimulação Elétrica (EE) que é, uma forma de exercício e mobilização4 que não requer participação ativa5 e pode ser aplicada a sujeitos imobilizados causando, no músculo contrações que mimetizam alguns dos efeitos do exercício físico em pacientes que não tem recomendações de realizar exercícios ativamente já que,EE tem demonstrado ser benéfica em pacientes com ICC6.

O presente estudo tem como objetivo analisar, através de uma revisão de literatura, os benefícios de se utilizar a EE como uma forma de treinamento muscular em paciente com ICC grave em UTI.

MATERIAIS E MÉTODOS

A busca de artigos envolvendo a modalidade terapêutica utilizada no estudo foi realizada na base de dados Literatura – Latino Americana e do caribe em ciências da saúde (LILACS), Scientific Electronic Library Online (Scielo), Medical literature Analisys and Retrieval Sistem Online (Medline/Pubmed) e Physiotherapy Evidence Database (PEDRO). Os artigos foram obtidos por meios das seguintes palavras chaves :”intensive care unit”, “physical therapy”, “physiotherapy”, “electric stimulation” e ‘congestive heart failure” sob os descritores boleanos “and”, “not” e “and not”. Estudos adicionais foram identificados por pesquisa manual das referências obtidas nos artigos. A busca de referências limitou-se a artigos  e textos de livros escritos em português e inglês sendo publicados nos últimos 10 anos (2006 a 2016).

RESULTADO

O exercício físico é benéfico na promoção da saúde e prevenção de doenças1,2  

 A redução da Mobilidade do indivíduo,decorrente de doenças como a Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) pode, junto com alguns outros fatores,impactar negativamente no tempo de internamento em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) levando a uma perda de massa e força muscular,3,4,5.

No início da Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC), temos uma disfunção do ventrículo esquerdo que leva a redução da atividade muscular, impedindo o individuo de realizar atividades e ou exercícios físicos em decorrência de sua limitação cardiovascular6,7. Devido a sua intolerância aos esforços o indivíduo com ICC apresenta dispneia e fadiga esses sintomas decorrem, de alterações metabólicas e dinâmicas e estão ainda associados a modificações neuro-humorais progressivas8. A vasoconstricção periférica é outro problema recorrente no indivíduo com ICC que leva, a um incremento não fisiológico da resistência vascular periférica ocasionando, uma maior pressão arterial e frequência cardíaca com elevação do duplo produto o que pode, ocasionar arritmias cardíacas9,10. Limitações como o aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca, dispneia aos mínimos esforços e também no repouso dificulta a prescrição de exercícios físicos convencionais tanto aeróbicos quanto de força muscular11.

Em indivíduos onde, a realização de exercícios físicos convencionais é contra indicada,a Estimulação Elétrica (EE) pode levar a melhoras na função muscular em indivíduos com  ICC12 em fases mais graves da doença (classes III e IV) pois, a EE promove a contração muscular semelhante as do exercício físico13,14,15. Estudos recentes observaram melhoras na força muscular periférica, capacidade de exercício, funcionalidade ou espessura de perda da camada muscular, em pacientes críticos internados em unidade de terapia intensiva 16,17,18,19.

Em um estudo controlado e randomizado realizado por Lee et al20, foi analisado em jovens saudáveis a utilização de EE. A amostra foi constituída por um grupo controle de 17 indivíduos 6 do sexo masculino e 11 do sexo feminino.No grupo experimental foram 19 indivíduos sendo , 10 masculino e 9 feminino .Um teste de função cardiopulmonar foi realizando antes e depois da eletroestimulação. Na tabela 03, podemos observar o protocolo utilizado nesse estudo.Os resultados encontram-se expressos na tabela 01.

Tabela 01. Alterações nas funções cardiovasculares no Grupo NMES após 2 semanas do teste.

Antes Depois P- Valor
Vo2máx 35.09 ± 5.98 36.46 ± 19 0,03
FCM 175.32 ± 13.85 180.95 ± 16.05 0,04
PASR 122.16 ± 15.56 115.11 ± 18.92 0,02
PASM 153.47 ± 23.01 161.84 ± 2.83 0,03
Teste 6 Minutos 469.88 ± 125.37 524.05 ± 101.93 ˂0,01
TTE 309.00 ± 94.75 373.63 ± 110.33 ˂0,01

NMES: Estimulação elétrica Neuromuscular, Vo2máx: Consumo Máximo de Oxigênio, FCM: Frequência Cardíaca Máxima, PASR: Pressão Arterial Sistólica de Repouso, PASM: Pressão Arterial Sistólica Máxima; TTE: Teste de Tolerância ao Exercício.

No estudo piloto Randomizado e controlado de Araújo  et al20, foi verificada a influência da EE na distância caminhada no teste de 6 minutos em pacientes internado com ICC em UTI. Na tabela 03, podemos observar o protocolo utilizado nesse estudo.Os efeitos da EE na distância caminhada e no teste de 6 minutos estão expressos na tabela 02.

Tabela 02. Efeitos da EE em relação a distância percorrida.

CONTROLE INTERVENÇÃO P
antes depois antes depois
Teste de 6 minutos (m) 379.7 ± 43.5 372.9 ± 46.9 372.9 ± 62.4 500 ± 68 ˂0,001
SVO2 84,3 ± 3.3 85.9 ± 3.0 88 ± 3.6 78.4 ± 3.8 ˂0,001
Lactato (mmol) 2.59 ± 0.7 2.5 ± 0.7 3.0 ± 0.9 2.0 ± 0.2 ˂0,001

No estudo de Nováková et al21 foi utilizada a aplicação de EE em indivíduos saudáveis, jovens e sedentários 14 do sexo masculino e 1 do sexo feminino. Na tabela 03, podemos observar o protocolo utilizado nesse estudo.

Tabela 03. Características da EE nos estudos analisados.

Modulação EE So et al Petr et al Araújo et al
Frequência(Hz) 35 45 a 60 20
Larg. de Pulso 250 300 200
Intensidade 100 25 a 75 NE
Duração 2 semanas

 

6 semanas

 

Até   a alta

 

Sessão (min.) 30 60 60
Grupo muscular Quadríceps Quadríceps Quadríceps
Tempo on/off 10/12 6/12 4/20


DISCUSSÃO

No estudo de Lee et al19 o grupo EE aumentou o VO2 máximo, aumentou a frequência cardíaca máxima, diminuiu a pressão arterial sistólica de repouso, e foram observadas melhoras na distancia de caminhada (teste de seis minutos) e melhoras na tolerância ao exercício especificamente nos indivíduos do sexo feminino.

No estudo de  Nováková et al20 os  resultados foram que, a cinética do transporte de oxigênio teve um aumento já no estudo de Araújo et al21 o grupo de EE  apresentou uma maior progressão na distância percorrida no teste de  seis minutos em comparação com o grupo de controle além disso, o grupo de intervenção mostrou uma maior diminuição na saturação venosa de oxigênio e no lactato sanguíneo ando assim, uma maior eficiência no transporte de oxigênio.

Segundo os estudos analisados sugerimos que a EE seja uma opção terapêutica adicional para o exercício cardiopulmonar em pacientes  com ICC bem como, maiores estudos para verificar outros possíveis benefícios da EE no paciente com ICC.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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