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A Aplicação da Acupuntura nas Disfunções do Assoalho Pélvico

A Aplicação da Acupuntura nas Disfunções do Assoalho Pélvico

INTRODUÇÃO

O Ministério da Saúde reconhece a acupuntura como uma tecnologia de intervenção em saúde que envolve um conjunto de procedimentos baseados na estimulação de acupontos para auxiliar na promoção, manutenção e recuperação da saúde, assim como para prevenir agravos e doenças (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2015).

A Acupuntura é uma técnica tradicional chinesa que objetiva promover a cura pela estimulação do equilíbrio do corpo e atuação das energias negativas e positivas e esse processo se dá pelo realinhamento e redirecionamento da energia por meio da estimulação de pontos por agulhas metálicas finas.

A disfunção do assoalho pélvico pode influenciar na saúde física e mental resultando em dificuldades pessoais e interpessoais, levando à diminuição da qualidade de vida. A fisioterapia pélvica tem sido utilizada como forma de tratamento nas disfunções do assoalho pélvico, com impacto positivo na melhora dos sintomas. Além da fisioterapia,
encontra-se como recurso de tratamento a acupuntura que visa o equilíbrio do corpo e da mente por meio do estímulo em pontos de acúmulo de energia ao longo de linhas corporais conhecidas como meridianos de acupuntura.

A Acupuntura pode melhorar a dor, o desconforto, os sintomas de cada disfunção do assoalho pélvico, consequentemente e a qualidade de vida.

CONCEITO DE ACUPUNTURA

Acupuntura é uma prática milenar que faz parte da chamada MTC e tem sido praticada por milhares de anos na China e em alguns países do continente asiático como efetiva no tratamento de diversas doenças e condições e considerada um instrumento útil na prática da saúde que objetiva promover a cura pela estimulação do equilíbrio do corpo e atuação das energias negativas e positivas (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2015). Desde  a sua invenção até os dias de hoje, a acupuntura tem ganhado novos adeptos atraindo, assim, a atenção da comunidade científica com o objetivo de entender melhor o seu mecanismo de ação e sua efetividade (REVISTA DE MEDICINA DE SP, 2013).

HISTÓRIA DA MEDICINA CHINESA

A história da MTC é muito antiga e rica e é a terceira forma de medicina mais antiga. A acupuntura é uma prática milenar exercida há mais de 5.000 anos na China, idealizada dentro do contexto global da filosofia chinesa embasada no Taoísmo (tradição espiritual que propõe o retorno do homem a um estado de consciência e vida
plena), também chamado de Tao, e das concepções filosóficas que norteiam a MTC.

Tanto a Acupuntura quanto as técnicas complementares a ela como moxabustão, ventosaterapia, sangria, auriculoterapia, massoterapia e muitas outras, fazem parte da Medicina Tradicional Chinesa (CRFSP, 2010).

HISTÓRIA DA ACUPUNTURA NO BRASIL

No Brasil, a prática da MTC se iniciou com a vinda dos primeiros imigrantes chineses para o Rio de Janeiro, em 1810. Em 1908, os imigrantes japoneses inseriram a acupuntura japonesa, embora ficando restrita à colônia. Em 1958, Friedrich Spaeth, fisioterapeuta, considerado responsável pela difusão da acupuntura na sociedade brasileira na década de 1950, começou a ensinar esta prática milenar no Rio de Janeiro e em São Paulo e, em 1972, foi fundada a ABA (ROCHA et al, 2015) .

A tentativa de estabelecimento da acupuntura no Brasil foi marcada principalmente pelo repúdio da classe médica e, em decorrência disto, a introdução e o desenvolvimento inicial desta prática milenar foram realizados por  profissionais de outras áreas. Nesta perspectiva, a acupuntura passou por um período caracterizado pela marginalização antes que ocorresse sua efetiva aceitação pela classe médica (ROCHA et al, 2015).

Em 1985 a Acupuntura foi reconhecida oficialmente por intermédio da Resolução nº 60 de 1985 do COFFITO, que concedeu autonomia para que o método fosse praticado por fisioterapeuta.

No Brasil, a prática da Acupuntura foi introduzida na tabela do SAI do SUS em 1999, através da Portaria nº 1230/GM, e sua prática reforçada pela Portaria nº 971, publicada pelo Ministério da Saúde em 2006, que aprovou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde (CINTRA; FIGUEIREDO, 2010).

OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ACUPUNTURA

A Medicina Tradicional Chinesa baseia-se no princípio filosófico chinês antigo que é chamado de Taoísmo, que tem sua origem como o Universo se fez, sendo considerado uma doutrina, mas pode ser resumida como o princípio criativo do Universo, no qual todas as coisas estão unidas e conectadas. De acordo com os taoístas, o Tao não é uma coisa nem uma substância, tem o papel de criador de tudo o que existe, no sentido convencional, não podendo ser equiparado a Deus.

O Tao é a fonte da vida, dá origem a dois princípios opostos e complementares: um depende do outro para sobreviver em harmonia, embora sejam interdependentes (um não existe sem o outro) e é conhecido com Yin e Yang.

Teoria do Yin e Yang

O conceito do Yin e Yang, básico e fundamental de todas as ciências orientais que correspondem à condição primordial e essencial para a origem de todos os fenômenos naturais como, por exemplo, o princípio da energia e da matéria e significa o princípio das forças naturais e complementares, isto é, que dependem uma da outra e não existem por si só. Pode-se dizer que o Yin seria o lado escuro, associado com os elementos do feminino, da passividade já o Yang seria o contrário, representando o lado claro, masculino e ativo, ou seja, Yin significa escuridão sendo representado pelo lado pintado de preto, e Yang é a claridade.

 Teoria dos cinco elementos

A teoria dos cinco elementos é também conhecida com a teoria dos cinco movimentos, e é explicado nos processos evolutivos da natureza, do Universo, da saúde e da doença. Definem os vários estágios de transformação que acontecem nas mudanças das estações, mudanças de clima. Assim, os cinco elementos representam as atividades das forças Yin e Yang quando estão a alternar, manifestas nos ciclos de mudanças da natureza e que regulam a vida na terra.

Cada energia está associada a um elemento cuja função parece com a função destas energias, daí terem o seu nome. Os elementos simbolizam atividades de energia com as quais estão associados.

Os cinco elementos são conhecidos como madeira, metal, água, terra e fogo, e aparecem na sua natureza especifica, durante as transformações da força Yang da sua união com a força Yin.

A teoria dos cinco elementos é de extrema importância na Medicina Tradicional Chinesa, porque todos os fenômenos dos tecidos e órgãos, da fisiologia e da patologia do corpo humano, estão classificados e são interpretados pelas interrelações desses elementos para estarem sempre em harmonia.

Energia Qi

A principal energia é o Qi, uma energia fundamental que constitui o Universo e é considerada uma substância vital. A base de tudo no organismo é o Qi e essa energia é produzida pelos órgãos internos que assumem diferentes formas e funções em variados locais do corpo humano, e é também considerada como atividade funcional de um órgão interno, fluindo por todo o corpo por meio dos meridianos.

Os meridianos são canais energéticos do corpo humano e de todos os meridianos, doze são classificados como principais, sendo que seis são de natureza Yang e seis de natureza Yin.

Divide-se os meridianos em vísceras ocas (Yang) e órgãos maciços (Yin) e tem como função transformação dos alimentos em energia Qi, e armazenamento da energia produzida pelos órgãos Yang, respectivamente.

Os meridianos Yang são estômago, intestino delgado, intestino grosso, vesícula biliar, bexiga e triplo aquecedor, já os meridianos Yin são coração, pulmão, baço – pâncreas, fígado, rim, circulação-sexualidade (pericárdio).

É comum chamarem as estruturas de órgãos e vísceras de Zang Fu, sendo órgãos Yang chamados de Fu e órgãos Yin chamado de Zang.

ANATOMIA DO ASSOALHO PÉLVICO

O assoalho pélvico não pode ser analisado independentemente do arcabouço ósseo que, ao longo da evolução da espécie humana, diferenciou-se para suportar a posição vertical e a marcha bípede por meio do encurtamento das asas ilíacas, do aumento da sua largura, da verticalização da pelve e da posição do sacro mais posterior, com consequente lordose lombar, e também da lateralização da cavidade do quadril para acomodar o fêmur ( ARAUJO et al, 2017).

A pelve é considerada um anel ósseo formado pelos dois ossos do quadril (ilíacos) em conjunto com os ossos do sacro e cóccix. Este anel proporciona uma proteção aos órgãos do sistema reprodutor, urinário e também a porção final do canal alimentar (reto e canal anal). No homem, a pelve encontra-se em uma posição mais superior do que na mulher. Na pelve existe uma estrutura, denominada linha arqueada ou linha terminal e é dividida, sob o ponto da anatomia, em pelve maior ou pelve “falsa” e pelve menor ou pelve “verdadeira”.

A pelve tem a função de sustentar diversos órgãos e unir o tronco aos membros inferiores e as paredes da pelve óssea são unidas por ligamentos densos, que conferem estabilidade funcional suficiente para que a região suporte as constantes alterações de forças às quais está sujeita, principalmente durante a locomoção humana (MORENO, 2009). É estabilizada por ligamentos, articulações e músculos e os ligamentos que estabilizam a pelve são: iliolombares, sacroilíacos anteriores, sacroilíacos posteriores, sacrotuberoso e sacroespinhoso. O assoalho pélvico é
constituído por músculos, ligamentos e fáscias e tem o objetivo de sustentar os órgãos internos.

Os músculos profundos do assoalho pélvico são:

  •  Levantador do ânus que se subdivide em três porções: o pubococcígeo
    anterior, o iliococcígeo posterior e o puborretal.
  • Coccígeos ou isquiococcígeos.

PERÍNEO

O períneo é uma região que fica entre o ânus e a vagina que serve de sustentação para todos os órgãos pélvicos, e divide-se em dois espaços: superficial e profundo. No espaço superficial, encontra-se o corpo do períneo que fica localizado na região central, e serve de fixação para várias estruturas musculares, sendo importante para a biomecânica; e também encontram-se os músculos ísquiocavernoso, bulboesponjoso, transverso superficial do períneo e esfíncter externo do ânus, já no espaço profundo do períneo estão os músculos transverso profundo do períneo e o esfíncter externo da uretra.

FISIOLOGIA DA MICÇÃO

A micção ocorre em duas fases: armazenamento vesical e esvaziamento, envolvendo as funções antagônicas da bexiga e da uretra. A micção e a continência urinária estão sob a coordenação neurológica entre o SNC e SNP, que são sistema nervoso autônomo e sistema nervoso somático, respectivamente, garantindo o controle voluntário do ato miccional.

O armazenamento vesical inicia após cada micção e ocorre pela combinação de propriedades passivas da bexiga e sua inervação (nervo pudendo), resultando na complacência vesical e garantindo a acomodação da bexiga e, nesse momento, há a inibição do SNC sobre o centro sacral da micção, o músculo detrusor e o centro somatomotor sacral.

Na fase de esvaziamento, ocorre o relaxamento do AP e do esfíncter externo uretral, com término da atividade eferente no nervo pudendo, ou seja, ocorre a contração do detrusor e o relaxamento da uretra.

DISFUNÇÕES DO ASSOALHO PÉLVICO

A disfunção do assoalho pélvico, comuns em homens e mulheres, acontece quando a sua estrutura encontra-se com alguma alteração mecânica ou fisiológica, tais como a incontinência fecal e urinária, os prolapsos de órgãos pélvicos sendo, assim, as patologias tratadas nesse Capítulo são:

  • Ejaculação precoce: pode ser definida como a condição persistente e repetida, na qual o homem é incapaz de controlar, de forma adequada, seu reflexo ejaculatório, atingindo o orgasmo rapidamente com pequenos estímulos.
  • Incontinências urinárias: são as perdas involuntárias de urina:
    • Urgência – é a perda urinária associada à urgência;
    • Esforço – é a perda involuntária de urina aos esforços, exercícios físicos, tosse, espirro, riso, sendo mais comum em mulheres;
    •  Mista – é a perda involuntária de urina associada à urgência e também associada aos esforços, sendo mais comum em homens que são submetidos a cirurgia de prostatectomia.
  • Disfunção erétil ou impotência sexual: é definida como inabilidade persistente, ou seja, o homem pode ter e não conseguir manter uma ereção suficiente para permitir uma performance sexual satisfatória.
  • Bexiga Hiperativa: é também conhecida como hiperatividade vesical, sendo um problema que surge por mau funcionamento do músculo detrusor que não relaxa adequadamente durante a fase de enchimento da bexiga. A falta de relaxamento da bexiga faz com que a pressão interna aumente mesmo com pequenos volumes de urina o que, na prática, significa a ativação da vontade de urinar com frequência muito maior do que o normal, ou seja, é quando a pessoa tem dificuldade de segurar a urina, apresentando uma urgência de urinar e o músculo detrusor se contrai sem que seja a vontade da pessoa ou o momento ideal para urinar.
  • Endometriose: é definida como uma doença ginecológica de caráter benigno, caracterizada pela presença de glândulas e estroma endometriais extrauterina, podendo comprometer diversas estruturas pélvicas, entre elas ovários, peritônio, ligamentos úterossacros, região retro-cervical e outros tecidos. A dor da endometriose pode se manifestar como uma cólica menstrual intensa, dor pélvica/abdominal à relação sexual ou dor “no intestino” à época das menstruações ou, ainda, uma mistura desses sintomas.
  • Dispaurenia: é definida como uma dor durante a penetração peniana que pode ser de forma superficial ou profunda, mas também pode ocorrer durante a estimulação sexual. Uma dispaurenia crônica pode levar ao vaginismo, podendo ocorrer em ambos os sexos, porém, sendo mais comum em mulheres. Essa dor durante a relação sexual é dada como uma disfunção sexual.
  • Constipação intestinal: é definida por uma alteração funcional do intestino onde a pessoa tem uma frequência evacuatória menor que três vezes por semana por, no mínimo, três meses. Se a mesma não for tratada devidamente, leva a complicações como síndrome do intestino irritável, hemorroidas, fissura anal, diverticulose (herniações na parede do intestino grosso), dentre outras.
  • Dor pélvica crônica: é definida por uma dor não cíclica que persiste por seis meses ou mais, sendo localizada na região abdominal inferior e estendendo-se até a região pélvica. No homem, os sintomas mais comuns são dor ou desconforto na região perineal, área suprapúbica, pênis e testículos, além de ocorrer a disúria e a dor ejaculatória. Na mulher, a dor pélvica tem causa ginecológica na maioria dos casos, como por exemplo: endometriose, adenomiose, mioma uterino, pólipos, aderências pélvicas, dentre outras, mas podem ocorrer por alterações não ginecológicas, como síndrome do cólon irritável, constipação crônica, hérnias, cistite intersticial, litíase renal.
  • Menopausa: é definida como a cessação permanente da menstruação, resultante da diminuição da atividade folicular ovariana, caracterizando-se por doze meses consecutivos de amenorreia sem causa óbvia de patologia ou outra motivação fisiológica. A idade média em que as mulheres entram na menopausa é 51,4 anos, podendo variar de 40 a 58 anos (BARACHO, 2014). Os principais sintomas da menopausa são: ausência da menstruação, ressecamento vaginal, ondas de calor, insônia, suores noturnos, diminuição do libido.
  • Vaginismo: consiste na contração involuntária (recorrente ou persistente) dos músculos do períneo adjacentes ao tentar-se a penetração vaginal, causando acentuado sofrimento ou dificuldade interpessoal. Esse espasmo pode ocorrer perante a antecipação da introdução vaginal.

ACUPUNTURA NAS DISFUNÇÕES DO ASSOALHO PÉLVICO

A Acupuntura se baseia no princípio de que o homem deve estar em harmonia com as forças da natureza que são conhecidas com Yin e Yang e tendo esse princípio como base, qualquer tipo de disfunção ou patologia pode ser tratada por intermédio da acupuntura.

A técnica da acupuntura tem sido utilizada para aliviar o efeito sensorial, e o componente da dor. O estímulo produzido pelas agulhas nos pontos de acupuntura, que são chamados de acupontos, ativam as fibras aferentes que têm ligação com mecanorreceptores na pele. Atua diretamente sobre os órgãos, com início de ação imediato e sem efeitos adversos, além disso, apresenta riscos mínimos e que não introduz no organismo nenhuma toxina, assim, não se contrapõe a nenhum outro tratamento.

Na aplicação da acupuntura, diferentes finalidades são objetivadas como: a volta ao estado normal (antes da enfermidade), imunização contra o retorno da afecção e conferir o máximo de resistência e eficácia do tratamento.

Neste capitulo, será relatado apenas a técnica da acupuntura por agulhas mas, vale ressaltar, que dentro da MTC existem outras técnicas como a ventosaterapia, moxaterapia, auriculoterapia, eletroacupuntura e laserterapia.

A Acupuntura por agulhas como tratamento nas disfunções do AP tem sido bastante utilizada para diminuir a dor e o desconforto, de acordo com cada patologia.

Dentre muitas disfunções do assoalho pélvico, encontra-se com mais frequência as patologias como ejaculação precoce, impotência sexual ou disfunção erétil, incontinência urinária, bexiga hiperativa, endometriose, constipação intestinal, dor pélvica crônica e menopausa.

Abaixo serão citados os acupontos utilizados na acupuntura de acordo com cada patologia, porém, esses acupontos variam de acordo com a anamnese do profissional e do desequilíbrio energético do paciente. No tratamento dos sintomas dos pacientes foram utilizados os acupontos abaixo relacionados com cada disfunção do assoalho pélvico.

  • Ejaculação precoce: a acupuntura promove um aumento na taxa de latência ejaculatória dos pacientes em média de cerca de 2 minutos. Os acupontos utilizados são IG4, VC4, VC3, BP6, R3, F3.
    • IG4 – ponto para equilibrar o SNC, relaxar as tensões musculares e mover estagnações do sangue. Usado bilateralmente.
    • VC3 – ponto estimulante da região genital.
    • VC4 – ponto estimulante da região genital.
    • BP6 – nutre a energia Yin necessária para controle da ejaculação precoce. Usado bilateralmente.
    • R3 – regula a energia Yin e Yang, necessárias para controlar a ejaculação precoce. Usado bilateralmente.
    • F3 – potencializa o tratamento quando unido ao IG4. Usado bilateralmente.
  • Impotência Sexual ou Disfunção Erétil: geralmente é causada por dano ao Yang dos rins, resultante de ejaculação repetida ou atividade sexual em excesso. Pode ser causada também por dano ao Qi do coração, baço e rins, resultantes de fatores emocionais tais como medo e preocupação. Os acupontos utilizados são VC4, R3, B23,VG4, VG20 .
    • VC4 – ponto para tonificar o Qi e o sangue, tonificar o Yang e estimular a região genital.
    • R3 – ponto que tonifica o Yin e Yang do rim, ajudando na função sexual. Usado bilateralmente.
    • B23 – ponto que fortalece a recepção do Qi dos rins e tonifica o rim para potencializar a função sexual.
    • VG4 – ponto que tonifica o Qi original e elimina o vento interior, ajudando a desobstruir a mente (Shen).
    • VG20 – ponto que expele ou eleva o Yang do fígado, acalma o Shen (mente) e aumenta o Qi colapsado dos órgãos do corpo ajudando na ereção peniana.
  • Incontinência Urinária: na visão da acupuntura ocorre a acumulação de umidade-calor na bexiga que atrapalha a função de excreção da urina, tendo uma insuficiência de yang do rim e dano ao Qi dos meridianos. Seleciona-se os pontos Mu (também chamados de pontos de alarme, são os pontos onde a energia dos órgãos correspondentes se acumula ou reúne) do canal da bexiga como o ponto principal para promover a excreção da urina. Os acupontos utilizados são: VC3, BP6, B39, BP9, BP10, VG20, VC4.
    • VC3 – é o ponto Mu da bexiga que fortalece o rim e nutre a essência.
    • BP6 – é o ponto que, combinado com o VC3, pode regular a função da bexiga. Usado bilateralmente.
    • B39 – é o ponto que regula o aquecedor inferior podendo remover a obstrução de vias de água e promove a continência urinária.
    • BP9 – é o ponto que elimina umidade-calor. Usado bilateralmente.
    • BP10 – é o ponto que ativa os canais e colaterais, fortalece o sangue e elimina a estase. Usado bilateralmente.
    • VG20 – é o ponto que acalma o Shen e melhora a enfermidade que está localizada na parte inferior do mesmo.
    • VC4 – é o ponto que fortalece o Qi do rim e promove a excreção da urina.
  • Bexiga Hiperativa: a Acupuntura visa minimizar os sintomas a fim de melhorar a qualidade de vida, sendo indicado para tratamento associado com medicamentos e fisioterapia pélvica, assim, diminuindo as contrações do músculo detrusor e aumentando a capacidade de armazenamento vesical. Sabe-se que essa enfermidade tem um componente psicológico de ansiedade muito importante, que deve ser controlado. Os acupontos utilizados são: VC6, VC3, YNTANG, VG20, VB34.
    • VC6 – tonifica o Qi original e o Yang controlando a micção frequente.
    • VC3 – promove a transformação do Qi pela bexiga
    • YNTANG – acalma a mente (Shen) controlando a ansiedade.
    • VG20 – acalma a mente e, associado com o YNTANG, controla de forma mais eficaz a ansiedade e a depressão.
    • VB34 – promove o relaxamento muscular do músculo detrusor associado com o VC6 e VC3. Ponto usado de forma bilateral.
  • Endometriose: para ser tratada precisa mover o Qi e o sangue do útero e remover a umidade. Quando há uma estagnação severa de sangue, o sangue remanescente no útero pode transformar-se em fleuma como uma formação de tumor benigno ou ainda a invasão de outros tecidos como os intestinos com sangue espesso. Os acupontos utilizados são: PC6, B20, E40, BP9, BP3, BP2, R6, R13, R14.
    • PC6 – move o Qi e o sangue no tórax ajudando a regularizar a menstruação e dores. Usado bilateralmente.
    • B20 – resolve a umidade, nutre o sangue e interrompe o sangramento e a hemorragia.
    • E40 – elimina fleuma e umidade.
    • BP9 e BP3 – eliminam a umidade resolve o esgotamento e o embotamento mental por umidade e fleuma.
    • BP2 – tonifica o baço. Vale ressaltar, que a umidade só é acumulada quando a função do baço-pâncreas está limitada e fraca, precisando fortalecer o baçopâncreas.
    • R6 – nutre o Yin o rim e regula o útero e a menstruação.
    • R13 e R14 – movimenta o Qi e o sangue, fortalecendo o útero.
  • Constipação intestinal: na Acupuntura, resume-se com calor interior crônico e estagnação do Qi do fígado tendo como princípio de tratamento a eliminação do calor, a drenagem do fogo e a umidificação dos intestinos. Os acupontos utilizados são: IG4, IG11, TA6, BP14, BP15, E44, E28 , E29.
    • IG4 – elimina o calor no intestino grosso e move as fezes.
    • IG11 – elimina o calor no intestino grosso.
    • TA6 – elimina o calor, abre o Triplo Aquecedor e promove o movimento intestinal.
    • BP14 e BP15 – promovem o movimento descendente.
    • E44 – elimina o calor do estomago.
    • E28 e E29 – eliminam o calor e promovem o movimento intestinal, sendo usado apenas do lado esquerdo com o objetivo de afetar o cólon descendente.
  • Dor pélvica crônica / Dispaurenia / Vaginismo: a Acupuntura é uma terapia complementar atuando em conjunto com medicação e fisioterapia pélvica para a diminuição do quadro álgico e, no caso do vaginismo, associa-se também a psicoterapia. Os acupontos utilizados são: VC3, VG20, YNTANG, VB34, BP6. Todos visam ao relaxamento e acalmam a mente.
  • Menopausa: além de tratamento hormonal, a acupuntura alivia os sintomas de calor e sudorese. Os acupontos utilizados são: VG20, R7, BP6, BP10, VC3, YNTANG, eliminando o calor, controlando a sudorese e ajudam a ansiedade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Acupuntura não é uma técnica que propicia curas milagrosas de nenhum tipo de patologia que se pretende tratar, ao invés disso, restabelece a saúde quando realizada por um processo contínuo e gradual. Com suas modalidades terapêuticas, é importante no tratamento das disfunções do assoalho pélvico de forma complementar a fisioterapia pélvica.

No tratamento com Acupuntura para as disfunções do assoalho pélvico, são realizadas mais ou menos 8 sessões, uma vez por semana, com duração média de 40 minutos, alternando com a fisioterapia pélvica duas vezes por semana. A partir da quinta sessão, a maioria dos pacientes relatam uma significativa diminuição dos sintomas que os trouxeram ao atendimento, informando sentir grande alívio das sensações desagradáveis anteriores.

Na MTC, cada pessoa deve ser considerado, como único, com suas especificidades e peculiaridades, o que interfere na escolha dos acupontos. A seleção e a utilização desses pontos ocorrem a partir de uma avaliação geral dos pacientes e do exame dos pulsos e da língua em cada sessão. Vale ressaltar, que não há uma avaliação específica para o assoalho pélvico na Acupuntura, pois o paciente é avaliado como um todo e verifica-se o desequilíbrio energético para o tratamento.

Como qualquer técnica, a Acupuntura pode causar efeitos colaterais de baixa preocupação tais como: dores na região de aplicação das agulhas, sonolência, tontura ou até mesmo sangramento e devendo ser evitada na presença de doenças hemorrágicas e alergia a metal, sendo considerado um procedimento seguro e benéfico e podendo ser utilizada tranquilamente em recém-nascidos, idosos e gestantes, assim sendo, todos podem se beneficiar com a Acupuntura. Em gestantes, não podem ser aplicados os seguintes acupontos: B31, B32, B33, B34, B60, B67, IG4, E36, BP2, BP3, BP6 e SHIXUAN (ponto extra) e também os acupontos abaixo da linha do umbigo ou abaixo da linha da segunda vértebra lombar. No entanto, estes acupontos possuem uma ação extremamente benéfica quando o objetivo é a indução do parto, pois estimulam a contração uterina e também liberam endorfina para o alívio da dor durante o trabalho de parto.

A Acupuntura tem uma resposta significativa na melhoria das disfunções do assoalho pélvico, mas as terapias combinadas são, sem dúvida, a melhor forma de tratar e normalizar o assoalho pélvico.

Portanto, considera-se que os resultados alcançados com essa terapia são de grande importância para a prática clínica e promoção da saúde das pessoas, porém, mais estudos utilizando a intervenção de acupuntura devem ser realizados para o melhor entendimento das disfunções do assoalho pélvico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BARACHO,Elza. Fisioterapia aplicada à saúde da mulher. 5.ed.Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

CINTRA, Maria Elisa Rizzi.; FIGUEIREDO, Regina. Acupuntura e promoção de saúde: possibilidades no serviço público de saúde: Interface e comunicação, saúde e educação, 2010.

CRFSP, Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo, São Paulo, 2010.

MINISTÉRIO DA SAÚDE, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS, Brasília, 2015.

MORENO, Adriana L. Fisioterapia em uroginecologia. 2.ed.rev e ampl. Barueri, São Paulo: Manole, 2009

REV MED SP, Revista de Medicina de São Paulo, São Paulo, 2013.

ROCHA, Sabrina Pereira; BENEDETTO, Maria Auxiliadora Craice; FERNANDEZ,  Fabíola Holanda Barbosa; GALLIAN, Dante Marcello Claramonte. A trajetória da introdução e regulamentação da acupuntura no Brasil: memórias de desafios e lutas, São Paulo, 2015.

Artigo Publicado: 21/01/2021



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