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Os Benefícios da Ginástica Laboral na Saúde do Trabalhador: Revisão Sistemática

Os Benefícios da Ginástica Laboral na Saúde do Trabalhador: Revisão Sistemática

Introdução

O processo de industrialização, principalmente durante o período da revolução industrial, evidenciou como característica o crescimento do trabalho automatizado, competitivo, repetitivo, mecanizado, ocorrendo em ambientes inadequados e realizado durante longas jornadas de trabalho. Esse fator influenciou no surgimento e desenvolvimento de patologias psíquicas e físicas, proporcionando aumento no número de afastamentos dos trabalhadores1.

Em virtude disto, nas últimas décadas, o ambiente laboral também se tornou um espaço de promoção de estilos de vida saudáveis, neste caso relacionado à saúde do trabalhador. A expressão “saúde do trabalhador” se refere a um campo do saber que visa compreender as relações entre o trabalho e o processo saúde/doença, cada vez mais presente no cenário médico 2-3.

No Brasil, uma das principais causas de consultas médicas ambulatoriais está relacionada à saúde do trabalhador, e, em sua grande maioria tem como principal característica as queixas musculoesqueléticas, influenciadas pela sobrecarga de trabalho, que determinam grande parte das demandas em fisioterapia pela busca da qualidade de vida no trabalho4-5.

Dentro da visão empresarial moderna, a qualidade de vida no trabalho pode ser afetada por diversos fatores, tais como adoção de posturas ocupacionais inadequadas, esforço repetitivo, trabalhos com cargas e períodos elevados, ausência de intervalos e inadequação ergonômica. Estes por sua vez, contribuem para o desenvolvimento das doenças ocupacionais, que são patologias relacionadas ao trabalho6.

Dentre as doenças ocupacionais estão as lesões por esforço repetitivo e os distúrbios osteomusculares (LER/DORT) que se caracterizam por uma síndrome que afeta músculos, tendões, fáscias e nervos dos membros superiores, cintura escapular e pescoço. Sua incidência vem aumentando e existem evidências de sua associação com o ritmo de trabalho. Estas doenças são responsáveis por uma parcela significativa das causas da queda da performance no trabalho7. Assim como LER/DORT, outro grande problema de saúde pública são as dores nas costas, que podem levar a limitações nas atividades de trabalho e gerar prejuízo financeiro8-9.

A partir da evidência do detrimento empresarial consequente da saúde trabalhador, há mais utilização de intervenção no trabalho oferecida pelas empresas no Brasil, como a Ginástica Laboral (GL), que abrange exercícios específicos de alongamento, fortalecimento muscular, coordenação motora e relaxamento realizados em diferentes setores ou departamentos da empresa, tendo como objetivo melhorar as relações interpessoais, organizacionais e principalmente prevenir e diminuir os casos de doenças ocupacionais nesse ambiente laboral influenciando também na qualidade de vida10-11-12.

Com a implantação da Ginástica Laboral, os empresários perceberam os benefícios obtidos, propiciando resultados rápidos e diretos com a melhora em todos os aspectos, tais como: tensão, agilidade, qualidade na execução das tarefas, trabalho em equipe, satisfação de clientes e motivação13.

Dessa forma, o objetivo desta revisão sistemática foi determinar se a ginástica laboral produz desfechos benéficos para a saúde de indivíduos em condição laboral.

 

Materiais e Métodos

Trata-se de um estudo de revisão sistemática, utilizando a base de dados eletrônica Pubmed. Na estruturação desta pesquisa, recorreu-se à Escala Modificada de Jadad, que consiste na análise de qualidade metodológica proposta por Jadad et al.14. Esta escala consiste em cinco critérios, e varia de 0 a 5 pontos, no qual o escore menor que 3 indica que o estudo possui baixa qualidade metodológica e, dificilmente, seus resultados poderão ser extrapolados para outros cenários15.

Utilizamos as palavras-chave: physical exercise; physical therapist; occupation health; workplace; sinônimos e palavras relacionadas acrescidas dos operadores booleanos “AND” e “OR” apresentados na Tabela 1. Os artigos incluídos foram publicados no período de 2008- 2018. A busca foi feita por meio das palavras encontradas nos títulos, assuntos e resumos dos artigos.

Tabela 1. Palavras-chave utilizadas na busca eletrônica acrescidas dos operadores booleanos “AND” e “OR”.

Palavra-chave Sinônimos e palavras-chave relacionados
physical exercise  Physical; exercise; stretching; strengthening
physical therapist Physiotherapy; Physiotherapist; Physical; Therapist
occupation health Occupation, health; work
workplace Work; working; work location; location; place; worksite;

Os artigos relevantes, coletados por meio de pesquisas em banco de dados, foram selecionados por rastreio dos títulos (primeira etapa), resumos (segunda etapa) e leitura integral (terceira etapa), tendo como critério de inclusão população de trabalhadores; ensaios clínicos; artigos publicados e publicações entre o ano de 2008 e 20018, e entre os critérios de exclusão qualquer tipo de revisão e pontuação menor que 3 na Escala de Jadad Modificada15. Foi feita uma leitura exploratória de todo o material selecionado e, posteriormente, uma leitura seletiva e analítica mais aprofundada das partes que realmente interessavam. Em seguida, foram registradas as informações extraídas dos artigos; com a finalidade de ordenar e sumariar, de forma a possibilitar a obtenção de informações relevantes à pesquisa.

O processo de identificação dos aspectos metodológicos e da extração de dados dos artigos foi realizado por dois revisores independentes. Quando ocorria alguma discordância entre eles, os revisores liam novamente o artigo na íntegra para reavaliação. Se a divergência persistisse, um terceiro revisor independente avaliaria.

 

Resultados

A pesquisa na base de dados resultou em 1.630 títulos únicos de artigos. Destes, 1.413 foram excluídos, sendo selecionados 217 artigos com rastreio de títulos. Dos 217 artigos, 23 foram selecionados pela leitura dos resumos que pareceram atender aos critérios de seleção. No entanto, após a leitura integral dos artigos, verificou-se que 6 deles não cumpriam todos os critérios de acordo com a Escala de Jadad Modificada15 (Tabela 2), pontuando se o estudo é descrito como randomizado e com descrição adequada, se possui comparações, resultados e adequadamente, e se são descritas as perdas e exclusões, resultando na seleção final de 17 artigos, conforme Figura 1.

Os 17 artigos foram lidos de forma analítica e seletiva e organizados em uma tabela com informações relevantes das pesquisas, como primeiro autor, ano da publicação; população; atividades realizadas; tempo total da intervenção; desfechos; métodos de avaliação; métodos de análise; e, por fim, resultados, como mostra o Tabela 3.

 

Tabela 2. Escala de Jadad Modificada para avaliação dos estudos incluídos.

 

 

Primeiro autor, ano

 

Descrito como randomizado

 

Randomização descrita e adequada

 

 

Comparações e resultados?

 

Comparações e resultados adscritos adequados

 

Descritas as perdas e exclusões

 

 

 

Total

 

Von Thiele, 2008

 

1

 

0

 

1

 

0

 

1

 

3

Pedersen, 2009 1 0 1 1 1 4
Zebis, 2011 1 1 1 0 1 4
Mongini, 2012 1 0 1 0 1 3
Zavanela, 2012 1 1 1 1 1 5
Muyor, 2012 1 0 1 1 0 3
Roessler, 2013 1 1 1 0 0 3
Mortensen, 2014 1 0 1 1 1 4
Rasotto, 2015 1 1 1 0 1 4
Andersen, 2015 1 1 1 1 1 5
Jakobsen, 2015 1 1 1 1 1 5
Rota, 2016 0 0 1 1 1 3
Michishita, 2017 1 0 1 1 1 4
Andersen, 2017 1 1 1 0 1 4
Matsugaki, 2017 1 1 1 1 1 5
Lowe, 2017 1 1 1 1 0 4
Chopp-Hurley,2017 1 1 1 1 0 4

Cada resposta positiva gera 1 ponto na Escala. Que resulta na avalição de 0-5 pontos.

Figura 1. Diagrama de fluxo da pesquisa.

194 excluídos pelo resumo (critérios de inclusão e exclusão)

 

 

 

 

 

 

6 artigos excluídos: tinham menos de 3 pontos na Escala Jadad Modificada
17 artigos

 

Fonte: dados da pesquisa.

Tabela 3. Análise dos artigos.

 

Primeiro autor, ano

 

População e

Intervenção total

 

Intervenção

 

Desfecho

 

Avaliação

 

Método de análise

 

Resultados

 

 

 

Von Thiele, 2008.

 

 

 

 

177 trabalhadores (6 empresas diferentes), por 18 meses.

 

 

 

3 grupos de empresas: (i) Intervenção com Exercícios semanais, (ii) Redução de horas de trabalho e (iii) Controle.

 

 

 

Melhora da glicose e distúrbios de extremidades superiores.

 

 

Avaliou-se os efeitos para glicose, relação cintura-quadril, habilidade de trabalho e distúrbios das extremidades superiores.

 

 

Melhora da glicose, (p<0.04) e distúrbios das extremidades superiores (p<0.012).

 

 

 

Grupo exercícios obteve diminuição da glicose e distúrbios das extremidades superiores.

 

 

 

 

 

 

Pedersen, 2009

 

 

 

 

 

 

 

 

 

549 trabalhadores (9 escritórios), por 12 meses.

 

 

 

Intervenção treinamento específico de resistência- SRT (n=180); Exercício físico completo-APE (n=187) e Controle (n=182).

Melhora da dor no ombro direito e parte inferior das costas, índice de massa corporal (IMC) e pressão arterial sistólica (PAS).  

 

Avaliou-se IMC, PAS e através de questionário, a dor no ombro direito e costas pré e pós intervenção.

 

 

Diminuição da dor ombro direito (p<0,01) e parte inferior das costas (p< 0,05), IMC (p<0,01) e PAS (P< 0,001).

 

 

Grupo SRT e APE obtiveram o mesmo resultado de diminuição de dor no ombro direito, partes inferior das costas, IMC e PAS.

 

 

 

 

 

 

Zebis, 2011

 

 

 

 

 

 

 

 

537 trabalhadores (2 unidades de produção industrial), por 20 semanas.

 

 

 

 

 

Intervenção treinamento de força de alta intensidade para o pescoço e ombros (n = 282) e Controle (n = 255).

 

 

 

 

 

 

Alivio de dor no pescoço e ombros.

 

 

 

 

 

 

 

Avaliou-se através de questionário nórdico, de acompanhamen-to e segmento.

 

 

 

 

 

 

Diminuição da dor nos ombros (p= 0,7) e pescoço (p<0,001) e prevenção de dor nos ombros (95% 0,2 a 1,5) e pescoço (95% 0,3 a 1,3).

 

 

Grupo Intervenção obteve reduções clínicas importantes para dor nos ombros e pescoço, mas não obteve resultado para prevenção.

 

 

 

 

 

 

 

Mongini, 2012

 

 

 

 

 

 

 

 

1.913 trabalhadores de 316 departamen-tos, por 6 meses.

 

 

 

 

 

 

Intervenção programa físico e educacional (n=923) e Controle (n=990).

 

 

 

 

 

 

 

Melhora sobre a dor de cabeça, pescoço e ombros.

 

 

 

 

 

 

 

Avaliou-se através de diários para a gravação diária de episódios.

 

 

 

 

 

Melhora para resposta à dor de cabeça (1,58; 1,28 a 1,92) 95%CI e para dor no pescoço/ombro (1,53; 1,27 a 1,82)95%CI.

 

 

 

Grupo Intervenção obteve efetiva redução da dor de cabeça e dor no pescoço / ombros em trabalhadores.

 

 

 

 

Tabela 3. Análise dos artigos (continuação).

 

Primeiro autor, ano

 

População e Intervenção total

 

Intervenção

 

Desfecho

 

Avaliação

 

Método de análise

 

Resultados

 

 

 

 

Zavanela, 2012

 

 

 

 

 

 

 

 

96

Trabalhadores (motoristas de ônibus), por 24 semanas.

 

 

 

 

 

Intervenção treinamento de resistência (n = 48) e Controle (n = 48).

 

 

 

 

 

 

 

Benefícios de saúde e trabalho.

 

 

 

 

 

 

 

Avaliou-se através de formulário, composição corporal, pressão arterial (PA), incidência de dor, resistência muscular e flexibilidade.

 

Redução de níveis de PA, resistência muscular, flexibilidade, dor e na taxa de absentismo do trabalhador (p<0,05).

 

 

 

Grupo intervenção obteve melhora em diferentes aspectos da saúde e outros benefícios relacionados ao trabalho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Muyor, 2012

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

58

Trabalhadores

(empresa de frutas e verduras), por 12 semanas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Intervenção programa de alongamen-to ísquiotibiais (n = 27) e controle (n = 31).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Melhora da extensibilidade

de ísquiotibiais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Avaliou-se através de um teste relaxado de pé e toe-touch com um Spinal Mouse pré e pós intervenção.

 

 

 

 

 

Aumentos na pontuação do dedo do pé e ângulo de aumento das pernas

(p<0,01) e diminuição na curva torácica e aumento da inclinação pélvica

(p<0,05).

 

 

 

 

Entre o grupo Intervenção e Controle não se obteve resposta significativa em relação a melhora permanente da postura, já para extensibilidade de ísquiotibiais o grupo Intervenção obteve melhora.

 

 

 

 

 

Roessler, 2013

 

 

 

 

 

 

427 trabalhadores (laboratórios técnicos), por 20 semanas.

 

 

Intervenção com exercícios para pescoço e ombros (n=199) e Controle (n=228).

 

Sem evidências para satisfação no trabalho com a relação entre treino de força e fatores psicossociais.

 

 

Avaliou-se por meio do questionário psicossocial de copenhague.

 

 

Sem resultado significativo para todos os grupos (p> 0,14) 95%.

 

 

 

Entre o grupo Intervenção e Controle não houve evidências de efeito para a saúde psicossocial ao realizar exercícios laborais.

 

 

 

 

Mortensen, 2014

 

 

 

 

 

537 trabalhadores (2 laboratórios técnicos), por 12 meses.

 

 

 

Intervenção com exercícios (n= 282) e Controle (n= 255).

 

 

 

Melhora e prevenção dos distúrbios músculo-esqueléticos.

 

 

 

 

Avaliou-se por meio de questionário pré e pós intervenção.

 

 

 

Melhora da dor no pescoço, om-bro, cotovelo e punho (P<0,001) 95%.

 

 

 

Grupo exercícios houve diminuição da dor em pescoço, ombro, cotovelo e punho.

 

 

 

Tabela 3. Análise dos artigos (continuação).

 

Primeiro autor, ano

 

 

População e Intervenção total

 

 

Intervenção

 

 

 

Desfecho

 

 

 

Avaliação

 

 

 

Método de análise

 

 

Resultados

 

 

 

 

 

 

 

 

Rasotto, 2015

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

68 trabalhadores (metalúrgica), por 10 meses.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Intervenção com exercícios (n=34) e Controle (n=34).

 

 

 

 

 

 

 

 

Melhora dos distúrbios músculo-esqueléticos relaciona-dos ao trabalho.

 

 

 

 

 

 

 

 

Avaliou-se por meio de escalas analógicas visuais (VAS), e pelos questionário

de mão e ombro (DASH).

 

 

Melhora da dor no pesco-ço(p=0.0164), no ombro (p= 0.0224), no pulso (p= 0.0007) e queda de dor no cotovelo em, 97,7%. A força de aperto e a mobilidade funcional do ombro (BS) aumentaram de
4,9%  para 10,3% e 70,6% em  para86,6%

,respectivamente.

 

 

O Grupo intervenção reduziu os sintomas de dor no pescoço, nos ombros, nos cotovelos e nos pulsos. A força de aperto e a mobilidade dos membros superiores também melhoraram.

 

 

 

 

 

 

 

Andersen, 2015

 

 

 

 

 

200 trabalhadores (enfermeiras e técnicas de enfermagem de 3 hospitais), por 10 semanas.

Grupo Inter-venção com exercícios no local de trabalho (n= 111) e

Controle (n=89) exercícios em casa.

 

 

 

Efeito positivo do exercício físico sobre o capital humano no trabalho.

 

 

 

Avaliou-se por meio de questionário pré e pós intervenção.

 

 

 

Obtenção de efeite  positivo após exercícios com relação ao capital humano (P = 0,02) (IC 95% 2,3 a 8.2).

 

 

 

O Grupo intervenção mostrou contribuição para a construção de capital humano dentro das equipes.

 

 

 

 

 

 

Jakobsen, 2015

 

 

 

 

200 trabalhadoras (18 departamen-tos de 3 hospitais), por 10 semanas.

 

 

 

Grupo Inter-venção com exercícios no local de trabalho (n=111) e

Controle (n=89) exercícios em casa.

 

Redução do esforço físico durante as tarefas diárias de trabalho.

 

 

Avaliou-se através da Escala de Necessidade de Recuperação pré e pós intervenção.

 

 

 

Redução do esforço físico (p <0,01) (IC de 95%: -0,8 a -0,2).

 

 

 

 

Grupo intervenção obteve melhor eficácia para redução do esforço físico durante tarefas de trabalho.

 

 

 

 

 

 

 

 

Rota, 2016

 

 

 

 

 

 

 

 

384 trabalhadores, por 6 meses.

 

 

 

Grupo Intervenção com um programa de exercícios, relaxamento, postura e feedback visual (n= 192) e Controle (n=192).

 

 

 

 

Relaxamen-to sobre a sensibilida-de do músculo pericraniano /cervical.

 

 

 

 

 

 

 

Avaliou-se a partir de palpação e dados coletados.

 

 

 

 

 

 

Apresentou uma variação média da linha de base de -0,19 para Ternura muscular pericraniana (PTS).

 

 

 

O Grupo Intervenção obteve diminuição significativa na sensibilidade do músculo pericraniano / cervical e dor no pescoço.

 

Tabela 3. Análise dos artigos (continuação).

 

Primeiro autor, ano

 

 

População e Intervenção total

 

 

Intervenção

 

 

 

Desfecho

 

 

 

Avaliação

 

 

 

Método de análise

 

 

Resultados

 

 

 

 

 

 

 

Michishita, 2017

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

59 trabalhadores (11escritórios), por 10 semanas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Grupo intervenção com exercícios (n=29) e Controle (n=30).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Melhora da saúde mental, atividade física e capacidade de trabalho.

 

 

 

 

 

Avaliou-se a partir da medida antropométrica,

Perfil dos esta-dos do humor (POMS), Questionário de Stress Job Stress (BJSQ) e Índice de Abuso de Trabalho.

 

Melhora nas medidas antropométricas, níveis de atividade física e humor (p<0,05) na capacidade de trabalho (p<0,05) e no vigor para as atividades (r = 0,467, p = 0,011).

 

 

O Grupo Intervenção obteve importante melhora para as relações pessoais, a saúde mental e a atividade física entre os trabalhadores.

 

 

 

 

Andersen, 2017

 

 

 

 

 

66 trabalhadores, por 10 semanas.

 

 

 

Os indivíduos foram alocados aleatoriamente para um Grupo Intervenção
com exercícios  ou um Grupo de Controle.

 

Melhora do clima

social e a vitalidade

entre os trabalhadores com dor musculoesquelética crônica.

 

Avaliou-se por meio do Questionário Nórdico e Inquérito de Saúde de Forma Curta.

 

 

Clima social 7,6 (IC 95% 0,3 a 14,9), saúde mental -2,3 (IC 95% -10,3 a 5,8) e vitalidade 10,1 (IC 95%: 0,6 a 19,5).

 

O Grupo Intervenção obteve melhora no clima social e na vitalidade. A saúde mental permaneceu inalterada.

 

 

 

 

Matsugaki, 2017

 

 

 

 

 

 

30 trabalhadores (Enfermeiros), por 12 semanas.

 

 

 

Os indivíduos foram alocados aleatoriamente para um Grupo Intervenção suepervisionado
com exercícios  ou um Grupo de Controle não supervisionado.

 

 

 

Eficácia do exercício supervisionado no local de trabalho para promoção de saúde.

 

 

 

 

 

 

 

Avaliou-se a partir da medida antropométrica, teste de força e aptidão muscular e parâmetros bioquímicos e de saúde mental.

 

 

 

A diferença entre grupos no efeito de intervenção (p=0,010).

 

 

 

O Grupo de Intervenção supervisionada por um fisioterapeuta obteve maior eficácia do exercício para promoção de saúde.

 

             

 

 

 

 

 

 

Tabela 3. Análise dos artigos (continuação).

 

Primeiro autor, ano

 

 

População e Intervenção total

 

 

Intervenção

 

 

Desfecho

 

 

 

Avaliação

 

 

Método de análise

 

 

 

Resultados

 

 

 

 

 

 

 

Lowe, 2017

 

 

 

 

 

 

 

 

 

76 trabalhadores (departamentos de montagem automotiva).

 

 

 

 

Os indivíduos foram alocados aleatoriamente para um Grupo Intervenção
com exercícios  ou um Grupo de Controle.

 

 

 

 

Efeitos do exercício sobre os sintomas musculoesque-léticos do ombro.

 

 

 

Avaliou-se a partir do Questionário de Avaliação do Ombro (SRQ) e o desconforto dos sintomas do Ombro e da Mão (DASH).

 

 

 

Os escores de SRQ foram maiores para os exercitadores do que entre os controles (p<0,05).

 

 

 

 

No Grupo Intervenção os exercícios melhoraram os sintomas musculoesque-léticos do ombro.

 

 

 

 

 

 

 

Chopp-Hurley,2017

 

 

 

 

 

 

24 trabalhadores (com osteoartrite clínica do quadril e joelho), por 12 semanas.

 

Os indivíduos foram alocados aleatoriamente para um Grupo Intervenção
com programa de exercícios ou um Grupo de Controle.

 

 

Melhora da capacidade do trabalho e sintomas.

 

 

 

 

Avaliou-se a partir de questionários, desempenho de força, mobilidade e relatos.

 

Melhorias significativas na capacidade de trabalho e resultados relatados pelo paciente (dor, função, sintomas depressivos) p<0,049).

 

 

 

 

 

O Grupo intervenção melhorou a capacidade de trabalho e os sintomas.

 

 

 

 

Discussão

 

Os resultados sugerem que a ginástica laboral gerou implicações significativamente benéficas na promoção da saúde do trabalhador, devido à melhora e prevenção dos distúrbios músculo-esqueléticos, relacionados principalmente a pescoço e ombros, assim como resposta positiva para índice de massa corporal (IMC), pressão arterial sistólica (PAS) e níveis de glicose.

Matsugaki et al.16 constatou que a ginástica laboral é mais eficaz para promoção de saúde quando os exercícios realizados no local de trabalho são supervisionados por um profissional capacitado; em seu estudo verificou-se melhora da medida antropométrica, força, aptidão muscular, parâmetros bioquímicos e de saúde mental. Porém, o quesito saúde mental, não obteve resultado significativo, corroborando com Andersen et al.,17 que apesar de registrar melhoria no clima social entre os trabalhadores, a saúde mental permaneceu inalterada, assim como as relações psicossociais estudadas por Roessler et al.,18 ao intervir junto aos trabalhadores com exercícios para pescoço e ombros.

O desempenho durante a atividade laboral pode se justificar pela condição de saúde que o indivíduo apresenta. De forma que, Michishita et al.19 encontrou uma relação significativa para a saúde mental, atividade física e capacidade de trabalho ao realizar exercícios, considerando a qualidade de vida do indivíduo a partir do pressuposto que o desempenho físico pode refletir na sua saúde mental.

Embora Roessler et al.18 tenha obtido resultados negativos até mesmo em relação as funções musculoesqueléticas entre os trabalhadores em sua pesquisa, há estudos que apresentam retornos positivos ao intervir com exercícios de alongamento, fortalecimento e relaxamento visando a prevenção e promoção da saúde física do trabalhador.20- 21- 22- 23- 24

Discorrendo sobre prevenção, vale notar que o alto esforço físico durante o trabalho é um fator de risco para dor musculoesquelética e ausência de doença à longo prazo. Assim, aumentar a capacidade física através do exercício físico pode diminuir o esforço durante as tarefas diárias de trabalho, quando realizado no ambiente de trabalho, comparado com o aquele realizado em casa e sem supervisão, prevenindo, portanto, possíveis disfunções musculoesqueléticas.25

Deve-se ressaltar que entre os trabalhadores, as dores de cabeça, pescoço e ombros são fatores de incômodo principal. Diante disso, apresenta-se o estudo de Mongini et al.26, que possui grande embasamento e confiabilidade, pois realizou um ensaio clínico randomizado em cluster com um n= 1,913 de trabalhadores municipais de uma cidade. O programa reduziu efetivamente a dor de cabeça e dor no pescoço / ombro em uma grande comunidade de trabalho e parece ser facilmente transferível para configurações de cuidados primários, embasando cada vez mais o conhecimento para futuras intervenções.

Pedersen et al.27 estudaram intervenções com o objetivo de investigar dois grupos: atividade física versus grupo controle em vários resultados de saúde. Como efeito, com treinamento de resistência específico (SRT) e exercício físico completo (APE), se obteve  reduções clinicamente relevantes de fatores de risco relacionados à síndrome cardiovascular e metabólica, como melhora do índice de massa corporal (IMC) e pressão arterial sistólica (PAS)  bem quão sintomas de dor musculoesquelética, em combinação com aumento de capacidade física. Portanto, uma contínua intervenção com acompanhamento pode ser necessária.

Esse aspecto também foi levantado no estudo de Von Thiele Shwar et al.,28 ao produzirem efeitos de interação significativos para glicose, mais um fator de risco à síndrome cardiovascular.  Haviam três grupos sendo estudados, dois grupos- intervenção, com treinamento físico e outro com redução de horas de trabalho, além do grupo controle. Os resultados mostraram que as duas intervenções tiveram pequenos e variados efeitos de diferentes aspectos da saúde, todavia sugere-se que as condutas que impliquem em uma redução moderada nas horas de trabalho parecem ser mais efetivas se estas forem usadas para o exercício físico.

 

Adesão e a frequência de acesso são aspectos importantes citados em todos os estudos, os quais demonstram que a possibilidade de aceitação à intervenção é livre ao trabalhador29. Entretanto, mesmo com a taxa de evasão, a utilização da ginástica laboral em seus diversos aspectos, teve resultados significativos na promoção da saúde do trabalhador, de acordo com os desfechos e resultados encontrados nas pesquisas.30-31 Além dos resultados satisfatórios para a saúde do trabalhador, a utilização dos programas de ginástica laboral se mostrou eficiente quanto ao aspecto social da empresa.17-29-32

Quanto à avaliação da presente revisão sistemática, as principais limitações foram a dificuldade no método de análise dos artigos devido às diferenças em seus aspectos metodológicos e a utilização de apenas uma base de dados, porém proveitosa.



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