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Prevalência da Sida em Idosos Atendidos no Hospital Escola Dr. Hélvio Auto no Período de Janeiro de 2002 a Dezembro de 2007

Prevalência da Sida em Idosos Atendidos no Hospital Escola Dr. Hélvio Auto no Período de Janeiro de 2002 a Dezembro de 2007

INTRODUÇÃO

A expectativa de vida, atualmente, ultrapassa os 80 anos, proporcionando ganhos não apenas quantitativos, mas atribuindo novo significado e novas possibilidades à velhice. Esta mudança do perfil demográfico poderá ter impacto sobre o sistema de saúde brasileiro, exigindo uma adequação às condições de vida das pessoas com idade acima de 60 anos. A saúde e a qualidade de vida dos idosos, mais do que em outros grupos etários, sofrem a influência de múltiplos fatores, de tal forma que avaliar e promover a saúde do idoso significa considerar variáveis de distintos campos do saber, numa atuação interdisciplinar e multidimensional.1

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos já são considerados idosos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam o aumento da expectativa de vida do brasileiro, de 66 para 68,6 anos na última década. Tal mudança representa uma porcentagem de 8,6%, o que perfaz em números absolutos 14.536.029 de idosos incorporados a sua população total com perspectivas de crescimento.2 Estima-se, que em 2025, o número de idosos brasileiros poderá ultrapassar os 30 milhões, representando 13% da população.3

Em Alagoas, a quantidade de pessoas com idade acima de 60 anos também vem aumentando nos últimos anos. Dos quase três milhões de habitantes do estado, 8,9% são idosos, segundo o IBGE2, concordando com a média nacional e mundial.4

As melhorias do sistema de saúde, somadas aos incrementos das infra-estruturas de saneamento e habitação e as mudanças sociais nas áreas de educação, percepção e comportamento ligadas à saúde tiveram papéis fundamentais na maior longevidade.5 Com idosos vivendo mais e melhor, e com a disponibilidade de medicamentos que melhoram o desempenho sexual, principalmente dos homens, as pessoas mais idosas sentem-se mais seguras nas investidas amorosas, propiciando que grande parte da população mantenha os laços sociais, participando ativamente das atividades de lazer, especialmente destinadas para esse estrato populacional.6

A SIDA é uma síndrome que se manifesta após a infecção do organismo humano pelo Vírus da Imunodeficiência Humana, conhecido como HIV, proveniente do inglês – Human Immunodeficiency Vírus (HIV).7 O HIV dirige seu ataque contra os CD4 (células responsáveis no processo de defesa do nosso organismo) e os macrógrafos, destruindo-os. O corpo reage, produzindo anticorpos anti-HIV e fabricando mais linfócitos CD4. Em geral, o sistema imunitário continua a funcionar bem durante vários anos após a infecção pelo HIV. Entretanto, no decorrer desse período, o vírus se multiplica muito intensamente e um grande número de linfócitos CD4 é destruído a cada dia. Quando não se faz o tratamento anti-HIV, o sistema imunitário se enfraquece progressivamente e o número de CD4 diminui.8

As transmissões documentadas envolvem contato sexual com indivíduos infectados, exposição percutânea ou de membrana mucosa a sangue ou líquidos corporais infectados ou transmissão transplacentária, perinatal ou pela amamentação de mãe para criança, transfusão de sangue contaminado, uso de agulhas e/ou seringas contaminadas.7,8

A pandemia da infecção da AIDS continua a crescer no mundo, revelando números cada vez mais alarmantes. Estudos recentes demonstram que os idosos são o grupo etário onde se verifica o maior aumento da incidência nos países desenvolvidos.9  No Brasil, dos 971.327 casos notificados até junho de 2005, o número de pessoas com 60 anos ou mais representou 2,1% do total entre os sexos.10 No início dos anos 1980, os primeiros casos de AIDS notificados surgiram entre os denominados grupos de risco, que incluíam os homossexuais do sexo masculino, os usuários de drogas injetáveis e as prostitutas. A evolução da epidemia revelou a capacidade da AIDS alcançar todos os que adotavam comportamentos de risco, como, por exemplo, manter relações sexuais sem preservativo ou compartilhar seringas. E refere-se à exposição como questão de decisão individual, como um risco assumido pelo indivíduo.¹¹

Na década de 90, o universo de pessoas infectadas pelo HIV ampliou-se, passando a abranger homens heterossexuais, bissexuais e não usuários de drogas injetáveis, revelando ainda uma tendência ascendente de disseminação entre as mulheres, particularmente aquelas pertencentes aos estratos sociais considerados de baixa renda; a maioria delas tendo relação estável com os parceiros sexuais.11, 14 No geral, o cuidado em relação ao sexo seguro vincula-se à possibilidade de uma gravidez, o que deixa de ocorrer na velhice. A partir desta concepção, parece haver maior liberação para o exercício da sexualidade por parte do idoso sem quaisquer restrições em termos de prevenção, uma vez que os aspectos relativos às doenças sexualmente transmissíveis (DST’s) e HIV/AIDS podem não constituir preocupação para essa parcela da população.12

Em recente estudo de Prilip (2004), foram identificados dois grupos dentro da faixa etária idosa contaminada pelo HIV/AIDS: aqueles que estão envelhecendo com AIDS contraída há mais tempo, devido à eficácia das terapias anti-retrovirais que prolongam a sobrevida dos pacientes soropositivos; e aqueles que contraíram o vírus já com mais de 60 anos.¹

A SIDA AIDS no idoso não é freqüentemente detectada de forma precoce. Isto se deve essencialmente a dois fatores: um de índole social gerado pela falsa crença de que nos idosos não existe AIDS e outro que este grupo etário não apresenta vida sexual ativa. Os estudos recentes demonstram precisamente o contrário, a via sexual é a principal forma de contágio nos idosos.¹

Outro fator preponderante na infecção relaciona-se com outras doenças crônicas próprias do processo de envelhecimento que mascaram os sintomas da AIDS e que induzem um diagnóstico errado ou de certo modo inconclusivo. Surge um tipo de doente até então inexistente: o indivíduo em processo de envelhecimento com patologia associada, com AIDS e tendo que lidar com a toxidade medicamentosa da terapia antiretroviral combinada.¹

Além disso, muitas pessoas não possuem, inicialmente, sintomas que indiquem a contaminação pelo HIV, considerando que a principio surgem sintomas semelhantes a muitas patologias podendo demorar até mais de dez anos para aparecer os sintomas clássicos da doença. As manifestações desta morbidade incluem: cefaléia, tosse, diarréia, gânglios inflamados, imunidade reduzida, diminuição do apetite e de peso, apatia, fadiga e cansaço. Além disso, o organismo fica susceptível a infecções repetidas, ocorrem lesões dérmicas, úlceras em mucosa oral, entre outros.7

Por isso, a avaliação criteriosa da história clínica e epidemiológica, com especial atenção para a abordagem dos hábitos sexuais poderá facilitar o diagnóstico e a própria conduta médica, além de contribuir para a instituição de medidas para reduzir o risco de infecção.¹³

Neste sentido, não bastam apenas as descobertas a nível dos aspectos profiláticos, etiológicos e terapêuticos, faz-se necessária também uma perspectiva psicossocial. Os idosos pertencem a uma faixa etária muito pouco informada acerca dos perigos de contágio devido à ausência de campanhas de sensibilização que visem a uma atitude defensiva. Entre outras, esta é porventura a melhor explicação para a fraca adesão dos idosos ao preservativo. Outros aspectos como os valores religiosos, ou ainda, motivados pelo fato da parceira ter já atingido a menopausa, não devem ser ignorados.¹²

Diante de todos os aspectos e fatores que aumentam a vulnerabilidade da terceira idade à AIDS, espera-se encontrar uma alta prevalência de idosos com SIDA AIDS atendidos no Hospital Escola Dr. Hélvio Auto – Maceió – AL.

 

 

MATERIAIS E MÉTODOS

A pesquisa foi iniciada após liberação do Comitê de ética em Pesquisa da Faculdade de Alagoas, de acordo com Resoluções CNS/MS 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde e com devida autorização da direção do Hospital Escola Dr. Hélvio Auto (HEHA)

Tratou-se de um estudo retrospectivo, transversal e epidemiológico de base populacional, com dados secundários dos casos notificados à Secretaria Estadual de Saúde de Alagoas, seguindo-se de revisão de prontuários médicos.

De acordo com o Núcleo de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde, no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2007, havia 26 notificações de casos de SIDA AIDS em idosos atendidos no HEHA. Deste total, estavam disponíveis para consulta no arquivo do referido hospital apenas 18 prontuários.

As variáveis estudadas foram: idade, sexo, estado civil, procedência, bairro, data de diagnóstico, escolaridade, relações sexuais, uso de drogas injetáveis, história de transfusão de sangue e sorologias.

A coleta de dados foi realizada de maio a setembro de 2008 e abrangeu diversos setores do HEHA: serviço de vigilância epidemiológica (SVE), laboratório, serviço de arquivos médicos (SAME) e farmácia.

Todos os dados obtidos nessa pesquisa foram resguardados, de modo a preservar a amostra, respaldando-se nas Resoluções Nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde (CNS/MS).

Os resultados foram tabulados através da Planilha Eletrônica Microsoft EXCEL 2000, submetidos à estatística descritiva por meio de porcentagem simples e apresentados sob a forma de tabelas.

 

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A prevalência de idosos com SIDA AIDS  atendidos no Hospital Escola Dr. Hélvio Auto no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2007 foi de 2,72%, o que corresponde a 26 pacientes de um total de 955 notificados segundo o Núcleo de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual de Saúde – AL. Destas 26 notificações, teve-se acesso a 18 prontuários, o que representa 1,88% do total de pacientes com SIDA AIDS. Estes resultados se assemelham ao estudo de Araújo e cols (2007)10, que em seu trabalho relata uma prevalência de 2,1%. Em relação aos sexos houve predomínio do sexo masculino (83,33%). A maior prevalência masculina ocorreu no ano de 2006, representando 82,5% do total de idosos infectados no referido ano. (tabela 1). A relação entre homens e mulheres no estudo foi de 5:1 e embora o número de casos do sexo masculino tenha sido maioria em quatro dos seis anos analisados na pesquisa, é notória a expansão da epidemia entre as mulheres, sendo predominante em 2005, onde representou 66,6% do total de idosos com AIDS.

Os dados encontrados confirmam estudos de Araújo e cols (2007)10, Fontes (2005)16 e Takahashi e cols (1998)14 os quais apontam que a diminuição da magnitude da razão entre os sexos tem confirmado a manutenção da tendência da feminização da epidemia também entre os idosos. A AIDS aumenta paulatinamente entre todas as idades no sexo feminino. Associado a isso, estudos de Leite e cols (2007)15 relatam que, no geral, especialmente as mulheres, o cuidado em relação ao sexo seguro vincula-se à possibilidade de uma gravidez, mas na velhice essa situação deixa de ocorrer. A partir desta concepção, na velhice parece haver maior liberação para o exercício da sexualidade sem quaisquer restrições em termos de prevenção, uma vez que os aspectos relativos às doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e HIV/AIDS podem não constituir preocupação para essa parcela da população.

Verificou-se a maior proporção de casos de idosos com SIDA AIDS no grupo de indivíduos com idades entre 60-69 anos (tabela 1). Resultado este, semelhante ao estudo de Araújo e cols (2007)10 no qual ressaltam que, entre os idosos, esta faixa etária concentra maior número de pessoas. O ano de 2006 representou a maior prevalência entre os anos estudados (2002-2007), com um valor de 44,44%. Já o ano de 2004 não apresentou caso notificado. Entre todas as faixas etárias estudadas, a maior prevalência ocorreu no ano de 2006, sendo 27,77%, 11,11% e 5,55% do total de casos, respectivamente.

Fontes (2005)16 revela que o aumento da expectativa de vida, das oportunidades sociais e a disponibilização de medicamentos para disfunção erétil e terapias de reposição hormonal tem impulsionado a vida sexual do idoso. Além disso, algumas questões culturais que ainda permanecem como a baixa noção de risco apresentada pelo idoso, a infidelidade e a multiplicidade de parceiras aceitas socialmente na trajetória da vida dos homens que hoje tem mais de 60 anos e que não praticam sexo seguro porque isso nunca fez parte da vida dele e que expõem suas esposas, resultante da construção social de gênero.

 

Tabela 1: Distribuição da SIDA AIDS segundo as faixas etárias

Ano Geral Idosos
    60-69 70-79 > ou = 80
(n)                 %

 

(n)                 % (n)             % (n)                %
2002 106              11,09 2              11,11 1              5,55 0                0,00
2003 201              21,04 2              11,11 0              0,00 0                0,00
2004 98                10,26 0               0,00 0              0,00 0                0,00
2005 157              16,43 3              16,67 0              0,00 0                0,00
2006 204              21,36 5              27,77 2              11,11 1                5,55
2007 189              19,79 2              11,11 0              0,00 0                0,00
Total 955                100 14            77,78 3             16,67 1               5,55

Fonte: Hospital Escola Dr. Hélvio Auto – Maceió – Al, 2008

 

Em relação ao estado civil, observou-se, no sexo masculino, a presença da SIDA AIDS em todas as categorias, sendo a maior prevalência entre os homens casados (33,33%). Já no sexo feminino, a SIDA AIDS acometeu apenas viúvas e divorciadas (tabela 2). Quanto ao tipo de relação sexual mostra-se que houve proporções semelhantes entre homossexuais, heterossexuais e bissexuais, sendo o último grupo a maior porcentagem no sexo masculino (tabela 2). Este resultado assemelha-se ao encontrado por Beloqui (2008)17 em sua pesquisa, todavia, difere da maioria dos estudos recentes de Araújo, (2007)10, de Maia e cols (2008)20, de Kilsztajn (2001)18, de Campozana (2001)19, onde mostra a transmissão heterossexual como a mais importante característica dinâmica da epidemia. Esta diferença pode ser explicada pelo grande número de prontuários sem registro (n=8), o que gera uma subnotificação, deixando de mostrar a verdadeira magnitude da epidemia.

 

Tabela 2: Relação entre sexo, estado civil e tipo de relacionamento em idosos com SIDA AIDS.

Sexo Estado Civil Relações Sexuais
 

 

  

Solteiro Casado Viúvo Divorciado        Homens Mulheres Ambos Sem registro
(n)     % (n)     % (n)   % (n)        %      (n)        % (n)       % (n)       % (n)    %
Masculino 3      20 5   33,33 3    20 4     26,67      2   13,33 2   13,33 3        20 8   53,33
Feminino 0        0 0        0 2 66,67 1     33,33      1   33,33 0          0 0          0 2   66,67

Fonte: Hospital Escola Dr. Hélvio Auto – Maceió – Al, 2008

 

O nível educacional expressa diferenças entre pessoas em termos de acesso à informação e perspectivas e possibilidades de se beneficiar de novos conhecimentos. É inegável que alguns parâmetros para alcançar uma maior qualidade de prevenção e assistência, tais como o acesso à educação e aos métodos preventivos, estão diretamente ligados à situação socioeconômica da população. Destaca-se que, mesmo com restrições, o grau de instrução tem sido utilizado como uma variável auxiliar na tentativa de expressar o perfil socioeconômico dos casos de AIDS.²¹

Os estudos de Pottes e cols (2008)6 , Vasconcelos (2008)22e o de Campozana (2001)19 relatam fenômeno de pauperização como sendo caracterizado pelo aumento da proporção de casos de SIDA AIDS em indivíduos de baixa escolaridade (analfabetos e apenas 1º grau). Maia (2008)20 destaca que a AIDS tem se direcionado aos segmentos menos favorecidos da sociedade.

Os dados obtidos revelam um total de 33,33% de idosos com nível superior, sendo este o maior percentual encontrado (tabela 3). Porém se considerarmos somente duas divisões (não-superior e superior) este resultado revela um percentual de 44,45%, o qual confirma os dados da literatura; somando-se a isso o fato de se ter 22,22% de nível de escolaridade ignorada. Cabe ressaltar que idosos com mais recursos, sendo estes com maior nível de escolaridade, tem mais acesso aos prazeres da vida e provavelmente uma vida sexual mais ativa.

Tabela 3: Relação entre o sexo e o nível de escolaridade em idosos portadores de SIDA AIDS

Sexo Nível de Escolaridade
  Analfabeto Fundamental Médio Superior Ignorado
  (n)            %

 

(n)            %

 

(n)            %

 

(n)            %

 

(n)            %

 

Masculino 3              20 2         13,33  2        13,33 5         33,33 3              20
Feminino 0              0 1         33,33 0                0 1         33,33 1         33,33
Total 3         16,67 3         16,67 2         11,11 6         33,33 4         22,22

Fonte: Hospital Escola Dr. Hélvio Auto – Maceió – Al, 2008

 

Em relação á distribuição dos casos de SIDA AIDS nos distritos sanitários observou-se que houve um percentual de 33,33% no 7º distrito sanitário, onde foram incluídos os bairros do Tabuleiro (n=4), Santa Lúcia (n=1) e Clima Bom (n=1).

Bairros considerados de alto nível, como os situados no 1º distrito sanitário (Ponta Verde, Jatiúca) obtiveram menores percentuais (16,67%) do que bairros de periferia como os encontrados no 2º distrito (27,18%).

Um estudo realizado por Campozana (2001)19 revelou uma tendência da expansão da AIDS para regiões mais periféricas, o que foi confirmado por este estudo.

 

Tabela 4: Distribuição da SIDA AIDS em idosos segundo os Distritos Sanitários da

cidade de Maceió

n=18
Distritos Sanitários (n)                             %
Distrito 1 3                          16,67
Distrito 2 5                           27,18
Distrito 3 2                           11,11
Distrito 4 0                            0,00
Distrito 5 0                            0,00
Distrito 6 0                            0,00
Distrito 7 6                           33,33
Sem registro 2                           11,11
Total 18                          100

Fonte: Hospital Escola Dr. Hélvio Auto – Maceió – Al, 2008

 

A questão comportamental, de acordo com Boni e cols (2005)23, no que se refere ao uso de drogas injetáveis constitui uma variável de grande importância na qualificação do idoso portador de AIDS, embora os dados do Ministério da Saúde indiquem uma diminuição progressiva da incidência de casos de AIDS causados somente pelo uso de drogas injetáveis nos últimos anos de 15% em 1991 para 2,6% em 2002 (Ministério da Saúde, 2002). Segundo Bastos, (2001)24, a vulnerabilidade do usuário de drogas injetáveis à infecção pelo HIV, assim como para outras infecções resulta do comportamento sexual e do hábito de compartilhar seringas.

Quanto ao uso de drogas injetáveis 16,67% dos idosos negaram, 5,56% confirmaram e 88,89% não possuia registro nos prontuários, gerando uma subnotificação e impossibilitando o conhecimento real da relação entre idosos com SIDA AIDS e o uso de drogas injetáveis. Estes dados são confirmados por Bastos e cols (2001)24 em seu estudo onde revela que a modelagem para os casos de SIDA AIDS entre usuários de drogas injetáveis pode ser realizada para a maioria das faixas etárias, exceto para mulheres maiores de 45 anos e homens maiores de 55 anos pela pouca ou inexistência de casos em vários anos.

No que se refere à história de transfusão de sangue e derivados 11,11% dos prontuários apresentavam negativas dos pacientes e o restante (88,89%) não apresentava sequer registro. Um estudo realizado por Stein e cols (1995)25 releva ser de 28% a prevalência de idosos infectados por meio de transfusão de sangue e que a maioria ocorreu por revascularização coronariana.

As variáveis apresentadas na tabela 5, apesar de representarem duas formas importantes de transmissão do HIV, foram subnotificadas ou não questionadas aos idosos com AIDS. Este fato é explicado por Saldanha (2005)1 em seu estudo, no qual relata a subnotificação e subvalorização da AIDS no idoso pelos profissionais de saúde. Afirma que muitos deles não solicitam teste de HIV de rotina para idosos pela similaridade dos sintomas da AIDS com características inerentes à velhice; o que ocasiona o diagnóstico tardio.

A qualidade da informação é um dos fatores que limitam o uso de dados secundários em análises epidemiológicas. Mesmo após a revisão das fontes de dados, em busca da complementação de informações não preenchidas, houve a permanêcia de dados ignorada, o que comprometeu o resultado final de algumas características.

Tabela 5: Quantificação da história de transfusão de sangue e derivados e uso de drogas entre idosos com SIDA AIDS

  História de Transfusão de sangue e derivados Usuário de drogas injetáveis
                   (n)         %               (n)         %
Sim                  0             0               1            5,56
Não                  2             11,11               3           16,67
Sem registro                 16           88,89              14         77,77
Total                 18           100              18          100

Fonte: Hospital Escola Dr. Hélvio Auto – Maceió – Al, 2008

 

A sorologia concomitante de Citomegalovírus e Toxoplasmose representou o maior percentual (22,22%) entre as sorologias testadas e com registro nos prontuários, seguidos pela hepatite e Citomegalovírus + tuberculose.

De acordo com a evolução clínica e contagem de CD4, testes virológicos (cultura e testes sorológicos para detecção de Citomegalovírus e vírus do Herpes e testes microbiológicos) não são aplicados, de acordo com Rocha (1997)13. Devido a este pré-requisito e ao fato dos pacientes estarem sob terapia anti-retroviral, 61,10% dos prontuários encontram-se sem registro.

 

Tabela 6: Distribuição das principais afecções que acometem idosos portadores de SIDA AIDS

SOROLOGIA                                                                                           n=18
                                     (n)              %
Hepatite                                     1              5,56
Citomegalovírus                                     1              5,56
Toxoplasmose                                     0              0
Rubéola                                     0              0
Sífilis                                     0              0
Tuberculose                                     0              0
Citomegalovírus + Toxoplasmose                                   4              22,22
Citomegalovírus + Tuberculose                                   1              5,56
Sem registro                                   11              61,10
Total                                   18             100              

Fonte: Hospital Escola Dr. Hélvio Auto – Maceió – Al, 2008

 

 

CONCLUSÃO

Os resultados encontrados, apesar de não confirmarem a hipótese da existência de uma alta prevalência de idosos com SIDA AIDS atendidos no HEHA, mostram a magnitude do problema e a necessidade de uma abordagem mais ampla para o real entendimento da epidemia na terceira idade. São necessárias mudanças no foco da prevenção, diagnóstico e tratamento; não a restringindo aos jovens.

O crescimento de casos de idosos com SIDA AIDS coloca um grande desafio à medicina e aos governos. Isso porque algumas peculiaridades precisam ser consideradas no que diz respeito ao tratamento e às políticas de prevenção específicas para esta faixa etária.

Os vários fatos identificados por este estudo devem ser aprofundados incentivando pesquisas comportamentais de vulnerabilidade relacionadas à infecção. Desta forma, será possível o monitoramento da epidemia para evitar a existência de casos subnotificados ou de notificação retardada, o que dificulta ou impede a real visão epidemiológica acerca do comportamento da SIDA AIDS em idosos.



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