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O Uso da Corrente Microgalvânica no Tratamento de Rugas: Uma Revisão

O Uso da Corrente Microgalvânica no Tratamento de Rugas: Uma Revisão

A pele constitui uma barreira contra agressões exógenas, de natureza química ou biológica, impede a perda de água e de proteínas para o exterior e também age como órgão sensorial, além de participar do sistema imunológico, da regulação da temperatura corpórea e produção de vitamina D3. Embora represente menos de 15% do peso corporal é considerada o maior órgão do corpo humano, pois possui extensão correspondente a uma área de 2m2 e encontra-se dividida em três camadas distintas: epiderme, derme e hipoderme1,2.

A epiderme é camada mais externa e é constituída por células que fabricam e acumulam a queratina (uma proteína resistente e impermeável). A derme é responsável pela resistência e elasticidade da pele. É um tecido conjuntivo composto principalmente por fibroblastos, que são células produtoras de colágeno e elastina. A hipoderme também chamada de tecido celular subcutâneo atua como isolante térmico reserva energética e fornece proteção contra choques mecânicos 3,4.

O órgão que mais revela o envelhecimento é a pele, sendo também o mais acessível ao estudo dos processos que levam ao envelhecimento5.

O envelhecimento constitui o conjunto de modificações fisiológicas irreversíveis e inevitáveis acompanhadas de uma mudança do nível de homeostasia1. A manifestação fisiológica do envelhecimento é a deteriorização gradual da função e capacidade de reposta dos estresses ambientais. Esta manifestação está relacionada tanto a uma redução no número total das células do organismo, quanto ao funcionamento desordenado das muitas células que permanecem. O colágeno, componente fundamental do tecido conjuntivo, torna-se gradualmente mais rígido; a elastina, outro componente do mesmo tecido, vai perdendo a sua elasticidade natural devido à redução do número de fibras elásticas e de outros componentes no tecido conjuntivo. O declínio das funções do tecido conjuntivo faz com que as camadas de gordura sob a pele não consigam manter-se uniformes e a degeneração das fibras elásticas, aliada à menor velocidade de troca e oxigenação dos tecidos provoca a desidratação da pele dando como resultado as rugas5.

As principais manifestações do envelhecimento são o aparecimento de rugas, linhas de expressão, sulcos e atrofia, ressecamento, flacidez, hiper e hipopigmentação e alteração da vasculatura, inervação e espessura da pele 2.
Rugas são sulcos ou pregas da pele que aparecem principalmente por efeito do avanço da idade6.
Devemos lembrar que a barreira de proteção contra a radiação ultravioleta (UV) está extremamente prejudicada, uma vez que há uma diminuição no número de melanócitos ativos. A diminuição na taxa de renovação celular e reparação de pele elevam o tempo de cicatrização das feridas que pode chegar a duas ou três vezes mais do que o de uma pessoa jovem. Assim sendo, a derme envelhecida se torna um tecido rígido, inelástico e irresponsível à tensão, com menor capacidade de resposta a estresse ou trauma7.

As rugas são divididas em superficiais e profundas. Quando estiramos a pele as primeiras desaparecem e as segundas não desaparecem1.

Na ruga superficial há diminuição ou perda das fibras elásticas na derme papilares sendo as fibras finas e enroladas, não havendo diferença entre a área da ruga e a sua vizinhança. O tratamento das rugas apresenta um caráter mais preventivo que curativo. Devido ao processo fisiológico as rugas não podem ser evitadas, embora existam medidas para retardá-las. Nas rugas profundas permanentes existem fibras elásticas grossas e tortuosas, além da elastose na derme, sendo que as alterações são restritas quase que exclusivamente à área das rugas5.

As rugas ou linhas de expressão também classificadas como rugas de grau 1 não possuem alteração dermoepidérmica, são agrupamentos faciais típicos na região do canto dos olhos, chamados popularmente de “pé de galinha”8. Decorrentes de movimentos repetitivos dos músculos da expressão facial, e aparecem com o movimento5.

As rugas estáticas ou rugas de grau 2 possuem alteração dermoepidérmica7. Aparecem mesmo na ausência de movimento, e podem ser entendidas como a fadiga das estruturas que constituem a pele, em decorrência da repetição de movimentos1.

As rugas gravitacionais ou rugas de grau 3 possuem alteração dermoepidérmica e do tecido subcutâneo8. Causada pela degradação da pele e pela perda da elasticidade, decorrem da flacidez do envelhecimento facial, que em conjunto com diversas alterações culminam com a ptose da estruturas da face5.
“LINFTING” é uma palavra inglesa que significa “levantamento”. Em dermoestética se utiliza para designar um tratamento que tem como finalidade produzir um levantamento da pele e de estruturas adjacentes com fim de prevenir rugas, flacidez e envelhecimento cutâneo9.

Eletrolifiting é uma técnica desenvolvida em 1952, com finalidade de produzir um “levantamento” da pele e estruturas adjacentes, daí a expressão lifting8. Esta técnica também pode ser chamada de “Galvanopuntura” ou “Microgalvanopuntura”. O tratamento visa à atenuação das rugas e linha de expressão, baseado nos efeitos fisiológicos da corrente galvânica5.

É uma técnica em que se utilizam microcorrentes variáveis de baixa freqüência, com impulsos de baixa duração e intensidade, com a finalidade de produzir um levantamento dos extratos mais superficiais e prevenir desta forma o envelhecimento cutâneo10.

Essa técnica baseia-se em modificações fisiológicas provocadas pelo estímulo elétrico, ocasionado pela corrente galvânica, tendo ação sobre as proteínas que se encontram dispersas na substância fundamental do tecido conjuntivo na derme. No ato da liberação da corrente galvânica, são provocadas modificações eletroquímicas ao redor da agulha (pólo ativo), alcançando o ponto isoelétrico de algumas proteínas orgânicas, fazendo com que as mesmas venham a se precipitar, o que levará uma estabilização e incrementação protéica, à medida que as sessões sejam efetuadas, reorganizando, dessa forma o tecido conjuntivo da derme local 11.
Trata-se de um método invasivo, porém muito superficial que reúne os efeitos de um eletrodo em forma de agulha, associados aos de uma corrente contínua8.

Para o procedimento dessa técnica é necessário um equipamento emissor de corrente contínua (galvânica), medida em miliamperagem (mA), tendo como acessórios dois eletrodos, um ativo e outro passivo. No eletrodo ativo, que mantém contato direto sobre a região de tratamento, utiliza-se uma caneta porta-agulha, onde é adaptado uma micro agulha (descartável), que de acordo com o modelo da caneta, poderá se apresentar com tamanho e calibragem diferenciada. Já o eletrodo passivo fará contato com o corpo do(a) paciente, tendo em seu terminal uma placa de silicone carbono embebida  em gel inócuo ou um eletrodo de metal (tipo placa) ou ainda, um bastonete de metal, devendo os dois últimos modelos serem envoltos por um chumaço de algodão embebido em água, o que aumentará a condutividade da corrente elétrica. O pólo passivo deverá estar o mais próximo possível da área a ser tratada, o que diminui o percurso da corrente 11.

O objetivo mais amplo do uso do eletrolifting é suavizar, atenuar e eliminar alterações das linhas de expressão que se formam na face devido à contração dos músculos, atuando em nível celular restaurando a camada colágena e estimulando a produção de elastina, utilizando justamente a mesma arma que a pele utiliza: microcorrentes. O objetivo do procedimento puntural do eletrolifting é provocar uma lesão tecidual onde, associando-se aos efeitos galvânicos da microcorrente contínua, é produzido um processo inflamatório que será responsável pelo efeito de reparo nas rugas. A ponta da agulha provoca uma lesão traumática na pele (epiderme), ocorrendo ainda uma necrose tecidual em virtude do componente galvânico da corrente contínua. A lesão das células do estrato espinhoso obriga o organismo a uma ação reparadora. Havendo assim uma dilatação dos pequenos vasos da derme, correspondente à região lesada, resultando num edema discreto8.

O procedimento técnico consiste da estimulação das rugas e linhas de expressão de forma individual até que seja obtida uma hiperemia em todo o trajeto da ruga. A estimulação química dos capilares da pele determina uma hiperemia ativa e o conseqüente aumento da circulação local5. A hiperemia e edema são típicos de qualquer processo inflamatório devido às substâncias locais liberadas pela lesão, provocando, assim uma vasodilatação e um aumento da permeabilidade dos vasos12. Desta forma, são intensificados os processos metabólicos, a nutrição, a função e a regeneração do tecido subepidérmico5.

Conforme os procedimentos técnicos (para a execução do eletrolifting podem ser divididos em três grupos):

– deslizamento da agulha dentro do canal da ruga;
– penetração da agulha em pontos adjacentes e no interior da ruga;
– escarificação – método de deslizamento da agulha no canal da ruga diferencia-se pela agulha ser posicionada a noventa graus, ocasionando uma lesão do tecido5.

O estímulo físico ocasionado pela penetração da agulha desencadeia um processo de inflamação aguda, que é de grande interesse no nível de regeneração tecidual. As três técnicas produzem resultados animadores, atenuando sobremaneira as rugas e linhas de expressão. Entretanto, as duas técnicas que desencadeia um processo inflamatório (invasiva e de escarificação), proporcionam resultados mais rápidos5.

Métodos

O presente estudo trata-se de uma revisão bibliográfica sobre o uso da corrente microgalvânica no tratamento de rugas. As referências utilizadas tiveram fontes primárias e secundárias: Medline, Embase, Scielo, Ovid, Blackwell, Lilacs, Livros, através das palavras-chaves Eletrolifting – Rugas – Microcorrente galvânica.  As referências utilizadas variam entre os períodos de 1997 a 2008, sendo que algumas fazem uma abordagem geral com relação ao tema e outras apresentam conteúdo mais específico. A língua utilizada de escolha foi o português e espanhol. O levantamento bibliográfico, a seleção das referências e a redação do trabalho foram realizados pelos pesquisadores.

Discussão

WINTER13 relatou que o procedimento de penetração nas rugas deve ocorrer introduzindo-se a agulha na pele da cliente com uma angulação de 45º, levanta-a, produzindo suave deslocamento, aguardando de 3 a 5 segundos, até que a pele comece a esbranquiçar. Abaixa-se a agulha, deixando a pele em sua posição natural, e por fim retira-a.

O tempo para cada punturação deverá ser de segundos. Esta regra persiste quanto maior for à idade cronológica, pois, nos biótipos com boa hidratação, o tempo de cada punturação poderá ser de 3 segundos 8.

Deve-se limpar a pele com álcool antes da introdução das agulhas devendo-se estender estes procedimentos de assepsia às agulhas.

Quanto à intensidade da corrente, encontramos algumas divergências. SILVA14 orientou regular a amperagem na faixa de aproximadamente 180 até 200 microampéres, e 74 microampéres para peles sensíveis, endérmicas e alípicas; e 86 microampéres para peles mais resistentes, lipídicas e seborréicas.

GUIRRO5 relata que a intensidade da corrente utilizada 300 microampéres, e o procedimento não é invasivo.

Na prática clínica, encontramos comumente profissionais de fisioterapia utilizando cerca de 150 a 200 microampéres para rugas. Estes valores normalmente variam segundo o grau de sensibilidade de cada paciente 8.

Considerações Finais

O eletrolifting é um recurso pouco utilizado na pratica fisioterapêutica e também apresenta referencial bibliográfico escasso. A respeito da técnica de aplicação, o eletrolifting na literatura apresenta resultados satisfatórios, porém mostra muita divergência dos autores na melhor amperagem utilizada da corrente assim não comprovando um melhor parâmetro específico. Acreditamos que a amperagem adequada utilizada para o paciente seja aquela que corresponde melhor resultado para seu tipo de pele, levando em consideração o tempo de aplicação.
Acredita-se que há necessidade de outros estudos do uso da microcorrente galvânica sobre as linhas de expressão e uma melhora na metodologia utilizada, visando resultados satisfatórios e fidedignos.

Referências Bibliográficas

1. KEDE, M. P. V.; SABATOVICH, O. ; Dermatologia Estética. 1 ed. São Paulo: editora Atheneu, 2004; 1,4: 3-7, 45-49.

2. PEREIRA, J. M.; KOERICH, M. H. L.; SABATINI, M. T.; SILVA, R. C.: A utilização de microcorrentes no envelhecimento cutâneo. Fisiobrasil. São Paulo. n° 87. P. 22-24. Fevereiro de 2008.

3. BAENA, Elisandra. G. A utilização da corrente galvânica (eletrolifting) no tratamento do envelhecimento facial. Universidade Estadual Do Oeste do Paraná. Cascavel. 2003.

4. VENTURA, Danielle. B. S., SIMÕES, N. P. O uso da corrente galvânica filtrada em estrias atróficas.FisioBrasil, São Paulo, n° 62. P 7-9. Nov/Dez 2003.

5. GUIRRO, E. C. O., GUIRRO, R. R. J. Fisioterapia Dermato-Funcional: Fundamentos, Recursos e patologias.3ª ed. Revisada e ampliada. São Paulo: Manole, 2004. 1,11: 3-18, 281-298.

6.  SORIANO, M. C.; PÉREZ, S. C.; BAQUÉZ, M. I. C. Electroestética professional Aplicada: teoria y practica para la utilización de corrientes em estética. Espanha: Sorisa, 2000, p. 392.

7. ZUCCO, Fabíola; Acupuntura estética no tratamento de rugas. 2004. Disponível em: www.fisioweb.com.br Acesso em: 27/08/2007

8. BORGES, Fábio, Dermato-funcional: Modalidades terapêuticas nas disfunções estéticas. 1° ed. São Paulo: Phorte , 2006; 10: 229 – 233

9. SILVA, Mariângela T., Eletrolifting. São Paulo: Ed. Vida Estética, 1998. p.31

10. MIEDES, J.L.L. – Electroestática. Ed. Videocinco: Madrid, 1999. p. 63-66.

11. RUSENHACK, Cácia, Terapia por microgalvânica em dermato-funcional. Fisio&terapia. São Paulo, n°44, p.24-26, abr/mai. 2004.

12. SANTOS, C. M.; SIMÕES, N. D. P. Tratamento estético da estria através da microgalvanopuntura.. 2004.Disponível em: www.ibrate.com.br Acesso em: 27/08/2007

13. WINTER, W. R., Eletrocosmética. Rio de Janeiro: Vida Estética, 3ª Ed. 2000, p. 129-133.

14. SILVA, M. T., Eletroterapia em estética corporal . São Paulo: Robe, 1997. p. 5 – 8.



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