Digite sua palavra-chave

post

O Efeito da Estimulação Diafragmática Elétrica Transcutânea em Pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

O Efeito da Estimulação Diafragmática Elétrica Transcutânea em Pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

INTRODUÇÃO

Segundo Spruit et al.i, a doença pulmonar obstrutiva crônica é definida pela restrição gradual do fluxo aéreo, indefinidamente irreversível. A DPOC expõe manifestações como a tosse crônica e dispneia, podendo ser seguida de manifestações sistêmicas como a redução da capacidade funcional, angústia, depressão, problemas de origem óssea e distúrbios musculares respiratórios. A perda de peso e a perda de massa muscular, que estão presentes em 20 a 35% dos pacientes com DPOC estável, contribuem para a morbidade e a mortalidade na DPOC, independente da anormalidade fisiológica pulmonar.

Mckenzie et al.ii, relataram que as funções dos músculos inspiratórios são comprometidas na DPOC decorrente ao aumento de cargas, redução da vantagem mecânica e aumento das exigências ventilatórias. A hiperinsuflação da DPOC reduz o fluxo e a capacidade de geração de pressão do diafragma. Isso é compensado por um aumento de três vezes no drive neural, adaptações da parede torácica e do formato do diafragma para acomodar o aumento do volume e as adaptações das fibras musculares para preservar a força e aumentar a resistência. O alongamento paradoxal da margem costal inferior durante a inspiração na DPOC grave (sinal de Hoover) correlaciona-se com o drive inspiratório elevado e a obstrução ao fluxo aéreo grave, em vez da contração das fibras do diafragma radialmente orientadas. Os músculos inspiratórios permanecem altamente resistentes à fadiga em pacientes com DPOC, e o desenvolvimento definitivo da insuficiência ventilatória está associado à condução central insuficiente. O sono está associado à redução do drive respiratório e à deterioração da função pulmonar e da parede torácica, que são exageradas em pacientes com DPOC. Os músculos inspiratórios se adaptam ao carregamento crônico com uma proporção aumentada de fibras lentas, resistentes à fadiga, aumento da capacidade oxidativa e redução da área transversal da fibra, mas a capacidade do diafragma de aumentar a ventilação no exercício fica comprometida na DPOC. Na DPOC, o drive neural para o diafragma aumenta para níveis quase máximos no exercício, mas não desenvolve fadiga muscular periférica.

Segundo Alves et al.iii, quando a hiperinsuflação ocorre na DPOC, ela reduz o fluxo e a capacidade de geração de pressão do diafragma, que é compensada pelo drive neural, adaptações da parede torácica e formato do diafragma para acomodar o aumento do volume e adaptações das fibras musculares para preservar força e aumentar a resistência. Além da fraqueza muscular, esses pacientes apresentam algumas anormalidades no padrão respiratório e no movimento toracoabdominal que podem contribuir para a limitação do exercício.

Tao et al.iv, citam que a dispneia e a intolerância ao exercício podem ser impostas tanto devido à restrição ventilatória, como também pelo distúrbio musculoesquelético desencadeado pelo descondicionamento físico. O déficit da massa muscular é um aspecto com propensão a mais para a mortalidade desses indivíduos.

Nessa contextualização, há novas abordagens para a reabilitação desses pacientes, como a estimulação elétrica que promove externamente as contrações dos músculos periféricos para a melhora da função muscular periférica em pacientes com DPOC gravev.

Em pacientes restritos ao leito, entre eles os pacientes DPOC, demonstrou que ocorre uma diminuição de força entre 1% a 1,5% ao dia, podendo chegar a um valor de 1,3% a 5,5% ao dia. Existe uma variação de grupos musculares e com atrofia imediata de fibras tipo I e atrofia das fibras tipo II após um maior período de desuso decorrente dessa disfunção musculoesquelética oriunda da imobilidadevi.

Há uma escassez de dados em relação a epidemiologia da insuficiência respiratória aguda com necessidade de ventilação mecânica (VM) em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica grave (DPOC), entretanto, a pesquisa de Damasceno et al.vii realizada em 40 UTI’s brasileiras, distribuídas por todo o país, com 390 pacientes internados, sendo 217 em ventilação mecânica, revelou que em 5,5% dos pacientes a ventilação mecânica foi determinada pela doença pulmonar obstrutiva crônica.

Estima-se que entre adultos acima de 40 anos ocorra uma predominância de 12% de indivíduos com DPOC e que nas últimas duas décadas a partir de 1990, os casos de mortes tenham se elevado, fazendo figurar-se, o DPOC; como o 8° no ranking de patologias que mais levam ao óbito mundialmenteviii. Prevê-se que a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) se torne a terceira causa de morte e a quinta causa mais comum de incapacidade no mundo até 2020ix.

Por causa do aumento do número de mortes por DPOC, como supracitado, desde o final dos anos noventa, um número crescente de trabalhos tem sido publicado descrevendo características funcionais, estruturais e metabólicas alteradas em biópsias de diafragma de pacientes com DPOCx,xi. É importante ressaltar que várias dessas alterações já ocorrem precocemente no curso da doença11, xii, xiii, xiv e mostram uma forte correlação negativa com a força muscular respiratória.

Pacientes com DPOC têm uma menor capacidade geradora de pressão transdiafragmática do que indivíduos saudáveisxv, o que foi atribuído ao encurtamento do diafragma induzido por hiperinsuflação, colocando o diafragma em desvantagem mecânica. Quando compensada pelo comprimento muscular reduzido, sugeriu-se que a função do diafragma seja preservada ou melhorada na DPOC grave.xvi

Estudos revelam que técnicas de mobilização precoce nesse tipo de indivíduos com diminuição de força muscular e diminuição da capacidade respiratória, são capazes de melhorar a força muscular e independência funcional, diminuindo o tempo de suporte de ventilação mecânica, reduzindo sua permanência na UTI e o tempo de internação hospitalar aumentando a capacidade cardiorrespiratória a longo prazoxviixviii.

A elaboração do presente estudo justifica-se no sentido de analisar na literatura disponível a existência de pesquisas que relatam a associação das técnicas de EDET em pacientes com DPOC. Dessa forma, questiona-se: Quais os benefícios da estimulação diafragmática elétrica transcutânea para pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica?

O objetivo do presente estudo foi conhecer os benefícios da estimulação diafragmática elétrica transcutânea em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica.

A contribuição desse estudo está nas compreensões das restrições e agravamento respiratório e físico desses pacientes e em ferramentas de intervenção que visa a prevenção, facilitação no processo de desmame e alta hospitalar dos pacientes DPOC.

MATERIAIS E MÉTODOS

O presente trabalho caracteriza-se como revisão bibliográfica acerca da produção científica de literatura fundamentada em artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais sobre os benefícios da estimulação diafragmática elétrica transcutânea em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica.

A pesquisa foi feita na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) que abrange todas as bases de dados virtuais nacionais e internacionais em saúde, como LILACS, MEDILINE, IBECS, BDENF e SCIELO. Os descritores previstos no Decs (Descritores em Ciências da Saúde) são: DPOC, estimulação diafragmática elétrica transcutânea.

Os critérios de inclusão envolveram artigos, publicados nos últimos dez anos, que traziam estudos de caso, com textos completos em português e inglês disponíveis, com acesso gratuito, que abordaram o tema sobre os benefícios da estimulação diafragmática elétrica transcutânea em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica, sendo excluídos os artigos que não contemplaram os critérios de inclusão, ou seja, artigos que não tinham textos completos em português e inglês, que eram revisão de literatura, com acesso gratuito, que não abordaram o tema sobre os benefícios da estimulação diafragmática elétrica transcutânea em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica ou estudos que abordaram sobre uso de animais em seus experimentos.

RESULTADOS

Foram encontrados 122 artigos, sendo que desses, apenas 04 fizeram parte do estudo, por estarem de acordo com os critérios de inclusão, especialmente por usarem o método de estudo de casos com uso de estimulação diafragmática transcutânea. A maioria dos artigos excluídos não traziam o assunto de inclusão (DPOC), não eram estudos de casos e tratavam de EDNM. Os artigos selecionados são apresentados a seguir.

Tabela 1:

Ano

Autor

Objetivo

Método

Resultados

2012

Nohama P et al.

Avaliar quali-quantitativamente os efeitos da estimulação diafragmática transcutânea sincronizada em portadores de DPOC

Estudo piloto com seis voluntários, de ambos os sexos, portadores de DPOC

A estimulação elétrica diafragmática sincronizada pode promover resultados positivos em portadores de DPOC.

2013

Cancelliero-Gaiad KM et al.

Avaliar o padrão respiratório durante uma sessão de EDET em pacientes com DPOC

Ensaio Clinico Transversal

A EDET foi benéfica no aumento dos volumes pulmonares em um subgrupo de pacientes com DPOC com maior hipoxemia e FC; no entanto, independentemente do aumento dos volumes pulmonares, o TEDS aumentou a SpO2 e reduziu a FC.

2016

Martinelli B et al.

Identificar as alterações após estimulação diafragmática elétrica transcutânea pela corrente russa em indivíduos portadores de DPOC.

Estudo prospectivo, quase experimental, realizado com 13 DPOC

A estimulação elétrica diafragmática por meio da corrente russa promove benefícios significativos ao portador de DPOC, proporcionando melhora respiratória e funcional.

2016

Borges CS et al.

Verificar os efeitos de um protocolo de eletroestimulação na recuperação da musculatura respiratória em pacientes com DPOC

Estudo de casos

A aplicação do protocolo de eletroestimulação associado à fisioterapia convencional, pode melhorar a força da musculatura respiratória e qualidade de vida de pacientes

DISCUSSÃO

A EDET tem demonstrado efeitos positivos em pacientes com fraqueza e disfunção muscular respiratória, fato recorrente em pacientes com DPOC. Associada a outros recursos de abordagem fisioterapêutica, a EDET mostra-se eficaz na desobstrução brônquica e no reequilíbrio toracoabdominal, prevendo infecções respiratóriasi, todavia, faltam estudos mais claros e consistentes dessa abordagem em indivíduos com DPOC.

Nohama et alii., desenvolveram um sistema de estimulação elétrica controlado pelo sinal respiratório, a partir das variações de temperatura durante os eventos de inspiração e expiração, medidas por meio de dois termistores do tipo NTC inseridos dos lados interno e externo de uma máscara de respirador. Seis voluntários portadores de DPOC, de ambos os sexos, com idade entre 56 e 71 anos, foram submetidos a 10 sessões estimulatórias de 20 minutos. O padrão do sinal estimulatório continha pulsos com duração de 90 µs e repouso de 400 µs, gerados em intervalos regulares e modulados em bursts com período ativo de 1470 µs e inativo de 600 µs, apresentando perfil trapezoidal com tempos de subida, descida e platô de 500 ms cada. Todos os pacientes foram submetidos a uma avaliação inicial contendo: teste de força muscular respiratória avaliada por meio de PImáx e PEmáx, teste de função pulmonar e aplicação do questionário de qualidade de vida SGRQ. Após 10 sessões, houve um aumento na força muscular inspiratória em todo os pacientes, onde a PImáx sofreu um incremento médio de 66,67 ± 12,11 cmH2O para 91,67 ± 25,03 cmH2O, a PEmáx de 92,50 ± 10,84 cmH2O para 116,67 ± 8,16 cmH2O. Os autores também observaram melhora da qualidade de vida no domínio sintoma, de 49,10 ± 19,40 para 28,60 ± 25,20; no domínio atividade, de 83,40 ± 12,50 para 67,57 ± 18,80; no domínio impacto, de 54,10 ± 11,34 para 38,00 ± 27,07; e escore total, de 65,50 ± 7,60 para 44,47 ± 22,31. A partir desses resultados, os autores concluíram que a estimulação elétrica diafragmática sincronizada pode promover resultados positivos em portadores de DPOC.

Guerri et al.iii, demonstraram que a perda de massa muscular respiratória específica da DPOC grave é uma variável preditiva de suscetibilidade e / ou conseqüência de exacerbação grave e probabilidade de hospitalização para pacientes com DPOC e que disfunção muscular respiratória em pacientes com DPOC não é meramente descritiva ou descrição anedótica. Esses autores apontaram que a identificação dessas alterações estruturais em pacientes com DPOC suscetíveis pode ter implicações importantes para estratégias específicas, como o treinamento muscular respiratório ou tratamentos anabólicos. Isso mostra que o tratamento fisioterapêutico deve incluir treinamento muscular respiratório. A aplicação do TEDS estimula fibras rápidas que são reduzidas em pacientes com DPOC.

Cancelliero-Gaiad et al.iv, avaliaram o efeito da estimulação diafragmática elétrica transcutânea (EDET) sobre a força e endurance muscular respiratória, expansibilidade toracoabdominal e variáveis espirométricas de oito indivíduos com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), que foram submetidos à fisioterapia respiratória e receberam tratamento com EDET duas vezes por semana durante 06 semanas, totalizando 12 sessões. Antes e depois do tratamento eles foram avaliados pelos seguintes parâmetros: pressão inspiratória máxima (PImáx); pressão expiratória máxima (PEmáx); cirtometria axilar, xifoideana e abdominal; e espirometria. Após o teste ShapiroWilk, o teste t de Student pareado e o teste Mann-Whitney foram aplicados para a comparação dos dois estágios (antes e após a EDET). Para a comparação dos estágios antes, após (pós 1ª sessão), 1ª, 2ª, 3ª e 4ª semana, a ANOVA seguida do teste de Tukey foram aplicados (p<0,05). De acordo com os resultados obtidos pelos autores foi observado que a EDET promoveu aumento significativo em: PImáx (47,3%); PEmáx (21,7%); cirtometria axilar (55,5%); xifoideana (59,2%) e abdominal (74,2%), mas não nas variáveis espirométricas. Na análise longitudinal (nas 4 semanas seguintes) o aumento encontrado na PImáx e na expansibilidade toracoabdominal foi mantido. Os autores concluíram que a EDET promoveu melhora na força muscular respiratória e na expansibilidade toracoabdominal em pacientes com DPOC sem alteração nas variáveis espirométricas e alguns parâmetros foram mantidos nas quatro semanas seguintes.

Silva e Vieirav destacam que a eletroterapia clássica tem objetivo terapêutico para melhorar e estimular tecidos afetados pela DPOC e quando aplicada na superfície da pele pode provocar contração muscular igual à contração voluntária fisiológica.

Martinelli et al.vi, identificaram as alterações após estimulação diafragmática elétrica transcutânea pela corrente russa em 13 indivíduos portadores de DPOC. A estimulação diafragmática se deu pelo Endophasys R ET 9701 por quatro meses, duas vezes por semana, com 30 sessões. O tempo de terapia e frequência para cada sessão foram: 18 min. (20 a 30 Hz) e 12 min. (70 a 100 Hz), respectivamente. Ao final da intervenção houve mudanças no: volume minuto de 14,47±4,72 para 13,03±4,00 L/min.; índice BODE de 3,92±2,10 para 3,23±1,87; e distância no teste de caminhada de 6 minutos (TC6) de 336±76,36 para 402,76±51,29 m. Concluiu-se que a estimulação elétrica diafragmática por meio da corrente russa promove benefícios significativos ao portador de DPOC, proporcionando melhora respiratória e funcional.

A eletroestimulação neuromuscular (ES) pode ser uma estratégia alternativa para aumentar o trabalho muscular realizado em pacientes gravemente incapacitadosvii. Investigações desde a década de 1980 mostraram seus benefícios musculares em humanos saudáveisviii, ix ou em pacientes com fraqueza muscular associada a atrofia e inervação intactax. Estudos mais recentesxi, xii mostraram um efeito benéfico interessante do SE em pacientes com insuficiência cardíaca crônica em termos melhoria da força e resistência, bem como adaptações circulatórias centrais e aumento da capacidade aeróbica. Finalmente, resultados preliminares foram fornecidos por vários estudosxiii em pacientes com DPOC em reabilitação, mostrando que a força muscular melhorou significativamente a força muscular (2,16 ± 1,02 vs 1,25 ± 0,75, p = 0,02) e RR (- 1,91 ± 1,72 vs 0,41 ± 1,88, p = 0,004) e diminuiu o número de dias necessários para transferir da cama para a cadeira (10,75 ± 2,41 dias vs 14,33 ± 2,53 dias, p = 0,001)xiv.

Um exemplo de estudo realizado para testar e comprovar a eficácia da eletroestimulação foi o realizado por Miller e Thépaut-Mathieuxv, para saber se a sobrecarga imposta ao sistema neuromuscular sob eletroestimulação (ES) pode ser expressa pela intensidade da corrente aplicada ou pelo torque eletricamente evocado (EET) e qual desses dois parâmetros é o que é determinante para a eficácia do treinamento por ES. Os 16 sujeitos treinados receberam 15 sessões de 25 contrações eletricamente evocadas, utilizando uma corrente de onda retangular monofásica na frequência de 2500 Hz modulada a 90 Hz. Cada estimulação durou 5 segundos na corrente máxima tolerável. Ao contrário do grupo controle (n = 16), o grupo treinado aumentou significativamente a CIVM (15,6%). Os ganhos individuais de força variaram de -5% a 49%. Uma relação direta foi estabelecida entre o EET e os ganhos de força (um limite mínimo de EET deve ser alcançado durante pelo menos 8 sessões para induzir aumentos de força). O “princípio da sobrecarga”, descrito para fortalecimento da contração voluntária, parece adequado para a estimulação elétrica e diz respeito à EET mostrada no ergômetro como efeito da contração dos músculos agonistas e antagonistas.

Cancelliero et al.xvi, cita que os parâmetros para a aplicação da EDET em humanos são: corrente modulável com tempo de subida de 1 s; tempo de sustentação da contração de 1 s; tempo de relaxamento de 2 s; frequência da corrente entre 25 e 30 Hz; largura de pulso entre 0,1 e 10 ms; eletrodos fixados em pontos paraxifoideos ou intercostais na linha média axilar; intensidade mínima para obter a contração; tempo de estimulação de 20 min. Porém, conforme já exposto, na prática clínica da fisioterapia observam-se diferentes parâmetros, carecendo a comprovação científica da efetividade dos protocolos.

Borges et al.xvii, verificaram os efeitos de um protocolo de eletroestimulação na recuperação da musculatura respiratória em dois pacientes com DPOC, submetidos à fisioterapia convencional associada à eletroestimulação respiratória, duas vezes por semana durante 08 semanas. Foram avaliadas as pressões respiratórias máximas utilizando o manovacuômetro e a qualidade de vida através do questionário do hospital Saint George, antes e após o tratamento. Observou-se que os dois pacientes apresentaram aumento na PImáx (caso 1:de -35 cmH2O para -50 cmH2O, representando uma evolução de 43%; caso 2: de -80 cmH2O para -120 cmH2O equivalente a um ganho de 50%) e na PEmáx (caso 1: de 40 cmH2O para 70 cmH2O, aumentando 75%; caso 2: de 90 cmH2O para 100 cmH2O, evoluindo 11%) e na qualidade de vida, principalmente nos quesitos atividades (caso 1: 81%; caso 2: 67%) e impacto (caso 1: 50%; caso 2: 100%). As autoras consideraram que a aplicação do protocolo de eletroestimulação associado à fisioterapia convencional, pode melhorar a força da musculatura respiratória e qualidade de vida de pacientes.

Nohama et al.18, citam que são poucos os trabalhos realizados nessa área, relacionados à estimulação elétrica, posto que essa técnica é, ainda uma opção inovadora de reabilitação diafragmática e na capacidade ventilatória, promovendo um melhor desempenho no recrutamento muscular, potencializando a fase inspiratória através da estimulação elétrica.

Observa-se que os resultados dos estudos são similares, mas todos comprovam a eficácia da EDET em pacientes com DPOC. Os estudos de revisão de literatura, mencionados para reforçar a eficácia da EDET enquanto estimulador da força muscular respiratória, também ressaltam o sucesso da aplicação dessa técnica, ainda que em outras patologias que não a DPOC.

Em todos os estudos observou-se a ampliação da capacidade respiratória, melhoria da força muscular e da qualidade de vida dos doentes e isso é o objetivo da EDET quando usada como técnica fisioterápica: trazer conforto respiratório e alívio aos pacientes.

CONCLUSÃO

Não há muitos estudos sobre a aplicação da EDET em pacientes DPOC, o que acende a necessidade de elucidação do comportamento do padrão respiratório nessas circunstâncias. Porém, a EDET pode ser um caminho promissor e incorporar-se a outros procedimentos e protocolos em indivíduos com disfunção muscular diafragmática sendo necessário pesquisas com maior número de indivíduos e melhores critérios para maior segurança dos pacientes.

Os estudos relatados no presente trabalho permitem concluir que a utilização da EDET em pacientes com DPOC, auxilia na melhora da capacidade funcional, força muscular periférica e respiratória reduzindo a sensação de fadiga e dispneia.

Não foram observadas situações prejudiciais ou contraindicações que impeçam o uso da técnica quando bem recomendadas. A maior dificuldade desse estudo foi encontrar outros estudos de casos usando a EDET em pacientes com DPOC, tanto na literatura científica brasileira como internacional. A maioria dos estudos remonta ao início dos anos de 1980, quando então essa técnica foi descoberta. São necessários, como já dito acima, mais estudos, que envolvam maior número de pacientes, de forma que se comprove definitivamente a eficácia e os benefícios da técnica EDET em pacientes com DPOC.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Spr49.uit MA, Burtin C, Boever P, et al. COPD and exercise: does it make a difference? Breathe. 2016;12(2):e38-e

2. McKenzie DK, Butler JE, Gandevia SC. Respiratory muscle function and activation in chronic obstructive pulmonary disease. Journal of applied physiology, 2009; 107(2), 621-629.

3. Alves GS, Britto RR, Campos FC, Vilaça AB, Moraes KS, Parreira VF. Breathing pattern and thoracoabdominal motion during exercise in chronic obstructive pulmonary disease. Braz J Med Biol Res. 2008;41(11):945-50.

4. Tao YX, Wang L, Dong XY et al. Psychometric properties of the Physical Activity Scale for the Elderly in Chinese patients with COPD. International Journal of Chronic Obstructive Pulmonary Disease – COPD. 2017; 12:105-114.

5. Wijkstra PJ, Wempe JB. New tools in pulmonary rehabilitation. Eur Respir J. 2011; 38 (6): 1468-1474

6. Honkonen SE, Kannus P, Natri A, Latvala K, Järvinen MJ. Isokinetic performance of the thigh muscles after tibial plateau fractures. Int Orthop. 1997; 21:323-326.

7. Damasceno MPCD, David CMN, Souza PCSP, et al. Ventilação mecânica no Brasil: aspectos epidemiológicos. Rev bras ter intensiva, 2006; 18(3), 219-28.

8. Garvey C et al. Pulmonary hehabilitation exercise prescription in chronic obstructive pulmonary disease: Review of selected guidelines. Journal of Cardiopulmonary rehabilitation and prevetion 2016; 36: 75-83.

9. Lopez AD, Murray CC. The global burden of disease, 1990-2020. Nat Med 1998, 4: 1241–1243.

10. MacGowan NA, Evans KG, Road JD, Reid WD: Diaphragm injury in individuals with airflow obstruction. Am J Respir Crit Care Med 2001, 163:1654–1659.

11. Ottenheijm CAC, Heunks LMA, Hafmans T, van der Ven PF, Benoist C, Zhou H, Labeit S, Granzier HL, Dekhuijzen PNR: Titin and Diaphragm Dysfunction in Chronic Obstructive Pulmonary Disease. Am J Respir Crit Care Med 2006, 173:527–534.

12. Moore AJ, Stubbings A, Swallow EB, Dusmet M, Goldstraw P, Porcher R, Moxham J, Polkey MI, Ferenczi MA: Passive properties of the diaphragm in COPD. J Appl Physiol 2006, 101:1400–1405.

13. Ottenheijm CAC, Heunks LMA, Sieck GC, Zhan WZ, Jansen SM, Degens H, de Boo T, Dekhuijzen PNR: Diaphragm Dysfunction in Chronic Obstructive Pulmonary Disease. Am J Respir Crit Care Med 2005, 172:200–205.

14. Doucet M, Debigare R, Joanisse DR, Cote C, Leblanc P, Gregoire J, Deslauriers J, Vaillancourt R, Maltais F: Adaptation of the diaphragm and the vastus lateralis in mild-to-moderate COPD. Eur Respir J 2004, 24:971–979.

15 Newell SZ, McKenzie DK, Gandevia SC: Inspiratory and skeletal muscle strength and endurance and diaphragmatic activation in patients with chronic airflow limitation. Thorax 1989, 44:903–912.

16 Newell SZ, McKenzie DK, Gandevia SC: Inspiratory and skeletal muscle strength and endurance and diaphragmatic activation in patients with chronic airflow limitation. Thorax 1989, 44:903–912.

17. Borges VM, Oliveira LRC, Peixoto E, Carvalho NAA. Fisioterapia motora em pacientes adultos em terapia intensiva. Rev Bras Ter Intensiva. 2009; 12 (4): 446-452.

18. Needham DM, Korupolo R, Zanni JM, Pradhan P, Colantuoni E, Palmer JB, et al. Early physical medicine and rehabilitation for patients with acute respitatory failure: A quality improvement project. Archieve physiotherapy medicine rehabilitation. 2010;91 (4)536-42.

19. Sillen MJ, Eterman RM, Speksnijder CM. Effects of neuromuscular electrical stimulation of muscles of ambulation in patients with chronic heart failure or COPD. Chest. 2009; 136:44-61

20. Nohama P, Jorge RF, Valenga MH. Efeitos da estimulação diafragmática transcutânea sincronizada em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC): um estudo piloto. Rev Bras Eng Biomed, 2012; 28(2), 103-15.

21. Guerri R, Gayete A, Balcells E, Ramirez-Sarmiento A, Vollmer I, Garcia-Aymerich J, et al. Mass of intercostal muscles associates with risk of multiple exacerbations in COPD. Respir Med. 2010;104(3):378-88.

22. Cancelliero-Gaiad K, Ike D, Malosá L, Alves dos Santos V, Stirbulov R, Costa D. Estimulação diafragmática elétrica transcutânea (EDET) para fortalecimento muscular respiratório: estudo clínico controlado e aleatorizado. Fisioter Pesq. 2012;19:303-8

23. Silva EG, Vieira D. Estimulação Diafragmática Elétrica Transcutânea na melhora do metabolismo da musculatura respiratória: revisão. Rev MinCi Saúde, 2009; 1(1), 69-80.

24. Martinelli B, dos Santos IP, Barrile SR, Iwamoto HCT, Gimenes C, Rosa DMC. Estimulação elétrica transcutânea diafragmática pela corrente russa em portadores de DPOC. Fisioterapia e Pesquisa, 2016; 23(4), 345-351.

25. Vivodtzev I, Pépin JL, Vottero G, Mayer V, Porsin B, Lévy P, Wuyam B. Improvement in quadriceps strength and dyspnea in daily tasks after 1 month of electrical stimulation in severely deconditioned and malnourished COPD. Chest. 2006; 29(6):1540-8.

26. Duchateau J, Hainaut K. Training effects of sub-maximal electrostimulation in a human muscle. Med Sci Sports Exerc 1988; 20:99 –104.

27. Pichon F, Chatard JC, Martin A, et al. Electrical stimulation and swimming performance. Med Sci Sports Exerc 1995; 27:1671–1676.

28. Magyarosy I, Schnizer W. Muscle training by electrostimulation. Fortschr Med 1990; 108:121–124.

29. Maillefert JF, Eicher JC, Walker P, et al. Effects of lowfrequency electrical stimulation of quadriceps and calf muscles in patients with chronic heart failure. J Cardiopulm Rehabil 1998; 18:277–282.

30. Nuhr MJ, Pette D, Berger R, et al. Beneficial effects of chronic low-frequency stimulation of thigh muscles in patients with advanced chronic heart failure. Eur Heart J 2004; 25:136 –143.

31. Bourjeily-Habr G, Rochester CL, Palermo F, et al. Randomised controlled trial of transcutaneous electrical muscle stimulation of the lower extremities in patients with chronic obstructive pulmonary disease. Thorax 2002; 57:1045–1049.

32. Zanotti E, Felicetti G, Maini M, et al. Peripheral muscle strength training in bed-bound patients with COPD receiving mechanical ventilation: effect of electrical stimulation. Chest 2003; 124:292–296.

33 Miller C, Thépaut-Malhieu C. Strength Training by Electrostimulation Conditions for Efficacy. mt J Sports Med, 1993; 14 (1): 20-28.

34 Cancelliero KM, Ike D, Sampaio LMM, dos Santos VLA, Stirbulov R, Costa D. Estimulação diafragmática elétrica transcutânea (EDET) para fortalecimento muscular respiratório: estudo clínico controlado e randomizado. Fisioterapia e Pesquisa, 2012; 19(4), 303-308.

35. Borges CS, do Nascimento LCG, Tonello MGM, Reis JRG Eletroestimulação e pacientes com doenca pulmonar obstrutiva crônica: um relato de casos. Revista da Universidade Vale do Rio Verde, 2016; 14(2), 53-61.



Conteúdo Relacionado

Sem comentários

Adicione seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.

×
Olá! Seja bem-vindo(a). Se tiver alguma dúvida, me procure. Estou a disposição para te ajudar.