Influência de um programa de ginástica laboral na promoção da qualidade de vida dos funcionários do Departamento (N.T.I) da Faculdade UNIRG GURUPI-TO
1 INTRODUÇÃO
Com os avanços tecnológicos, muita cobrança, incontáveis tarefas e pouquíssimo tempo para realizá-las, têm se dedicado pouca ou nenhuma atenção a saúde levando a um nível insatisfatório de qualidade de vida. Nesse contexto, a atividade física tornou-se um fator resoluto na qualidade de vida no que refere a saúde geral do trabalhador.
Com isso tornou-se relevante a aplicação do exercício laboral realizado pelos trabalhadores no próprio local de trabalho por pequenos períodos de tempo que viabilizava relaxar a musculatura que irá ser compensada com o excessivo trabalho.
A Ginástica Laboral é a prática de atividades físicas realizada pelos trabalhadores de forma voluntária e coletiva, dentro do próprio local de trabalho durante sua jornada diária, é executada por meio de exercícios que podem apresentar características preparatórias, compensatórias e relaxantes, proporcionando ao indivíduo uma maior harmonia, na execução de suas funções em seu ambiente de trabalho, através de umas atuações participativas, conscientes e integradas, com conseqüente melhora de sua qualidade de vida (POLITTO & BERGAMSCHI, 2002).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 1970), saúde é um estado de completo bem-estar físico, metal e social. Nahas (2001) afirma que “a natureza da saúde do trabalhador esta relacionada com a função exercida e com as exigências”. Pitanga (2002) vem a corroborar com essa idéia afirmando que “a saúde é uma condição humana com dimensões físicas, sociais e psicológicas caracterizada por pólos negativos e positivos que influenciam o indivíduo, podendo ser de caráter ambiental, social, biológico e também do estilo de vida”.
Têm se observado grandes transformações e mudanças de paradigmas na relação social interna das empresas tendo uma nova forma de organização, que valoriza a coletividade. Dessa forma, valoriza-se a responsabilidade social em transparecer seus valores, seus princípios em prol do bem estar da sociedade e a promoção de uma existência digna. Desta forma, a sociedade de hoje, demonstra preocupação com o social, o ecológico, o humano e a valorização dos princípios básicos de convivência, onde o trabalho e a existência digna poderão representar o diferencial entre o sucesso e o fracasso na atividade econômica e a inserção ou não da empresa, no contexto mundial. Aliando-se a esta idéia a GL vem como efeito indireto na melhoria da qualidade de vida do trabalhador.
Segundo LIMA apud ASSUMPÇÃO (2002) afirma que “a Atividade Física tem, cada vez mais, representado um fator de Qualidade de Vida dos seres humanos, possibilitando-lhes uma maior produtividade e melhor bem-estar”.
Alguns estudiosos pesquisaram a eficiência do programa de Ginástica Laboral. Fonseca (2006), por exemplo, realizou uma pesquisa experimental envolvendo empresas do Vale dos Sinos, os resultados demonstraram que técnicas de GL compensatória diminuem significativamente o índice de fadiga periférica e o aumento na produtividade.
Na opinião de CARVALHO apud SOUZZA (2004) “a Ginástica traz também grandes benefícios para as empresas (rendimento e produção), motivo pelo qual essa atividade física é estimulada e implementada por diversas organizações”.
Do ponto de vista da International Ergonomics Association (IEA) podemos conceituar a Ergonomia como sendo o estudo científico da relação entre o homem e seus meios, métodos e espaços de trabalho. Seu objetivo é elaborar, mediante a contribuição de diversas disciplinas científicas que a compõem, um corpo de conhecimentos que, dentro de uma perspectiva de aplicação, deve resultar em uma melhor adaptação ao homem dos meios tecnológicos e dos ambientes de trabalho e de vida.
È notório ressaltar o interesse empresarial em manter boas condições no local de trabalho para seus funcionários, porém como viés aparecem adoções de métodos ineficazes, restringindo-se a aplicação de medidas que aumenta somente a produtividade independente da melhoria ou não da qualidade de vida dos trabalhadores.
Assim, AQUINO apud COSTA (2001) faz uma reflexão relevante para conceituar Qualidade de Vida no Trabalho, afirmando que “é importante a conciliação dos interesses dos indivíduos e das organizações, ou seja, a satisfação do trabalhador e a melhoria da produtividade”. Segundo o autor, quando o trabalhador não se sente integrado nem aceito em seu ambiente de trabalho, passa a cuidar de seus interesses particulares e, se sobrar tempo, trabalhar para a empresa. Esse é um comportamento não comprometido no processo produtivo, que leva a falta de priorização das tarefas, especialmente em sistemas de Gestão da Qualidade Total.
Dessa forma implementações de programas de Ginástica Laboral necessita de maior atenção por parte de pesquisadores na área, pois estudos sobre a mesma apresentam resultados que apesar de não modificar as condições de trabalho atua de forma indireta na melhoria de qualidade de vida do individuo. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos de um programa de Ginástica Laboral (GL) através da percepção da qualidade de vida dos trabalhadores através do questionário SF-36, composto por 36 itens que permitem avaliar capacidade funcional (desempenho de atividades de vida diária), aspectos físicos (impacto da saúde física ao desempenhar atividades profissionais e diárias), dor (nível da dor e sua influência no desempenho das atividades de vida diárias e profissionais), estado geral da saúde (percepção subjetiva do estado geral de saúde), vitalidade (percepção subjetiva do estado de saúde), aspectos sociais (reflexo da condição de saúde física das atividades sociais), aspectos emocionais (reflexo das condições emocionais do desempenho das atividades profissionais e diárias) e saúde mental (escala de Bem Estar e Humor).
2. OBJETIVO
2.1 OBJETIVO GERAL
Este presente trabalho apresentou a eficácia da Ginástica Laboral aplicada nos funcionários do departamento N.T.I, da Fundação UNIRG – TO pela quantificação da melhora no quadro de algias após a pratica da GL; verificação, satisfação e aceitação do projeto de GL por parte dos funcionários e determinação de alterações positivas em relação à jornada de trabalho como maior disposição e poder de concentração.
2 REVISÃO DE LITERATURA
Com o avanço do homem em seu contexto histórico, o homem passou a utilizar uma posição ortostática o que lhe permitiu uma melhor utilização das mãos dando maior funcionalidade à mesma. Esta nova postura adotada além de benefícios trouxe também o incomodo de submeter os músculos das costa e a coluna vertebral a esforços constantes ocasionados pelos movimentos e má postura resultando em tensões musculares que levam o indivíduo a apresentar quadros de algico (CIZESKI apud SILVA, 2006).
O referido pode ser confirmando através de vários relatos de algia nas costas por passar bastante tempo sentado no trabalho ou mesmo por sedentarismo. A dor e o sedentarismo estão altamente associados, devido problemas que modificaram o ambiente de trabalho e o avanço tecnológico que estimula cada vez mais o funcionário ao sedentarismo. Surgindo com isso as doenças ocupacionais e logo um aumento no absenteísmo. “Quanto mais o funcionário não pratica atividades físicas mais seus músculos se tornam fracos e por isso não desenvolvem seu trabalho de forma esperada” (CIZESK apud SILVA, 2006).
Além disso, para BARBANTI apud SILVA (2006), o avanço tecnológico da vida moderna trouxe ao indivíduo comodidades como o elevador, escadas rolantes, controle remoto dentre outros. Essa acomodação além do sedentarimos e das algias citadas anteriormente acarretou também novas doenças e estas se mostraram importantes para os governos e as empresas que tem seus gastos aumentados diante destas intercorencias, diante desses fatos apresenta-se um desafio para os profissionais da saúde: promover e estimular a prática de exercícios físicos regulares ao indivíduo sedentário.
Outro mal que vem sendo constantemente verificado nas empresas é a “D.O.R.T” muitas vezes chamado de LER podendo ser conceituada como:
Transtornos funcionais, transtornos mecânicos e lesões de músculos e/ou de tendões e/ou de fáscias e/ou de nervos e/ou de bolsas articulares e pontas ósseas nos membros superiores, ocasionados pela utilização biomecanicamente incorreta dos membros superiores, que resultam em fadiga, queda do desempenho no trabalho, incapacidade temporária e, conforme o caso pode evoluir para uma síndrome dolorosa crônica, nessa fase agravada por todos os fatores psíquicos (inerentes ao trabalho ou não) capazes de reduzir o limiar de sensibilidade dolorosa do indivíduo (COUTO apud SOUZA, 2006).
Tais transtornos possuem diversas causas entre elas:
- O trabalho automatizado pelo avanço tecnológico as empresas aplicarem metas para superar a grande concorrência, com utilização de computadores e máquinas que obrigam com que o empregado abuse de movimentos repetitivos e esforço intelectual;
- O ritmo acelerado para o desempenho da função levando a algia musculares;
- A realização das atividades profissionais sobre pressão, estresse e fadiga;
- O trabalho prolongado por horas sem ausências de pausas para compensar as condições físicas e psicológicas;
- O ambiente ergonomicamente impróprio para a realização do trabalho. (SBGR apud SOUZA, 2006).
Diante deste fato a ergonomia tem um papel fundamental na prevenção da D.O.R.T., pois permite a avaliação das condições e ambientes de trabalho, implementação de soluções técnicas (relacionadas a mudanças nos equipamentos, ferramentas e ambientes físicos) e administrativa (relacionadas à programação de pausas e rodízios e mudanças na organização e conteúdo das atividades, diminuindo assim a freqüência de doenças e custo financeiro com indenizações). A mesma pode ser definida como: “Um conjunto de conhecimentos científicos relacionados ao homem, necessários à fabricação de maquinas, ferramentas e dispositivos para que estes possam ser usados com máximo de conforto, segurança e eficiência” (WISNER, 1972 apud SANTOS, 1995).
Para a ergonomia cada situação que o indivíduo trabalha tem que ser minuciosamente compreendida não objetivando só o ambiente de trabalho, a forma da realização da tarefa e os problemas osteomusculares, pois cada abordagem é vista de modo diferente. A análise ergonômica do trabalho (ART) evidencia a saúde do trabalhador pela forma em que se realiza a atividade aplicando conhecimentos psicofisiológicos para melhorias no ambiente de trabalho.
Nesse contexto sabe-se através de estudos que a atividade física trás benefícios físicos e mentais além de prevenir doenças coronarianas, degenerativas e diminuição do stress bem como a prevenção de D.O.R.T, tal conhecimento fez com que as em empresas investisse em programas que promovem e estimulam a pratica de atividade física.
Neste sentido a ginástica Laboral surge como uma ferramenta da ergonomia, capaz de amenizar e prevenir as complicações referidas acima através de exercícios de alongamentos e relaxamentos que atua como uma atividade física em beneficio ao trabalhador aumentando assim sua produtividade e uma melhor qualidade de vida. Sendo conceituada como:
A prática de atividades físicas realizadas pelos trabalhadores de forma voluntária e coletiva, dentro do próprio local de trabalho durante sua jornada diária, é executada por meio de exercícios que podem apresentar características preparatórias, compensatórias e relaxantes, proporcionando ao indivíduo uma maior harmonia, na execução de suas funções em seu ambiente de trabalho (MOTA apud POLITTO, 2002).
A GL segundo ZILLI apud MACIEL (2005), é distribuída de acordo com o horário de aplicação, são:
(1) preparatória ou de aquecimento – esta é aplicada no início da jornada de trabalho e fisiologicamente ativa o organismo aumentando a freqüência cardíaca e oxigenando os tecidos. Com isso prepara o trabalhador para o seu dia de trabalho e ajuda na concentração e disposição. Tem duração de até doze minutos (compensatória) e tem por objetivo compensar a tensão muscular pela forma imprópria ou excessiva que a estrutura músculoligamentar está sendo usada. A aplicação desta melhora a circulação com a retirada dos resíduos metabólicos, abastecendo os dispositivos de glicogênio e prevenindo a fadiga muscular. Nesta pode ser realizado exercícios de alongamento, flexibilidade, respiratório e posturais. Tem duração de cinco a dez minutos (relaxamento) aplicada no final do expediente, objetiva melhorar a função social, diminuindo o estresse e as tensões. Sugerem exercícios de alongamento, flexibilidade e respiratório, auto-massagem e meditação. Estes têm duração de dez a doze minutos.
De acordo com SILVA (2006), a GL deve ser aplicada no local de trabalho, durante o horário de trabalho. As sessões podem ser executadas com exercícios de alongamento e flexionamento, com seletividade dos movimentos, observando-se o ambiente, equipamentos, condições de trabalho, postura laboral e uniforme. Devem ser de baixa intensidade de esforço. Deverão levar em conta a preferências sócio-culturais do grupo participante. A atividade deverá ser realizada diariamente, com duração de oito a doze minutos, não havendo necessidade de roupa específica para a execução. As sessões devem ser constituídas de: aquecimento articular e alongamento, exercícios de força, flexibilidade, coordenação e resistência, exercícios respiratórios e relaxamento.
Segundo MACIEL apud SILVA (2006), os operários poloneses, em 1925, já praticavam a ginástica de pausa, e após alguns anos, russos e holandeses seguiram este exemplo. Nos anos 60, a GL teve suas primeiras aparições nos seguintes países: Suécia, Alemanha Oriental, Bulgária e Bélgica. Mas foi no Japão que a aplicação da Ginástica Laboral (GL) foi adotada como uma obrigação empresarial no país.
Os trabalhadores desta época inconscientemente viram-se obrigados a impor medidas, atitudes e pensamentos ergonômicos.
“No Brasil a GL se tornou aceita nos anos 90 e se mostrou de grande importância para as empresas” (MARTINS apud MACIEL, 2005).
Algumas empresas, passando por cima dos traumas físicos e psicológicos, motivam o desempenho comercial do funcionário objetivando produtividade e agilidade levando a aparição de inúmeros casos de doenças ocupacionais.
Após a ocorrência de fatos prejudiciais a saúde do trabalhador devido à forma incorreta de realização de suas funções a qualidade de vida passou a ser mais discutida pela busca do ser humano a melhorar sua saúde e assim prevenir futuras doenças. Sabe-se que para ter um equilíbrio na qualidade de vida o homem terá que apresentar harmonia corporal associado ao seu meio profissional, emocional, social, espiritual e fisiológico que se resume aos aspectos psicológico, físico e social (PITANGA apud SOUZA, 2002).
Para que saibamos compreender esse equilíbrio teremos que conhecer melhores esses aspectos.
No âmbito psicológico pode ser entendido como uma parte da mente do ser humano que viabiliza o profissional e o intelectual. Em que o indivíduo ao realizar seu trabalho e se esse possui situações de estresse, “freia” o seu desenvolvimento profissional tendo assim alterações em seu comportamento levando assim a um déficit na qualidade do seu trabalho, desse modo o psíquico interfere sim no desenvolvimento da atividade (COUTO apud SOUZA, 2006).
No aspecto social, possibilita ao trabalhador se relacionar de forma harmoniosa, tendo assim prazer em desempenhar seu trabalho (KANAANE apud SOUZA, 2006). A GL enfoca bastante a interação do funcionário com o outro ajudando assim a um melhor convívio social. Então se percebe que o funcionário sem estresse tem satisfação de desempenhar seu trabalho, melhora o seu desempenho profissional e desta forma melhora a sua qualidade de vida.
No aspecto físico, a utilização intensa dos membros sem a atividade de pausa, desencadeia no trabalhador vícios posturais, tensão tônica dos músculos e tendões e ao longo do tempo, a diminuição do vigor estrutural. Posturas habituais e o estressante trabalho cotidiano, dentro de amplitudes limitadas de movimentos, ocasionam um comportamento adaptativo dos músculos e após alguns anos, a falta de flexibilidade tende a se tornar permanente e irreversível. Esses exemplos são situações de desconforto, lesões e de afastamento do trabalho (SILVA apud SOUZA, 2006).
A GL contribui positivamente nos aspectos citados acima e na diminuição de acidentes de trabalho e de doenças profissionais, despertando o trabalhador através da quebra da rotina, preparando a musculatura para sua atividade, ativando a circulação sangüínea, aumentando a oferta de oxigênio ao cérebro e conseqüentemente contribuindo para a retomada da atenção e concentração no trabalho, sendo capaz então de corrigir os vícios posturais adotados no trabalho (SILVA apud SOUZA, 2006).
Os benefícios da GL incluem a diminuição dos problemas de saúde na vida do trabalhador, aumentando assim a produtividade, onde eles passam a se queixar menos de dores musculares, como lombalgias, prevenindo a fadiga muscular, e atuando contra os vícios posturais e aumentando a disposição do trabalhador em iniciar e retornar ao trabalho e também propicia uma boa integração entre os funcionários (DIAS apud MARTINS, 2000).
De acordo com MORAES (2005), observa-se que a GL diminui o número de faltas ou afastamentos por motivos médicos, diminui também acidentes no ambiente de trabalho, tudo isso proporciona a redução de gastos, melhorando a qualidade de vida do trabalhador ao implantar programas de GL nas empresas.
“A realização dessa atividade física como pausa no trabalho previne as doenças ocupacionais e com isso o sedentarismo, também reduzindo riscos de invalidez ou de aposentadoria precoce por doenças degenerativas” (SHARKEY apud SILVA, 2006).
COSTA apud SOUZA (2006) aplicou uma pesquisa com o objetivo de medir a “qualidade” da ginástica de pausa. Teve resultados satisfatórios como aumento de 2 a 5% na produtividade, na diminuição de 20 a 25 % nos acidentes de trabalho, na rotatividade de 10 a 15% e no absenteísmo 15 a 20% de declínio.
Em outra pesquisa foi colocado em foco o relacionamento interpessoal sendo colhidos dados benéficos na aplicação da GL junto aos servidores da reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC (MARTINS, 2000), associados à programas de saúde que se implica a palestras mensais e dicas de saúde semanais.
Em 1989, na fábrica de tintas Renner (Porto Alegre –RS) com a aplicação do programa de GL, foram relatados pouca procura ao ambulatório e diminuição no absenteísmo, melhor disposição ao trabalho e das dores musculares/articulares.
Algumas empresas como Merrel Lepetit, Dana – Albarus e Selenium foram mais longe, e além da aplicação da GL, proporcionaram no próprio complexo industrial um local para que pudesse ser utilizado duas ou três vezes na semana, onde o funcionário pagando uma taxa acessível adquire o direito a testes de avaliação, acompanhamento nos exercícios individualizado e supervisão do profissional para aqueles que gostariam de melhorar suas condições físicas. Depois de três meses foram divulgados os seguintes resultados: a resistência muscular no sexo feminino aumentou 22% e no sexo masculino 11,5%; a flexibilidade dorso-lombar no sexo feminino 16% e no sexo masculino 32% dentre tantos outros benefícios.
Assim este estudo tem por objetivo expor a influência de um programa de GL na qualidade de vida dos funcionários do N.T.I, na Fundação UNIRG de Gurupi através da aplicação do questionário de qualidade de vida SF- 36.
3 METODOLOGIA
Realizou um estudo descritivo com caráter causal investigativo. A pesquisa é descritiva quando busca conhecer o fenômeno, analisá-lo, interpreta-lo e descreve-lo sem interferir na sua realidade.
Foram realizadas três observações em três momentos distintos: primeiro momento – partindo da investigação do funcionário no momento anterior que se iniciou o projeto em março de 2007; segundo momento – após 30 dias do primeiro momento; terceiro momento – 30 dias após o segundo momento. Os dados coletados foram analisados sob forma de gráficos e tabelas.
3.1 População
O estudo foi realizado em uma Instituição de Ensino Superior Faculdade UNIRG no Departamento de Informação e Tecnologia (N.T. I). No município de Gurupi situado no estado do Tocantins localizado na região Norte do Brasil. A amostra foi composta por 11 funcionários de ambos os sexos, com idade entre 20 e 27 anos que trabalham no departamento, no período vespertino e noturno com jornada diária de trabalho de 8 horas. Esses funcionários exercem a função de analistas de sistemas, no qual permanecem por períodos prolongados sentados utilizando um microcomputador. Todos os trabalhadores participantes desta pesquisa atuaram de maneira voluntária.
3.2 Coletas de Dados
3.2.1 Questionários
Foi utilizado a versão em português traduzido e validado por Ciconelli (1997) do questionário Medical Outcomes Study 36 – Item Short –Form Health Survey conhecido como questionário SF-36, sendo composto por 36 itens, agrupado em 8 dimensões: capacidade funcional, aspectos físicos, estado geral de saúde, vitalidade, aspectos sociais, aspectos emocionais, saúde mental e dor. Para cada trabalhador e cada uma das 8 dimensões teve-se um escore ao aplicar uma escala com valores de 0 a 100, sendo 0 o mais comprometimento e 100 não tendo comprometimento.
3.2.2 Programa de Ginástica Laboral
A Ginástica realizada no próprio local de trabalho foi aplicada por estagiários do curso de Fisioterapia e Educação Física e supervisionada por um educador físico.
| MODALIDADE | PROTOCOLO DE EXERCÍCIOS |
|
AQUECIMENTO |
– Pescoço: movimento de flexão e extensão do lado direito e esquerdo alternado. – Braços: movimento de circundação, atingindo a articulação do ombro. – Mãos e Pulsos: movimento de circundação da cintura, atingindo a circulação do quadril. – Tronco: movimento de flexão e extensão do joelho, atingindo a articulação do joelho. – Pernas: movimento de flexão e extensão do joelho, atingindo a articulação do joelho. – Pés: movimentos alternados da ponta do pé para o calcanhar, atingindo a articulação do calcanhar. – Geral: saltos, balanços, alcançar com alternância os membros superiores e inferiores. |
|
ALONGAMENTO |
– Pescoço: flexionar para o lado e para frente. – Braços: estender para cima, frente, trás e para os lados. – Mãos e Pulsos: elevar dedos e puxar para trás. – Tronco: movimento em flexão frontal, extensão lateral. – Pernas e Pés: elevar, estender e flexionar. – Geral: espreguiçar todo o corpo. |
|
RELAXAMENTO |
– Pescoço: circundar a cabeça. – Braços: soltar os braços ao longo do corpo, movimentos de ombro para frente e para trás. – Mãos e Pulsos: com os braços soltos, balançar os dedos, as mãos e os pulsos. – Tronco: flexionar para frente com os joelhos levemente flexionados, soltando o corpo. – Pernas e pés: balançar levemente, soltando a musculatura. – Geral dinâmica de grupo: recreação e brincadeiras. |
Quadro 1 – Protocolo contendo os exercícios aplicados na empresa.
3.2.3 Análise de Dados
Após ter sido averiguado que os dados apresentam uma distribuição normal os mesmos foram analisados estatisticamente através da análise de variância usada para testar diferenças entre médias de amostra e entre combinações lineares das medidas. Sendo utilizada neste estudo para testar as diferenças das médias obtidas nos três questionários aplicados com 5% de nível de significância. Para avaliar a significância das médias obtidas com a análise dos dados calculou-se o fator F e o Fcrítico da análise de variância e através da comparação de seus valores foi possível determinar se as alterações das médias eram significativas ou não, só sendo estas consideradas de relevância estatística quando F > Fcrítico.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Este estudo teve como foco a observação da realização de um programa de Ginástica Laboral para evidenciar uma possível influência na qualidade de vida dos funcionários da amostra. De acordo com os resultados referentes ao efeito da Ginástica Laboral aferido em três tempos distintos T1, T2 e T3 foram observados uma melhora significativa em 7 dos domínios analisados sendo eles: dor, limitação por aspecto físico, limitação por aspecto emocional, capacidade funcional, estado geral da saúde, vitalidade e saúde mental. Já no domínio: aspectos sociais a melhora observada não foi significativa.
De acordo com a analise de variância das medias obtidas para o domínio de dor pode se observar uma melhora significativa do tempo T1 para T2 e conseqüentemente de T1 para T3. Tomando como referência à tabela 1 e figura 1, pôde-se perceber o aumento de 33,67% de T1 para T2 e o aumento de 43,51% de T1 para T3.
| Tempos | Média |
| T1 | 55,36364 |
| T2 | 74 |
| T3 | 79,45455 |
Tabela 1 – Média dos resultados do questionário para domínio da Dor

Figura 1 – Gráfico das médias do questionário para domínio da Dor
Com esses resultados obtidos podemos propor que a Ginástica Laboral exerce uma influência a curto prazo sobre o domínio da dor, já que esta apresentou uma melhora de T1 para T2 com uma tendência de estabilização de T2 para T3 sendo que nesse período a melhora não foi significativa. Estes resultados sugerem que a influência da GL neste domínio pode contribuir para uma melhor qualidade de vida dos funcionários, pois segundoMARCON (1998), sabe-se que o alívio da dor parece favorecer a melhora da qualidade de vida em parcela variável, apesar disto nem sempre ocorrer. Pois devido à longa condição algica componentes biológicos, emocionais e sociais podem estar tão comprometidos, que apenas alívio da dor, não é suficiente para normalizar.
Para FEUERTEIN (1992), KNAPP (1984), MIRANDA (1998), “quanto às queixas dos trabalhadores relacionado aos sintomas musculoesquelético, a dor foi reconhecida como a causa mais freqüente de consultas ao médico”. Nesse contexto pode ser entendido que a influencia de diminuição da dor proporcionada pela prática de GL é um beneficio econômico para empresa e funcional para o trabalhador, pois se sabe que a dor é um fator limitante.
Conforme a análise de variância das medias obtidas para os domínios de Limitação por Aspectos Físicos, Limitação por Aspectos Emocionais, Estado Geral de Saúde e Saúde Mental pode se observar uma melhora significativa apenas do tempo T1 para T3. Para a Limitação por Aspecto Físico houve uma melhora de 26,66% de acordo com a figura 2 e tabela 2, enquanto na Limitação por Aspecto Emocional a melhora foi de 33,41% segundo a figura 3 e a tabela 3, já no Estado Geral da Saúde a melhora foi de 19,02% como está caracterizado pela figura 4 e tabela 4 e na Saúde Mental essa melhora foi de 19,54% assim como pode ser visto pela figura 5 e tabela 5.
| Tempos | Média |
| T1 | 68,18182 |
| T2 | 81,81818 |
| T3 | 86,36364 |
Tabela 2 – Média dos resultados do questionário para domínio de Limitação por aspecto físico
| Tempos | Média |
| T1 | 63,57273 |
| T2 | 72,67273 |
| T3 | 84,81818 |
Tabela 3 – Média dos resultados do questionário para domínio de Limitação por aspecto Emocional
| Tempos | Média |
| T1 | 69,81818 |
| T2 | 75,72727 |
| T3 | 83,09091 |
Tabela 4 – Média dos resultados do questionário para domínio de Estado Geral da Saúde
| Tempos | Média |
| T1 | 65,09091 |
| T2 | 72,36364 |
| T3 | 77,81818 |
Tabela 5 – Média dos resultados do questionário para domínio de Saúde Mental

Figura 2 – Gráfico das médias do questionário para domínio de Limitação por aspecto físico

Figura 3 – Gráfico das médias do questionário para domínio de Limitação por aspecto emocional

Figura 4 – Gráfico das médias do questionário para domínio de Estado Geral da Saúde

Figura 5 – Gráfico das médias do questionário para domínio de Saúde Menta
Quanto ao domínio Limitação por aspecto Emocional, o resultado obtido corrobora com o que afirma BRITO (1994),
que a atividade física sistemática exerce uma ação positiva no aspecto psicológico dos indivíduos, proporcionando-lhes uma nova postura com relação a sua auto-imagem, percepção e auto-estima proporcionando ao individuo uma forma mais segura para lidar com as atividades realizadas no dia-a-dia.
No que se refere ao aspecto geral da saúde os resultados corroboram com o que diz Shephard e Bouchard apud FURTADO (1991) que “a atividade física regular não só tem influência direta sobre a saúde geral, como também influencia no aspecto de se sentir saudável”.
Através destes resultados, pode se inferir que a GL exerce influência a longo prazo quando se analisa os domínios de Limitação por Aspecto Físico, Limitação por aspecto emocional, Estado geral de Saúde e Saúde Mental.
De acordo com a análise de variância nos domínios da Capacidade Funcional e vitalidade foi observada uma melhora significativa do tempo T2 para o T3 e conseqüentemente uma melhora geral de T1 para T3. Com base nos valores da tabela 6 e figura 6 pôde-se ver que o aumento de T2 para T3 foi de 15,03% e que a melhora geral dos pacientes é de 28,38% para Capacidade Funcional e já para Vitalidade, analisando-se os dados da tabela 7 e figura 7, foi observado uma melhora de 15,17% de T2 para T3 e uma melhora geral dos pacientes de 25,57% no tempo total.
| Tempos | Média |
| T1 | 70,45455 |
| T2 | 78,63636 |
| T3 | 90,45455 |
Tabela 6 – Média dos resultados do questionário para domínio de Capacidade Funcional
| Tempos | Média |
| T1 | 60,45455 |
| T2 | 65,90909 |
| T3 | 75,90909 |
Tabela 7– Média dos resultados do questionário para domínio de Vitalidade

Figura 6 – Gráfico das médias do questionário para domínio de Capacidade Funcional

Figura 7 – Gráfico das médias do questionário para domínio de Vitalidade
Com esse resultado infere-se que ao analisar os domínios de Capacidade Funcional e Vitalidade a influência da Ginástica Laboral é mais “lenta”, tendo que haver uma prática da mesma por um determinado período para que posteriormente as melhoras possam ser refletidas pelo paciente, uma vez que no primeiro momento a (T1 para T2) não foi observado melhora significativa, enquanto no segundo momento (T2 para T3) a melhora pode ser evidenciada.
Tomando como referencia a tabela e a figura 8 foi observado um aumento nas médias do domínio de Aspecto Social, porém ao se realizar a análise de variância em cima dessas médias pode-se dizer que esse aumento que não foi significativo, portanto não sendo possível dizer que houve melhora real dos pacientes nesse domínio. Diante disto sugerimos que ajustes sejam feitos no que diz respeito à metodologia do projeto, pois segundo BOS (1992) “a atividade física e esportiva regular é mais que simplesmente um meio para se movimentar mas ela representa também a oportunidade de fazer e sedimentar relações de amizade”.
| Tempos | Média |
| T1 | 69,09091 |
| T2 | 77,27273 |
| T3 | 82,38182 |
Tabela 8 – Média dos resultados do questionário para domínio de Aspecto Social

5 CONCLUSÃO
Nas condições em que foi realizado o presente experimento, permitem-se sugerir que a Ginástica Laboral proporciona uma melhor qualidade de vida do funcionário no ambiente de trabalho e diante deste fato o aumento da produtividade é inevitável fazendo da GL um recurso benéfico para empresa e para o trabalhador, no entanto os resultados benéficos obtidos nesse trabalho poderiam ser potencializados com uma adequação na metodologia do projeto avaliado uma vez que não foram todos os domínios que obtiveram melhoras significativas e sabe-se conforme estudos na área que todos os domínios avaliados podem ser influenciados positivamente com a prática da GL.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Muito bom, ótimas informações.
Qual a data de publicação desse artigo?
Olá Ana, fico feliz em saber que gostou do artigo. 🙂 O artigo foi publicado no dia 30/06/2009.