Fisioterapia no Pré-operatório de Cirurgia Paliativa de Tetralogia de FALLOT em Prematuro
A tetralogia de Fallot representa aproximadamente 8% das lesões cardíacas congênitas, sendo a patologia cianogênica mais comum em crianças e afeta mundialmente cerca de 4 a cada 1000 recém nascidos. É uma associação de anomalias cardíacas compostas por quatro defeitos: comunicação interventricular, estenose pulmonar, hipertrofia ventricular esquerda e dextroposição de aorta que necessita de correção cirúrgica nos primeiros meses de vida.1,2,3 A apresentação clinica é bastante variável e depende basicamente do grau de obstrução ao trato de saída do ventrículo direito. Os pacientes com obstrução acentuada ou atresia pulmonar podem apresentar-se com cianose intensa no período neonatal e com circulação pulmonar ducto-dependente. Os pacientes com estenose leve apresentam bom fluxo sanguíneo pulmonar, podendo ser assintomáticos e apresentarem apenas sopro cardíaco.3
O tratamento tradicional de crianças sintomáticas com tetralogia de Fallot no primeiro ano de vida ainda é preferencial pela cirurgia paliativa de Blalock-Taussig clássica (shunt da artéria subclávia para a artéria pulmonar) ou modificada (shunt com tubo de Gore-tex da artéria subclávia para a artéria pulmonar), pois apresentam um baixo risco e a maioria das crianças exibe imediata melhora clinica. Não se observa resultados desfavoráveis quando comparadas com a correção total. A cirurgia paliativa tem menor morbidade e mortalidade que outras anastomoses sistêmico-pulmonares.4,5
A fisioterapia tem contribuído com melhores condições de vida do recém-nascido pré-termo. Tem como objetivo diminuir o trabalho respiratório, minimizar os efeitos das complicações pulmonares – retenção de secreções pulmonares, atelectasias e pneumonias, melhorar a ventilação e a troca gasosa, diminuir as intercorrências respiratórias provenientes da prematuridade, diminuir encurtamentos e reduzir o tempo de internação hospitalar através de diversas técnicas.6,7,8
No pré-operatório cardíaco, a fisioterapia utiliza técnicas desobstrutivas e reexpansivas, apoio abdominal, fortalecimento muscular, alongamento e orientação da importância e os objetivos da intervenção fisioterapêutica aos pais.7
RELATO DE CASO
Recém-nascido (RN) do sexo masculino, admitido na Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais (UTI) do Hospital das Clinicas de Niterói na 1ª hora de vida por prematuridade e Tetralogia de Fallot. Filho de pais jovens, saudáveis, não consanguíneos e segunda gestação. Antecedentes familiares irrelevantes. Mãe sem hábito tabagístico, sem história de contato com doença infectocontagiosa e sem sinais ou sintomas de infecção genital durante a gravidez. Foi efetuado parto cesáreo em caráter de emergência às 36 semanas por deslocamento de placenta. Ao nascimento o RN apresentava APGAR 6/6/7, frequência respiratória de 40 irpm, saturação periférica de O2 78%, hipotonia global, icterícia, cianose periférica, e ausculta pulmonar com roncos difusos. Admitido na UTI instituiu-se, ventilação não invasiva (VNI) com CPAP nasal e suporte hemodinâmico. Manteve-se internado na UTI por 43 dias recebendo alta para domicílio.
Aos cinco meses de idade no exame físico encontra-se descorado (2+/4+), ictérico (4+/4+), com hipotonia global, nistagmo horizontal, taquipneico sem esforço respiratório, secretivo com tosse ineficaz e ileostomizado. Ausculta pulmonar com murmúrios vesiculares universalmente audíveis com roncos em ápices. Abdome flácido e peristáltico.
Iniciou-se plano fisioterapêutico respiratório e motor, duas vezes por semana, uma hora por sessão durante três meses consecutivos. Foi realizado alongamento global, reeducação toraco-abdominal, organização postural, manobras reexpansivas e técnicas desobstrutivas com aspiração de vias aéreas. Foi realizada nebulização com cloreto de sódio e broncodilatadores (bromidato de fenoterol e brometo de ipratrópio) conforme prescrição médica. Após três meses, termina programa de fisioterapia para realização de cirurgia paliativa de Blalock-Taussig.
DISCUSSÃO/ CONCLUSÃO
A fisioterapia respiratória em pacientes pediátricos tem como objetivos obter melhor expansão pulmonar, contribuir para a remoção de secreção traqueobrônquica, prevenir ou reverter atelectasias e diminuir o risco de infecções pulmonares.8,9 Foi realizado um estudo com 141 crianças portadoras de cardiopatia congênita com idade variando entre um dia de vida e seis anos, aleatoriamente divididas em dois grupos, sendo que um deles recebeu fisioterapia no pré e pós-operatório e o outro apenas no pós-operatório. Obtiveram diferença estatisticamente significativa quanto à presença de complicações pulmonares (pneumonia e atelectasia), sendo mais frequentes no grupo submetido à fisioterapia somente no pós-operatório. Estes achados demonstram a importância da atuação preventiva da fisioterapia no pré-operatório.9
A fisioterapia respiratória e motora é amplamente utilizada para prevenir complicações pulmonares e motoras no pré e pós-operatório, contudo existem poucos estudos atuais sobre a eficácia da atuação da fisioterapia no pré-operatório de cirurgia cardíaca, principalmente aqueles prospectivos que abordem a eficácia da fisioterapia no pré-operatório para a prevenção de complicações pulmonares antes da cirurgia cardíaca em pediatria. Sendo assim, necessita-se de estudos maiores prospectivos e randomizados.
REFERÊNCIAS
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