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Fisioterapia Neonatal: A Importância da Termorregulação e do Posicionamento Prono no Recém-Nascido

Fisioterapia Neonatal: A Importância da Termorregulação e do Posicionamento Prono no Recém-Nascido

INTRODUÇÃO

Nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) os recém-nascidos (RN) estão expostos a diversos estímulos nocivos. O controle de alguns destes estímulos, tais como temperatura e posicionamento, são algumas das estratégias para a humanização do atendimento que têm sido propostas para tornar a permanência do RN neste ambiente menos dolorosa e estressante1.

A fisioterapia neonatal é um dos componentes do cuidado do RN durante sua permanência na UTIN, cujos objetivos são diminuir o trabalho respiratório, manter a patência de vias aéreas, melhorar a ventilação e a troca gasosa, além de prevenir e/ou tratar complicações. É uma modalidade terapêutica relativamente recente dentro dessas unidades e que está em expansão2.

A termorregulação do RN é uma função fisiológica importante à sua homeostase, com influências sobre sua vida. O ambiente térmico neutro é aquele onde a menor temperatura proporciona resposta metabólica adequada, ou seja, faixa de mínimo gasto calórico para o RN. A relação entre massa e superfície corporal do RN traz desvantagens à regulação térmica, em particular dos recém-nascidos prematuros, podendo levar horas ou dias para acontecer, pois os mecanismos de termorregulação ainda são imaturos nos primeiros dias de vida, favorecendo desvios acentuados de temperatura3.

A hipotermia e a hipertermia estão associadas ao aumento no índice de morbi-mortalidade neonatal4.  Temperaturas mais baixas podem agravar ou favorecer o desequilíbrio acidobásico, o desconforto respiratório, a enterocolite necrosante e a hemorragia intraperiventricular, principalmente em prematuros5.

Desta forma, a regulação térmica do RN ao nascer é de extrema importância e é um dos itens abordados em protocolos de reanimação em sala de parto, uma vez que essa prática mostrou resultados significativos sobre a redução da mortalidade neonatal4,5,6.

O posicionamento adequado favorece a organização da criança5.  A posição prona, ou decúbito ventral, tem se mostrado favorável pois promove melhora dos índices de oxigenação e alterações referentes à mecânica respiratória, gerando estímulos proprioceptivos, táteis, vestibulares, cinestésicos, auditivos e visuais7. Esta posição também facilita a retirada do rosto do plano horizontal, liberando movimentos de cintura escapular, cabeça, pescoço e membros superiores5,8.

Este posicionamento atua sobre a biomecânica, minimizando a assincronia da caixa torácida por compressão da parede abdominal, com conseqüente aumento da pressão intra-abdominal gerando a distensão passiva do diafragma, modificando seu ângulo de inserção e contração, e favorecendo a expansibilidade das regiões basais do pulmão durante a inspiração.  Desta forma, promovendo a melhora na ventilação e perfusão pulmonares8.

No posicionamento do RN em prono ocorre redução das áreas atelectasiadas e do shunt pulmonar, sendo uma conduta simples e não invasiva de recrutamento alveolar pulmonar, promovendo ainda a drenagem de secreções pulmonares, auxiliando na higiene brônquica e minimizando os riscos de infecções8,9,10. Ademais, seus efeitos benéficos se estendem à sensação de proteção e aconchego, à prevenção dos episódios de apnéia, aumento do sono não REM e, com isso, controle respiratório e mecânica ventilatória mais eficazes8.

Com o intuito de buscar melhor evidência científica sobre o assunto, este estudo teve por objetivo realizar um levantamento bibliográfico sobre a termorregulação e o posicionamento prono no recém-nascido.

MATERIAIS E MÉTODOS

Foi realizado um levantamento bibliográfico relacionado à fisioterapia neonatal com ênfase no controle térmico e no posicionamento prono do recém-nascido.  A busca foi realizada nas bases de dados Scielo e Pubmed, com os seguintes descritores: “fisioterapia”, “hipotermia”, “neonatologia”, “prona”, “decubits”, “ventilation” e “neonatal”.  Dentre os artigos encontrados, foram selecionados para este estudo aqueles nos idiomas português, inglês e espanhol, de acordo com sua aplicabilidade ao tema proposto.

 

RESULTADOS

As condições do RN ao nascer estão diretamente ligadas ao pré-natal, trabalho de parto, parto e atendimento neonatal11.  Estratégias de políticas públicas vêm sendo desenvolvidas a fim de melhorar a qualidade técnica no atendimento à gestante, ao RN, e à puérpera7,11.  A otimização da reanimação é imprescindível para se diminuir o índice de morbimortalidade neonatal, afetando diretamente a qualidade de vida desta população.  É de extrema importância a compreensão das adaptações fisiológicas do RN, com o intuito de avaliar e conduzir a reanimação com equipe apta e integrada, e equipamentos disponíveis nas salas de parto6.

Envolver o RN, sem secar, em filme plástico ou em um saco plástico, imediatamente após o parto, excluindo a cabeça, tem se mostrado eficaz para aumentar a temperatura de admissão de prematuros.  A cabeça deve ser seca e uma touca deve ser colocada para minimizar a perda de calor a partir de grande área de superfície do couro cabeludo4,5,6,12.

Outras medidas importantes para a manutenção da temperatura corporal consistem em manter a temperatura ambiente na sala de reanimação em torno de 25ºC, utilizar fonte de calor radiante, monitorar a temperatura do RN a cada 30 minutos, e transportar em incubadora aquecida4,5,6.

O transporte, mesmo que em incubadora aquecida, é fator de risco à hipotermia, relacionado a gravidade da doença, duração do transporte, idade gestacional ao nascer, sinais vitais, condições hemodinâmicas, diagnóstico e assistência ventilatória13.

A posição prona, ao interferir na mecânica respiratória, age sobre a hipoxemia arterial secundária que é a principal alteração na síndrome do desconforto respiratório. É um método simples e seguro, e estudos mostram ser uma conduta que melhora a oxigenação em 70 a 80% dos casos8,13.  Em pacientes em respiração espontânea, promove diminuição da fração inspirada de oxigênio10, e ainda tem grau de recomendação A pelo Consenso Brasileiro de Ventilação Mecânica8.

Um estudo realizado em recém-nascidos prematuros pós-síndrome do desconforto respiratório, mostrou eficácia da posição prona sobre a assincronia tóraco-abdominal, em RNs em respiração espontânea e em estado de sono ativo (sono REM).  A assincronia promove aumento sobre o trabalho diafragmático, respiratório e sobre o gasto energético.  Entretanto, a posição prona é relacionada à síndrome de morte súbita infantil, e não é indicada em RN a termo sadio14.

Um outro estudo relacionou o Método Mãe-Canguru (MMC) e a aplicação da posição prona.  Quando aplicado em recém-nascidos prematuros, com idade gestacional entre 24 a 36 semanas, hemodinamicamente estáveis, em respiração espontânea e com monitorização não invasiva, o resultado mostrou melhora da freqüência cardíaca, da freqüência respiratória, da saturação periférica de oxigênio e da temperatura corporal após 60 minutos, sendo as variáveis da posição prona mais consideráveis que do MMC7.

 

DISCUSSÃO

Todo ser humano precisa do apoio de outro para sua condição de sobrevivência.  O recém-nascido, quando de seu nascimento, precisará do mínimo de aquecimento e suporte nutritivo nas primeiras horas.  Sua adaptação à vida extra-uterina acontecerá de maneira fisiológica desde que essas premissas básicas sejam respeitadas.

Através do levantamento bibliográfico realizado neste estudo, observa-se a importância de se conhecer toda a fisiologia da adaptação do ser humano ao nascimento, e sua dependência de mínimas ou máximas intervenções humanas. Fica evidente a relevância do controle da temperatura e do posicionamento prono para o recém-nascido, devendo todos os profissionais envolvidos no atendimento estarem atentos a estas variáveis, em especial o fisioterapeuta.

Sugere-se que seja dada continuidade a este trabalho, de forma a capacitar toda a equipe e propor protocolos de atendimento de forma a implantá-los em unidades hospitalares, visando a melhora no atendimento do recém-nascido.



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