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Estratégias Fisioterapêuticas para Pacientes Lesado Medular, visando a Independência Funcional

Estratégias Fisioterapêuticas para Pacientes Lesado Medular, visando a Independência Funcional

Introdução

A lesão medular (LM) pode ser descrita como uma condição de incapacidade da medula espinhal em funcionar de forma correta, a insuficiência em seu funcionamento é subsequente de danos ocasionados nos tratos nervosos sensoriais e motores. Os levantamentos de dados mundiais mostram que de 30 a 40 pessoas a cada 1 milhão de habitantes são acometidas pela lesão medular, por ano.

Os déficits provocados pela lesão medular, englobam alterações de nível motor e sensorial, nos segmentos abaixo da área da lesão, sendo nesse último possível encontrar modificações de forma superficial e/ou profunda. Sabe-se que quanto mais alto o nível da lesão mais manifestações clínicas existirão, maior o comprometimento neurológico, sensitivo e motor do corpo. Essas alterações podem desencadear outros tipos de comprometimentos como, transtornos viscerais, disfunções vasomotoras, sexuais e esfincterianas, tudo dependerá do nível e classificação da lesão.

No que se refere ao nível e a classificação da lesão, pode ser classificada como completa ou incompleta, quando completa ocorre a interrupção total na passagem dos estímulos nervosos pela medula abaixo do nível da lesão, quando incompleta há preservação de alguns segmentos abaixo do nível da lesão. A classificação é determinada pela American Spinal InjuryAssociation (ASIA), e varia de (A) a (E), sendo (A)lesão motora e sensitiva completa, (B) completa motora e incompleta sensitiva; (C) incompleta motora funcional, (D) incompleta motora não funcional e (E) com funções sensitivas e motoras preservadas.

As pessoas que passam por esse tipo de trauma no geral relatam que se veem obrigados a encarar uma nova realidade e a lidar com desafios novos todos os dias, como se estivessem aprendendo tudo do 0 ou de uma nova forma. Com base nisso cabe aos profissionais da saúde e a sociedade possibilitar ou contribuir com novas formas ou
adaptações para que esse indivíduo se reintegre e tenha o maior nível de independência possível dentro das suas novas condições. Entre os profissionais responsáveis pela elaboração na facilitação e promoção da funcionalidade, destaca-se o fisioterapeuta, que desempenha papel fundamental durante todo o tratamento. Ao fisioterapeuta cabe como objetivos primários possibilitar ao paciente de trauma medular o máximo de independência possível com abordagens/estratégias especificas que promovam ao mesmo mobilidade funcional, visando evitar complicações secundárias a lesão e consequentemente melhora da qualidade de vida. Ao levarmos em consideração as sequelas e/ou limitações desenvolvidas por esse tipo de lesão poderemos nos deparar com questionamentos do tipo, como promover funcionalidade a um individuo com lesão medular a nível de independência dentro de suas condições? Esse questionamento abre via para o que será abordado nessa revisão de literatura, que abordará sobre estratégias fisioterapêuticas que facilitem a melhora da mobilidade dos pacientes acometidos por um trauma raquiomedular.

Materiais e Métodos

Tratou-se de uma revisão de literatura, com abordagem exploratória que objetivou relatar sobre a importância e os benefícios da mobilidade no leito promovidos pela atuação da fisioterapia, no paciente com lesão medular. Foram consultados as bases de dados eletrônicas: SciELO, Google Academico, PubMED, LILACS, PEDro em um período estabelecido de 10 anos, com exceção de 1 artigo, que não foi excluído por apresentar relevância para conclusão
dessa revisão. As palavras chaves utilizadas foram: Lesão Medular, Fisioterapia, Mobilidade, Spinal Cordy Injury, Mobility, Phsioterapy.

Os critérios de inclusão foram: artigos observacionais e/ou de intervenção, que abordassem pacientes com traumatismo raquimedular com ou sem especificação do tipo e nível da lesão que relatassem sobre a atuação da fisioterapia, seus objetivos e a importância de promover mobilidade e funcionalidade a nível de independência. Como critérios de exclusão adotou-se produções como: resenhas, comentários ou artigos que relatassem desconsiderar a fisioterapia como intervenção necessária no tratamento do paciente com lesão medular ou não
respeitassem a faixa de tempo estipulada. Foram coletados e lidos um total de 46 artigos, no qual 16 foram excluídos.

Resultados

Na presente pesquisa os resultados encontrados no material estudado foram positivos, apresenta a importância da fisioterapia na reabilitação do paciente com lesão medular e algumas das técnicas utilizadas como formas de estratégias na reabilitação desse paciente. Como mostra no Quadro 1.

Discussão

A qualidade de vida (QV) assim como o nível de independência dos paciente com LM, estão intimamente ligados ao nível, tipo da lesão, completa ou incompleta, comprometimento e tipos de intervenção ao qual esse individuo será submetido. Referente a último quesito é importante mencionar que o tratamento não deve somente ser pautado em técnicas/abordagens levando em consideração somente o nível estrutural, mas sim tendo em mente e considerando
as individualidades de cada ser humano, e os possíveis meios e formas de adaptação que contribuam para a evolução funcional satisfatória, dento de cada caso, desta forma aproveitando e explorando todo o potencial do indivíduo.

É de extrema importância que o tratamento fisioterapêutico se inicie de forma rápida e eficiente; tendo assim maiores chances de excelência no tratamento. Partindo do princípio que o principal objetivo será promover a autonomia do paciente (LM), é imprescindível que seus potenciais e habilidades comecem a serem explorados e estimulados desde muito breve, iniciando do ponto onde o mesmo se encontra, o leito. A intervenção fisioterapêutica é indispensável desde o período do choque medular, visto que possibilita evitar complicações secundárias, contribui para preservação da amplitude, flexibilidade e reduz significativamente as chances de perdas funcionais, decorrentes da imobilidade assim como reduzindo as chances do surgimento da síndrome da imobilidade.

O processo de tratamento normalmente é longo e educativo, pois exige do lesado medular comprometimento, aceitação e adaptação a sua nova condição; fatores esses de extrema relevância, e que demandam tempo, paciência e persistência de todos os envolvidos.

A elaboração assim como escolha entre as técnicas disponíveis na fisioterapia, sejam elas cinesioterapia, eletroterapia, exercícios resistidos, ou demais tipos de abordagens, assim como a forma de aplicação, se em conjunto ou de modo isolado serão sempre realizadas de acordo com as necessidades e demandas encontradas em cada paciente com (LM). Para que o tratamento seja elaborado de modo eficiente e que resulte em benefícios, é necessário que a avaliação seja realizada de forma correta e precisa para que assim ocorra melhora funcional e dos demais aspectos englobados na melhora da (QV). Deste modo tornando viável encontrar os potenciais (pontos favoráveis/positivos) que serão de grande valor para a reabilitação, como também as limitações/restrições que poderão ser modificadas ou adaptadas a uma nova forma de realização de determinada tarefa/atividade. O processo de aprendizagem motora será o mecanismo estimulado na totalidade de qualquer abordagem, pois dela resultará o
alcance dos objetivos estabelecidos. A exposição do individuo à estímulos e experiências sensoriomotoras e perceptuais corretas permitirão a reorganização do Sistema Nervoso e tornarão possível a reabilitação positiva do paciente com lesão medular.

A fisioterapia desempenhará um papel de destaque ao elaborar estratégias que auxiliem na adaptação a nova rotina, mas se torna indispensável um acompanhamento multidisciplinar. Ao iniciar pelo fator de referencial importância ao paciente (LM) a mobilidade no leito, assume uma das primeiras e mais importantes funções que deverão ser
estimuladas precocemente no paciente, sendo viável estabelecer como um dos primeiros objetivos a serem alcançados, permitindo assim que o mesmo torne-se independente para as trocas/tranferências posturais, promovendo benefícios à curto médio e longo prazo, quanto evitando maléficos secundários.

Considerando o vasto número de técnicas disponíveis na área da fisioterapia, a cinesioterapia, apesar de pioneira na área, ainda ocupa um lugar de prestígio para o tratamento de pacientes com diferentes patologias e sequelas; as técnicas que compõem a cinesioterapia continuam se mostrando extremamente eficaz e desempenhando papel importante na reabilitação de inúmeros pacientes, e não é diferente quando se trata do paciente com LM, sendo uma das primeiras técnicas utilizadas para estimular a mobilidade no leito promovendo em cada particularidade. Além disso a cinesioterapia se mostra efetiva em todas as fases da lesão medular incluindo a hospitalar, por promover a melhora da qualidade de vida e maior independência funcional.

Um outro método também muito utilizado, que tem demonstrado resultados positivos no paciente com lesão medular é a Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva que tem como propósito principal facilitar ao paciente a execução e retomada a sua vida de forma mais funcional possível dentro da sua rotina existente antes do trauma, a sua utilização ocorre com aplicação das técnicas explorando os potenciais existentes em cada indivíduo de modo a
alcançar o maior nível de independência funcional, reforçando e aprimorando o que o paciente lesado medular já é capaz de fazer.

A eletroterapia, aparece como aliada, disponível entre os recursos terapêuticos que podem contribuir para a melhora na reabilitação de um indivíduo com LM, pontuando a importância de levar em consideração o conhecimento quanto a sua forma de aplicação, ao que se refere à seus parâmetros e quais os objetivos que poderão ser alcançados através da técnica escolhida. Entre os diversos tipos de eletroterapia disponíveis, a Estimulação elétrica Funcional (FES), é bastante utilizada na contribuição da reabilitação do paciente com lesão medular; esse tipo de estimulação possui como alguns de seus objetivos: estimular contrações musculares, fortalecer e prevenir atrofias. Um outro ponto importante sobre o FES é a possibilidade de aplica-lo de forma isolada ou associado a outros tipos de condutas. Sua
aplicação poderá ser feita associada a Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, como também à técnicas de cinesioterapia, com a finalidade de potencializar ou/e facilitar um determinado estímulo, função ou tarefa.

Compondo a vasta rede de técnicas e terapias que fazem parte da fisioterapia, a hidroterapia é também um recurso bastante utilizado em pacientes com lesão medular. As propriedades físicas da água e o aquecimento, junto a um programa adequado para o indivíduo em tratamento, pode favorecer as habilidades motoras e residuais do paciente. Essa conduta promove ao paciente redução do stress gravitacional, facilita a mobilização das articulações e
auxiliar na melhora da amplitude do movimento. A terapia na água possui características que propicia uma maior liberdade dos movimentos o empuxo e a viscosidade da água permitem resistir ou facilitar os movimentos gerando menor sobrecarga nas articulações, gerando ativações musculares de músculos que não conseguem vencer a gravidade.

A fisioterapia como já mencionado dispõe de um enorme leque de técnicas/condutas que facilitam e promovem as estratégias de reabilitação. Contudo, novos recursos têm surgido cada vez mais e contribuído no tratamento da pessoa com lesão medular, é o caso da realidade virtual (RV), que tem se destacado também na área da reabilitação, como importante aliado, para alcance de objetivos relacionado à melhora da funcionalidade, seu uso tem sido
aplicado para treinos de marcha, equilíbrio, além de promover estímulos multisensorias e promover melhora da qualidade de vida. O uso da RV como conduta de tratamento também tem permitido alcance motivacionais positivos entre pacientes de lesão medular, o que contribui com o tratamento.

Os benefícios da intervenção fisioterapêutica, utilizadas como estratégias para a reabilitação do paciente com lesão medular encontradas durante toda a realização dessa revisão de literatura são inúmeras e atinge variados aspectos que proporcionam a melhora significativa da funcionalidade dos pacientes com LM. Como já relatado durante essa
revisão é vasta a quantidade de recursos disponível para fisioterapia, mas é válido ressaltar que é fator ético e responsabilidade do fisioterapeuta fazer uso das técnicas disponíveis para promover o máximo de qualidade no tratamento de cada paciente, desde que esse possua a formação necessária e exigida para execução das técnicas, e que suas escolhas sejam pautadas dentro das necessidades individuais de cada paciente, com o objetivo de promover uma evolução positiva do ponto de vista funcional, respeitando claro, as particularidades de cada indivíduo assim como seu quadro clínico.

Considerações Finais

Com base em toda a pesquisa realizada durante essa revisão de literatura, foi possível relatar sobre a importância da atuação fisioterapêutica, enfatizando os tipos de intervenções que podem ser utilizadas como estratégias pela fisioterapia e seus possíveis benefícios a nível de funcionalidade e melhora da qualidade de vida do paciente com lesão medular.

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ARTIGO PUBLICADO EM 26/12/24



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