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Eletroterapia: ferramenta fisioterápica

Eletroterapia: ferramenta fisioterápica

1 – Introdução

A eletroterapia é o uso de correntes elétricas para finalidades terapêuticas como a analgesia ou a estimulação funcional muscular.A corrente, quando aplicada, tem efeitos de indução nervosa motora ou sensitiva e isto vai depender do tipo de corrente usada e dos parâmetros colocados. A estimulação nervosa sensitiva tem ação analgésica e esta tem relação direta com a liberação de endorfinas endógenas. Contudo, a estimulação nervosa motora tem efeito na produção de contrações musculares e assim, obter funcionalidade para o movimento.

Os músculos são formados por fibras tipo I e tipo II sendo que, a proporção de fibras varia de músculo para músculo, p.ex: o diafragma tem mais fibras tipo I enquanto o quadríceps tem mais fibras do tipo II. Diante disto, a conduta fisioterápica deve ser voltada para o músculo em trabalho e para os objetivos almejados pois além da quantificação de fibras musculares existentes, a cinesioterapia e a eletroterapia tem efeitos diferentes. A cinesioterapia clássica recruta fibras do tipo I :

  • fibras lentas, vermelhas, com grande quantidade de hemoglobina, suprimento sangüíneo feito por densa capilarização, slow oxydative, resistente à fadiga, pouca produção de força, grande quantidade de mitocôndrias, em maior quantidade nos músculos tônicos (antigravitários), menor tamanho, esforços de longa duração.

Eletroterapia recruta fibras tipo II :

  • fibras rápidas, brancas, com poucas mitocôndrias, metabolismo anaeróbio com produção de ácido lático, grande produção de força, pouco resistente à fadiga, em maior quantidade nos músculo fásicos, fibras maiores do que as do tipo I, esforços de pequena duração com alta produção de força. As fibras do tipo II são as que primeiro hipotrofiam. Então, o uso da cinesioterapia e da eletroterapia implicará no recrutamento dos dois tipos de fibras.

2 – Histórico

1867- Duchenne de Boulogne
· Através da corrente farádica pode se Ter contrações musculares.

1909 – Lapicque
· Entendimento fisiológico do que seria Reobase e cronaxia. Reobase é o mínimo de estímulo dado para desencadear uma contração muscular tetânica. Cronaxia é duas vezes a reobase – Retroalimentação Neural. As cronaxias normais são inferiores a 1ms: de 100 a 700us.

1930 – Bernard – França
· Descobertas das correntes diadinâmicas Baixa Freqüência, até 200 Hz.

1950 – Alemanha
· Descoberta da corrente interferencial
· 2.000 a 4.000 Hz
· Bidirecional
· Pequena Largura de pulso
· Sinusoidal

1970 – U.S.A
· Descoberta da tens
· Até 200Hz
· Bidirecional
· Até 250 us – pequena largura de pulso
· Retangular

1990 – França – Francis Crépon
· Correntes com moduladores para freqüência e intensidade
· 2 geradores
· 1 gera tens
· Outro gera pulsos retangulares moduláveis
· Sem acomodação de fibras musculares

1994
· Estipulada corrente ideal
· Baixa Freqüência
· Pequena largura de pulso
· Retangular
· Início Brusco e de rápida entrada

3 – Tipos de correntes elétricas

Inicialmente, iremos identificar os parâmetros presentes nos aparelhos eletroterápicos :

  • Pulso – é o tempo em que a corrente permanece na pele , ou seja, é a duração de um pulso elétrico – intervalo de tempo que separa o início e o fim de um pulso. Neste parâmetro, o que se regula é a sua largura pois esta implicará na corrente ser ou não confortável. Quanto maior a largura de pulso menor o conforto da corrente no paciente.
  • Freqüência – simbolizado através da letra “f ” é o número de pulsos por segundo, expresso em hertz (Hz).
  • Modulações – é a variação dos parâmetros de pulsos unidirecionais ou bidirecionais – modulação de duração de pulso, modulação de amplitude modulação de freqüência.
  • Intensidade – quantidade de estímulo elétrico aplicado, representado pela letra ” i “. o estímulo ideal é o mínimo capaz de produzir uma contração muscular.

O estímulo elétrico capaz de promover a contração muscular deve apresentar as seguintes características :

  • Tempo de subida – é o tempo necessário para que o estímulo passe de zero ao seu valor funcional. Este tempo terá que ser menor do que 10ms.
  • Intensidade limiar – será aquela em que a célula se despolarize completamente.
  • Tempo de duração – é o tempo em que o estímulo está atuando e este deve ser o suficiente para que a célula se despolarize por completo.
  • Tempo de relaxamento – tempo necessário para que a célula se repolarize novamente.

O local onde será colocado os eletrodos deve ser nos chamados pontos motores onde a quantidade de feixes nervosos são maiores porém, o mesmo deve ser livre de tecidos impedantes como gordura e ossos.

3.1 – Corrente Galvânica ou contínua

A corrente Galvânica é gerada por uma fonte de tensão contínua ou pela retificação da onda a partir de uma corrente alternada. Esta corrente possui um polo negativo e outro positivo ( polarizada), cuja intensidade de amplitude é mantida, ou seja, no início ela ascende até o pico máximo de intensidade e aí se mantém contínua sem alterar ao longo do tempo. Quando desligada, decresce até zero e se extingue. A corrente não tem ação na produção de contrações musculares contudo, seus efeitos são metabólicos como :

– Ação estimulante – aumento do metabolismo devido a liberação de mediadores químicos e assim preparar o local para a atividade;
– Dissociação Iônica – conseqüência da polarização da corrente onde ânions são atraídos para o polo positivo e os cátions atraídos para o polo negativo. Esta característica proporciona o uso desta corrente para endosmose ( deslocamento de líquidos intersticiais – edemas) e iontoforese ( administração de drogas via corrente );
– Produção de calor local – decorrente do aumento do metabolismo;
– Aumento da permeabilidade celular- devido a liberação de mediadores químicos;
– Hiperemia – ocasionado pela vasodilatação;
– Parestesia – devido a mudança do pH;
– Analgesia – determinada pela acomodação das raízes nervosas pelo estímulo elétrico;
– Vasodilatação – devido a liberação do mediador químico histamina;
– Narcose – determinado pela liberação de opióides endógenos.

3.2 – Corrente Farádica

A corrente Farádica é classificada como toda forma de onda cujo tempo de variação de zero ao valor eficaz de sua amplitude seja menor do que 10ms. Esta corrente tem ação de eletrodiagnóstico ( verificar se o músculo está sadio ou não ) e não de treinamento muscular pois o seu estímulo elétrico tem tempo de subida rápido mas de curta duração. Então, o estímulo da corrente farádica atua no músculo sadio mas é insuficiente para despolarizar as células por completo e assim, produzir contrações musculares.

3.3 – Corrente Exponencial

A corrente exponencial é classificada como toda corrente cujo tempo de variação da amplitude seja maior do que 10ms. Esta corrente não é capaz de promover contrações em músculos sadios apenas, em musculatura lesada. Assim, a corrente exponencial tem função de eletrodiagnosticar fibras musculares lesadas a qual não responderia ao estímulo da corrente farádica.

3.4 – Correntes Diadinâmicas

Esta corrente é uma variação da corrente senoidal retificada. Podem ser monofásicas ( corrente retificada em meia onda ), bifásicas ( senoidal retificada em onda completa ) . Nos dias atuais não tem tanta aplicação e seus efeitos são de vasodilatação e de promover acomodação das fibras nervosas provocando, temporariamente, analgesia.

3.5 – Correntes Interferenciais

São eficazes e utilizadas tanto para obter contração muscular como analgesia. Esta corrente se baseia na aplicação transcutânea de correntes elétricas alternadas de média freqüência. A freqüência ideal para estimular os músculos é de 60 Hz porém, esta freqüência é muito baixa para recrutar um número ideal de fibras musculares e freqüências maiores do que esta implicaria na sua transformação em calor. Então, utiliza-se correntes transportadoras sendo uma de 4.000 hz e a outra de 4.060 Hz. Elas são aplicadas através de dois pares de eletrodos que se cruzam e dentro do corpo, no ponto de intercessão das correntes, irá se ter a diferença entre as duas correntes transportadoras, isto é, 60Hz. As características analgésicas serão discutidas adiante na TENS.

3.6 – Neuroestimulação Elétrica Transcutânea – TENS

TENS é uma técnica que utiliza correntes de baixa intensidade e baixa freqüência (100Hz) para provocar efeitos analgésicos de até 48 horas. Este efeito da TENS é obtido pela sua ação no bloqueio da despolarização do segundo neurônio de condução do estímulo da dor e pela liberação de endorfinas endógenas. Os parâmetros para modular são : largura da onda (t ou w em torno de 100microsegundos), freqüência ( f = 100Hz), intensidade (i = vibração sem causar beliscões). Tempo (T = 30 minutos) e o repouso (r ). Os eletrodos podem ser colocados de forma local ( limitando o ponto doloroso ), radicular (o eletrodo negativo é colocado na emergência do nervo e o positivo no ponto mais distante até onde a dor chega ) ou sob forma cruzada ( formando um quadrado com os quatro eletrodos ).

4 – Conclusão

Se o músculo a ser trabalhado responde aos estímulos do eletrodiagnóstico com corrente farádica, ele está sadio e poderá ser estimulado funcionalmente para ganho de trofismo. As correntes indicadas são excitante de Trabert, interferêncial…

Caso o músculo não responda ao estímulo farádico, ele deve ser eletrodiagnósticado com estímulos exponenciais e se neste houver resposta, o músculo estará lesado. Neste caso, o mesmo deve ser estimulado com corrente exponencial até a melhora e a partir daí então, a corrente utilizada será a funcional acima citada.

Se o músculo não responder ao eletrodiagnóstico exponencial, uma eletromiografia estará indicada para explorar as condições nervosas. Antes de qualquer eletroestimulação, estando o músculo sadio ou não, uma preparação metabólica local se faz necessária para otimizar os efeitos. Isto pode ser feito através do uso de corrente Galvânica ou de massoterapia ou de ultra-som.

5 – Bibliografia

Altree, J.. Acunpuncture, in Wells, P.E. frampton, V.M. et al.. Pain management by physiotherapy, p.104.. butterworth heint mann, Lodon, 1994.

Belanger, A.Y.. Neuromuscular electrostimulation in physiothepy: a critical appraisal of controversial issues. Physiotherapy theory and pactice, 7,83-89, 1991.

Low, J., Reed, A.. Phisical principles explained. Butterworth-heinemann, Oxford, 1994.

Nelson, R.M., Currier, D.P., et al.. Clinical electrotherapy. 2 ed. Appleton & lange, california, 1994.



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Um comentário

  1. Avatar
    Walter
    added on 11 ago, 2020
    Responder

    Muito o artigo para quem conhece pouco. Parabéns

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