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Como usar as diferentes formas de contração muscular. Um estudo comparativo entre contração muscular isométrica, isotônica e isocinética

Como usar as diferentes formas de contração muscular. Um estudo comparativo entre contração muscular isométrica, isotônica e isocinética

Quando pensamos nas fases de um programa terapêutico, sempre relacionamos alguns exercícios que podem ser feitos e outros que devem ser implementados. Isto porque existem técnicas que serão mais eficazes do que as outras no que diz respeito ao momento de trabalho do determinado segmento. A bibliografia nos traz três tipos diferenciados de contração muscular, sendo que cada uma delas possui sua individualidade e deve ser aplicada em uma fase diferenciada da reabilitação. Estes três tipos são: contração isometrica (metria = comprimento; iso = igual ou constante), contração isotônica (que pode ser dividida em excêntrica e concêntrica) e contração isocinética (cinética = velocidade; iso = igual ou constante).

A contração isométrica é aquela onde o músculo desenvolve tensão, porém não há alteração em seu comprimento externo. Em outras palavras, a contração isométrica é aquela em que o músculo contrai-se e produz força sem nenhuma alteração macroscópica no ângulo da articulação. Parece que o mecanismo desta contração reside no fato de que a energia que normalmente seria exibida como trabalho mecânico externo é usada no rearranjo estrutural das fibras, isto é, as fibras se encurtam e o tendão se alonga, e parte da energia se dissipa em calor. Outros estudos sobre a biomecânica da contração isométrica relatam que a mesma acontece pois permite um deslizamento das miofibrilas mais externas enquanto que aquelas que se encontram mais internamente permaneceriam estáticas.

Para entendermos melhor o não encurtamento do comprimento do músculo devemos analisar cinesiologicamente as relações de força que agem sobre o corpo. Existe a tensão (que é a força desenvolvida pelo músculo para vencer as forças que agem sobre o segmento) e a resistência (que é considerada uma força externa baseada no peso do segmento associado, principalmente, a inércia). Quando o torque de resistência de uma articulação é igual ao torque de força produzido pelo músculo que a atravessa, isto é, quando a resistência contra a qual o músculo está exercendo tensão for igual a tensão máxima que este músculo pode produzir, desenvolve-se uma contração isométrica.

Este trabalho repercute hemodinamicamente pois pode provocar um aumento da pressão arterial pois o músculo que se contrai espreme os vasos e diminui seu calibre aumentando assim a resistência vascular periférica. Com este tipo de trabalho, os indivíduos tem apresentado ganho de força moderado e, algumas pessoas, tentam manter este tipo de trabalho para aumentar o tamanho do músculo. Ele é amplamente usado em reabilitação e nos indivíduos descondicionados. O maior empecilho do trabalho isométrico é a sua parca transferência para o mundo real, visto que, a maioria de nossas atividades diárias envolvem contrações excêntricas e concêntricas. Além disso, o exercício isométrico apenas provoca hipertrofia do grupo muscular no ângulo articular no qual o músculo é sobrecarregado, limitando-se, assim, o desenvolvimento de força por toda a amplitude de movimento.

Embora soe um pouco estranho, uma outra forma de se referir a contração isométrica é chamá-la de contração estática.

A contração isotônica ou também conhecida como contração dinâmica, é aquela que acontece quando há uma desigualdade de forças entre a potência muscular e a resistência provocando, assim, o deslocamento do segmento. Ela pode ser dividida em concêntrica, que é aquela onde a potência é maior que a resistência e a fibra muscular sofre uma diminuição de seu tamanho (encurta-se), isto é, a origem se aproxima da inserção e excêntrica que é aquela onde a resistência é maior que a potência onde as fibras, por possuírem características elásticas, se ampliam fazendo com que o ponto de origem do músculo se afaste da inserção. Outra maneira de se pensar em contração muscular excêntrica é pensar que esta é uma modalidade onde o músculo se alonga durante o tempo em que está exercendo tensão.

Este tipo de contração muscular é a modalidade de treinamento de força mais popular que existe. O exercício é considerado isotônico quando o segmento move uma resistência específica por uma amplitude de movimento. È importante salientar, que a carga real imposta ao músculo varia pela amplitude de movimento sendo diferente em todo o arco de movimento. Embora o peso seja constante, o torque motor desenvolvido pelo músculo não é igual devido as mudanças no comprimento-tensão e força-ângulo.

A contração isocinética é aquela em a tensão desenvolvida pelo músculo é máxima em todos os ângulos articulares durante toda a amplitude de movimento porque ela é realizada em uma velocidade constante. A velocidade é controlada e a resistência é variada ao longo do arco de movimento. As vantagens da contração isocinética são que a) é capaz de obter contração máxima ao longo da amplitude total de movimento, oferecendo maior eficiência do rendimento muscular; b) a sobrecarga nas articulações é pois é a força produzida pelo paciente que controla a sobrecarga imposta pelo aparelho; c) é capaz de realizar uma gama de testes musculares através das diferentes velocidades aplicadas e de diferentes posturas.

Finalmente, à medida que o indivíduo tenta gerar tensão máxima na velocidade específica de contração, a tensão irá variar devido à mudança nas alavancas e inserções musculares. O trabalho isocinético além de trabalhar força pode trabalhar endurance melhorando assim, o desempenho.

Bibliografia

Hamill, J. & Knutzen, K. M. Bases biomecânicas do movimento humano 1a edição, Editora Manole, 1999.

Fox, E. L. & Mathews, D. K. Bases Fisiológicas da Educação Física e dos Desportos , 3a Edição, Editora Guanabara, 1986.

Matarazzo, Carolina G & Alves, Vania C. R. O uso do Exercício Isocinético na Reabilitação de Luxação Recidivante de Ombro ? estudo de caso. Revista Reabilitar, Ano 3, No 4, Editora Pancast, São Paulo.



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