Efeitos da Drenagem Linfática Manual na Gestante: Revisão Sistemática de Ensaios Clínicos Aleatórios
O período de vida designado como gravidez, tem uma duração aproximada de 38 a 40 semanas, iniciando-se na fecundação dos gametas (DOUGLAS, 2004). É necessário durante a gravidez, que ocorra alterações físicas no corpo da mulher para que se tenha um perfeito crescimento do feto. Porém, essas alterações podem às vezes trazer como conseqüência dor e limitações em suas atividades diárias (SOUZA, 2000).
Ocorrem alterações do metabolismo protéico, lipídico e glicídico; aumento do débito cardíaco, da volemia, hemodiluição e alterações na pressão arterial; aumento do fluxo glomerular; alterações na dinâmica respiratória; modificações do apetite, náuseas e vômitos, refluxo gastroesofágico, constipação e alterações imunológicas variadas, as quais permitem que a mulher suporte a sobrecarga de gerar um novo organismo (REZENDE, 2002).
Comumente a gestante apresenta, entre outras, queixa de edema principalmente em membros inferiores (KISNER, 2004). O edema gestacional é definido como um excessivo acúmulo de líquido nos tecidos, valorizado quando de aparecimento súbito (ZUGAIB, 1995).
No terceiro trimestre há uma maior retenção de água que pode resultar em um grau variante de edema dos tornozelos e pés na maioria das mulheres, reduzindo a extensão da articulação. O edema pode causar também pressão nos nervos, como na síndrome de túnel carpal onde o edema nos braços e nas mãos causa parestesia e fraqueza muscular, afetando as porções terminais das distribuições nervosas mediana e ulnar (POLDEN, 2002).
O sistema linfático representa uma via acessória pela qual pode fluir líquido dos espaços intersticiais para o sangue, que pode ser removida pela absorção direta para o sangue capilar (GUYTON, 2006). A drenagem linfática manual é uma técnica de massagem manual que foi descrita, inicialmente como um método para tratamento de edemas, em especial o linfedema (BARROS,2001). A drenagem linfática está indicada na prevenção e/ou tratamento de edema (GUIRRO, 2004), inclusive no edema gestacional (IBRAPE, 2001).
Esta revisão tem como objetivo analisar os efeitos, tanto positivos como negativos, da drenagem linfática manual no período gestacional e, incentivar que outros trabalhos venham a ser realizados a cerca desta questão.
MATERIAIS E MÉTODOS
Esta pesquisa trata-se de uma revisão sistemática de ensaios clínicos aleatórios, acerca dos efeitos da drenagem linfática manual nas gestantes. Foram pesquisados artigos em diversos bancos de dados, onde os efeitos fisiológicos da gestação eram tratados com drenagem linfática manual. Após revisão das autoras, foram incluídos na pesquisa, os artigos onde as gestantes se encontravam na 28ª semana de gestação ou mais e não possuíam contra-indicações para a drenagem linfática manual (doenças dermatológicas, presença de qualquer tipo de hipertensão arterial, doenças linfáticas, doenças cardíacas, infecção de qualquer segmento dos membros inferiores, varizes volumosas e/ou sintomáticas, doença renal grave, polidrâmnio, tromboses e tumores).
DISCUSSÃO
O linfedema se desenvolve a partir de um desequilíbrio entre a demanda linfática e a capacidade do sistema em drenar a linfa. Sendo as proteínas de alto peso molecular extravasadas para o interstício absorvidas exclusivamente pelo sistema linfático inicial, no momento que o mesmo perde sua capacidade de escoamento por destruição ou obstrução da via linfática em algum ponto de seu trajeto, ocasiona estagnação da linfa no vaso, e posterior extravasamento de volta ao interstício (SPENCE, 1996).
Aumentar o fluxo linfático, utilizando o bombeamento muscular em atividades físicas regulares, técnicas compressivas, ou estimulação linfática (Partsch, 2000), ajudam a diminuir o edema gestacional.
A drenagem produz um aumento da absorção, transporte e fluxo linfático superficiais deslocando a linfa mais rapidamente. Estimula também pequenos capilares que se encontram inativos e aumenta a motricidade da unidade linfática. A massagem de linfodrenagem ou drenagem linfática é uma técnica complexa representada por um conjunto de manobras muito específicas, lentas, rítmicas e suaves, que atuam basicamente sobre o sistema linfático superficial visando drenar o excesso de líquido acumulado no interstício nos tecidos e dentro dos vasos, através das anastomoses superficiais linfo-linfáticas, axilo-axilar e axilo-inguinal. Para tanto, processos metodológicos devem ser realizados como o da evacuação e da captação. (SOUZA, MOREIRA E PEREIRA, 2006).
As duas técnicas mais utilizadas são: a de Leduc e a de Vodder. Ambas são baseadas nos trajetos dos coletores linfáticos e linfonodos, associando basicamente três categorias de manobras: as de captação, as de reabsorção e as de evacuação.
Um estudo realizado por Silva (2004), analisou a DLM em uma amostra de 2 gestantes, sendo realizados atendimentos num período de dois meses. O estudo revelou que a perimetria realizada antes e depois de cada sessão, em cada gestante, observou-se uma redução significativa das circunferências dos membros, sugerindo a DLM como tratamento do edema gestacional.
Outro estudo realizado com uma amostra maior, com 20 gestantes, Spaggiari, mostrou que a DLM não melhora somente o edema gestacional, mas também, os sintomas associados. Proporcionando um relaxamento maior e um alto grau de satisfação das pacientes.
CONCLUSÃO
Apesar de pouca demanda de artigos sobre o referido assunto nos bancos de dados, podemos dizer que os efeitos da drenagem linfática manual tem efeitos benéficos significativos em relação ao edema gestacional e a outros sintomas desagradáveis (dor lombar, formigamento, sensação de peso nas pernas, cefaléia e fadiga), sintomas estes muitas vezes, prejudiciais para bom andamento de uma gestação saudável.
As pesquisas realizadas no campo da Dermato-Funcional são em pequeno número, sendo asssim, recomenda-se novos estudos para dar mais enfoque a segurança e ao efeito da DLM em gestantes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARROS, M. H. Fisioterapia: Drenagem linfática manual. São Paulo: Robe, 2001.
GUIRRO, E. C. O.; GUIRRO, R. R. Fisioterapia dermato-funcional: fundamentos, recursos e patologia. 583 pág. 3ª Ed. São Paulo: Manole, 2004.
GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de fisiologia médica. 1264 pág. 11ª Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.
IBRAPE. Instituto Brasileiro de Pesquisa e Ensino. Drenagem Linfática Corporal e Massagem Corporal. São Paulo, 2001.
KISNER, C.; COLBY, L.A.; Exercícios Terapêuticos: Fundamentos e Técnicas. 1000 pág. 4ª Ed. Manole, 2004.
PARTSCH H, Rabe E, Stemmmer R. Compression Therapy of The extremities. Edition Fhlebologiques Française, 2000. Pesquisado em 27 de setembro de 2009.
POLDEN, M.; MANTLE, J. Fisioterapia em ginecologia e obstetrícia. 442 pág. São Paulo: Editora Santos, 2002.
REZENDE, J. Obstetrícia fundamental. 618 pág. São Paulo: Guanabara Koogan, 2002.
SILVA, M. Drenagem linfática corporal no edema gestacional. Disponível em: http://www.fisiotb.unisul.br/Tccs/04b/morgana/artigomorganaduarte.pdf, 2004 Acessado em: 26 de setembro de 2009.
SOUZA, A. G.; MOREIRA, V. M., PEREIRA, E. R. Princípios Fisiológicos da Linfodrenagem Manual no organismo humano – procedimentos metodológicos e contra-indicações, 2006. Disponível em: http://www.revista.ulbrajp.edu.br/seer/inicia/ojs/viewissue.php?id=8 Acessado em: 26 de setembro de 2009.
SOUZA, E. L. B. L. Fisioterapia aplicada à obstetrícia e aspectos da neonatologia: uma visão multidisciplinar.636 pág. 2ª Ed. Belo Horizonte: Health, 2000.
SPAGGIARI, C. W. O efeito da drenagem Linfática Manual em gestantes no final da gravidez, 2008. Disponível em: http://libdigi.unicamp.br/document/?code=vtls000444965 Acessado em: 26 de setembro de 2009.
SPENCE RK, Cahall E: Inelastic versus leg compression in chronic venous insufficiency. A comparasize and venous hemodynamics. J Vasc Surg 1996. Acessado em: 27 de setembro de 2009.
ZUGAIB, M; KAHHALE, S. Síndromes hipertensivas na gravidez.1248 pág. Rio de Janeiro: Atheneu, 1995.
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