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Efeito da Bandagem Elástica na Força e Resistência Muscular de Atletas Amadores de Futebol

Efeito da Bandagem Elástica na Força e Resistência Muscular de Atletas Amadores de Futebol

O futebol é um esporte que requer muitas qualidade físicas do atleta. Capacidade aeróbia, acelerações, saltos, frenagens, explosão, entre outros. São esforços de alta intensidade e curta duração, interpostos de períodos de menor intensidade e duração variada (LEITE et al, 2003). O principal mecanismo associado às lesões do futebol é indireto, tendo como principal fator de risco para lesões, os desequilíbrios musculares (relação membro dominante x não dominante e agonista x antagonista) (HEIDT, 2000).

A bandagem elástica (Kinesio Taping) foi desenvolvido pelo japonês Kenso Kase, e tem como uma das funções  a estimulação muscular (KAHANOV, 2007). Sendo ainda pouco estudada. Porém, para confirmar tal função e importância é necessário avaliar a força e resistência muscular antes e após a aplicação.

Para isso, utiliza-se o dinamômetro isocinético, um equipamento eletromecânico com sistema servomotor, onde o indivíduo realiza um esforço máximo e valores de força, resistência, fadiga, potência e trabalho são mostrados e gravados no computador acoplado ao aparelho (AMATUZZI, 2005).Portanto, o objetivo principal do estudo foi analisar o efeito da bandagem elástica, para ganho de força e resistência em ísquios tibiais de atletas, a fim de prevenir lesões ao diminuir ou normalizar o desequilíbrio muscular apresentado na relação agonista x antagonista, avaliados pelo isocinético.

Materiais e Métodos

O estudo principal foi realizado no mês de maio do ano de 2012 com uma amostra de 3 atletas saudáveis de futebol, pertencentes à categoria adulto, de variados times do estado do Rio de Janeiro. Todos pertenciam ao gênero masculino com idades entre 19 e 23 anos.

Anteriormente a realização dos testes, foram feitas simples perguntas a fim de analisar o perfil epidemiológico dos atletas avaliados. As perguntas adicionais relacionavam-se à idade, sexo, altura, peso, lado dominante, tempo de prática do futebol e presença de dor no joelho.

Foram excluídos do estudo todos os atletas que relataram dor no joelho, trauma nos membros inferiores ou qualquer histórico de cirurgia de membros inferiores. A pesquisa foi colocada em prática no laboratório do isocinético, situado na Associação Pestalozzi de Niterói, em Pendotiba.

Posteriormente, então, foram analisadas as informações colhidas no simples questionário, bem como os dados obtidos nos testes.

Para avaliação isocinética concêntrica da musculatura flexora e extensora do joelho foi utilizado o dinamômetro isocinético da marca Cybex, modelo HUMAC NORM (CSMI,USA). Para o posicionamento do avaliado no dinamômetro isocinético, preparação e calibração do equipamento seguiram-se orientações do manual de padronização, sistema de teste e reabilitação fornecido pelo fabricante. Os parâmetros isocinéticos foram obtidos por programa computadorizado (HUMAC CYBEX NORM, USA) que permitiu a determinação do pico de torque em relação à massa corporal total do avaliado.

Para aplicação da bandagem, o atleta realizava um alongamento ativo da flexão de coxofemoral com o joelho em extensão. Simultaneamente o terapeuta aplicava as duas bandagens em forma de “I” (KASE, 2003), uma paralela à outra, de inserção para a origem (Figura 1), no trajeto da musculatura de isquiostibiais. Os dois pontos mais distais da bandagem (âncoras), não apresentavam tensão e a zona intermediária (terapêutica) foi aplicado 50% de tensão.

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As avaliações foram realizadas com um intervalo de tempo de 24 horas. Os indivíduos foram orientados a não realizarem atividades físicas vigorosas durante esse período. O protocolo consistiu inicialmente de aquecimento com cinco minutos de duração em cicloergômetro mecânico para membros inferiores (MOVEMENT). A carga utilizada foi de 1 kpm, em seguida o atleta foi diretamente para o dinamômetro sem realizar qualquer tipo de alongamento e esforço das musculaturas trabalhadas. Esses procedimentos citados anteriormente foram realizados durante o primeiro dia de avaliação (SILVA et al, 2006).

Para análise de força muscular, o pico de torque concêntrico da musculatura flexora e extensora do joelho foi obtida em ambos os membros em uma série de seis repetições, com velocidade de 60°/seg.

Após um intervalo de três minutos, foi realizada uma análise de resistência muscular, onde o pico de torque concêntrico da musculatura flexora e extensora do joelho foi obtida em ambos os membros em uma série de 40 repetições, com velocidade de 270°/seg.

Durante os testes os atletas foram estimulados verbalmente, porém sem retorno visual do monitor acoplado ao dinamômetro.

Após 24 horas de intervalo, os procedimentos adotados anteriormente foram repetidos com uma exceção, antes do aquecimento no cicloergômetro, o atleta foi submetido à aplicação da bandagem elástica.

A relação de equilíbrio muscular entre flexores e extensores de joelho dos membros direito e esquerdo foi obtida através do pico de torque. Parâmetro escolhido por ser um indicador de força máxima, de extrema importância na prática do futebol.

Resultados

Perfil – Em relação à posição de jogo, um atleta era lateral esquerdo, um atleta era zagueiro, um atleta era volante de marcação. Percebeu-se que dos três atletas estudados, um era canhoto e os outros dois eram destros. O tempo mínimo de prática de futebol foi de seis anos e o tempo máximo de prática foi de dez anos.

Sem bandagem – O atleta 1, apresentou um pico de torque de força na musculatura extensora de 132 newtons para o membro direito e 136 newtons para o membro esquerdo. Na musculatura flexora, apresentou pico de torque de força de 136 newtons para o membro direito e 119 newtons para o membro esquerdo. Porém na avaliação de resistência, apresentou um pico de torque de extensores de 107 newtons no membro direito e 53 newtons no membro esquerdo. Já na musculatura flexora, apresentou um pico de torque de 104 newtons para o membro direito e 92 newtons para o membro esquerdo.

O atleta 2, apresentou um pico de torque de força na musculatura extensora de 133 newtons para o membro direito e 130 newtons para o membro esquerdo. Na musculatura flexora, apresentou pico de torque de força de 114 newtons para o membro direito e 108 newtons para o membro esquerdo. Porém na avaliação de resistência, apresentou um pico de torque de extensores de 65 newtons no membro direito e 83 newtons no membro esquerdo. Já na musculatura flexora, apresentou um pico de torque de 69 newtons para o membro direito e 73 newtons para o membro esquerdo.

Por fim, o atleta 3 apresentou um pico de torque de força na musculatura extensora de 160 newtons para o membro direito e 153 newtons para o membro esquerdo. Na musculatura flexora, apresentou pico de torque de força de 132 newtons para o membro direito e 126 newtons para o membro esquerdo. Porém na avaliação de resistência, apresentou um pico de torque de extensores de 94 newtons no membro direito e 114 newtons no membro esquerdo. Já na musculatura flexora, apresentou um pico de torque de 73 newtons para o membro direito e 113 newtons para o membro esquerdo.

Avaliação de comparação do pico de torque do quadríceps e isquiostibiais por avaliação isocinética (Tabela 1).

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Após aplicação da bandagem – O atleta 1, apresentou um pico de torque de força na musculatura extensora de 148 newtons (aumento de 12%) para o membro direito e 146 newtons (aumento de 8%) para o membro esquerdo. Na musculatura flexora, apresentou pico de torque de força de 140 newtons (aumento de 3%) para o membro direito e 136 newtons (aumento de 14%) para o membro esquerdo. Porém na avaliação de resistência, apresentou um pico de torque de extensores de 113 newtons (aumento de 5%) no membro direito e 114 newtons (aumento de 115%) no membro esquerdo. Já na musculatura flexora, apresentou um pico de torque de 107 newtons (aumento de 3%) para o membro direito e 114 newtons (aumento de 24%) para o membro esquerdo.

Em seguida, o atleta 2 apresentou um pico de torque de força na musculatura extensora de 148 newtons (aumento de 11%) para o membro direito e 142 newtons (aumento de 9%) para o membro esquerdo. Na musculatura flexora, apresentou pico de torque de força de 119 newtons (aumento de 5%) para o membro direito e 117 newtons (aumento de 8%) para o membro esquerdo. Porém na avaliação de resistência, apresentou um pico de torque de extensores de 115 newtons (aumento de 77%) no membro direito e 104 newtons (aumento de 26%) no membro esquerdo. Já na musculatura flexora, apresentou um pico de torque de 99 newtons (aumento de 43%) para o membro direito e 95 newtons (aumento de 30%) para o membro esquerdo.

Por fim, o atleta 3 apresentou um pico de torque de força na musculatura extensora de 157 newtons (diminuição de 2%) para o membro direito e 160 newtons (aumento de 4%) para o membro esquerdo. Na musculatura flexora, apresentou pico de torque de força de 144 newtons (aumento de 9%) para o membro direito e 138 newtons (aumento de 10%) para o membro esquerdo. Porém na avaliação de resistência, apresentou um pico de torque de extensores de 148 newtons (aumento de 58%) no membro direito e 107 newtons (diminuição de 6%) no membro esquerdo. Já na musculatura flexora, apresentou um pico de torque de 108 newtons (aumento de 48%) para o membro direito e 114 newtons (aumento de 1%) para o membro esquerdo. Avaliação de comparação do pico de torque do quadríceps e isquiostibiais por avaliação isocinética após aplicação da bandagem (Tabela 2).

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Discussão

O objetivo deste estudo foi caracterizar a performance muscular dos atletas de futebol, considerando-se os parâmetros de pico de torque e trabalho máximo. Na área esportiva, o estabelecimento de dados relativos ao desempenho muscular pode ser útil na prevenção, treinamento e reabilitação dos atletas.

Os valores obtidos pelos atletas avaliados neste estudo são variados, possivelmente essa diferença na performance muscular esteja associada à diferentes demandas físicas impostas pela prática do futebol. Nesse caso, não apenas o esporte em si, mas também o treinamento necessário para a preparação do atleta para o jogo, como os treinos em campo ou a realização da musculação.

Percebeu-se ainda que durante o estudo a bandagem elástica influenciou de maneira variável nos parâmetros avaliados (força máxima e resistência muscular), com melhora mínima de 1% e máxima de 115% e em um único caso ocorrendo diminuição do valor.

Porém, também foi notório que a bandagem teve resultado positivo na melhora de força e resistência apenas nas musculaturas deficitárias, ou seja, aquelas que apresentaram diminuição dos valores de força e/ou resistência (ex: na musculatura extensora do atleta 3 percebeu-se uma melhora de 58% no membro direto que apresentava valor igual a 94 newtons e após aplicação passou a apresentar 148 newtons; porém na musculatura extensora do membro esquerdo houve uma diminuição de 6%, onde apresentava 114 newtons e passou a apresentar 107 newtons).

Portanto, a partir deste estudo, nota-se que a bandagem somente é capaz de estimular aquela musculatura que se apresenta “fraca”, ou seja, aquela que dentro da possibilidade e condição pode apresentar ganho de força e/ou resistência. Entretanto, aquelas musculaturas que se apresentam “fortes” e com valores limites para tal condição muscular, não poderão ser estimuladas.

No entanto este estudo obteve um resultado diferente ao estudo realizado por  FU, 2008 e Janwantanakul, 2005 que observaram que o kinesio não afeta as atividades musculares quando aplicadas sob tensão na direção das fibras musculares. Porém, como dito anteriormente, a eficácia é observado apenas na resistência muscular e não quando avaliamos força muscular.

Conclusão

Após aplicação da bandagem elástica, de forma apresentada na amostragem, notou-se uma inibição dos isquiostibiais e consequentemente uma melhora da resistência muscular em quadríceps (antagonista aos isquiostibiais) principalmente no membro deficitário e uma considerável melhora do desequilíbrio muscular.

Vimos ao final deste estudo que a bandagem elástica funcional tem a capacidade de melhorar a resistência muscular porém com pouco resultado positivo na força muscular máxima no grupo proposto, ou seja, seria necessário aplicar a bandagem da mesma forma porém em quadríceps, para melhorar a capacidade muscular em isquiostibiais. Pois na pesquisa, a aplicação da bandagem gerou uma resposta positiva no antagonista.

Desta forma são necessários novos estudos relacionando a utilização da bandagem elástica com o ganho de resistência e força em uma determinada musculatura. Sugere-se estudos mantendo por mais tempo a bandagem elástica aplicada a fim de avaliar se seu uso por tempo prolongada oferece maior estímulo muscular. Além de utilizar um grupo de pesquisa maior, dando assim maior confiabilidade à pesquisa e retirando probabilidade de erro.

Referências

[1] LEITE, C.B.S.; NETO, F.C.. Incidência de lesões traumato-ortopédicas no futebol de campo feminino e sua relação com alterações posturais. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Ano 9, N° 61, 2003..

[2] HEIDT, R.S., et al. Avoidance of soccer injuries with preseason conditioning. Am J Sports Med. 2000.

[3] KAHANOV, L.. Kinesio Taping, Part I: An overview of its use in athletes.
Athletic Therapy Today. San Jose, v. 12, n. 3, p. 17-18, Mai, 2007.

[4] AMATUZZI, M.M., et al. Avaliação Isocinética do Joelho do Atleta. Rev. Bras. Med. Esporte Vol. 7, Nº 2 – Mar/Abr, 2005.

[5] KASE, K.; WALLIS, J. Clinical Therapeutic Applications of the Kinesio Taping Method. Tokyo, Japan: Ken Ikai Co Ltd; 2003.

[6] SILVA, R.T., et al.Shoulder strength profile in elite junior tennis players: horizontal adduction and abduction isokinetic evaluation. British Journal of Sports Medicine, v.40, n.5, p.411-414, 2006.

[7] FU, T.; WONG, A. K.; PEI, Y. et al. Effect of kinesio taping on muscle strength in athletes – A pilot study. Journal of Science and Medicine in Sport. V. 11, p. 198-201, 2008.

[8] JANWANTANAKUL, P. Vastus lateralis and vastus medialis obliquus muscle activity during the application of inhibition and facilitation taping techniques. Clin Rehabil 2005.

[9] KASE, K.; WALLIS, J. Clinical Therapeutic Applications of the Kinesio Taping Method. Tokyo, Japan: Ken Ikai Co Ltd; 2003.



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