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Cuidados Paliativos no Ambiente Hospitalar: A Importância dos Recursos Fisioterapêuticos

Cuidados Paliativos no Ambiente Hospitalar: A Importância dos Recursos Fisioterapêuticos

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, o Brasil tem passado por um processo de transição demográfica que modificou o perfil da população que antes era predominantemente de jovens e, atualmente, passa a ser de pessoas com idade mais avançadas. Com essa mudança, as doenças crônicas
degenerativas tornaram-se mais relevantes, pois com sua evolução gera uma série de transtornos como incapacidade e dependência, causando sofrimentos que se prolongam por longos períodos (MATSUMOTO, 2012).

É nesse contexto que surge uma forma mais humanizada de cuidar, denominada cuidados paliativos (CP). Os profissionais de saúde passaram a ofertar ao paciente com enfermidades crônicas e incuráveis uma assistência multidisciplinar que ofereça qualidade de
vida e ajudam os familiares a enfrentar as dificuldades do fim da vida (SANTOS, 2011).

A Organização Mundial de Saúde (OMS), em um conceito criado em 1990 e atualizado em 2002, definiu Cuidados Paliativos como:

“[…] consistem em medidas que promovem a qualidade de vida de pacientes e seus familiares diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida, através da prevenção e alívio do sofrimento por meio de identificação precoce, avaliação correta e tratamento
impecável da dor e outros problemas físicos, psicossociais e espirituais”.

Os cuidados paliativos não são classificados como eutanásia, mas sim uma série de medidas não farmacológicas e abordagens de assistir ao paciente, de maneira a controlar sinais e sintomas, psicológicos e físicos, quando não há mais resposta ao tratamento. Nesse quesito, a
família também é assistida durante todo o tratamento e após a morte do paciente no momento do luto. Esses cuidados, dentro do ambiente hospitalar, são de suma importância, visto que é um local onde muitos pacientes se encontram em sua fase terminal (FLORENTINO, 2012).

Os CP são definidos em quatro fases, em função do estágio da doença, correspondendo cada uma de acordo os níveis de complexidade: a fase aguda, que indica o desenvolvimento inesperado de um problema ou aumento da gravidade dos problemas já existentes; a fase de deterioração, caracterizada por um desenvolvimento gradual dos problemas; a fase Terminal, em que a morte está próxima; e por fim, a fase Estável, onde estão inclusos os pacientes que não estão em nenhuma das fases anteriores (GIRÃO, 2013).

Por conseguinte, se faz necessário o acompanhamento por uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, psicólogos, equipe de enfermagem, fisioterapeutas, assistentes sociais, nutricionistas e terapeutas ocupacionais. Em um ambiente hospitalar, quanto mais esses
profissionais trabalhem de forma harmônica e igualitária é que irá resultar em um conforto e melhor qualidade de vida para o paciente em fase avançada da doença (MCCOUGHLAN, 2003).

Nesse sentido, o Fisioterapeuta dentro dos CP, visa a qualidade de vida dos pacientes, por meio de condutas que os reabilite funcionalmente, bem como auxiliar o cuidador a lidar com o avanço rápido da enfermidade. Atua no controle de sintomas como dor, fadiga linfedema, dispneia, hipersecreção pulmonar. Para efetivar esse controle, são utilizadas técnicas de relaxamento, drenagem linfática manual, eletroterapia, massoterapia, exercícios respiratórios e motores, alongamentos musculares e utilização de órteses. Estas técnicas têm como um dos objetivos viabilizar altas hospitalares (FLORENTINO, 2012).

Dentro desse contexto, o objetivo deste artigo foi revisar as evidências disponíveis na literatura sobre a importância e o papel da Fisioterapia nos Cuidados Paliativos dentro do ambiente hospitalar, bem como as possíveis formas de tratamento.

MATERIAL E MÉTODOS

Este artigo trata-se de uma revisão de literatura sistemática, uma modalidade de revisão que utiliza uma metodologia abrangente, que possibilita a análise de estudos com diferentes desenhos de pesquisa, de natureza quantitativa ou qualitativa, e abordagens experimentais e
não-experimentais.

A investigação foi desenvolvida em seis etapas: identificação do problema, revisão de literatura, categorização dos estudos, análise dos estudos, interpretação dos resultados e síntese dos achados da revisão. A questão norteadora do estudo foi: quais são os resultados do
tratamento Fisioterapêutico em pacientes em cuidados paliativos dentro do ambiente hospitalar? Para respondê-la utilizou-se a estratégica PICO em que a população (P) foram os pacientes em cuidados paliativos, a intervenção (I) interesse ou variável independente foi o tratamento fisioterapêutico, a comparação (C) ou variável dependente foi o estado funcional e os resultados ou outcomes (O) foram os efeitos do tratamento.

A busca dos artigos foi realizada nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (Scielo), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), e National Library of Medicine (PubMed). Para realizar as buscas literárias foi delimitado um período de
publicação de artigos entre os anos 2000 a 2020, e foram selecionados aqueles artigos escritos nos idiomas português, inglês e espanhol.

Para realização das buscas foram utilizados como descritores: “Reabilitação”, “Cuidados paliativos” e “Fisioterapia Hospitalar”. Para melhor eficácia nas buscas, os descritores foram utilizados no idioma inglês “rehabilitation”, “palliative care” e “hospital physiotherapy” e combinados entre si: “rehabilitation AND palliative care” e “hospital physiotherapy AND palliative care”. Foram selecionados para revisão artigos originais do tipo experimental e observacional que abordassem a intervenção fisioterapêutica no alívio de sintomas e desconfortos de doenças consideradas fora de possibilidades terapêuticas, com resumo e texto completo disponível online, escritos em inglês, português ou espanhol. Foram descartados conteúdo que não atendiam a questão norteadora do estudo, revisões de literatura, monografias, teses e artigos que não tinham o texto completo disponível.

Para a seleção dos artigos, primeiramente foi realizada uma leitura prévia dos títulos, e, para aqueles em que os títulos se mostraram compatíveis com o tema em questão, foi realizada uma leitura exploratória dos resumos, para verificar o objetivo do estudo e sua relevância para o desenvolvimento da pesquisa. Após essas etapas, os artigos que realmente se enquadraram nos critérios de inclusão foram acessados na íntegra e passaram por uma leitura analítica examinando-os minuciosamente, para fins de revisão.

Como resultados da pesquisa nas bases de dados por meio dos descritos préestabelecidos, foram encontrados no total 887 artigos (PUBMED: 815, LILACS: 66 e SCIELO: 6). No entanto, ao passar pelos critérios de seleção, apenas 22 foram utilizados para análise. O processo de busca e seleção se encontra descrito na figura 01 abaixo.

RESULTADOS

Os 22 artigos analisados se encontram descritos no quadro 01, onde foram especificados autor, ano de publicação, título, objetivo, amostra, instrumentos de pesquisa e seus devidos resultados. A descrição dos artigos foi realizada considerando apenas o tratamento fisioterapêutico realizado dentro do ambiente hospitalar em pacientes submetidos aos cuidados paliativos.

Quadro 01 – Relação dos estudos que avaliaram a independência funcional pós-AVC.

Autor/ano Título Objetivo Amostra Intervenção Resultados
Bassani,
MA. et al,
2008.
O Uso da
Ventilação
Mecânica Não-
Invasiva nos
Cuidados
Paliativos de
Paciente com
Sarcoma Torácico
Metastático.
Relato de Caso
Apresentar os
benefícios obtidos
com a ventilação
mecânica nãoinvasiva
no
paciente sob
cuidados
paliativos.
1 paciente
com sarcoma
torácico
metastático.
Ventilação
mecânica não
invasiva por no
mínimo 40
minutos modo
CPAP +PSV de
uma a três vezes
ao dia,
conforme
necessidade.
Houve alívio
da dispneia, foi
evitada a
intubação
traqueal e
permitida a
interação com
a família.
Uster, A.
et al, 2007
Effects of
nutrition and
physical exercise
intervention in
palliative cancer
patients: A
randomized
controlled trial
Testar os efeitos
de um programa
exercício físico
em pacientes com
câncer com
tumores
metastáticos ou
localmente
avançados do trato
gastrointestinal e
pulmonar.
18 mulheres e
40 homens
(idade média
63, faixa 32-
81) com
tumores
metastáticos
ou localmente
avançados
dos tratos
gastrointestin
al (n = 38) e
pulmonar (n
= 20)
Programa de
exercícios
realizado duas
vezes na
semana por 60
minutos e
incluiu
exercícios
definidos de
aquecimento,
força e
equilíbrio
exercícios de
treinamento.
A intervenção
multimodal
não melhorou a
qualidade de
vida geral, mas
contribuiu para
o bem-estar
geral do
paciente,
reduzindo
náuseas e
vômitos.
LIAO, S.
F. 2016
Lymphedema
Characteristics and
the Efficacy of
Complex
Decongestive
Physiotherapy in
Malignant
Lymphedema
Identificar a
eficácia da
fisioterapia
descongestiva
complexa (CDP)
em pacientes com
linfedema
maligno
29 pacientes
com
linfedema
maligno em
cuidados
paliativos.
Associou o uso
da bandagem
compressiva
com exercícios
físicos
utilizando
bandagem
elástica e
hábitos de higiene.
A CDP
melhora o
estágio do
linfedema, a
amplitude de
movimento, a
dor, o peso e os
escores de
tensão.
Minton O.
et al, 2007
Electroacupunctur
e as an Adjunctive
Treatment to
Control
Neuropathic Pain
in Patients with
Cancer
Avaliar a
eletroacunputura
com TENS como
um tratamento
para dor
neuropática em
pacientes com
câncer.
Pacientes
com câncer
que tinham
dor
neuropática.
E um grupo
placebo.
Eletroacunputur
a com TENS.
1 vez na semana
(30 min).
Corrente
alternada em 80
e 2 Hz.
Diminuição
estatisticament
e significante
dos escores de
dor quando
comparados ao
grupo placebo.
Mackey
KM
Sparling
JW, 2000
Experiences of
Older Women
With Cancer
Receiving Hospice
Care: Significance
for Physical
Therapy
Conhecer o que
pode ser utilizados
pelos
fisioterapeutas
para avaliar e
tratar com mais
eficácia pessoas
idosas com câncer
em tratamento
paliativo.
3 idosas com
câncer,
internadas em
unidades de
cuidados
paliativos.
Orientações e
treino de
cuidadores e
familiares sobre
treino de
transferências,
posicionamento
e conforto.
Treino de
atividades de
vida diária.
Diminuição da
dependência de
cuidadores.
Segurança aos
cuidadores e
familiares
durante
manuseios e
interação
diária. Melhora
subjetiva da
qualidade de
vida.
Lauridsen
MC, et al.,
2005
The effect of
physiotherapy on
shoulder function
in patients
surgically treated
for breast cancer:
A randomized
study
O efeito da
fisioterapia na
função do ombro
em pacientes
tratados
cirurgicamente
para câncer de
mama
139 pacientes
recém
diagnosticado
s com câncer
de mama. 62
submetidos a
terapia
conservadora
e 77 a
mastectomia
Cinesioterapia
com exercícios
resistidos,
alongamentos,
exercícios
metabólicos e
relaxamento.
Cuidados com a
cicatriz.
Melhora da
função do
ombro no lado
mastectomizad
o. Melhora da
amplitude de
movimento.
Cobe, S. et
al. 2012
Physical Function
in Hospice
Patients and
Physiotherapy
Interventions: A
Profile of Hospice
Physiotherapy
Traçar um perfil
da fisioterapia
hospitalar em um
ambiente irlandês
para informar a
prática
internacionalment
e.
Analise do
prontuário de
249 pacientes
internados e
encaminhado
s para o setor
de
Fisioterapia.
O tratamento
durou em média
11 dias e era
realizado
reeducação da
marcha, treino
de transferência
e exercícios.
A fisioterapia
envolveu
medidas de
reabilitação e
de qualidade
de vida / de
suporte.
Villanova
, V. H. et
al. 2013
Estimulação
elétrica nervosa
transcutânea como
coadjuvante no
manejo da dor
oncológica
Avaliar a
efetividade da
aplicação da
TENS como
coadjuvante no
manejo da dor
oncológica em
pacientes
hospitalizados
10 pacientes
com dor
oncológica.
Para
mensuração
da dor, antes
e após a
aplicação, foi
usada a
escala
numérica de
dor.
Quatro sessões
de intervenção
com o uso do
TENS em um
protocolo
previamente
definido.
F: 50 a 100hz
I: 75us
Verificou-se
redução da dor
após a
aplicação do
recurso TENS
sobre a dor de
origem
oncológica.
Kumar, S.
P. et al.
2013
Mechanism-based
Classification and
Physical Therapy
Management of
Persons with
Cancer Pain: A
Prospective Case
Series
O objetivo deste
estudo foi detalhar
a eficácia do
mecanismo de
tratamento
fisioterapêutico
para alívio da dor
em pacientes com
câncer.
Um total de
24 adultos
(18 mulheres,
6 homens)
com
diagnóstico
primário de
grupo
heterogêneo
de câncer,
foram
incluídas no
estudo com
queixa
principal de
dor crônica
incapacitante.
TENS de alta
frequência,
mobilização /
massagem de
tecidos moles,
exercícios
passivos /
assistidos /
ativos / livres /
resistidos. Uma
vez por semana,
durante 5
semanas por 30
minutos.
A fisioterapia
baseada em
mecanismos
produziu
alterações
clinicamente e
estatisticament
e significativas
nos escores de
dor de câncer
neste estudo.
Kasven-
Gonzalez,
N. et al,
2010
Improving Quality
of Life Through
Rehabilitation in
Palliative Care:
Case Report
descrever a
intervenção de
reabilitação com
uma jovem
diagnosticada com
osteossarcoma e
leucemia durante
a fase final de sua
vida.
1 paciente
com tumor
ósseo
maligno e
metástases
pulmonares
Cinesioterapia
com exercícios
resistidos e de
ADM.
Manobras para
alívio de pontos
de pressão.
Treino
funcional de
transferência e
fisioterapia
respiratória.
Alívio da
fadiga e da
ansiedade.
Independência
funcional
mantida pelo
máximo de
tempo
possível.
Prevenção de
escaras e
outras
complicações
do imobilismo
Clemens,k.
E. 2010
Evaluation of the
Clinical
Effectiveness of
Physiotherapeutic
Management of
Lymphoedema in
Palliative Care
Patients
Avaliar a
frequência e o
efeito da
drenagem linfática
manual em
pacientes em
cuidados
paliativos com
linfedema em um
estágio muito
avançado de sua
doença.
90 pacientes
que relataram
carga de
sintomas
devido a
linfedema
foram
incluídos;
Drenagem
linfática
manual. Em
média 7 vezes
por pacientes.
A maioria dos
pacientes
apresentou
melhora clínica
na intensidade
dos sintomas
após a
drenagem
linfática
manual.
Henke, C.
C. 2014
Strength and
endurance training
in the treatment of
lung cancer
patients in stages
IIIA/IIIB/IV
Testar os efeitos
de um treinamento
de força e
resistência na
independência e
qualidade de vida
em pacientes com
câncer de pulmão
nos estágios IIIA /
IIIB / IV durante a
quimioterapia
paliativa.
Vinte e nove
pacientes
completaram
o estudo
(grupo
Intervenção
(GI), n = 18;
grupo
controle
(GC), n =
11).
Receberam
fisioterapia
convencional ou
treinamento
fisioterapêutico
especial,
incluindo
exercícios
físicos de
fortalecimento.
O treino teve efeito
positivo na
funcionalidade,
resistência e força,
demonstrando que
mesmo pacientes
recebendo
quimioterapia
paliativa devem
receber
intervenções que
aumentem a
atividade física.
Tatematsu
N. et al.
2011
The Effects of
Exercise
Therapy on
Delirium in
Cancer
Patients: A
Retrospective
Study
investigar os
efeitos da
terapia por
exercício no
delirium em
pacientes
com câncer.
Estudo retrospectivo
de pacientes com
câncer que foram
admitidos no
Hospital da
Universidade de
Kyoto e
encaminhados à
Equipe de Cuidados
Paliativos.
Os indivíduos
foram
divididos em
dois grupos
[um grupo de
terapia por
exercício (GE)
e um grupo
sem terapia
por exercício
(NG)]]
realizando
deambulação
precoce.
A dose
administrada de
antipsicóticos foi
significativamen
te menor no
grupo EG versus
o grupo GN é
concebível que
os sintomas de
delirium tenham
sido atenuados
em pacientes que
receberam
terapia por
exercício.
Oldervoll,
L. M. et
al, 2006.
The Effect of a
Physical
Exercise
Program in
Palliative
Care: A Phase
II Study
Avaliar os
efeitos de um
programa de
exercícios
físicos no
desempenho
físico e na
qualidade de
vida (QV) em
uma
população
com câncer
incurável e
com uma
expectativa
de vida curta.
5 homens e 19
mulheres com idade
média de 65 anos
Os pacientes
participaram
duas vezes por
semana, 50
minutos cada
sessão,
durante um
período de 6
semanas. O
programa
consistiu em
uma sessão de
aquecimento,
treinamento
em circuito
com seis
estações e
uma sessão de
relaxamento /
alongamento.
o exercício físico
é uma
intervenção
viável em um
ambiente de
cuidados
paliativos.
Pyszora
A, et al.
2017.
Physiotherapy
Programme
Reduces
Fatigue in
Patients With
Advanced
Cancer
Receiving
Palliative
Care:
Randomized
Controlled
Trial
Avaliar o
efeito de um
programa de
fisioterapia
na IRC e
outros
sintomas em
pacientes
diagnosticado
s com câncer
avançado.
Estudo controlado
randomizado. Sessen
ta pacientes
diagnosticados com
câncer avançado em
tratamento paliativo
foram randomizados
em dois grupos: o
grupo de tratamento
(n = 30) e o grupo
controle (n = 30).
A terapia
ocorreu três
vezes por
semana
durante 2
semanas. A
sessão de
fisioterapia de
30 minutos
incluiu
exercícios
ativos,
liberação
miofascial e
técnicas de
facilitação
neuromuscular
proprioceptiva
(FNP)
O programa de
fisioterapia teve
efeitos benéficos
na IRC e outros
sintomas. Os
resultados do
estudo sugerem
que a fisioterapia
é um método
seguro e eficaz
de tratamento da
IRC.

DISCUSSÃO

Observando os artigos analisados, notou-se utilização de diferentes métodos e técnicas de tratamento fisioterapêutico nas unidades de cuidados paliativos. Notou-se a utilização de diferentes instrumentos para avaliação funcional, onde a grande maioria dos estudos utilizou
como instrumento de avaliação a Medida de Independência Funcional (MIF), seguido do Índice de Barthel Modificado e Escala de Rankin modificada (MRS). No geral, as amostras eram compostas predominantemente por indivíduos com idade média avançada.

Os CP adotam uma abordagem humanista e integrativa para todos os pacientes sem a possibilidade de cura, reduzindo sintomas e melhorando a qualidade de vida. Por isso é necessário que o Fisioterapeuta juntamente com a equipe multiprofissional estejam aptos a
compreender todas as necessidades do indivíduo sejam elas físicas, psicológicas ou espirituais (MELO et al, 2013).

O profissional de fisioterapia, a partir de uma boa avaliação, vai estabelecer um programa de tratamento adequado com utilização de recursos, técnicas e exercícios. A avaliação nos cuidados paliativos é ampla e observa sinais e sintomas como: dispneia, linfedema, fadiga,
dor, alteração no sistema neurológico entre outros (PAIÃO, DIAS, 2012). O foco de atuação do fisioterapeuta vai de acordo com a funcionalidade do paciente, ou seja, quando totalmente dependente, o enfoque deve ser o posicionamento e mudanças de decúbito, transferências e mobilização global, prevenindo deformidades e complicações respiratórias e/ou cardiovasculares. (PAIÃO, DIAS, 2012).

A cinesioterapia favorece a mobilidade e melhora o desempenho funcional dos segmentos corporais prejudicados, mantendo o trofismo muscular resgatando a amplitude de movimento e prevenindo a imobilidade no leito e resistência à fadiga (FLORENTINO et al, 2012).

De acordo com Marcucci (2005), na gerência dos sintomas respiratórios a fisioterapia respiratória é de suma importância, porém, para a execução da mesma deve-se existir o conhecimento do estágio evolutivo da doença oncológica e a definição dos critérios para indicar
ou contraindicar condutas, principalmente nos cuidados paliativos.

CONCLUSÃO

Diante do exposto, foi possível observar que o Fisioterapeuta detém métodos e recursos exclusivos de sua profissão que são imensamente úteis nos Cuidados Paliativos, e sua atuação corrobora com o tratamento multiprofissional e integrado necessário para o atendimento de
pacientes oncológicos em cuidados paliativos. Ressalta-se a importância do preparo profissional para enfrentar a finitude tão próxima quando se lida com estes pacientes, portanto esta discussão não deve ser evitada, e muito menos excluída da formação destes profissionais.

REFERÊNCIAS

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Artigo Publicado em: 12/05/2023



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