Complicações da Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica: Uma Revisão Sistemática
A pneumonia associada à ventilação (PAVM) é definida como aquela que se desenvolve quarenta e oito horas a partir do inicio da ventilação mecânica, sendo considerada ate quarenta e oito horas após a extubação. É uma das infecções hospitalares mais incidentes nas unidades de terapia intensiva (UTI) 1. Pacientes críticos necessitam de monitorizarão e suporte continuo para prevenção de suas funções vitais, na qual a maioria absoluta deles são submetidos a procedimentos invasivos, tais como tubo orotraquial, traqueotomia, e a ventilação mecânica (VM) que prejudicam os mecanismos de defesa do trato respiratório, tendo como consequência a PAVM 2.
A pneumonia é uma infecção que ocorre do parênquima pulmonar onde há o comprometimento de bronquíolos respiratórios e alvéolos que são preenchidos por exudato inflamatório prejudicando as trocas gasosas 3.
A pneumonia hospital adquirida em ambiente hospitalar, após 48 a 72 horas de hospitalização. É considerada precoce quando ocorre até o quarto dia e, tardia, quando tem início a partir do quinto dia; essa classificação tem grande importância para a diferenciação do agente etiológico e para a decisão quanto à terapêutica a ser instituída 4, e a segunda causa mais comum de infecção nosocomial 5.
A VM está associada a vários tipos de complicações que podem agravar a doença do paciente, prolongar o tempo de permanência no respirador ou causar sequelas permanentes. Estima-se que aproximadamente 40% dos pacientes internados nas UTI encontra-se em ventilação mecânica sendo, portanto, atitude terapêutica de alta prevalência 6.
A VM ou suporte ventilatorio mecânico (SVM) consiste em aplicar de forma invasiva ou não, uma maquina que substitua parcialmente ou totalmente a atividade ventilatoria espontânea de um paciente6.
Quando os pacientes são submetidos a VM, os mecanismos de defesa do pulmão estão alterados pela doença de base, ou pela perda da proteção das vias aéreas superiores, em indivíduos intubados, trazendo distúrbios da fisiologia normal respiratória durante a ventilação mecânica, que vão desde a hipersecreção pulmonar ate a um aumento da frequência das infecções respiratórias, com alto índice de mortalidade1.
O objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão sistemática para verificar incidência de Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica em seu inicio tardio e inicio recente.
METODOLOGIA
Este estudo foi realizado através de uma revisão sistemática, com busca cientificas nacionais em bases eletrônicas por meio de publicações pesquisadas pelo LILACS (Literatura Latino- Americano DM Ciências de Saúde), PUBMED, SCIELO. Os unitermos utilizados foram: Pneumonia e ventilação mecânica. Foram artigos publicados no ano 1996 de a 2012 na portuguesa.
A escolha dos artigos foi realizada após a leitura dos títulos e resumos; os selecionados foram aqueles que apresentaram na sua abordagem sobre a Pneumonia associada à ventilação mecânica adultos, o tempos de VM, de internação hospitalar, causando aumento de morbidade e mortalidade em pacientes graves internados na UTI.
RESULTADOS
Foram encontrados vários estudos de relevância sobre a incidência de pneumonia associada à ventilação mecânica em seu inicio tardio e recente dentre ele se destaca Guimarães e col. relata o tempo de VM que é um fator reconhecido e fortemente associado ao desenvolvimento da pneumonia nosocomial, mostrando que em seu estudo o maior numero de casos foi a pneumonia associado à ventilação PAV foi tardia4.
No artigo de Teixeira e col. Trinta e três pacientes (36,3%) desenvolveram a pneumonia com ate cinco dias de ventilação mecânica (PAV de inicio recente), enquanto que 58 (63,7%) a desenvolveram após o quinto dia (PAV de inicio tardio).Nas Pneumonias de inicio recentes, microorganismos multirresistentes foram responsável por 25 casos(75,6%), enquanto que nas de inicio tardio, causaram 50 episódios (86,2%)8.
Carrilho e col. descrevem em seu artigo que a PAV ocorreu antes do quarto dia de ventilação mecânica nos pacientes estudados, sendo este considerado precoce tendendo a ter melhor prognostico, tendo em vista que os agentes mais comunmente responsáveis são os comunitários12.
Seligman e col. relataram em seu estudo dos 71 pacientes avaliados, 16 (22,5%) apresetaram a PAV de inicio precoce e 55 (77,5%) apresentaram a PAV de inicio tardio9.
Carvalho mostrou em sua revisão que 99 hospitais brasileiros, demonstrou que a pneumonia foi responsável por 28,9% de todas as infecções nosocomiais, destas, 50% ocorreram em pacientes ventilados mecanicamente, a PAV aumenta o tempo de ventilação mecânica dos pacientes e sua permanecia nas UTI dos hospitais, mostrando um alto índice de morbidade, gerando alto custos hospitalares e alta mortalidade10.
Fatores de risco podem ser classificados em modificáveis e não modificáveis. Os fatores modificáveis para a PAV são: idade, escore de gravidade quando da entrada do paciente na UTI e presença de co-morbidades (insuficiência cardíaca, doenças pulmonar obstrutiva crônica, diabetes, doenças neurológicas, neoplasias, traumas, e pos operatório de cirurgias). Os fatores modificáveis para PAV estão relacionado ao ambiente (microbiotica) da própria UTI11.
Souza descreve em seu estudo de revisão que a pneumonia de inicio precoce é usualmente causada pela microaspiracao de bactérias que colonizam a orofaringe (cocos Gram-positivos e Haemophilus influenza) e geralmente, apresenta melhor prognostico por serem sensíveis antibióticos. A pneumonia de inicio tardia é usualmente, causada por organismo nosocomiais como Pseudomonas aeroginosa, Stenotrophomonas maltoohilia, espéciesAcinetobacter e Staphilococcus aureus resitente a meticilina e, portanto estão associados a uma maior mortalidade11.
DISCUSSÃO
O presente estudo realizado através de uma revisão sistemática revela que o paciente acoplado a ventilação mecânica por um período de tempo prolongado desenvolve-se como conseqüência a Pneumonia e acordo com Guimaraes e Rocco (2006) 4 o tempo de ventilação mecânica e um fator reconhecido e fortemente associado ao desenvolvimento da pneumonia nosomial, onde o maior numero de PAV em seu estudo foi de forma tardia, e de acordo com Knibel et al. (2009) 13 concluem esta mesma afirmação através de um ensaio clinico demonstrando que a ocorrência da PAVM relacionou positivamente a um maior tempo de permanência sob o suporte ventilatorio invasivo (cerca de 15 dias adicionais) e prolongou a estadia na UTI (cerca de 15 dias adicionais) e no hospital (cerca de 13 dias adicionais) de forma significativa aumentando assim a mortalidade na UTI.
No artigo de Carrilho et al. (2006) 5encontrou-se mortalidade de 40% com diagnostico de PAV semelhante as taxas de mortalidade de 40% a 60% encontrados em estudos recentes, esse aumento de mortalidade em alguns pacientes pode ser atribuído ao retardo de diagnostico e inicio tardio da terapêutica apropriada.
No Quadro 1 estão apresentados o fatores relacionados a pneumonia associado a ventilação mecânica
Tabela 1- Resumo dos fatores envolvidos na fisiopatologia da pneumonia grave
| Condições imunitárias “Biofilm” – colonizado no interior do tubo traqueal Uso de drogas imunodepressoras – Aspiração do condensado contaminado dos circuitos Desnutrição – Contaminação exógena Antibioticoterapia prévia – Colonização microbiana e Colonização gástrica e aspiração Cirurgias prolongadas – Aspiração de secreções contaminadas Choque – Retenção e aspiração de secreções acumuladas acima do balonete Coma – da sonda de intubação Infecção extrapulmonar. Bacteremias – Virulência do microorganismo Sinusites – Quantidade de microorganismos inoculados lntubação traqueal – Tempo de internação Ventilação mecânica – Translocação bacteriana, bacteremias |
David CMN. Infecção na UTI 14
CONCLUSÃO
A PAV esta relacionado a maiores tempos de VM, de internação hospitalar e importante causa de aumento de morbidade e mortalidade em pacientes graves internados na UTI, sendo sua maior incidência em inicio tardio, ou seja, após o quinto dia de intubação, representando um desfia terapêutico em ambiente de UTI.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Beraldo CC; Andrade D. Higiene bucal com clorexidina na prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica. Jornal Brasileiro de Pneumonia V 34 N 707-714 Janeiro de 2008, São Paulo.
Pombo NMC; Almeida CP.; Rodrigues NLJ. Conhecimento dos profissionais de saúde na Unidade de Terapia Intensiva sobre prevenção de pneumonia associada a ventilação mecânica. Ciencia & Saude Coletiva 2010.
Lima RM, Pace DM, Medeiros LM, Virginio BF. Pneumonia associada a ventilação mecânica: Aspectos Gerais . Site WWW.fisioweb.com.br. 2007.
Guimarães QM, Rocco RJ. Prevalência e prognostico dos pacientes com pneumonia associado a ventilação mecânica em um hospital universitário. Centro de Tratamento Intensivo da UFRJ. Vol 32, São Paulo 2006.
Carrillho MC, Giron CM, Medeiros EA, Saridaki HO, Belei R, Bonameti AM, Matsuo T Pneumonia em UTI: Incidência, Etiologia e Mortalidade em Hospital Universitário. Volume 16 – Número 4 – Outubro/Dezembro 2004.
Krebs VL, Troster EJ. Complicações da ventilação mecânica. Revista Brasileira de Medicina, 2011.
Araujo ML, Crespo AS, Neto JP. Ventilação mecânica: Alterações fisiológicas, indicação e parâmetros de ajuste. Revista Brasileira de Anestesiologia, V 46 N 3 1996.
Moreira JS, Hallal RC, Caraver F, Cruz DB, Hertz FT, Teixeira PJ. Pneumonia associada a ventilacao mecanica impacto da multirresistencia bacteriana na morbidade e mortalidade. Jornal Brasileiro de Pneumologia Vol 30 N 6 São Paulo 2004.
Selignan GS, Teixeira PJ, Seligman R. Comparação da acuracia de preditores de mortalidade na pneumonia associada a ventilação mecânica. Jornal Brasileiro de Pneumologia Vol.37 N4 São Paulo 2001.
Carvalho CR. Pneumonia associado a ventilação mecânica. Jornal Brasileiro de Pneumologia VOl 32 N4 São Paulo 2006.
Souza RC, Santana SSTV. Impacto da aspiração supra-cuff na prevenção da pneumonia associada a ventilação mecânica. Revista Brasileira de Terapia Intensiva vol 24 N 4 São Paulo 2012.
Carrilho MD; Giron CM; Carvalho ML;Giron AS; Matsuo T. Pneumonia associada a ventilação mecanica em Unidade de Terapia Intensiva Cirurgica. Revista Brasileira de Terapia Intensiva 38-44 Jan- Mar 2006.
Knibel MF, Santos CCRL, Neto CE, Rodrigues AMP. Pneumonia associado à ventilação mecânica: epidemiologia e impacto na evolução cliica de pacientes em um, a unidade de terapia intensiva. Jornal Brasileiro de Pneumonia V 35 N11 São Paulo 2009.
Davd CMN. Infecção na UTI. TI. Medicina, Ribeirão Preto, 31: 337-348 jul./set. 1998.
Meu filho pegou uma infeqiçao no pulmão na UTI está com 5anos e o cuadto sor vem sir agravando Eli teim 35 anos como trata Eli perde tudo os movimento
Olá Aldenir, o nosso portal tem a finalidade de apenas divulgar conhecimento para os fisioterapeutas. Seria ideal buscar um profissional na área para avaliar a situação do paciente.
Excelente conteúdo! Gostei muito do assunto.