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Benefícios do Pilates na Terceira Idade: Revisão de Literatura

Benefícios do Pilates na Terceira Idade: Revisão de Literatura

INTRODUÇÃO

Envelhecer é um processo e se caracteriza como um fenômeno progressivo e irreversível, em que ocorrem inúmeras mudanças morfológicas, funcionais, fisiológicas e bioquímicas. Entre elas, pode-se apontar a perda de massa magra, a força e a flexibilidade, redução do equilíbrio, diminuição postural, e déficit na realização de atividades de vida diária (AVD), e o organismo perde gradativamente, a capacidade da manutenção do equilíbrio homeostático e das funcionalidades fisiológicas. Tabagismo, obesidade, etilismo figuram como fatores e risco que aceleram o processo com magnitude e intesidade.

A atualidade, entretanto, e diante da qualidade de vida da contemporaneidade, tem oferecido aos indivíduos cada vez mais recurso no enfrentamento do processo do envelhecimento. Neste contexto, o sedentarismo ocasionado por uma inadequada alimentação, ausência de atividade físicas e obesidade, entre outros fatores, são combatidos
pelas práticas esportivas aderidas pela população acima de 60 anos de idade. E a técnica de Pilates está entre estas atividades.

A população idosa é a que mais cresce, de acordo com o IBGE (BRASIL, 2016), e não somente no Brasil, mas em todo o planeta. As condições de melhoria da saúde e qualidade de vida elevam os índices da expectativa de vida.

O método Pilates é uma significante alternativa para que está iniciando uma atividade física ou preferem um treinamento de alto rendimento, proporcionando bem-estar e excelente qualidade de vida. Possui uma variedade de exercícios e pode ser praticada por quem deseja a prática de exercícios físicos ou ainda aqueles portadores de alguma patologia ou tenham realizado alguma cirurgia musculoesquelética.

Este método tem como idealizador o alemão Joseph Pilates diante da necessidade de fortalecer sua saúde frágil e das dificuldades respiratórias. O Pilates se caracteriza como um condicionamento físico integrando corpo e mente, oferecendo amplitude à capacidade de movimento e aumentando a força, o controle, o equilíbrio muscular, a força e a consciência corporal.

Rodriguez (2007) aponta o Pilates como o sistema de treinamento corporal mais completo, trabalhando o corpo inteiro como um todo, desde os grupos musculares mais profundos até os mais periféricos, atuando na mente, no corpo e na respiração.

O idealizador do método, Pilates (2010) aponta os benefícios de seu método, e reforça alguns princípios como concentração, centralização, precisão, respiração, controle e fluidez devem estar presentes na execução dos exercícios, enfatizando o movimento para que os benefícios sejam alcançados em toda a sua plenitude, nas dimensões mentais, emocionais e físicas. Estes benefícios estão direcionados à capacidade funcional dos indivíduos, corrige as alterações posturais e de equilíbrio, melhora a flexibilidade, diminui o quadro álgico, eleva a concentração e a coordenação como um todo, propiciando interação, com melhoria na saúde, no equilíbrio emocional, na autonomia pessoal, para que haja uma manutenção da funcionalidade e qualidade de vida dos indivíduos.

Nenhum dos homens no campo de batalha havia sido acometido pela epidemia de gripe, que havia atingido a Inglaterra em 1918, este fato deu notoriedade à Pilates. Joseph foi enviado para a ilha de Man, para cuidar dos feridos de guerra, onde aplicou seus conhecimentos e realizou experimentos com as molas das camas dos doentes, descobrindo que estas poderiam auxiliar no condicionamento dos pacientes, principalmente dos mais acamados, pois ajudava a vencer a gravidade, facilitando a execução do exercício para os pacientes com dores. Com isso ele criou uma técnica que recuperava força, flexibilidade e resistência, além de normalizar o tônus muscular.

A escolha desta temática é pela importância e destaque do aumento da perspectiva de vida da denominada terceira idade. Este cenário ressignifica valores e exige melhores métodos e caminhos que favoreçam a autonomia, flexibilidade, funcionalidade e qualidade de vida para a execução as atividades da vida diária desta população que vem crescendo continuamente a nível mundial. Neste contexto, o Pilates surge como um método que
trabalha o indivíduo como um todo, tratando o sujeito em seus aspectos fisiológicos, emocionais e mentais.

Assim, o objetivo deste trabalho é identificar os benefícios do Pilates na terceira idade enquanto promoção de autonomia, funcionalidade e qualidade de vida.

METODOLOGIA

O presente estudo é um artigo de revisão bibliográfica, cujo critério de inclusão baseia-se em trabalhos com publicações de 2004 até o presente ano que abordem assuntos sobre o tema dos benefícios do Pilates na terceira idade. Foram pesquisados na plataforma PubMED, SciELO e Biblioteca Cochrane artigos usando termos como: “fisioterapia” “Pilates” “idosos” “terceira idade” “envelhecimento” “exercícios de Pilates” Essas palavras-chaves utilizadas encontram-se registradas na National Library of Medicine’s (MeSH) e nos descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Para a seleção inicial dos artigos, os títulos e os resumos foram lidos sempre pelo mesmo avaliador, e aqueles cujos títulos e/ou resumos não eram suficientemente específicos, foi-se obtido os artigos completos para a análise e identificação de possibilidade de inclusão na presente revisão. Adicionando aos critérios de inclusão foram inseridos artigos originais que abordassem os benefícios do Pilates na terceira idade. Como critérios de exclusão, não foram selecionados os relatos de casos, teses e monografias.

RESULTADO E DISCUSSÃO

Foram encontrados 8 artigos dentro dos critérios de inclusão e exclusão, com amostra variando de 3 a 52 participantes. A maioria da população envolvida nos estudos foi de indivíduos do sexo feminino. A idade dos participantes da amostra teve uma variação de 60 a 79 anos. Os protocolos de tratamento apresentaram um número de sessões variante de 01 a 24 sessões, com uma frequência de 2 vezes por semana. Os desfechos mais significativos no que tange aos artigos estudados direcionam-se à melhoria do equilíbrio, marcha, quadro de algia, alinhamento postural, redução dos riscos de queda, aumento da massa magra.

Cardoso (2016) realizaram um estudo com uma amostra de 16 voluntários, de ambos os sexos, com idades entre 60 e 79 anos. As sessões variaram entre 1 e 3 x por semana e a análise dos resultados apresentou 75% dos idosos com relato de redução do nível de dores no corpo, 37,5% elevaram o nível de força, além da agilidade em 25%, flexibilidade e equilíbrio em 18,75%. Estes resultados apontam os benefícios do Pilates como a melhoria nas capacidades físicas, provocando alterações fisiológicas de impacto positivo e redução dos processos inflamatórios em decorrência a enfermidades encontradas nessa fase da vida.

Rodrigues (2010) analisaram os efeitos do método Pilates na autonomia funcional (capacidade de realizar tarefas do cotidiano com o maior grau de independência possível em um indivíduo) em uma amostra de 52 idosas saudáveis no que tange à flexibilidade (amplitude de movimento das articulações), força, mobilidade e autonomia funcional. Durante a análise foi realizada uma classificação do desempenho funcional das voluntárias através de testes relacionados com as atividades de vida diária (AVD), de acordo com o protocolo do Grupo Latino-Americano de Desenvolvimento para a Maturidade (GDLAM), na análise da funcionalidade das voluntárias. Posteriomente, a
amostra foi aleatoriamente em grupo dois grupos: grupo controle (GC) e grupo pilates(GP). Aplica-se a intervenção com a prática de Pilates com bola bobath e outros aparelhos específicos do método, pelo período de oito semanas consecutivas, por duas vezes semanais, com a duração de uma hora cada sessão. O GC não sofreu intervenção, apenas participando das reuniões para acompanhamento. Foi observado que o GP apresentou melhora significativa no desempenho funcional, demonstrado através do aumento da velocidade tanto para caminhar e levantar, vestir e tirar camiseta e andar pela casa, sem alterações significativas no grupo controle. Como resultado, o estudo apontou a melhoria na autonomia e na qualidade de vida pelo aumento na flexibilidade, mediante aplicação do método Pilates, com trabalho da abdução, adução, flexão e extensão dos membros superiores e inferiores.

Tozim (2014) realizaram um estudo no que se refere à qualidade de vida relacionada com o aumento da flexibilidade alcançada pela prática do Pilates baseada nos princípios da precisão e concentração direcionados à prevenção de lesão e redução de algias corporais. Foram avaliados os benefícios do método Pilates na flexibilidade, nível de algia e qualidade de vida em idosos realizando estudo com 31 mulheres de (65,84±3, 64 anos). A amostra foi dividida aleatoriamente em GC (n =17) e GP (n =14). O GP foi submetido ao método Pilates, enquanto o GC somente participava das palestras. O nível de dor foi avaliado utilizando-se a Escala Visual Analógico (testes específicos de dor), e a avaliação da flexibilidade corporal e a de qualidade de vida foram avaliadas com exercícios de sentar e alcançar e com o teste do ângulo poplíteo. Os exercícios do método Pilates solo foram aplicados e após 8 semanas os dois grupos foram reavaliados para verificar a evolução dos mesmos. Tozim (2014) observaram que a redução da
flexibilidade muscular em idosos dificulta a execução das atividades de vida diária, comprometendo a funcionalidade e a qualidade de vida dos mesmos. Ainda avaliaram a flexibilidade e o nível de algia, assim como a qualidade de vida dos idosos, aplicando logo em seguida o método Pilates para o aumento a mobilidade articular e a força muscular,
promovendo a melhora da qualidade de vida dos mesmos.

Navega (2016) realizaram estudo em uma amostra com indivíduos do sexo feminino, entre 60 e 75 anos cuja coluna vertebral apresentou ângulo de curvatura maior que 40 graus em nível torácico sagital objetivando a análise dos efeitos do método Pilates na redução da hipercifose torácica e no equilíbrio dos indivíduos. Durante o estudo as
voluntárias foram divididas em GP e GC, sendo analisadas através de eletromiografia computadorizada e teste unipodal. Durante o treinamento, o GP sofreu intervenção do método Pilates solo, onde foram observados todos os princípios (concentração, respiração, controle, centralização e precisão), enquanto o GC participava de palestras. Entretanto, após reavaliação o GC passou a participar das sessões da técnica. Os autores destacaram que o Pilates fortalece o centro de força e a musculatura da cintura escapular e pélvica, com redução do desalinhamento postural, com melhoria do equilíbrio estático, redução da hipercifose torácica, melhoria do equilíbrio estático e consequentemente, redução da predisposição às quedas.

Junges (2016) realizaram um estudo destacando os benefícios do método Pilates no ganho de massa magra e na redução das dobras cutâneas, na redução do perímetro da cintura e do quadril quando relacionado com o gasto energético durante a prática do Pilates. O Pilates tem como característica principal o trabalho resistido e o alongamento dinâmico, melhorando significativamente o controle postural, a autonomia funcional e a qualidade de vida da população idosa saudável. As voluntárias foram submetidas à intervenção 2 vezes por semana, durante 30 semanas, 60 minutos por sessão. A prática do Pilates aumenta a resistência muscular, melhora a coordenação, a consciência corporal, o alinhamento postural, corrigindo a postura, reduzindo a hipercifose torácica e reduzindo os riscos de queda.

Silva (2015) realizaram um estudo com o objetivo de avaliar a participação de três idosas entre 60 e 80 anos, participando de alguma atividade da Universidade da melhor idade – UNA, sendo realizado avaliação inicial e aplicação de 15 sessões de Pilates, com melhora significativa da marcha e equilíbrio Melhora evidente da coordenação e força muscular.

Fernandes e Lacio16 (2011) avaliaram a influência do método Pilates nas atividades de vida diárias (AVDs) de idosas após um treinamento de doze semanas, identificando as alterações ocorridas no tempo das AVDs antes e após o treinamento, e avaliaram igualmente o nível de atividade física regular semanal, antes e após o treinamento
proposto. Como resultados demonstraram que, nos domínios de atividades físicas onde foram medidas as médias de dispêndio calórico, classificados como Trabalho, Transporte, e Lazer, não apresentaram transformações estatisticamente significativas.

CONCLUSÃO

O processo de envelhecimento afeta a todos os organismos e acarreta inúmeras alterações degenerativas, ocorrendo gradativa e irreversivelmente no corpo, acarretando disfunções posturais, redução do controle e estabilidade, flexibilidade e coordenação motora.

O método Pilates se caracteriza como uma técnica que vem ocupando cada vez mais um lugar de destaque com a população da terceira idade, por ser uma técnica dinâmica com objetivos de ganho de força, alongamento e flexibilidade, através de exercícios que mantém as curvaturas fisiológicas do organismo, auxiliando a proporcionar ao idoso alívio e a prevenção das dores crônicas.

Os estudos analisados neste trabalho apontam o método Pilates como ferramenta que acarreta inúmeros benefícios aos indivíduos da terceira idade, trabalhando a força muscular, flexibilidade, postura, equilíbrio estático e dinâmico, coordenação motora, propriocepção, assim como a capacidade respiratória e a consciência corporal.

Assim, conclui-se que o método Pilates possui inúmeros benefícios para a população idosa, trabalhando de maneira global as estruturas físicas e mentais do indivíduo, proporcionando um restabelecimento das estruturas afetadas pelo processo de

envelhecimento. Seus princípios vão de encontro às alterações encontradas durante este processo, tratando de forma ampla e objetiva a sintomatologia encontrada nesta população. Entretanto, fica a sugestão da realização de novos estudos, com o objetivo de trazer à luz da população científico/acadêmica, conhecimentos atualizados no que tange aos benefícios do Pilates e sua aplicabilidade.

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ARTIGO PUBLICADO EM 26/09/2024



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