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Atuação cinesioterapêutica preventiva da espondilose cervical causada por transporte de carga/peso

Atuação cinesioterapêutica preventiva da espondilose cervical causada por transporte de carga/peso

A espondilose cervical é um processo patológico que se caracteriza pela degeneração das articulações vertebrais, sendo o segmento cervical e lombar o mais afetados. É considerada a forma mais freqüente de reumatismo, tendo complicações que diminuem as atividades diárias do paciente, devido ao quadro álgico que pode levar à perturbações nos sistemas circulatório, muscular e nervoso, ao nível da coluna vertebral. Ela também resulta em alterações degenerativas nas articulações sinoviais e, por isso, pode ocorrer nas facetas articulares da coluna vertebral 1.

No membro superior pode haver sintomas vagos de dor definida e localizada ou difundida na região do ombro. Pode haver sintomas mais sérios causados pela interferência de um ou mais nervos cervicais no seu forâmen. O principal aspecto de irritação da raiz nervosa é a dor irradiada ao longo dos nervos afetados, freqüentemente atingindo a polpa digital. Pode também haver parestesias na mão, na forma de pontadas ou agulhadas. Não é comum o enfraquecimento acentuado do músculo 2.

Há também dor e queimação constante no braço (nevralgia braquial), normalmente, parestesia em alguns dos estágios. A irradiação irá depender da raiz afetada. A aparência é normal. Entretanto, é comum um aumento de sensibilidade nos músculos cervicais posteriores e na região escapular, sendo que todos os movimentos estão discretamente limitados pela presença do quadro álgico, nas suas extremidades 2.

Lesões por esforços repetitivos (LER) e Doenças Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) – É o nome dos doenças de origem ocupacional que atinge os dedos, punhos, antebraços, cotovelos, braços, ombros, pescoço e regiões escapulares, resultantes do desgaste muscular, tendinoso, articular e neurológico provocado pela inadequação do trabalho ao ser humano, e decorrem, de forma combinada ou não, da manutenção de postura inadequada e do uso repetido ou forçado de grupos musculares. Nos últimos anos tem sido relatada a afecção de origem ocupacional em membros inferior, principalmente em joelhos 3.

Os fatores que provocam estas lesões são: aspectos biomecânicos, provocados pela força excessiva, alta repetitividade dos mesmos movimentos, posturas inadequadas e compressão mecânica. Tais fatores podem ser acompanhados por tensão excessiva, postura estática, frio, vibração e insatisfação.

Outros fatores individuais, psicossociais e organizacionais são também considerados como promotores ou agudizadores de uma lesão ou disfunção.

As posturas habituais também levam ao encurtamento dos músculos e tendões adaptando-se a amplitude restrita dos movimentos, pode ocorrer baixo índice de flexibilidade de caráter irreversível, após longo período de tempo.

As soluções para o problema da LER/DORT seriam ações sobre os postos de trabalho, reduzindo ou eliminando os fatores de risco, tais como redução do esforço necessário na tarefa, correção da postura, revezamentos para evitar alta repetitividade dos movimentos, medidas visando reduzir a compressão mecânica.

Este trabalho visa mostrar a atuação de exercícios preventivos laborais para que o  paciente que trabalhe com peso / carga não venha desenvolver uma espondilose cervical, causada  pela agressão física nessa sua atividade diária tão desgastante, ensinando-o ainda, a posturas adequadas.

MATERIAIS E MÉTODOS 

Este trabalho está respaldado numa atualização de literatura, cujas fontes utilidade são livros e artigos científicos compreendidos entre o período de 1995 a 2006, pesquisado na base de dados: LILACS, MEDSTUDENT, SCIELO, com os idiomas Português, Inglês e Espanhol. Todavia, na busca foram empregada às palavras-chaves: Síndrome do túnel do carpo; fisioterapia; cinesioterapia laboral e prevenção.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

ESPONDILOSE CERVICAL

É uma condição na qual há alterações degenerativas nas articulações intervertebrais entre os corpos e discos 4. Os discos cervicais inferiores se degeneram e o material do disco sofre extrusão; uma fibrose periférica pode envolver os forames intervertebrais. As bordas dos corpos vertebrais sofrem hipertrofia e, posteriormente, as articulações intervertebrais também se degeneram 2. A medida que as alterações degenerativas desenvolvem-se no disco, ele perde altura, de modo que o anel se abaúla além de seus limites normais. Finalmente, surgem osteófitos ao redor das margens vertebrais, mais comumente nas bordas ântero-laterais. Primeiro crescem para fora ao redor da massa cartilagínea do anel, mas depois pode voltar-se para cima ou para baixo e, finalmente, podem aproximar-se dos osteófitos de vértebras adjacentes. Os osteófitos anteriores e laterais têm pouca importância, mas os que projetam-se posterior ou póstero-lateralmente podem invadir o canal neural e produzir sintomas 5.

Foi verificado que 82% das pessoas com 55 anos de idade ou mais apresentam evidencia radiográfica de degeneração cervical. A degeneração dos discos cervicais está associada ao processo de envelhecimento. Essas anormalidades foram observadas em 21% dos mielogramas cervicais. Assim, não existe uma nítida correlação entre alterações radiográficas e sintomas o nível mais freqüentemente envolvido é C5-C6, seguido por C6-C7 e; C4-C5. Entretanto, não é muito comum o envolvimento dos níveis superiores 6.

A variação da idade é dos 30 anos em diante sendo mais comum perto dos 45 anos. As mulheres são mais comumente afetadas que os homens. Contudo, o tipo de pessoa freqüentemente é ansioso e preocupado. Sendo assim, há vários fatores predisponentes, são eles: má postura associada com a ansiedade e o modo de viver; tensões no trabalho e tipo corporal 4.

Pode ocorrer compressão posterior sobre a medula, principalmente quando há “estenose espinhal”, isto é, um estreitamento do canal espinhal (diâmetro menor que 15 milímetro), quando há trauma de hiperextensão ou de hiperflexão 7.

As alterações degenerativas primitivas freqüentemente surgem com um trauma. Em outros casos a condição é simplesmente uma manifestação normal de desgaste 1.

Os sintomas clínicos são localizados no pescoço (que consistem principalmente em dor na parte posterior do pescoço ou na área do trapézio, enrijecimento e crepitação aos movimentos). Normalmente leves, são perigosos pelas periódicas exacerbações, provavelmente por esforço inconscientes ou por movimentos repetidos. A dor de cabeça occipital pode ser um dado clínico se a metade superior da coluna cervical está afetada 7, 1.

No membro superior pode haver sintomas vagos de dor definida e localizada ou difundida na região do ombro. Pode haver sintomas mais sérios causados pela interferência de um ou mais nervos cervicais no seu forâmen. O principal aspecto de irritação da raiz nervosa é a dor irradiada ao longo dos nervos afetados, freqüentemente atingido a polpa digital. Pode também haver parestesias na mão, na forma de pontadas ou agulhadas. Não é comum o enfraquecimento acentuado do músculo 1.

Há também dor e queimação constante no braço (nevralgia braquial), normalmente, parestesia em alguns dos estágios. A irradiação irá depender da raiz afetada 7.

A aparência é normal. Entretanto, é comum um aumento de sensibilidade nos músculos cervicais posteriores e na região escapular, sendo que todos os movimentos estão discretamente limitados pela presença do quadro álgico, nas suas extremidades 5.

Nos membros superiores, adormecimento ou fraqueza podem eventualmente ser encontrados num ou em ambos. Entretanto, os membros inferiores podem apresentar um tônus aumentado e reflexos pronunciados, devido a compressão do neurônio motor superior, mas isto ocorre muito raramente 2.

No exame radiográfico há um estreitamento do espaço do disco intervertebral, com formação de osteófitos nas margens vertebrais, ambos são vistos na projeção lateral, especialmente, na região anterior. A invasão de osteófitos no forâmen intervertebral é melhor demonstrada nas projeções oblíquas 1.

Os exames complementares são: contagem sangüínea completa; ESR e perfil bioquímico, que inclui níveis de cálcio e fosfatase alcalina no soro. Se uma herniação central do disco é suspeitada, é indicada a tomografia computadorizada. A ressonância nuclear magnética é uma alternativa excelente para mostrar a medula espinhal e raízes nervosas 8.

DOENÇA OSTEOMUSCULAR RELACIONADO AO TRABALHO (DORT)

São movimentos repetidos de qualquer parte do corpo que podem provocar lesões em tendões, músculos e articulações, principalmente dos membros superiores, ombros e pescoço, embora possam afetar o ser humano como um todo, devido ao uso repetitivo ou a manutenção de posturas inadequadas resultando em dor fadiga e declínio do desempenho profissional. O termo Dort  (Distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho), adotado no Brasil não é mais utilizado preferindo-se atualmente a denominação Doenças Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho (DORT) 9, 10.

As Doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (DORT) apresentam diversos fatores causais que, associados, levam ao estresse osteomuscular e emocional. Contudo, será dividido em dois grupos:

– Predisponentes

Compreendem alterações anatômicas (estreitamento da polia de movimentos, maior angulação articular), gravidez por alterações hormonais, idade, entre outras 11.

– Desencadeantes

Podem ser entendidos como fatores de risco, como:

Biomecânicos: força excessiva ao realizar tarefas; repetitividade; postura inadequada; compressão mecânica de estruturas delicadas.

Organizacionais no Trabalho: mobiliário; pressão de produção; urgência em executar tarefas; condições precárias de trabalho; esquema rígido.

Sociais: dupla jornada de trabalho; questões salariais; repouso insuficiente; correria das grandes metrópoles; sedentarismo 12.

Como se pode observar as doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (DORT) é conseqüência de uma serie de fatores que, agregados, levam à degradação do “bem estar”, refletindo diretamente na saúde do empregado, que, por vezes, pode chegar à infuncionalidade para o trabalho, as doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho podem tornar o indivíduo um ser “incapaz” 11.

As doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (DORT) atingem ambos os sexos nas mais variadas faixas etárias; mas sua maior incidência é nas mulheres, na fase produtiva profissional 11.

Isto se deve ao fato da participação das mulheres aumentar a cada dia no mercado de trabalho, seja pela necessidade de complementar a renda familiar seja pelo próprio  avanço social, que vem descaracterizando a imagem da mulher como “dona de casa” 11.

Os principais fatores são:

– Postura: Posturas fixas são um fator de risco principalmente em trabalhos sedentários. No entanto em trabalhos mais dinâmicos, com posturas extremas de tronco como por exemplo abaixar-se e virar-se de lado também foram identificados como fatores de risco. As más posturas de extremidades superiores também se constituem como fatores de risco, tais como: desvios dos punhos, braços torcionados e elevação do ombro. Todos esses desvios são influenciados por uma série de fatores ocupacionais e individuais, incluindo característica do posto de trabalho por exemplo: altura da mesa, da cadeira, formato da cadeira e seu encosto, entre outros 3.

– Movimento e Força: Estes dois fatores estão correlacionados ao aparecimento da DORT  (Distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho) nas mãos e punhos. As combinações de forças elevadas e alta repetitividade aumentam a magnitude da lesão mais do que qualquer uma delas isoladamente.

Movimentos repetidos podem danificar diretamente os tendões através do freqüente alongamento e flexão dos músculos.

A força exercida durante a realização dos movimentos é outro determinante das lesões, como por exemplo, no levantamento, carregamento e utilização de ferramentas pesadas; a força necessária para cortar objetos muito duros, a utilização de parafusadoras e furadeiras 3.

– Conteúdo de Trabalho e Fatores Psicológicos

A relação entre trabalho e a saúde é afetada pela organização do trabalho e fatores psicológicos relacionados ao trabalho, podendo contribuir para o aparecimento de disfunções músculo-esquelético. Passou-se a estabelecer a relação entre trabalho, stress e o sistema músculo-esquelético 5.

– Características Individuais

O tipo de musculatura e características individuais parecem manter uma relação com a incidência dos problemas. Nesse sentido, as mulheres parecem ser mais suscetíveis que os homens. A distribuição de tarefas por sexo e conseqüentemente na carga do trabalho determinam o aparecimento de problemas e estão ligados as características individuais 5.

A dor está sempre presente e poderá acometer todo o membro superior generalizadamente. Ela é desencadeada e/ou agravada pelo movimento repetitivo e em geral se inicia no final da jornada de trabalho ou quando há um esforço maior até que a pessoa começa a notar a interferência nos atos da vida diária 12.

Nas fases iniciais costuma ser aliviada com o repouso, às vezes se acentua ou se atenua devido ao ritmo de trabalho. A dor pode piorar com fatores tais como: frio, mudanças bruscas de temperatura e estresse emocional 13.

Os sinais abaixo são indícios da eventual existência de uma lesão, são eles: Estágio 1: Sensação de peso, dormência e desconforto em áreas específicas. Pontadas ocasionais durante as atividades mais intensas (no trabalho ou fora dele) podem ocorrer. As sensações passam após descanso de horas ou poucos dias; Estágio 2: Existe dor com alguma persistência. A localização da dor é mais precisa. É mais intensa durante picos de atividade. Pode haver perda de sensibilidade, sensação de formigamento, inchaço e calor ou frio na área afetada. Mesmo com descanso a dor pode permanecer ou reaparecer subitamente sem que qualquer atividade tenha sido realizada. Momentos de estresse psicológico ou emocional podem provocar dor ou sensibilidade nos locais afetados 14; Estágio 3: Perda de força eventual ou freqüente. Dor persistente mesmo com repouso prolongado. Crises de dor aguda podem surgir mesmo durante repouso. Perda de sensibilidade freqüente e eventual perda de capacidade de realizar alguns movimentos sem muita dor. Irritabilidade gera ainda mais dor; Estágio 4: Dor aguda e constante, às vezes insuportável. A dor migra para outras partes do corpo. Perda de força e do controle de alguns movimentos. Perda grande ou total da capacidade de trabalhar e efetuar atividades domésticas 10.

ERGONOMIA

É o estudo dos aspectos do trabalho e sua relação com o conforto e bem-estar do trabalhador. Esta mais ligada às posturas, movimentos e ritmo determinados pela atividade e conteúdo dessa atividade, nos seus aspectos físicos e mentais. A ergonomia intervém analisando o trabalho, as posturas adotadas pelo trabalhador, sua movimentação e seu ritmo que de modo geral são determinados por outros fatores organizacionais 15. O objetivo principal da ergonomia é dar condições de trabalho onde haja maior conforto e bem-estar do operador a partir da análise da atividade. As melhorias ergonômicas se referem a vários aspectos do trabalho, tais como: cadeiras, mesas, bancadas; o planejamento e localização de dispositivos e madeirais de trabalho; a quantidade, qualidade e localização da iluminação; indicações sobre melhorias na organização da atividade, incluindo o planejamento de novos dispositivos de trabalho ou modificação nos existentes e alteração ritmo seqüenciamento de várias tarefas desempenhadas pelo operador 16. O aparecimento de disfunções ligadas ao sistema músculo-esquelético ocorre em grande número nas indústrias e nos serviços que parecem ter como conseqüência este tipo de problema ocupacional. Esta síndrome já foi detectada entre operários de linha de montagem, datilógrafos, digitadores, operadores de caixa, costureiras, entre outros tipos de funções nas indústrias e nos serviços 17.

 TRATAMENTO CINESIOTERAPÊUTICO PREVENTIVO EM TRABALHO DE CARGA / PESO

A fisioterapia tem um papel muito importante no tratamento da DORT desde a fase de agudização dos sintomas clínicos até a reeducação da atividade e ergonomia do ambiente de trabalho. Na fase aguda, compreendendo os estágios clínicos citados acima, a conduta será direcionada para tratar as causas que  possam estar incomodando este indivíduo, prevenindo uma espondilose cervical. Contudo, esta prevenção interage apenas com as conseqüências da DORT, a sua causa só será mesmo atacada quando os fatores de risco forem detectados em conjunto com uma reeducação de sua atividade no meio de trabalho 18.

A prevenção é a melhor forma de combater os distúrbios osteomusculares  relacionados ao trabalho. Empresas que otimizaram esse tipo de ação obtiveram excelentes resultados com os programas de prevenção 19. Dentre as diversas ações que podem ser desenvolvidas, será destacado: aplicação de questionários; intervenções nos postos de trabalho; avaliação postural; conscientização postural; elaboração de séries com exercícios laborativos; palestras com assuntos preventivos; elaboração de séries com exercícios laborativos; elaboração de folhetos, jornais ou informativos abordando assuntos preventivos e formação de grupos para atividades praticas visando à prevenção das doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho (DORT) 11.

Os itens acima apresentados são componentes de um programa completo de presença da doença osteomuscular relacionadas ao trabalho (DORT), porém alguns dos itens podem ser desenvolvidos isoladamente, de acordo com o projeto oferecido pelo fisioterapeuta ou por solicitação da empresa 20.

A NR 17 da Ergonomia é uma Norma Regulamentadora que visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. Contudo, as condições de trabalho incluem aspectos relacionados ao levantamento, transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, aos equipamentos e às condições ambientais do posto de trabalho e à própria organização do trabalho 21.

Para avaliar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho, devendo a mesma abordar, no mínimo, as condições de trabalho conforme estabelecido nesta Norma Regulamentadora, que são: Levantamento, transporte e descarga individual de materiais 21.

Para o efeito desta Norma Regulamentadora há o transporte manual de cargas, que designa todo transporte no qual o peso da carga é suportado inteiramente por um só trabalhador, compreendendo o levantamento e a deposição da carga.  Transporte manual regular de cargas designa toda atividade realizada de maneira contínua ou que inclua, mesmo de forma descontínua, o transporte manual de cargas; trabalhador jovem que designa idade inferior a 18 (dezoito) anos e maior de 14 (quatorze) anos; não deverá ser exigido nem admitido o transporte manual de cargas, por um trabalhador cujo peso seja suscetível de comprometer sua saúde ou sua segurança; todo trabalhador designado para o transporte manual regular de cargas, que não as leves, deve receber treinamento ou instruções satisfatórias quanto aos métodos de trabalho que deverá utilizar com vistas a salvaguardar sua saúde e prevenir acidentes, tendo em vistas a limitar ou facilitar o transporte manual de cargas, deverão ser usados meios técnicos apropriados, quando mulheres e trabalhadores jovens foram designados para o transporte manual de cargas, o peso máximo destas cargas deverá ser nitidamente inferior àquele admitido para os homens, para não comprometer a sua saúde ou sua segurança, embora o transporte e a descarga de materiais feitos por impulsão ou tração de vagonetes sobre trilhos, carros de mão ou qualquer outro aparelho mecânico deverão ser executados de forma que o esforço físico realizado pelo trabalhador seja compatível com sua capacidade de força e não comprometa a sua saúde ou sua segurança. Contudo, nas atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou dinâmica do pescoço, ombros, dorso e membros superiores e inferiores, e a partir da análise ergonômica do trabalho, deve ser observado o seguinte:  todo e qualquer sistema de avaliação de desempenho para efeito de remuneração e vantagens de qualquer espécie deve levar em consideração as repercussões sobre a saúde dos trabalhadores, devendo ser incluídas pausas para descanso 15.

EXERCÍCIOS LABORATIVOS

Os músculos dos pacientes portadores de Dort  (Doença osteomuscular relacionado ao trabalho) são geralmente hipertônicos, encurtados e cronicamente fatigados.

Alongamento muscular – Importante alongar o músculo encurtado e fatigado para devolver ao seu comprimento de repouso, condição fundamental para que adquira a sua potência máxima. Os músculos mais comuns de estarem encurtados: músculos intrínsecos da mão, extensores dos dedos e punhos, bíceps, tríceps, trapézio e os da cintura escapular. Músculos mais comuns de estarem fatigados cronicamente: músculos da cintura escapular e os antigravitacionais. Depois de alongados e passados a fase de dor, os músculos devem ser fortalecidos, para que possam de novo exercer as atividades diárias e completar a fase final da reabilitação que é o retorno ao trabalho. Inicialmente os exercícios isométricos, seguindo-se os exercícios resistidos, para o desenvolvimento da força e da resistência do músculo 21.

– Objetivo da Ginática Laboral: Orientar e corrigir os colaboradores quanto aos vícios posturais durante suas atividades laborais, prevenindo e amenizando doenças ocupacionais;  Liberação de movimentos bloqueados por tensões emocionais e sensação de um copo mais relaxado; redução das tensões musculares e da dor; melhora da coordenação motora; motivação da circulação; prevenção de lesões nos músculos, ligamentos e tendões; desenvolvimento da consciência corporal; diminuição de queixas; disposição para o trabalho.

– Benefícios: A ginástica laboral visa saúde qualidade de vida do funcionário com conseqüente redução de acidentes do trabalho e doenças ocupacionais. Diminuindo os afastamentos e despesas ocasionadas pelos mesmos, viabilizando o aumento da produtividade e competitividade.

– Benefícios Fisiológicos: Provoca o aumento da circulação sangüínea da estrutura muscular, melhorando a oxigenação dos músculos e tendões, diminuindo o acúmulo de acido lático; melhora a mobilidade e flexibilidade músculo articular; diminui as inflamações e traumas; prevenção da saúde ocupacional e do stress; melhora a postura; melhoria do rendimento funcional; diminui a tensão muscular desnecessária; diminui o esforço na execução das tarefas diárias; facilita a adaptação ao posto de trabalho; melhorando assim, o estado de saúde geral 22.

– Tipos de Ginástica Laboral

– Preparatória

Ginástica com duração de 10 a 15 minutos, realizada antes do início da jornada de trabalho. Tem como objetivo principal o corpo do trabalhador, aquecendo os grupos musculares que serão solicitados nas suas tarefas e despertando-os para que se sintam mais dispostos ao iniciar o trabalho.

– Compensatória

Ginástica com duração de 5 a 8 minutos, realizada durante a jornada de trabalho, interrompendo a monotonia operacional, aproveitando as pausas para executar exercícios específicos de compensação aos esforços repetitivos e às posturas inadequadas, solicitadas nos postos operacionais 11.

– Relaxamento

A ginástica baseada em exercícios de alongamento realizada após o expediente, como o objetivo de oxigenar as estruturas musculares envolvidas na tarefa diária, evitando o acumulo de ácido lático e prevenindo as possíveis instalações de lesões.

– Processo de Implantação

A realização de um projeto piloto é de extrema importância para uma melhor aceitação do trabalho. Será realizado um estudo dos diversos setores da empresa, horários de início e término da jornada de trabalho, para que possa ser traçado o horário e o objetivo da ginástica laboral 23.

– Projeto Atividade Física

O projeto atividade física prescreve o treinamento de acordo com o objetivo do funcionário levando-se em consideração os resultados da avaliação física. Este trabalho tem acompanhamento em todas as suas etapas, do início ao final da sessão, a fim de estimular o participante em manter-se ativo.

A ginástica laboral consiste em exercícios específicos que são realizados no próprio local de trabalho atuando de forma preventiva e terapêutica, nos casos de LER, sem levar o trabalhador ao cansaço, por ser curta duração e trabalhar mais no alongamento e compensação das estruturas musculares envolvidas nas tarefas operacionais diárias 21.

– Exercícios de Alongamento e Aquecimento Músculo-Articular: Execute os alongamentos mantendo uma regularidade, no mínimo três vezes ao dia, antes e depois do expediente; Permaneça na postura de alongamento de 20 seg. a 30 seg. evitando balanceios que podem estimular o reflexo de contração ao invés o de alongamento; Direcione os alongamentos para a sua necessidade, para as regiões mais tensas de seu corpo; Respire calmamente e regularmente durante os exercícios; Exercite-se de forma a não sentir dor.

No pescoço faça movimentos com a cabeça  como o sinal de “sim” e “não”. Gire a cabeça lentamente e alternadamente. Mantenha os ombros bem relaxados. Incline cabeça para o lado direito com a ajuda da mão direita e depois para o lado esquerdo com a ajuda da mão esquerda. Mantenha em cada posição por 20 segundos. Repita 3 vezes cada lado.  Evitando assim, movimentar a cabeça para trás, pois pode provocar compressão dos nervos.

Nos ombros, o paciente encontra-se em  pé ou assentado, inspire fundo elevando os ombros como se quisesse encostá-los nas suas orelhas e expire soltando-os sobre o corpo. Repita três vezes cada sentido. Faça movimentos rotatórios no sentido frente-trás e depois trás-frente. Repita 3 vezes cada sentido 11.

Nos braços direcione o cotovelo atrás da sua cabeça no sentido do ombro oposto e conduza-o para baixo com a mão oposta. Mantenha essa posição por 20 segundos. Repita 3 vezes cada braço. Com os braços atrás do seu corpo, entrelace os dedos, mantendo os braços esticados e os ombros relaxados. A cabeça e o tronco devem ficar retos. Afaste os braços do seu corpo, dentro do seu limite e mantenha nessa posição por 20 segundos. Repita 3 vezes. Estique os braços para cima e entrelace novamente os dedos. As palmas das mãos devem estar viradas para o alto. Mantenha nessa posição por 20 segundos 21.

Nos troncos e costas, o paciente assentado ou de pé, passe um braço sobre a cabeça segurando o punho com a outra mão. Incline lateralmente alongando a parte lateral do tronco. Mantenha por 20 segundos. Repita 3 vezes cada lado. Sentado em uma cadeira, pernas um pouco afastadas, tente fazer uma rotação de tronco até que você consiga olhar para trás. Faça esse movimento para a esquerda e para a direita. Mantenha essa posição 20 segundos cada lado. Repita 3 vezes. Sentado, incline o corpo para frente tentando encostar as mãos no chão deixando a cabeça e o tronco sobre as coxas. Respeite o seu limite, desça até onde seu corpo permitir. Permaneça por 20 segundos nessa posição. Levante lentamente elevando suavemente a cabeça até a posição inicial 21.

No antebraço – mãos – dedos, com os ombros relaxados, estique um braços mantendo-o elevado ligeiramente abaixo do nível do ombro, com a palma da mão voltada para fora como se estivesse  fazendo o sinal de ”pare”. Puxe esta mão com a outra em direção ao seu corpo. Mantenha nessa posição por 20 segundos. Alterne o movimento com o punho dobrado a palma da mão para dentro e dedos para baixo. Faça estes exercícios nos dois braços. Repita 3 vezes cada lado. Gire o punho no sentido horário e anti-horário, os dedos devem estar relaxados. Una as palmas das mãos na altura do peito estendendo o punho. Faça esse exercício abaixando as mãos e separando as palmas  sem separar os dedos. Entrelace os dedos e faça movimentos ondulatórios com  eles e com os. Posteriormente, rode os polegares no sentido horário e anti-horário. A seguir, estenda os dedos de cada mão alternadamente. Faça 3 vezes cada movimento 14.

CONCLUSÃO

Após vários estudos para a elaboração deste trabalho, conclui-se a utilização desta técnica de tratamento preventivo aqui apresentada demonstra ser útil pelos resultados apresentados num indivíduo que trabalha com transporte carga / peso.
O trabalho realizado, com os profissionais que possuem uma carga horária elevada, ficam muito tempo em pé numa postura estática e fadigante, e os que estão na faixa etária dos 30 a 40 anos estão mais propensos a dores em pontos específicos do coluna cedrvical ou até a desenvolver espondilose cervical principalmente.
Tais dores são ocasionadas pelo mau posicionamento e pelo uso incorreto de seus equipamentos de trabalho.
Pode-se constatar também que os profissionais reclamam das condições de saúde, pois estão submetidos a uma grande carga no sistema osteomioarticular, devido adotarem posições estressantes prolongadamente, além do posto ergonomicamente errado contribuir para este quadro sintomatológico.
A incidências dos sinais e sintomas de LER é um alerta da gravidade desta epidemia e da necessidade de um trabalho coletivo junto aos cabeleireiros. A fisioterapia deve atuar de forma preventiva e na reabilitação de casos registrados sendo, a prevenção a forma mais eficaz de combatê-lo.

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23 GRANDJEAN, E. Manual de Ergonomia – Adaptando o Trabalho do Homem. 4ª ed. Rio de Janeiro: Bookman, 1998.



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