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Assistência Fisioterapêutica no Alívio da Dor do Trabalho de Parto

Assistência Fisioterapêutica no Alívio da Dor do Trabalho de Parto

Introdução

Do ponto de vista emocional e físico, o parto normal tem uma conotação e um significado de experiência traumática para a mulher. A dor do parto (DP) é reconhecida historicamente, como uma experiência infalível no trabalho de parto (TP) e é associada à sofrimento (ALMEIDA et al., 2012). Apesar de fisiológico, o TP é caracterizado por alterações mecânicas e hormonais que promovem contrações uterinas, resultando na dilatação do colo uterino e descida da apresentação fetal. Durante a fase de dilatação do colo uterino, a dor corresponde a uma sensação subjetiva, descrita como aguda, visceral e difusa. Enquanto que, na fase de descida fetal, a dor é somática, mais nítida e contínua, podendo ser intensificada pelo estado emocional da parturiente e por fatores ambientais (GALLO et al., 2011).

A obstetrícia médica passou a utilizar o parto cirúrgico como uma das soluções para o problema da DP, baseado na ideia de que a mulher é vítima de sua própria natureza e com a finalidade de tornar o processo menos traumático. No final do século passado, o Brasil passou
a ser conhecido como um dos países com as mais altas taxas de parto cesáreo e atualmente, essas taxas têm aumentando continuamente.

Em consequência dessa cultura de que o parto cirúrgico é uma estratégia para evitar a DP, desenvolveu-se uma insegurança na mulher em relação ao seu potencial de vivenciar o parto normal como um evento natural e satisfatório, e, principalmente, pouco doloroso (ALMEIDA et al., 2012).

A cesárea vem constantemente sendo realizada a pedido da paciente, muitas vezes justificada pelo medo da DP. Segundo Almeida et al. (2012, p. 820), “isto permite entender a dor do parto como um assunto que merece atenção na Saúde Pública”. A retomada do parto
normal como primeira opção do público feminino passa a ser um desafio para o Brasil diante das Metas do Milênio da OMS, até 2015, com objetivo de promover a autonomia das mulheres no TP, reduzir a mortalidade infantil e melhorar a saúde materna (ALMEIDA et al., 2012). O estudo de Bavaresco et al. (2009) mostraram que há pelo menos trinta anos, ocorrem esforços mundiais pela reintrodução da liberdade corporal durante o TP, no intuito de favorecer o parto por via vaginal.

A assistência fisioterapêutica no TP não é uma prática comum na nossa sociedade e não é inclusa no sistema de saúde pública. No entanto, o fisioterapeuta é o profissional adequado a orientar e conscientizar a mulher e a aplicar técnicas não farmacológicas para controle da dor (BAVARESCO et al., 2009).

A dor no trabalho de parto representa um grande obstáculo, mas que pode ser encarado de forma tranquila e não traumática. É importante que ela seja bem amparada e esteja relaxada e calma durante todo o processo. Segundo Bavaresco et al. (2009), a utilização de métodos, que permitam vencer de maneira natural a dor, é aconselhada por muitos pesquisadores, que são unânimes em apontar os efeitos danosos que os medicamentos analgésicos e anestésicos podem causar à mãe e ao feto durante o processo de parturição.

Dentre os membros da equipe deve-se encontrar o fisioterapeuta, que tem como função avaliar e monitorar as alterações físicas enfocando o bem-estar da grávida e do bebê, tanto na primeira quanto na segunda fase do TP (CASTRO et al., 2012). A atuação de um fisioterapeuta no TP, valoriza a responsabilidade da mulher no processo, por meio do uso ativo de seu corpo e colabora para que a mulher se conscientize de que sua participação ativa pode ser ferramenta para facilitar o processo do TP e trazer-lhe satisfação com a experiência do parto (BAVARESCO et al., 2009).

Dentre as técnicas fisioterapêuticas que podem ser utilizadas para promover alívio da dor, conforto, confiança e relaxamento, as principais são: exercícios respiratórios, estímulo à deambulação, massagens, adoção de posturas verticais, exercícios perineais, analgesia através
de estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), banhos quentes, relaxamento muscular e crioterapia (BAVARESCO et al., 2009). Os benefícios atribuídos pela atuação fisioterapêutica são: diminuir os sintomas dolorosos e desconfortos, controlar a ansiedade, diminuir o tempo de evolução do trabalho de parto e diminuir o índice de partos cirúrgicos (CANESIN; AMARAL, 2010).

Materiais e Métodos

Trata-se de um estudo de revisão integrativa de literatura, realizado nas bases de dados multidisciplinares e nas bases específicas da área de saúde no período de março a agosto de 2020.

Base de dados

As bases de dados usadas foram:

-Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS)
-Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE/ PubMed)
-Scientific Electronic Library Online (SciELO)

Critérios de inclusão

-Artigos científicos de revistas indexadas em inglês e português que abrangem o
período de 2005 a 2020;
-Artigos que descrevam ou mencionem o tema abordado
-Artigos de ensaio clínico

Critérios de exclusão
– Artigos científicos nos demais idiomas
– Artigos científicos que abordem outros temas
– Artigos de revisão científica
-Artigos sobre acupuntura
-Artigos publicados antes de 2005

Estratégia de busca

O principal descritor utilizado tendo como fonte inicial da busca a partir dos Descritores em Ciências da Saúde – DeCS/Mesh foi: “labor pain” Este termo foi associado com os seguintes descritores: “physical therapy modalities” e “hydrotherapy”.

Na estratégia de busca utilizada nas bases de dados Lilacs, Scielo, medline e pubmed os descritores utilizados foram “labor pain” and “physical therapy modalities”. Nessas mesmas bases de dados foram utilizados também os seguintes: “labor pain” and “hydrotherapy”.

Resultados

Foram encontrados 16 artigos científicos nas bases de dados, sendo 4 no Lilacs, 0 no Scielo e 12 no pubmed.

Foram retirados 11 artigos, os quais não foram aceitos para esta revisão, sendo 2 do Lilacs e 9 do Pubmed, sendo os motivos para sua exclusão os seguintes fatores: artigos de revisão científica, artigos sobre acupuntura e artigos publicados antes de 2005. Um dos artigos foi encontrado em 2 bases de dados. Dessa forma, restaram 4 artigos científicos.

Um artigo foi adicionado através de referências consideradas clássicas na literatura, sendo encontrado na base de dados Scielo.

Após análise, considerando os objetivos propostos nesta pesquisa, foram selecionados 5 artigos que abordam o referido tema, estando demonstrados na tabela que se segue:

Tabela 1 – Apresentação da síntese de artigos incluídos na revisão integrativa –

Procedência
(base de
dados)
Autores/
Periódico
Título Objetivos Métodos Resultados
PubMed LEE et al.,
2012. Journal
of Obstectric,
Ginecology &
Neonatal
Nursing, 42,
19-28; 2013
Eficácia de
banhos quentes
sobre a dor do
parto e a
experiência
durante a
primeira fase do
trabalho de parto
Determinar a eficácia
dos banhos quentes
na dor do parto e na
experiência do parto
em mulheres durante
a primeira fase do TP
-80 mulheres; 41 GC e 39 GE.
-EVA, LAS.
-GE: 4 e 7cm banho quente (37°) 5
min na lombar e 15 min livre.
-GC: cuidados perinatais de rotina no
TP
-Banhos quentes melhou a experiência do parto e diminuiu a DP.
-LAS: GE: 54,15 GC: 46,58
-EVA:
-4cm: GE: 6,84 e GC: 5,15. 10 min após: GE: 4,21 e GC: 5,29. 20
min após:
GE: 5,13 e GC: 5,85.
-7cm: GE: 8,74 e GC: 8,22. 10 min após: GE: 6,33 e GC: 8,37. 20
min após: GE: 7,10 e GC: 8,85
PubMed GALLO et al.
2013. Journal
of
Physiotherapy
2013 vol, 59.
Massagem reduz
a intensidade da
dor durante o
trabalho de
parto: um estudo
randomizado
Verificar se a
massagem durante a
fase ativa do TP
diminui a dor e muda
sua localização e
características.
Verificar a satisfação
das mulheres com a
presença de um
fisioterapeuta
durante o TP
-46 mulheres a partir de 37 semanas.
GE: 23 e GC: 23
-EVA, SFMGPQ
-GE: 30min massagem no período
entre 4 e 5cm de dilatação.
-GC: apenas respondeu perguntas do
fisioterapeuta e cuidados perinatais de
rotina no TP
-A massagem reduziu a intensidade da dor no TP, apesar de não ter
alterado suas características e localização
-EVA: antes: GE: 6,9 e GC: 6,9 GE: 5,2 e GC: 7,2
-SFMGPQ não apresentou diferença.
-Diagrama de localização de dor sem diferença
-Duração do TP: GE: 6,8 horas e GC: 5,7 horas
-GE demorou 1h30min a mais para tomar medicação analgésica.
-Ambos ficaram satisfeitos com a presença do fisioterapeuta no TP.
BIREME ABREU et
al.,2010.
Revista Dor.
São Paulo,
2010 out-dez;
11(4): 313-
318
Efetividade da
eletroestimulaçã
o nervosa
transcutânea no
alívio da dor
durante o
trabalho de
parto: um ensaio
clinico
controlado
Avaliar a efetividade
da TENS no alívio
da dor durante o TP.
20 pacientes
GE: 10.
GP: 10
EVA, questionário próprio de dor
GE: TENS por 1 hora. Intensidade
mantida quando relatado
formigamento confortável
GP: TENS por 1 hora. Intensidade
mantida até relatado leve sensação de
formigamento.
Alivio da dor de moderado a muito bom em 80% dos casos e
nenhum caso de alívio n grupo controle.
Duração do trabalho de parto menor no GE (11,1 no GE e 12,8 no
GC).
EVA inicial: GE 9,5 e GC: 8. Final GE: 7 e GC 9.
80% relataram alivio de dor durante e algum tempo após aplicação
60% alivio bom ou muito bom
20% alivio moderado
20% técnica ineficaz
BIREME DAVIM et
al.,200 Revista da
Escola de
Enfermagem
USP, 2009;
43(2): 435-41
Efetividade das
estratégias não farmacológicas
no alivio da dor
de parturientes
no trabalho de
parto
Avaliar a efetividade
de ENF para o alivio da dor de parturientes no TP
100 parturientes
-EVA
-Técnicas combinadas (6cm, 8cm e
9cm de DC do início da contração até
o relaxamento):
Exercícios respiratórios, relaxamento
muscular, massagem lombosacral
Banho de chuveiro: a mulher foi
orientada a colocar a mão esquerda na
região lombosacral e massagear com
movimentos circulares até cessar a
contração.
-Técnica isolada: Banho de chuveiro:
temperatura ambiente durante a
contração uterina
Diferença significativa no alivio da dor após a aplicação das ENF,
demonstrando redução dessa dor à medida que aumentava a dilatação do colo.
-EVA antes das técnicas: 6,4, 9,1 e 9,9.
EVA depois das técnicas: 4,4, 7,0 e 8,0
-85% utilizaram fármacos após a intervenção.
-81% usaram ocitocina.
BARBIERI, et
al., 2013. Acta
Paul Enferm.
2013;
26(5):478-84
Banho quente de
aspersão,
exercícios
perineais com
bola suíça e dor
no trabalho de
parto
Avaliar de forma
isolada e combinada
a utilização de banho
quente de aspersão e
exercicios perineais
realizados com bola
suíça durante o TP e
a percepção da dor.
15 parturientes
-EVA
-Grupo 1: banho de aspersão a 37°,
posição escolhida pela paciente,
direcionado na região lombosacra por
3º min.
-Grupo 2: exercícios perineais com
bola suíça de 65cm diâmetro, sentada,
pernas a 90°, movimentos de
propulsão e rotação por 30 min.
-Grupo 3: combinação das 2 técnicas
por 30 min.
-Grupos 1 e 2: não houve diferença significativa na EVA.
-Grupo 1: EVA inicial 9 e 1 hora depois 6.
-Grupo 2: EVA inicial 8 e 1 hora depois 7
-Grupo 3: houve diminuição significativa do score de dor entre os
momentos antes e após a terapia.
-Grupo 3: EVA inicial 8 e eva 1 hora depois 5.
TENS= eletroestimulação nervosa transcutânea, EVA= escala visual analógica, GE= grupo experimental, GC= grupo controle, TNF= técnicas não farmacológicas, TP=
trabalho de parto

Discussão

A dor do trabalho de parto é interpretada de diferentes formas pelas mulheres, sendo influenciada por fatores como ansiedade, história familiar, cultura, medo e experiência anterior. Uma importante contribuição na assistência à parturiente é proporcionar condições para que ela possa suportar a dor e o desconforto gerado pelas contrações uterinas durante o TP (BARBIERI et al., 2013).

Foram incluídos na revisão 5 artigos que tem como objetivo avaliar a aplicação de uma técnica fisioterapêutica no alivio da dor no TP, sendo 4 do tipo ensaio clínico controlado e 1 do tipo ensaio clínico não controlado. Na literatura, os recursos utilizados no TP que podem ser aplicados pelo fisioterapeuta são TENS, calor superficial, exercícios perineais na bola suíça, massagem e exercícios respiratórios.

Os estudos de Lee et al. (2012), Barbieri et al. (2013) e Davim et al. (2009), abordaram em comum a técnica de calor superficial, aplicada em forma de banhos quentes. Lee et al. (2012) utilizaram um grupo controle que realizou a técnica do banho quente de forma isolada e grupo placebo. Barbieri et al. (2013) utilizaram a técnica de forma isolada em um grupo e combinada com o recurso da bola suíça em outro grupo e fez uma comparação entre eles, enquanto que Davim et al. (2009) utilizaram o banho em conjunto com técnicas respiratórias, relaxamento muscular e massagem, em um único grupo. Apesar de Davim et al. (2009) terem realizado seu estudo com um único grupo, sua amostra foi 6,6 vezes maior que a de Barbieri et al. (2013). O estudo de Gallo et al. (2013) abordou a técnica da massagem assim como Davim et al. (2009). O estudo de Abreu et al. (2010) utilizou o TENS, não tendo relação de comparação direta com os demais estudos.

Todos os estudos utilizaram como instrumento de aferição da intensidade da dor a EVA, sendo que Abreu et al. (2010), Lee et al. (2012), Gallo et al. (2013) e Davim et al. (2009) fizeram a avaliação da dor com a EVA logo antes e logo após a aplicação da técnica, enquanto que Barbieri et al. (2013) avaliaram logo antes e 1 hora após a aplicação. Diferente dos demais estudos, Lee et al. (2012), além de especificarem o momento da aplicação da técnica de acordo com o grau de dilatação, fizeram o controle da EVA logo antes, 10 min após e 20 min após a aplicação.

Lee et al. (2012) e Barbieri et al. (2013) determinaram a temperatura da água, a duração do banho e a direção do jato, sendo que Barbieri et al. (2013) não especificaram o momento exato da aplicação da técnica, o que geralmente é determinado pelo grau de dilatação. A temperatura da água adotada por ambos foi de 37° e a posição da paciente era de livre escolha, sendo que Lee et al. (2012) realizaram o banho aos 4 e aos 7 cm de dilatação com duração de 20 min, direcionado à região lombosacra por 5 min e os 15 minutos restantes à escolha da paciente e Barbieri et al. (2013) realizaram banho de 30 min direcionado somente à região lombosacra. Davim et al. (2009), aplicaram a técnica aos 8 e aos 9 cm de dilatação e deixaram a duração do banho à escolha da paciente e não especificaram a temperatura da água nem a direção do jato. No estudo de Barbieri et al. (2013) houve ainda um segundo grupo que realizou exercícios perineais, paciente sentada bola suíça com especificação de pernas flexionadas à 90° e realizando movimentos de propulsão e rotação por 30 min No entanto, o grau de dilatação utilizado como referência para aplicação da técnica não foi especificado e, ainda, um terceiro grupo que realizou a combinação do banho com exercícios perineais na bola, seguindo as mesmas especificações das aplicações isoladas.

Gallo et al. (2013) determinaram que a massagem seria aplicada entre 4 e 5 cm de dilatação, durante 30 min e que a intensidade era determinada pela parturiente. A técnica era aplicada entre T10 e S4, correspondendo ao plexo hipogástrico e o nervo pudendo de forma
rítmica e ascendente, com movimentos de amassar e retorno com deslizamento pela região lateral do tronco associado à pressão sacral e a posição podia ser escolhida pela parturiente, enquanto que Davim et al. (2009) que aplicaram a mesma técnica, especificaram que seria aos
6, 8 e 9 cm de dilatação, na região lombosacral, no início das contrações com movimentos circulares até o final da contração, mas não especificaram as vértebras envolvidas. Abreu et al. (2010) especificaram que um par de eletrodos do TENS foram colocados no nível de T10-
L1 e outro em S2-S4, com frequência de duração de pulso de 100us e que a intensidade seria ajustada de acordo com o relato da parturiente, com duração de 1 hora e na posição escolhida pela parturiente. Esse foi o único estudo que tinha um grupo placebo, o qual recebeu a
aplicação da técnica nas mesmas especificações do grupo controle. A diferença foi que no placebo, a parturiente era solicitada a informar quando sentisse o mínimo formigamento e então a intensidade era mantida, enquanto que no grupo controle elas deveriam informar
quando sentissem um formigamento confortável e então a intensidade era mantida.

Todos os estudos estipularam uma referência de fase do trabalho do parto para incluírem as parturientes na pesquisa, podendo ser essa referência com base no nível de EVA ou no grau de dilatação cervical. Abreu et al. (2010) determinaram EVA superior a 6 no momento da admissão no hospital, Lee et al. (2012) determinaram dilatação de no mínimo 4 cm na admissão, Barbieri et al. (2013) estipularam que a paciente tinha que estar na fase ativa do TP com 2 a 3 contrações uterinas em 10 min, dilatação mínima de 3 cm e EVA até 5 no processo de randomização, Gallo et al. (2013) determinaram dilatação de 4 à 5 cm na admissão e Davim et al. (2009) máximo de 6cm de dilatação. Com isso, conclui-se que, exceto no estudo de Davim et al. (2009) que estipulou uma dilatação máxima, as parturientes tinham que estar na fase ativa do trabalho de parto no momento da admissão no estudo, o que compreende dilatação cervical entre 3 e 7 cm. Abreu et al. (2010) não determinaram um grau de dilatação para admissão, mas estipularam um nível de dor que sugere que a parturiente esteja na fase ativa do trabalho de parto.

Todos os estudos tiveram resultados positivos com relação a EVA. Lee et al. (2012) verificaram, no grupo experimental, redução de dor 10 minutos após realização do banho. 20 minutos após, observaram aumento da dor em relação aos 10 minutos anteriores, mas ainda
representou redução quando comparado com o nível de dor inicial. Isso foi encontrado tanto no banho aos 4cm, quanto aos 7cm de dilatação cervical. No grupo controle a dor só aumentou com o passar do tempo. Barbieri et al. (2013), que mensuraram a EVA inicial e 1 hora após a aplicação do banho, encontraram redução do nível de dor tanto no grupo que recebeu a técnica isolada, quanto no grupo que a recebeu combinada com exercícios perineais na bola suíça. Já o grupo que realizou apenas os exercícios perineais na bola suíça, não obteve redução de dor. Davim et al. (2009), que utilizaram o banho entre outras 3 técnicas combinadas, obtiveram resultados positivos na redução da dor aos 6, 8 e 9cm de dilatação e indicaram que apenas 15% das participantes não receberam nenhum tipo de medicação durante TP.

Gallo et al. (2013), que utilizaram a técnica da massagem como recurso não farmacológico no alívio da dor, mostraram que o grupo experimental teve melhora na EVA após aplicação da técnica, enquanto que no grupo controle, teve uma piora. Foi ainda avaliado
o tempo que cada grupo demorou para pedir medicação anestésica após a aplicação da técnica e verificaram que o grupo experimental demorou 0,7h a mais, não tendo representação estatística e foi criterioso quanto ao critério de inclusão apenas de pacientes que não tivessem
tomado nenhuma analgesia da entrada do hospital até a coleta de dados, enquanto que os demais estudos não mencionaram esse critério de inclusão.

O estudo de Abreu et al. (2010) que aplicou o TENS, verificou melhora do nível de dor no grupo TENS e piora no grupo placebo, sendo que 60% do grupo TENS considerou o alívio bom ou muito bom, 20% considerou moderado e 20% ineficaz. A duração média do efeito foi de 1 hora, mas participantes mencionaram que o alívio foi mais bem percebido enquanto o aparelho estava ligado. No grupo controle ninguém referiu alívio na intensidade da dor.

Apenas o estudo de Abreu et al. (2010) e de Gallo et al. (2013) mencionaram a taxa de cesariana no final do estudo, sendo de 30% em ambos os grupos no primeiro estudo e de 25% no grupo experimental e 17% no grupo controle no segundo estudo. O segundo estudo nos mostrou que não teve diferença significativa entre os grupos e o primeiro nos deu um resultado geral, impossibilitando a comparação.

O que chamou a atenção em relação aos artigos foi a diferença observada no critério de inserção das mulheres nas pesquisas com relação ao estágio do parto. Lee et al. (2012) e Barbieri et al. (2013) determinaram critério similar, aonde as mulheres deveriam estar com mínimo de 4 e 3cm de dilatação cervical, respectivamente, mas Barbieri et al. (2013) determinaram ainda que a parturiente teria que ter entre 37 e 42 semanas de gestação, enquanto que Lee et al. (2012) não fizeram restrições quanto à idade gestacional. Gallo et al. (2013) determinaram uma medida exata ao invés de determinar uma mínima, sendo essa medida entre 4 e 5cm e estipulou idade gestacional de no mínimo 37 semanas e que a paciente estivesse em sua primeira gravidez. Davim et al. (2009) utilizaram um critério bem diferente dos demais, estipulando nível de dilatação máxima de 6cm no momento da admissão no estudo, mas determinaram que a parturiente estivesse na fase ativa do trabalho de parto, que significa dilatação mínima de 3cm. Determinaram ainda que a parturiente estivesse em sua 2ª gestação. Abreu et al. (2010) preferiram referenciar pela EVA e determinaram que a paciente teria que estar com nível superior à 6cm na admissão. Todos os estudos tiveram como critério de inclusão, feto único, em apresentação cefálica e parturientes com baixo risco gestacional.

Com relação aos critérios de exclusão, Abreu et al. (2010), Lee et al. (2012) e Barbieri et al. (2013) excluíram pacientes com indicação imediata de cesárea, sendo que Lee et al. (2012) excluiu ainda pacientes que usaram analgesia epidural. Uma limitação importante encontrada nos artigos pesquisados foi em relação ao emprego da técnica ser feita por um fisioterapeuta. Apenas nos estudos de Abreu et al. (2010) e de Gallo et al. (2013), ficou claro que a técnica foi empregada pelo fisioterapeuta e Gallo et al. (2013), inclusive, tiveram como um dos objetivos, verificar a satisfação das mulheres com a presença do fisioterapeuta durante o TP. Nos estudos de Lee et al. (2012), Barbieri et al. (2013) e Davim et al. (2009), as técnicas foram aplicadas por membro da equipe de enfermagem. Entretanto, como sabemos, o fisioterapeuta é apto à usar calor superficial, realizar exercícios perineais, respiratórios, relaxamento muscular e massagem.

Conclusão

Os artigos encontrados na pesquisa mostraram que os recursos fisioterapêuticos utilizados para alívio da dor no TP são TENS, calor superficial, exercícios perineais na bola suíça, massagem e exercícios respiratórios. Além disso, os estudos mostraram que os recursos
fisioterapêuticos aplicados durante o TP reduziram a intensidade de dor referida pelas parturientes.

No entanto, verificou-se uma escassez de artigos, e que apenas 2 mostraram os recursos sendo aplicados por fisioterapeutas. Com isso, esse estudo vem mostrar que, embora existam poucas pesquisas sobre a atuação fisioterapêutica na sala de parto, há uma tendência da inserção da fisioterapia nesse campo de atuação para ratificar seus efeitos.

Referências

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Artigo Publicado em: 31/08/2023



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