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Análise cinesiológica da articulação do joelho no movimento de arremesso no handebol

Análise cinesiológica da articulação do joelho no movimento de arremesso no handebol

O handebol é uma modalidade esportiva coletiva completa, caracterizada por grande quantidade e variedade em suas movimentações, manipulações de bola e interação com outros atletas. Buscando uma maior dinâmica e objetividade, o handebol passou por diversos processos evolutivos que, conseqüentemente, passaram a exigir dos atletas maiores adaptações fisiológicas e características morfológicas específicas(1,2).

No handebol, a bola deve ser deslocada através de passes; o atleta também pode conduzir a bola dando até três passos para depois passar ou arremessá-la. Esta maneira de conduzir a bola permite ao jogador maior velocidade, segurança e naturalidade nos seus movimentos, por ser uma modalidade esportiva de competitividade, exige de seus praticantes, capacidade física, força, velocidade, elasticidade e flexibilidade (3,4,5).

Segundo Santos, o arremesso em suspensão é um dos fundamentos mais utilizados em treinos e jogos, sendo a aterrissagem do arremesso a fase de colisão contra uma superfície externa fixa, na qual o corpo é submetido a forças com rápida desaceleração, isto é, forças impactantes. Tais forças atuam individualmente nos segmentos corporais que recebem o impacto e, logo após, são transmitidos através do sistema esquelético para o restante do corpo, podendo ocasionar choque nas articulações principalmente na mão e joelho.

O joelho sofre sobrecarga de todo o corpo humano, no entanto é uma articulação relativamente instável em função da sua estrutura, sofrendo muitas vezes desgastes e até traumas que são precipitados pela execução de atividade física. Essa articulação é elaborada para mobilidade e estabilidade, ela alonga e encurta funcionalmente os membros inferiores para elevar e abaixar o corpo ou para mover o pé no espaço (8,9,10,11,12). Hoppendield (1997), afirma que o joelho é bastante susceptível às lesões traumáticas primariamente por ser muito submetido a esforços, já que se localiza entre dois braços de alavanca: o fêmur e a tíbia. O atleta de handebol, além das qualidades atléticas deve possuir qualidades morfológicas ao serviço de uma máxima mobilidade em todos os sentidos, para responder às exigências em diferentes situações de jogo (13).

Considerando a importância que possuem os arremessos para finalizações no handebol, pois será vencedora a equipe mais eficiente e que marcar o maior número de gols sobre os adversários, a pesquisa objetivou analisar o movimento de arremesso na prática de handball, possibilitando um aprofundamento na biomecânica da articulação do joelho na realização do movimento de arremesso.

MATERIAIS E MÉTODOS

Estruturou-se um estudo descritivo para a análise cinesiológica do joelho no movimento de arremesso. Para tanto foram utilizadas imagens de vídeo realizadas no dia 20 de setembro do ano de 2008, durante a realização dos jogos Universitários Pernambucano no Colégio Santos Dumont, situado em Recife-PE, com a equipe (FACOL) Faculdade Osman Lins contra a equipe da Universidade Maurício de Nassau.

Para captação dessas imagens utilizou-se uma câmera digital (Sony Dsc-w30 6.0 megapixels), posicionada em angulações distintas (lateral e posterior), que filmou a execução do ato motor solicitado. A amostra é composta por um atleta da equipe D.C, 21 anos, praticante do esporte há sete anos. Os jogos universitários acontecem uma vez ao ano, em quadras poliesportivas de escolas e universidades. Os jogadores utilizam uma bola de handball da marca pênalti e usam vestimenta apropriada para a prática esportiva, com tênis da marca adidas stabs. O jogo inicia-se com o alongamento e aquecimento, e posteriormente é realizado o treino individual que antecede o inicio da competição entre os integrantes da equipe (titulares e reservas).

Dentre as imagens recolhidas selecionaram-se as de melhor qualidade, sendo estas convertidas em fotos e posteriormente submetidas à análise da ADM através do programa Alcimagem (versão 2.1) que definiu a angulação da articulação do joelho durante o arremesso e posteriormente realizado uma análise descritiva.

O participante do estudo foi esclarecido sobre a metodologia e importância da análise cinesiológica do joelho no movimento de arremesso no handebol e permitiu o uso de sua imagem para realização deste estudo. A tríade cinemática escolhida foi composta pelo músculo quadríceps como elemento motor do joelho na extensão.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O arremesso é uma atividade violenta que exige muita habilidade e um esforço extremo, além de flexibilidade, força, potência, endurance e coordenação. O ato de jogar um objeto requer um movimento perfeitamente coordenado e descargas musculares sincronizadas.

A flexibilidade dos músculos é fator diferencial na qualidade do movimento. Quanto maior a flexibilidade, maior será à força de contração e menor será o risco de lesão. Há também uma relação entre os tipos de contração. A contração excêntrica, onde o músculo acumula energia para posteriormente contrair concentricamente define a qualidade da contração concêntrica (14)

TABELA 1 – Tempo de ida no movimento de arremesso .

INÍCIO DO TEMPO DE IDA 45º
FINAL DO TEMPO DE IDA 157,60º
TEMPO TOTAL DE IDA 112,60º


TABELA 2 – Tempo de volta no movimento de arremesso.

INÍCIO DO TEMPO DE VOLTA 157,60º
FINAL DO TEMPO DE VOLTA 45º
TEMPO TOTAL DE VOLTA 112,60º

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Figura 1. Posição inicial

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Figura 2. Armação

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Figura 3. Arremesso

Na figura 3, arremesso, o atleta encontra-se com o quadril neutro e ambos os joelhos em extensão. Os músculos isquiotibiais encontram-se em extensão e em contração excêntrica (para acumular energia) e o quadríceps em contração concêntrica e em plano sagital. Durante o arremesso o atleta faz rotação direta e para trás, e hiperextensão do membro superior e projeção da perna para frente (caso a bola se encontre na mão direita, é a perna direita que vai para frente). Nesse movimento o eixo é contra a gravidade e paralelo ao solo. O tornozelo direito está neutro e o esquerdo em leve flexão plantar. Na fase de aceleração os ísquiostibiais se contraem concentricamente, conferindo maior força e velocidade ao arremesso.

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Figura 4. Liberação

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Figura 5. Desaceleração

As articulações têm por objetivo permitir o movimento dos segmentos ósseos que o cercam, resistindo às cargas impostas pela gravidade durante os movimentos. A complexa interação do fêmur, tíbia, patela e fíbula permite que a articulação do joelho resista às forças durante as fases normais da deambulação, assim como nas atividades mais dinâmicas como subir e descer escadas e corrida (15,16). Do ponto de vista mecânico, a articulação do joelho é surpreendente, visto que deve conciliar dois imperativos contraditórios. O primeiro é possuir uma estabilidade relativamente importante em extensão máxima, porque nesta posição o joelho faz grandes esforços devido ao peso do corpo e ao comprimento do braço de alavanca. O segundo é adquirir uma significativa mobilidade a partir de certo grau de flexão, mobilidade esta extremamente importante para corrida e orientação ótima do pé com relação às irregularidades do chão (17). O atleta de handebol, além das qualidades atléticas deve possuir características morfológicas ao serviço de uma máxima mobilidade em todos os sentidos, para responder às exigências em diferentes situações de jogo (13).

Um dos esportes que mais apresentam lesões musculoesqueléticas é o handebol, em conseqüência de ser rápido e explosivo, propicia a ocorrência de lesões nos atletas que o praticam. Os movimentos do handebol não são contínuos, cíclicos ou repetitivos, exigindo um maior trabalho proprioceptivo e neuromuscular para atuação em todos os grupos musculares e articulações (3,11).

As variáveis avaliadas neste estudo, quando associadas a outros fatores intervenientes para o rendimento, contribuem de forma significativa como parâmetros para o diagnóstico do estado de treinamento de atletas, bem como, para a elaboração de um programa de treinamento individualizado, visando uma melhora da performance. A ação motora competitiva dos atletas nos esportes coletivos pode permitir a estruturação do modelo atual das atividades na modalidade handebol. Esse panorama pode fornecer subsídios, no que diz respeito às tendências de montagem dos modelos de treinamento, ou seja, em uma análise apenas quantitativa, além de facilitar aos treinadores e fisioterapeutas uma nova visão para estruturar o chamado modelo da condição de atleta.

CONCLUSÃO

Após o estudo da ADM do joelho no movimento de arremesso no Handebol podemos concluir que o ângulo formado no tempo de ida foi de 112,83º e o tempo de volta encontrado foi de 112,83º. A angulação encontrada foi satisfatória para o estudo.  Apesar da escassez de dados sobre essa modalidade, estes podem ser tomados como indicadores iniciais, pois mais estudos devem ser conduzidos com o intuito não só de caracterizar atletas adultos, mas também de outras faixas etárias, podendo servir posteriormente como parâmetros para a melhora do rendimento de atletas praticantes dessa modalidade na região nordeste do Brasil e fornecer diretrizes para a elaboração de práticas esportivas mais adequadas no sentido de promover o equilíbrio das forças musculares que agem diretamente no momento de sua execução.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1-Silva DT. A postura influencia no desempenho físico de uma atleta de handebol :Serie de caso [Trabalho de conclusão de curso]. Paraná: Universidade Estadual do oeste do Paraná.Campus: cascavel, 2003.
2-Vargas RP, Dick DD, Santi H, Duarte M, Junior ATC. Avaliação de características fisiológicas de atletas de handebol feminino. Fit Perf J. 2008.7(2):93-98.
3-Constante SF. Incidência de lesões em atletas de handebol participantes dos jogos abertos de Santa Catarina do ano de 2004[Trabalho de conclusão de curso]. Santa Catarina: Universidade do Sul de Santa Catarina. 2005.
4- Bezerra ES, Simão R. Caracteristicas antropométricas de atletas adultos de handebol. Fit Perf J. 2006.5(5):318-324.
5-Caldas I. Handebol: como conteúdo para as aulas de educação física. 1ª Ed. Recife:Edupe:2003.
6-Regazzo PH. Avaliação físico-funcional em atletas praticantes de handebol e voleibol para detectar lesões tipo SLAP do ombro. Rev Cienc e Saude. 2007. 2:54-61.
7-Santos SG, Detanico D, Graup S, Reis DC. Relação entre alterações posturais, prevalência de lesões e magnitudes de impacto nos membros inferiores em atletas de handebol. Fit Perf J. 2007.6(6):388-393.
8- Vasques GD, Duarte MFS, Lopes AS. Morfologia de atleta juvenis de handebol. Rev Bras Cineantropom Desempenho Hum. 2007. 9(2):127-133.
9- Kisner C, Colby LA. Exercícios terapêuticos fundamentos e prática. 4ª Ed. São Paulo: Manole;1998.
10-Hoppenfield S. Propedêutica Ortopédica, Coluna e Extremidades. 1 ed. São Paulo: Atheneu, 1997.
11- Smillie IS. Traumatismos da articulação do joelho.São Paulo: Manole;1980.
12- Kapandji IA. Fisiologia articular. São Paulo: Manole;1987.
13- Bayer C. Técnica del balonmano: la formacion del jugador. Espanha:Ed. Hispano Europea;1987.
14- Malone T, Mcpoil TG, Nitz AJ. Fisioterapia em ortopedia e medicina no esporte. 3º Ed. São Paulo: Santos;2002.
15- Malavasi LM, Lima PV, Kaminise ST. Diagnóstico do fundamento arremessos na liga nacional masculina de handeboll de 1999. Cad de  Ed Fisica. 2002.7(4) :11-18.
16-Chhabra A, Elliot CC, Miller MD. Normal Anatomy and Biomechanics of the Knee: Sports medicine and arthroscopy review. J J Manual 2001.9(3):166-177.
17- Kapandji AI. Fisiologia Articular. 5ªed. Rio de Janeiro:Maloine;2000.



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