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A Importância da Atuação do Fisioterapeuta no Pós Operatório de Cirurgia Plástica

A Importância da Atuação do Fisioterapeuta no Pós Operatório de Cirurgia Plástica

Introdução

Na contemporaneidade, a busca incessante pela estética ideal tem se intensificado, uma vez que os padrões estabelecidos estão cada vez mais exigentes. Essa noção de “perfeição”, como frequentemente denominada, abarca características como simetria facial, um nariz refinado, delicado e empinado, uma pele imaculada, isenta de manchas e marcas, sobrancelhas impecáveis, um corpo esguio, seios volumosos e firmes, além de uma cintura fina, entre outros atributos. Entretanto, muitas pessoas não se encaixam naturalmente nesse ideal e precisam recorrer a diversas medidas para alcançá-lo, como atividades físicas, uma alimentação adequada, o auxílio de profissionais qualificados e procedimentos estéticos, como as cirurgias plásticas, que têm se mostrado aliadas na busca pela beleza perfeita.

Muitos que buscam esses procedimentos estéticos se encaixam no grupo de pessoas que estão com excesso de peso, o que pode gerar obesidade acarretando uma série de doenças, incluindo hipertensão arterial e diabetes mellitus tipo 2, que aumentam o risco de eventos cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio e derrame cerebral. Além disso, a obesidade também está associada à esteatose hepática e a outras comorbidades (Cheffer et al, 2022). É uma das doenças mais antigas registradas e é um desafio global reconhecido pela Organização Mundial da Saúde, afetando um grande número de pessoas. Essa condição pode levar a diversas patologias e até mesmo à morte prematura. Além disso, os índices de qualidade de vida indicam que pessoas obesas enfrentam desvantagens significativas (Almeida et al, 2018).

Diante disso, as cirurgias plásticas têm evoluído consideravelmente com o avanço das técnicas, e isso tem se tornado mais conhecido nos últimos anos, resultando em mais de um milhão de procedimentos estéticos realizados no Brasil a cada três anos (Carvalho et al., 2011). De acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (ISAPS), o Brasil ocupa a segunda posição entre os cinco principais países que mais realizam intervenções cirúrgicas, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e à frente do Japão, México e Itália (ISAPS, 2018).

A cirurgia plástica pode ser descrita como uma intervenção realizada no tecido com o propósito de direcioná-lo para uma determinada região (Simões, Migotto, 2013). Essa intervenção consiste em reestruturar a configuração e atividades físicas do organismo, reparando não apenas aspectos estéticos, mas também permitindo a reconstrução de áreas corporais que exibam irregularidades, as quais afetam a autoconfiança do indivíduo (Santos, N. P. et al, 2018). Essa prática pode ser classificada em reparadora, que visa restabelecer uma função ou restaurar uma forma modificada devido a questões de saúde, e estética, que tem como objetivo aprimorar a aparência de uma pessoa (Moreira, 2021).

Entre as diversas intervenções cirúrgicas mais procuradas, destacam-se a rinoplastia, abdominoplastia, lipoaspiração, mamoplastia de aumento e blefaroplastia. É importante ressaltar que a abdominoplastia tem se tornado cada vez mais comum, com expectativa de crescimento anual (Pacheco, 2019). Essa cirurgia pode ser definida como um procedimento que visa reparar a pele remanescente e a camada adiposa através de sua remoção (Porchat, 2018).

Toda intervenção cirúrgica acarreta riscos à saúde se não for devidamente tratada, e na cirurgia plástica não é diferente. O pós-operatório pode apresentar complicações, tais como hematomas, fibroses, infecções, queloides e outras, que variam conforme o tipo de intervenção e técnica empregada (Simões, Migotto, 2013). Além dessas complicações mencionadas, pode ocorrer uma reação inflamatória como resposta do organismo à lesão tecidual provocada durante o procedimento cirúrgico, resultando em morte celular, e é crucial que seja prontamente tratada para permitir a substituição do tecido danificado por um novo (Meija, Costa, 2011).

O crescimento gradativo da procura por intervenções estéticas nos últimos tempos tem suscitado apreensões no período pós-operatório dos indivíduos, haja vista a constatação de que o desfecho da operação não se vincula unicamente à cirurgia e ao conhecimento do profissional em plástica, estando intrinsecamente associado aos cuidados durante a fase de recuperação (Lima, 2021).

O cumprimento adequado do período pós-operatório é fundamental para alcançar os objetivos da cirurgia, dado que essas intervenções são reconhecidas como lesões nos tecidos, as complicações e efeitos residuais decorrentes do procedimento cirúrgico são esperados, frequentes e inescapáveis. No entanto, é possível atenuá-los (Pacheco, 2019).

Nesse contexto, a fisioterapia dermatofuncional tem se destacado ao proporcionar resultados excelentes, sendo imprescindível tanto no tratamento de possíveis complicações quanto no preparo pré-operatório (Moreira, 2021). A atuação do fisioterapeuta no pósoperatório consiste em prevenir complicações oriundas da cirurgia e intervir em questões já decorrentes do procedimento, visando reabilitar o paciente de maneira abrangente, uma vez que o aspecto estético também pode afetar a saúde emocional de qualquer indivíduo (Santos, 2019). Assim, este estudo busca apresentar a importância do papel desempenhado pelo fisioterapeuta no período pós-operatório de procedimentos de cirurgia plástica.

Materiais e Métodos

Este estudo consiste em uma revisão narrativa que se baseia em pesquisas como publicações, artigos, livros, entre outros, que exploram a importância da atuação do fisioterapeuta no período pós-operatório de cirurgia plástica. As buscas foram realizadas em bases de dados como BVS, Google Acadêmico e Scielo, no período de maio de 2023 a junho de 2023, utilizando as seguintes palavras-chave: cirurgia plástica, fisioterapeuta e pósoperatório. Foram consideradas publicações dos últimos doze anos como critério de seleção.

Resultados e Discussões

Após a investigação realizada nas plataformas mencionadas anteriormente, um total de 2.193 estudos foram identificados. Após a análise e avaliação criteriosa, 3 artigos foram selecionados para compor o presente estudo, em consonância com o tema abordado (Figura 1).

A seguir, podemos verificar os estudos elegidos que estavam equivalentes ao conteúdo aqui discutido na tabela abaixo.

A busca pelo corpo perfeito está frequentemente associada a procedimentos estéticos como a cirurgia plástica, mas é importante entender que os resultados podem não ser garantidos devido a possíveis complicações. Hematomas, infecções e fibroses podem surgir, afetando o resultado estético desejado. Além da cirurgia, os cuidados pós-operatórios, o acompanhamento médico e um estilo de vida saudável são fundamentais para se alcançar o objetivo e retornar a rotina. É essencial ter expectativas realistas e estar ciente dos riscos envolvidos para obter resultados satisfatórios e preservar a saúde do paciente. O papel do fisioterapeuta no pósoperatório é crucial, pois ele detém de conhecimento e técnicas que permitem que ele trate cada paciente de forma personalizada, oferecendo cuidados específicos para lidar com eventuais intercorrências.

Conforme Meyer et al. (2011), conduziu-se um estudo que consistiu na análise de registros médicos de pacientes submetidos a intervenção fisioterapêutica no período pósoperatório de lipoaspiração. Foram identificados 233 pacientes durante o período de 2005 a 2009, dos quais 220 eram do sexo feminino, enquanto apenas 13 eram do sexo masculino. A demanda pelo procedimento foi predominantemente observada na faixa etária jovem,
compreendendo indivíduos com idades entre 21 e 30 anos, o que corresponde a 52,4% dos casos. Os resultados destacaram a importância crucial de iniciar precocemente o tratamento fisioterapêutico, o qual se associou a uma resolução mais rápida das complicações e a uma redução no número de sessões necessárias. Demonstrou também que o número de sessões realizadas está diretamente relacionado ao tipo de método cirúrgico adotado. Essa constatação respalda os dados encontrados na pesquisa, uma vez que, além do método cirúrgico, o número
de sessões também pode ser influenciado pela expertise do cirurgião e pelo volume aspirado.

Portanto, é necessário iniciar precocemente o pós-operatório para minimizar as complicações e, consequentemente, reduzir o número de sessões necessárias. Em relação aos recursos terapêuticos empregados nesse contexto, observou-se uma ênfase significativa na utilização da drenagem linfática manual e do ultrassom de 3MHz, os quais foram adotados por todos os pacientes e proporcionaram progressos excelentes, atingindo assim suas expectativas.

Segundo Pirola et al. (2011), relata-se um caso de uma paciente submetida à cirurgia estética de lipoaspiração, apresentando fibrose abdominal no pós-operatório tardio (60 dias após o procedimento). A fisioterapeuta desempenhou um papel fundamental na redução desses problemas clínicos, oriundos da intervenção realizada, prevenindo e controlando as complicações mais comuns. Foi utilizada a terapia por radiofrequência, que resultou em uma redução significativa da medida linear da fibrose e uma importante diminuição da área afetada, proporcionando uma melhora visual (Figura 2). Em alguns momentos, a terapia combinada com a drenagem linfática manual foi aplicada para auxiliar na redução de líquidos retidos, produtos catabólicos e rompimento das traves fibróticas, resultando em uma notável melhora no processo de recuperação da paciente.

Segundo Masson et al. (2014), um estudo foi conduzido com 18 pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos que apresentaram intercorrências, e constatou-se que a combinação de drenagem linfática manual e ultrassom terapêutico resultou em uma redução estatisticamente significativa de edema e fibrose. Além disso, essa abordagem foi eficaz na diminuição da dor dos pacientes, mesmo em casos de pós-operatório tardio após lipoabdominoplastia ou lipoaspiração. A aplicação conjunta de drenagem linfática manual e ultrassom terapêutico na superfície da área aspirada demonstrou uma diminuição nas taxas de fibrose tecidual.

Conclusão

A atuação do fisioterapeuta no pós-operatório de cirurgias plásticas é comprovada por este estudo, sendo essencial para promover a cicatrização, aliviar a dor, reduzir edemas, equimoses e seromas, além de prevenir complicações. O trabalho aborda a relevância do fisioterapeuta no tratamento de complicações como fibroses e infecções, visando à reabilitação e retorno do paciente às atividades diárias. A avaliação criteriosa do quadro clínico pelo fisioterapeuta é fundamental para obter resultados favoráveis e alcançar os objetivos da cirurgia plástica, tornando a intervenção fisioterapêutica crucial na recuperação dos pacientes.

Agradecimentos

Gostaria de agradecer as minhas queridas filhas Isabel e Milena, que me dão força diariamente. Gratidão ao meu marido Ricardo por me apoiar a cada dia! A minha família que sempre compreendeu a minha ausência quando precisava estudar. A todos esses, o meu eterno agradecimento!

Referências:

1- ALMEIDA, Jose Kelly de Freitas et al. A Drenagem linfática como recurso terapêutico pós abdominoplastia. REVISTA DE TRABALHOS ACADÊMICOSCAMPUS NITERÓI, v. 1, n. 15, 2018. Disponível em: http://www.revista.universo.edu.br/index.php?journal=1reta2&page=article&op=view&path%5B%5D=6134&path%5B%5D=3229 Acesso em: 21 mai. 2023.

2- CARVALHO, Rogério Mendonça de et al. Análise descritiva do encaminhamento médico a tratamentos fisioterapêuticos dermato-funcionais nos períodos pré e pós-operatório de cirurgias plásticas cosméticas. O mundo
da Saúde, São Paulo, v. 35, n. 4, p. 408-414, 2011. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/artigos/analise_descritiva_encaminhamento_medico_tratamentos_cirurgia_plastica.pdf. Acesso em: 29 mai. 2023.

3- CHEFFER, M. H.; GOLFETTO, K. DE M.; SILVA, M. P. Percepção de indivíduos que experienciaram o processo de preparação para cirurgia bariátrica (bypass gástrico). RBONE – Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, v. 15, n. 93, p. 225-232, 23 mai. 2023.

4- INTERNATIONAL SOCIETY OF AESTHETIC PLASTIC SURGERY. Global Survey Press Release – November, 2018. Disponível em: https://www.isaps.org/wpcontent/uploads/2018/11/2017-Global-Survey-PressRelease-br.pdf. Acesso em: 28 de mai. de 2023

5- LIMA, Yanna Louise Alves De Lima. O papel da fisioterapia dermatofuncional no pós-operatório de cirurgias plásticas: revisão integrativa [Trabalho de conclusão de curso on the Internet]. João Pessoa – PB: Faculdade de Enfermagem Nova Esperança – FACENE, 2021. 20 p. Disponível em: <http://www.sistemasfacenern.com.br/repositoriopb/admin/uploads/arquivos/40f4da34bbe180214c23b9e55da4f772.pdf>. Acesso em: 18 jun. 2023.

6- MASSON, I. F. B; Oliveira, B.D.A; Machado, A.F.P; Farcic, T.S; Junior, I.E; BALDAN, C.S. Drenagem linfática manual e ultrassom terapêutico no pósoperatório de lipoaspiração e lipoabdominoplastia. Indian Journal of Plastic Surgery, Janeiro-Abril de 2014.

7- MEIJA, Dayana Priscila Maia; COSTA, Lucicleide Cordeiro da. Benefícios da Fisioterapia Dermato Funcional no pós-operatório de Ritidoplastia ou Lifting Facial. In: MEIJA, Dayana Priscila Maia; COSTA, Lucicleide Cordeiro
da. Benefícios da Fisioterapia Dermato Funcional no pós-operatório de Ritidoplastia ou Lifting Facial. 2011. Artigo (Pós-graduação em Fisioterapia Dermato Funcional) – Faculdade Ávila, [S. l.], 2011. f. 14. Disponível em: https://fisiosale.com.br/assets/10cirurgia-pl%C3%A1stica-facial-2910b.pdf. Acesso em: 12 jun. 2023.

8- MEYER, Patrícia Froes et al. Protocolo fisioterapêutico para o pós-operatório de lipoaspiração. Terapia Manual, v. 9, n. 45, p. 569-575, 2011.

9- MIGOTTO, J. S. Atuação fisioterapêutica dermato funcional no pós-operatório de cirurgias plásticas. Revista Gestão & Saúde, [S. l.], v. 4, n. 1, p. 1365–1377, 2017. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/rgs/article/view/187. Acesso em: 16 jun. 2023.

10- MOREIRA, Elisa Ferrari. Fisioterapia dermatofuncional e seus recursos no pré, trans e pós-operatório de cirurgias plásticas estéticas reparadoras: revisão de literatura. Orientador: Prof.a Ma. Gabriela de Souza Canata Rodrigues. 2021. 32 f. Trabalho de conclusão de curso (Bacharel em Fisioterapia) – CENTRO UNIVERSITÁRIO SAGRADO CORAÇÃO, Bauru, 2021. Disponível em: https://repositorio.unisagrado.edu.br/jspui/handle/handle/296 Acesso em: 11 jun. 2023.

11- PACHECO, P. P. Cuidados e tratamentos estéticos realizados por mulheres antes e após realização de cirurgia plástica na região abdominal. Estética e Bem Estar Tubarão, 2019. Disponível em: https://repositorio.animaeducacao.com.br/handle/ANIMA/11567 Acesso em: 25 mai. 2023.

12- PIROLA, Flávia Maria. O efeito da radiofrequência em fibrose póslipoaspiração abdominal. Fisioterapia Brasil, v. 12, n. 1, p. 53-57, 2011.

13- PORCHAT, C. A.; SANTOS, E. G.; NETO, G. P. B. Complicações pósoperatórias em pacientes submetidos à abdominoplastia isolada e combinada às outras cirurgias do abdome. Rev. Col. Bras. Cir, v. 31, n. 6, 2004. Disponível
em: https://www.scielo.br/j/rcbc/a/pyjpnCTCRDjWBhkVxgxTwZf/?format=pdf&lang=pt Acesso em: 29 mai. 2023

14- SANTOS, N. P. et al. Avaliação do nível de dor em pacientes submetidos a cirurgias plásticas estéticas ou reparadoras. Rev. Soc. Bra. Cir. Plást. v. 27, n. 2, p. 190-4, 2012. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbcp/a/bptrnrpWZxjKqyKxnB5kqPL/abstract/?lang=pt Acesso em: 15 jun. 2023.

15- SANTOS, Maria das Dores dos. Estudo da importância do acompanhamento fisioterapêutico no pré e pós-operatório de cirurgia plástica estética. Anais do Fórum de Iniciação Científica do Unifunec [Internet]. 11 de dezembro de 2019;10(10). Disponível em: https://seer.unifunec.edu.br/index.php/forum/article/view/4302 Acesso em: 18 jun. 2023.

ARTIGO PUBLICADO EM 29/05/2025



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