A Organização Mundial de Saúde (OMS), definiu em sua carta de constituição, a ideia de saúde como um direito humano fundamental, representada pelo completo bem-estar físico, mental e social, e não somente como a ausência de doença e enfermidade. O conjunto de tarefas e a divisão planejada para cada trabalhador, podem estar associadas com importantes estresses laborais. (MARTINS, 2011)
Na última década, diferentes estudos descreveram os problemas de saúde mais prevalentes entre os professores, com destaque para as desordens musculoesqueléticas, problemas vocais e distúrbios psíquicos. Os diagnosticados como portadores de distúrbios osteomusculares desenvolvem dor crônica e sofrem alguma limitação, ou mesmo incapacidade, representando um grande desafio para pacientes e médicos, e um alto custo social e econômico para o país. (SANCHEZ, 2013; CRUZ, 2010; AZAMBUJA, 2012)
O trabalho se faz necessário para manter as condições da vida humana, o bem-estar psicossocial e a dignidade do indivíduo, sendo o ambiente de trabalho fator importante para manter ou destruir a saúde do trabalhador. (VERONESI, 2014) Quando o trabalho é realizado de modo inadequado, pode transformar-se em fator prejudicial à saúde humana. Algumas características ocupacionais, como a exigência da capacidade física e cognitiva resultam em um sobre-esforço ou hipersolicitação de suas funções psicofisiológicas, como é o caso dos professores, visto que por vezes seu trabalho favorece às situações desfavoráveis. (SANCHEZ, 2013; SILVA, 2011).
Segundo Ribeiro et al. (2011), entre os fatores de riscos laborais para o acometimento do sistema musculoesquelético em docentes, destaca-se o tempo de trabalho como professor, lecionar em mais de uma escola com elevada carga horária semanal, falta de local específico para descanso, posicionamento corporal inadequado, posturas fatigantes por muito tempo e conflitos com os alunos.
As expressões de desgaste das estruturas do sistema musculoesquelético são denominadas de lesões por esforços repetitivos (LER) e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT). Caracterizam-se pela ocorrência de vários sintomas como dor, parestesia e sensação de peso em fadiga. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2012)
O método Pilates foi originalmente criado por Joseph Pilates, caracterizado por movimentos progressivos, tendo como base o controle consciente das ações musculares e estabilização da coluna, envolvendo contrações concêntricas, excêntricas e principalmente isométricas, com ênfase no power house (músculos abdominais, transversoabdominal, multífidos e assoalho pélvico), responsável pela estabilização estática e dinâmica do corpo. (SINZATO, 2013; MARÉS, 2012)
São vários os benefícios que o Pilates propicia, dentre eles ocorre principalmente no sistema circulatório oxigenando o sangue, aumento da força e resistência física e mental, promove melhorias dos níveis de consciência corporal, alívio das dores, aumento da resistência física, melhora da coordenação motora, flexibilidade, postura, equilíbrio e alinhamento corporal, redução da fadiga muscular e também melhora da capacidade respiratória. (PEREIRA et al., 2013)
Ao ser submetido pela prática do Pilates, orientado por um profissional habilitado, é praticamente inexistente a possibilidade de lesões ou dores musculares, pois o impacto é zero. O Pilates pretende criar hábitos saudáveis que perdurem por toda a vida, e as pessoas aprendem a manter uma postura correta em diversas situações do cotidiano, com sentar, andar e agachar. (COMUNELLO, 2011; PEREIRA et al., 2013)
O desempenho das atividades do trabalhador é comprometido devido aos problemas de ordem física, como as doenças musculoesqueléticas e/ou psicológicas, como por exemplo a depressão. As doenças musculoesqueléticas são, portanto, as principais contribuintes para a redução da capacidade funcional destes trabalhadores. (SILVA, 2011)
Gómez e García (2009) afirmam que o Pilates é uma das técnicas mais eficazes na reeducação postural. Sendo estabelecida a postura corporal por estruturas musculoesqueléticas que integram entre si durante toda a vida; a longo prazo, estas podem evoluir para processos crônicos que causam dor e podem limitar o indivíduo para a prática de atividade física e laboral. (PEREIRA et al., 2013; COMUNELLO, 2011) Segundo COMUNELLO (2011) método Pilates pode ser uma ferramenta eficaz para o fisioterapeuta, onde diversos resultados que competem ao tratamento de desvios posturais e distúrbios osteomioligamentares, têm sido satisfatórios.
Diante da revisão de literatura, estudo feito por PEREIRA e colaboradores (2013) o Método Pilates consiste em uma série de exercícios físicos, os quais buscam a harmonia entre o corpo e a mente, ou seja, é um treinamento físico e mental, que melhora a consciência corporal por trabalhar o corpo como um todo. A meta final é obter um corpo capaz de suportar o estresse da vida moderna e ainda guardar energia suficiente para desfrutar os momentos de recreação e de convívio familiar e com os amigos. Sua respiração utilizada durante a prática, nutre o corpo eliminando toxinas, sendo uma força poderosa para aliviar a tensão nervosa, melhorar a concentração e controlar níveis de energia.
A qualidade de vida no trabalho pode ser vista como “uma abordagem sócio-técnica em relação à organização do trabalho, tendo como base a satisfação do trabalhador no trabalho e em relação a ele”. Neste contexto, diretamente relacionada à satisfação e ao bem-estar do trabalhador na execução de suas tarefas. (ROCHA, 2012) Estudos apontam que a dor persistente acarreta adaptações de mecanismos musculoesqueléticos e psicocomportamentais que podem se estender para a vida extraclasse e interferir na capacidade funcional para atividades de vida diária (AVD), domésticas, de lazer, diminuir a motivação e a autoestima para realização das atividades laborais e comprometer a qualidade de vida dos trabalhadores. (CALIXTO et. al., 2015)
Prevenir as doenças osteomusculares independente da atividade profissional, idade ou sexo, através de exercícios pensantes, se busca a melhoria da qualidade de vida diária e profissional. E principalmente, preparar o corpo para se mover sabiamente diante das solicitações tecnológicas, evitando o estresse, os vícios posturais e a hipocinesia, ratifica que o movimento inteligente é saúde. A vida saudável é imprescindível para uma boa qualidade de vida e profissional, acarretando na melhoria da autoestima e dos hábitos de vida. (FREITAS, 2011)
Embora existam estudos que avaliaram o impacto dos sintomas osteomusculares na qualidade de vida de professores, ainda são escassos, principalmente entre os que atuam na etapa da educação básica. Considerando o exposto, este trabalho tem como objetivo verificar a repercussão do método Pilates em docentes escolar, em relação à algia, fadiga muscular e qualidade de vida. De forma especifica analisar a prática do Pilates nestes profissionais e comparar o quadro de algia, fadiga muscular e qualidade de vida no trabalho, antes e depois do Pilates. Tendo como intuito melhorar a qualidade de vida no trabalho dos docentes voluntários do estudo, além de proporcionar hábitos de vida mais saudáveis aos docentes submetidos ao método.
MATERIAIS E MÉTODOS
Foi realizado um estudo quantitativo, descritivo, experimental do tipo longitudinal, visto que se trata de um método de pesquisa onde as variáveis pré-determinadas são mensuradas e expressas numericamente, além da investigação dos fatos objetivamente observados. É um método que se apropria da análise estatística para o tratamento dos dados (GRAZIOS, LIEBANO, NEHAS, 2011). De forma análoga, destaca que a pesquisa descritiva se preocupa em observar os fatos, registrá-los, analisá-los, classificá-los e interpretá-los, e o pesquisador não interfere neles. (ANDRADE,2010)
A população escolhida para compor a amostra foi de 15 docentes de uma escola privada da cidade de Pilar, Alagoas. Os critérios de inclusão foram: ser funcionários da instituição, ser do sexo feminino, docente, com mais de um ano de atuação da profissão, com queixa álgica, fadiga e não apresentasse uma boa qualidade de vida. Foram excluídos os que praticassem o método Pilates, os que não tivessem disponibilidade de participar das aulas e os que não cumprissem com a carga horaria determinada.
A prática do método Pilates foi realizada no estúdio de Pilates localizado no mesmo bairro da escola, onde os encontros aconteceram em turno noturno, com frequência de três vezes por semana, sendo 12 encontros mensais, totalizando 20 sessões compreendendo aproximadamente 2 meses, cada sessão com duração de 30 minutos, correspondente a uma carga horária total de 10 horas da prática do método. Nesse período foram executados posturas e exercícios do Pilates no barrel (alongamento de costas-quadríceps, alongamento de frente, alongamento lateral, subir até sentar-sit up); cadilac (rolando para trás, alongamento de coluna, sereia, one leg quadríceps, torre-variação retropé e antepé, torre-variação running, torre-variação antepé em “V” posição, torre-variação glúteo máximo e piriforme, alongamento do quadríceps, leg series supine); reformer (sereia, arms: pulling, massagem curta da coluna, footwork:toes, footwork:heels, running, ponte, leg lowers, leg extension, extensão de joelhos com perna cruzada, front splits-abertura de frente, leg lowers, leg extension); chair (hamstring stretch-alongamento de isquiotibiais, alongamento de lado, horse back, pump one leg front-bombear uma perna de frente, extensão de joelhos com pernas abduzidas, flexão, footwork: double leg pumps); solo e acessórios (ponte, gato, agachamento, alongamento lateral em decúbito dorsal, alongamento de cadeia posterior com flexão de tronco, chute lateral para cima e para baixo, swan, alongamento frontal da coluna, a apara, inclinação frontal do bíceps, inclinação lateral do bíceps, alongamento com uma única perna, chute com as duas pernas, alongamento do pescoço, sereia, a serra, breast stroke, push up) com nível básico/inicial apenas. Houveram dois momentos onde foram aplicados os questionários, os dados iniciais, antecedentes a primeira sessão da prática do método Pilates e os dados finais, posteriormente a vigésima sessão. As variáveis analisadas foram a algia, fadiga muscular e qualidade de vida.
O protocolo deste estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética 5012 – Sociedade de Ensino Superior de Alagoas S/C Ltda./Faculdade de Alagoas – FAL, o qual autorizou a realização do mesmo, com o número do parecer 1.299.054 (CAAE: 45402915.0.0000.5012). Os voluntários receberam esclarecimentos sobre o objeto do estudo e como o mesmo seria realizado. Posteriormente, assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, autorizando a participação no estudo, e responderam aos questionários de Formulário para coleta dos seguintes dados: nome, idade, profissão, posturas em seu trabalho, tabagista, etilista, se realiza alguma atividade física, patologias, se já praticou o método Pilates (apêndice B). Foram aplicados questionários: O questionário de Qualidade de Vida SF-36 um instrumento genérico de fácil administração, compreensão e multidimensional formado por 36 itens, englobados em oito escalas ou componentes: capacidade funcional, aspectos físicos, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental. (LEÃO et al, 2014); Questionário Nórdico Osteomuscular sendo um instrumento de padronização de relato dos sintomas, de aplicação rápida e bastante utilizado na investigação de variáveis físicas e ocorrência de sintomas osteomusculares, reconhecido e validado pela literatura internacionalmente como padrão para mensuração de investigações dos sintomas osteomusculares, sendo adaptado na versão brasileira com o objetivo de verificar a prevalência destes distúrbios e apresentar as relações entre morbidade osteomuscular, variáveis demográficas, ocupacionais e relativas a hábitos. (TEIXEIRA, 2013); O questionário Escala Fadiga de Chalder utilizado para mensurar fadiga física e mental (SILVA, 2011), que contém na sua totalidade 11 perguntas com 4 alternativas de respostas que podem ser pontuadas pelo método de Likert, que resulta em uma pontuação de 0 a 33 ou pelo método bimodal o que foi utilizado neste trabalho, desta forma os escores 0 e 1 são transformados em 0 enquanto que os escores 2 e 3 são transformados em 1 resultando em uma pontuação de 0 a 11 e sua nota de corte é 4. Dessa forma, escore maior ou igual a 4 indica que a pessoa está fadigada e escore menor que 4 indica não fadigada. (NUNES, 2014).
Após a etapa da coleta de dados foi realizado um levantamento com o intuito de identificar as repercussões oriundas do método Pilates. Os dados obtidos foram tabulados através do programa Microsoft Excel e depois analisados estatisticamente através do test t, considerando um intervalo de confiança de 95% estimado para cada variável, e o método de análise estatístico foi o programa EPI INFO (versão 7).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Dentre o grupo estudado de 15 docentes foi apresentado uma média de 31,47 anos de idade (D.P. ±10,55), a maioria (53,33%) tem idade entre 26 e 36 anos de idade, com o tempo total de experiência profissional de 7,47 (D.P.±5,44) na categoria docente escolar.
SANCHEZ et al. (2013) e CARDOSO et al. (2009) relatam em seus estudos que a dor musculoesquelética está presente com significância naqueles professores que possuem mais de cinco anos de trabalho; assemelhando-se com o resultado deste estudo. Já MELO e CAIXETA (2010), obtiveram o tempo médio na função de professor de 16,35 anos (D.P.±7,20).
GRÁFICO 1: Distribuição dos resultados sobre a postura adotada durante o trabalho em docentes de um colégio privado da cidade de Pilar-AL, 2015.

A postura de trabalho adotada neste estudo, entre as docentes foi longo período em ortostase, equivalente a 86,67% da amostra, com D.P.±5,66 (GRÁFICO 1). O estudo de CAIXETA et al. (2010) também revela a postura de pé (78%) como a mais adotada durante o trabalho, onde o predomínio da postura de pé durante a jornada de trabalho pode justificar uma considerável incidência de fatores associados à sintomatologia dolorosa, considerando que o trabalho realizado pelos entrevistados era principalmente na postura de pé, os quais apresentaram cinco vezes mais chances de possuir dor em mais de um local.
A TABELA 1 apresenta os resultados da Escala de Fadiga de Chelder em dois momentos, aplicação inicial do método Pilates onde 8 docentes (53,33%) apresentaram fadiga e na aplicação final, cujo 1 docente (6,67%) apresentou fadiga, apontando significância estatística (P<0,05).
TABELA 1: Distribuição dos dados do resultado da Escala de Fadiga de Chelder, em docentes de um colégio privado da cidade de Pilar-AL, 2015.
| VARIÁVEL | APLICAÇÃO INICIAL % (n) APLICAÇÃO FINAL % ( n) p-valor |
| SEM FADIGA COM FADIGA |
46,67%(7) 93,33%(14) 0,00046 53,33%(8) 6,67% (1) |
Pesquisa realizada sobre os efeitos da intervenção do Pilates sobre a postura e a flexibilidade em mulheres sedentárias, demonstrou que após a realização das 20 aulas, ocorreu uma melhora no alinhamento postural com relação ao fio de prumo, nos diversos pontos observados e um aumento na amplitude de movimento dos músculos isquiotibiais e iliopsoas. (COMUNELLO, 2011; QUADROS, 2010).
Os dados da Tabela 1 mostram a presença de fadiga em 8 docentes (53,33%) antes da aplicação do Pilates e posteriormente a prática do mesmo, apenas 1 docente (6,67%) apresentou o quadro, havendo resultado benéfico deste método. Silva, 2011 relata que estudo europeu encontrou prevalência de fadiga em 22,4% na população trabalhadora do setor industrial, sendo ela relacionada ao estresse e aos efeitos da fadiga conduzindo a afastamentos prolongados por doenças.
A TABELA 2 e TABELA 3 expõem a distribuição por regiões anatômicas do corpo humano com a aplicação do Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares. Neste estudo, as regiões corporais em que se registraram mais queixas nos últimos 12 meses foram os segmentos da coluna lombar (15,87 %), joelhos (15,87%), ombro (14,29%) e dos últimos 7 dias, ombro (22,03%) e coluna lombar (16,95%) durante aplicação inicial. Já durante a aplicação final, foi visualizado maiores queixas nos últimos 12 meses em punho-mão-dedo (21,43%), coluna lombar (14,59 %), ombro (14,59 %) e dos últimos 7 dias, ombro (21,05%), região dorsal (15,79%) e punho-mão-dedo (15,79%). O predomínio da sintomatologia em membros superiores na presente pesquisa corroborou com a de Scopel (2010) que obteve 56,5% de prevalência dos sintomas nos membros superiores. O estudo de Gangopadhyay e colaboradores (2010), realizado em Bengal, na Ìndia, com trabalhadores de obras, revelou que estes sofriam desconforto especificamente em parte inferior das costas, joelhos e ombros devido posturas incorretas adotadas durante o trabalho, se assemelhando com os dados apresentados na TABELA 2.
TABELA 2: Distribuição por regiões anatômicas do corpo humano de sintomas osteomusculares, incapacidade funcional, afastamento de atividades antecedente a aplicação inicial do método Pilates em docentes de um colégio privado da cidade de Pilar-AL, 2015.
|
APLICAÇÃO INICIAL |
ÚLTIMOS 12 MESES | ÚLTIMOS 7 DIAS | AFASTAMENTO ÚLTIMOS 12 MESES | ||||||
| N | FR% | FA% | N | FR% | FA% | N | FR% | FA% | |
| PESCOÇO | 6 | 9,52 | 9,52 | 5 | 8,47 | 8,47 | 1 | 3,23 | 3,23 |
| OMBRO | 9 | 14,29 | 23,81 | 13 | 22,03 | 30,51 | 5 | 16,13 | 19,35 |
| COTOVELO | 1 | 1,59 | 25,40 | 1 | 1,69 | 32,20 | 0 | 0,00 | 19,35 |
| ANTEBRAÇO | 3 | 4,76 | 30,16 | 2 | 3,39 | 35,59 | 1 | 3,23 | 22,58 |
| PUNHO-MÃO-DEDO | 7 | 11,11 | 41,27 | 7 | 11,86 | 47,46 | 4 | 12,90 | 35,48 |
| REGIÃO DORSAL | 6 | 9,52 | 50,79 | 8 | 13,56 | 61,02 | 2 | 6,45 | 41,94 |
| REGIÃO LOMBAR | 10 | 15,87 | 66,67 | 10 | 16,95 | 77,97 | 7 | 22,58 | 64,52 |
| QUADRIS E COXAS | 4 | 6,35 | 73,02 | 4 | 6,78 | 84,75 | 5 | 16,13 | 80,65 |
| JOELHOS | 10 | 15,87 | 88,89 | 3 | 5,08 | 89,83 | 1 | 3,23 | 83,87 |
| TORNOZELOS E PÉS | 7 | 11,11 | 100 | 6 | 10,17 | 100 | 5 | 16,13 | 100 |
| 100,00 | 100,00 | 100,00 | |||||||
| TOTAL | 63 | 59 | 31 | ||||||
N= FREQUÊNCIA ABSOLUTA FR%= FREQUÊNCIA RELATIVA FA%= FREQUÊNCIA ACUMULADA
TABELA 3: Distribuição por regiões anatômicas do corpo humano de sintomas osteomusculares, incapacidade funcional, afastamento de atividades posteriormente a aplicação final do método Pilates em docentes de um colégio privado da cidade de Pilar-AL, 2015.
|
APLICAÇÃO FINAL |
ÚLTIMOS 12 MESES | ÚLTIMOS 7 DIAS | AFASTAMENTO ÚLTIMOS 12 MESES | ||||||
| N | FR% | FA% | N | FR% | FA% | N | FR% | FA% | |
| PESCOÇO | 3 | 10,71 | 10,71 | 2 | 10,53 | 10,53 | 1 | 11,11 | 11,11 |
| OMBRO | 4 | 14,29 | 25,00 | 4 | 21,05 | 31,58 | 1 | 11,11 | 22,22 |
| COTOVELO | 0 | 0,00 | 25,00 | 0 | 0,00 | 31,58 | 0 | 0,00 | 22,22 |
| ANTEBRAÇO | 2 | 7,14 | 32,14 | 1 | 5,26 | 36,84 | 1 | 11,11 | 33,33 |
| PUNHO-MÃO-DEDO | 6 | 21,43 | 53,57 | 3 | 15,79 | 52,63 | 1 | 11,11 | 44,44 |
| REGIÃO DORSAL | 3 | 10,71 | 64,29 | 3 | 15,79 | 68,42 | 2 | 22,22 | 66,67 |
| REGIÃO LOMBAR | 4 | 14,29 | 78,57 | 2 | 10,53 | 78,95 | 1 | 11,11 | 77,78 |
| QUADRIS E COXAS | 2 | 7,14 | 85,71 | 2 | 10,53 | 89,47 | 1 | 11,11 | 88,89 |
| JOELHOS | 3 | 10,71 | 96,43 | 1 | 5,26 | 94,74 | 0 | 0,00 | 88,89 |
| TORNOZELOS E PÉS | 1 | 3,57 | 100,00 | 1 | 5,26 | 100,00 | 1 | 11,11 | 100,00 |
| 100,00 | 100,00 | 100,00 | |||||||
| TOTAL | 28 | 19 | 9 | ||||||
N= FREQUÊNCIA ABSOLUTA FR%= FREQUÊNCIA RELATIVA FA%= FREQUÊNCIA ACUMULADA
Na comparação dos resultados das regiões anatômicas do corpo humano, de sintomas osteomusculares, incapacidade funcional e afastamento de atividades entre as docentes na aplicação inicial e aplicação final do método Pilates, todos os segmentos apresentaram valores estatísticos significativos (P<0,05).
Em outro estudo, pacientes que apresentavam lombalgia foram divididos em dois grupos, um realizava exercícios do método Pilates, e o outro, exercícios convencionais. A intensidade da dor e o escore de disfunção foram monitorados através de um questionário, e após o tratamento, a intensidade da dor era menor no grupo que realizou Pilates, levando os autores a ultimar que os exercícios baseados no Pilates são mais eficazes que os usualmente utilizados no tratamento da lombalgia. (COMUNELLO, 2011)
Pesquisa realizada por FERNANDES, 2011, apresentou maior registro de queixas das regiões corporais em parte inferior das costas e pescoço com 53,7% da amostra dos professores da rede municipal de ensino de Natal, RN. Outro importante achado desse estudo foi a prevalência de 63,2% de sintomas osteomusculares, levando em consideração os últimos sete dias em relação ao momento da coleta dos dados, principalmente na região das costas e dos ombros.
MARINHO, 2012, também comprova em sua pesquisa que de acordo com o Questionário Nórdico, 29,9% de queixas eram referidas no ombro, nos últimos 7 dias. Observou em seus estudos que a maioria dos professores entrevistados (76%) relatou dor em ombro, pois ficavam com o membro superior elevado em mais de 90º, ocasionando compressão dos tecidos moles, tais como a Bursa subacromial, o tendão do supraespinhoso e o tendão da cabeça longa do bíceps braquial. Os resultados de FERNANDES, ROCHA e COSTA-OLIVEIRA (2009) apresentou a parte inferior das costas como a região mais acometida.
Afirmando os dados obtidos nesta pesquisa e explanada nas TABELA 2 e 3, assemelha-se com a explicação de MAEHLER (2003), SANCHEZ (2013), onde os relatos de dor no dorso e região lombar são comuns quando se utiliza por longos períodos, a postura ortostática, pois nessa postura ocorre mais atividade nos eretores da espinha, o que gera fadiga muscular e consequente dor; outra consequência à fadiga dos músculos posturais é a má postura que sobrecarrega ligamentos e cápsulas e aumenta o estresse sobre os discos vertebrais. O estudo de DE PAULA, 2011, relata que quando uma pessoa está de pé, na postura ereta, os músculos posturais estão constantemente ativados e tensionados.
TABELA 4: Distribuição dos resultados dos domínios da qualidade de vida em docentes de um colégio privado da cidade de Pilar-AL, 2015.
| CAPACIDADE FUNCIONAL | ASPECTOS FÍSICOS |
DOR |
ESTADO GERAL |
|||||
| ANTES | DEPOIS | ANTES | DEPOIS | ANTES | DEPOIS | ANTES | DEPOIS | |
| MÍNIMO | 35 | 5 | 0 | 25 | 31 | 21 | 20 | 45 |
| MEDIANA | 80 | 85 | 75 | 100 | 51 | 84 | 60 | 67 |
| MÁXIMO | 100 | 100 | 100 | 100 | 84 | 100 | 97 | 85 |
| MÉDIA | 72,67 | 73,33 | 70 | 83,33 | 57,73 | 76,33 | 57,33 | 65,13 |
| DESVIO PADRÃO | 18,8 | 26,97 | 31,62 | 26,16 | 16,80 | 28,16 | 20,86 | 11,38 |
| COEFICIENTE DE VARIAÇÃO | 25,99 | 36,78 | 45,18 | 31,40 | 29,10 | 36,93 | 36,39 | 17,48 |
| P-VALOR | 0,849 | 0,056 | 0,011 | 0,098 | ||||
|
VITALIDADE |
ASPECTOS SOCIAIS | ASPECTOS EMOCIONAIS | SAÚDE MENTAL | |||||
| ANTES | DEPOIS | ANTES | DEPOIS | ANTES | DEPOIS | ANTES | DEPOIS | |
| MÍNIMO | 20 | 40 | 37,5 | 25 | 0 | 33,33 | 48 | 48 |
| MEDIANA | 60 | 70 | 75 | 100 | 66,6 | 100 | 64 | 84 |
| MÁXIMO | 90 | 90 | 100 | 100 | 100 | 100 | 100 | 96 |
| MÉDIA | 57,47 | 68,67 | 71,67 | 85,83 | 55,54 | 82,2 | 71,73 | 73,33 |
| DESVIO PADRÃO | 19,51 | 16,09 | 17,97 | 26,25 | 39,17 | 24,80 | 17,73 | 16,40 |
| COEFICIENTE DE VARIAÇÃO | 33,95 | 23,43 | 25,07 | 30,58 | 70,53 | 30,16 | 24,71 | 21,21 |
| P-VALOR | 0,005 | 0,084 | 0,017 | 0,229 | ||||
Na TABELA 4, são demonstrados os resultados referentes à qualidade de vida destas docentes por meio do questionário SF-36. De forma geral, percebeu-se que a qualidade de vida das voluntárias que se submeteram a prática do método Pilates teve repercussão positiva, em especial nos domínios relacionados à limitação física, dor, vitalidade, limitação emocional e saúde mental (P<0,05), estatisticamente significantes.
A prática de atividade física repercute positivamente sobre a saúde mental, reduzindo os sintomas de ansiedade, depressão e hiperatividade dessas mulheres. Os benefícios do método Pilates só dependem da execução dos exercícios com fidelidade aos seus princípios. Estimula a circulação, melhora o condicionamento físico geral, a flexibilidade, a amplitude muscular, a força e o alinhamento postural adequado. Além disso, promove melhora nos níveis de consciência corporal, coordenação motora e melhora o equilíbrio. Todos esses benefícios citados ajudam a prevenir e reduzir o risco de lesões e proporcionam o alívio das dores. (LARA et al., 2014)
Os estudos encontrados na literatura que avaliaram o impacto dos sintomas osteomusculares na qualidade de vida de professores são escassos principalmente entre os que atuam na etapa da educação básica. Neste estudo foram apresentados prejuízo tanto dos domínios físico, psicológico e emocional do grupo avaliado antes de serem submetidas ao Pilates, no entanto, após as 20 sessões resultou em aumento da média do grupo analisado, estando melhor para cada domínio mediante o Raw Scale do questionário SF-36 aplicado.
CONCLUSÃO
Os resultados deste estudo demonstraram que as docentes escolares que se submeteram as sessões do método Pilates apresentaram uma melhora na qualidade de vida, especialmente no que diz respeito as tensões física e mental, a fadiga muscular e algia.
Por conseguinte, diante da sobrecarga imposta a este profissional e de todas as queixas osteomusculares que afetam diretamente a essa população, é de suma importância que outros trabalhos sejam feitos a partir dessa análise com maior amostragem e especificações dos exercícios impostos, tendo a finalidade de proporcionar programas preventivos no ambiente educacional e estimular a promoção à saúde para esse grupo de trabalhadores.
REFERÊNCIAS
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