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Uso do Questionário Nórdico e da Antropometria na Avaliação de Advogados Usuários de Computadores e Estabelecimento de Correções Ergonômicas

Uso do Questionário Nórdico e da Antropometria na Avaliação de Advogados Usuários de Computadores e Estabelecimento de Correções Ergonômicas

A associação do computador com novas práticas gerenciais tem grande potencial para o aumento de competitividade das atividades industriais e das operações em escritórios, isso tem contribuído para a transformação da natureza do trabalho em empresas de todos os portes, em todos os setores da economia¹.

Segundo Smith & Carayon², a informática permite redução nos custos de produção, melhoria da qualidade dos produtos ou serviços e flexibilização do sistema produtivo, entre outras vantagens. Porém, a forma como são dimensionados as tarefas e os postos de trabalho informatizados, especialmente no trabalho em escritórios, tem resultado em constrangimentos físicos e psíquicos que, com o passar do tempo, vêm provocando queixas por parte dos usuários³.

Atualmente, o trabalho com o computador é um dos principais responsáveis pelas doenças ocupacionais nos Estados Unidos da América4 . Isso se deve à ocorrência de diversas novas patologias que têm sido associadas à informatização dos ambientes de trabalho5,2. De fato, a experiência mostra que as pessoas tendem a se adaptar a condições desfavoráveis, diante de questões maiores como manutenção do emprego, gerando assim altos custos pessoais e sociais. Para que isso não ocorra com uma freqüência assustadora surgiu à ergonomia4.

Segundo a Ergonomics Research Society ergonomia é definida como “o estudo do relacionamento entre o homem e o seu trabalho, equipamentos e ambiente, e particularmente a aplicação dos conhecimentos de anatomia, fisiologia e psicologia na solução dos problemas surgidos desse relacionamento”. Com isso a ergonomia tem sido difundida como uma das mais importantes estratégias para reduzir os problemas originados por situações de trabalho que causam lesões no sistema músculo esquelético6.

A meta principal constitui a segurança e o bem-estar dos trabalhadores no seu relacionamento com os sistemas produtivos6. Uma característica da ergonomia é a sua interdisciplinaridade, pois diversa área do conhecimento lhe dá sustentação, entre estas a antropometria, ciência que trata das medidas físicas do corpo humano tem uma importância especial, pois devido ao surgimento dos sistemas complexos de trabalho o conhecimento das dimensões físicas do homem com exatidão, é muito importante. Uma das aplicações das medidas antropométricas na ergonomia é no dimensionamento do espaço de trabalho e no desenvolvimento de produtos industrializados como mobília, automóveis, ferramentas, etc 7.

A maioria das ocupações da vida moderna desenvolve-se em espaços relativamente pequenos com o trabalhador em pé ou sentado, realizando movimentos relativamente maiores com os membros do que com o corpo8.

Mesmo com todos os avanços tecnológicos a antropometria e a ergonomia tomam como base de estudo em seus planejamentos os distúrbios osteomusculares que afetam freqüentemente os trabalhadores. O registro de distúrbios osteomusculares tem se tornado cada vez mais freqüente entre a população trabalhadora.

O Nordic Musculoskeletal Questionnaire / Questionário Nórdico Osteomuscular (NMQ) foi desenvolvido com a proposta de padronizar a mensuração de relato de sintomas osteomusculares e, assim, facilitar a comparação dos resultados entre os estudos9. Os autores desse questionário não o indicam como base para diagnóstico clínico, mas para a identificação de distúrbios osteomusculares e, como tal, pode constituir importante instrumento de diagnóstico do ambiente ou do posto de trabalho10. Apesar das limitações inerentes aos instrumentos de auto-avaliação, a simplicidade e os bons índices de confiabilidade do NMQ indicam-no para utilização em investigações epidemiológicas e estudos que busquem mensurar a incidência dos sintomas osteomusculares 11.

O objetivo deste trabalho é analisar o índice das dores osteomusculares dos advogados através da aplicação do questionário Nórdico e comparar com as medidas antropometricas do posto de trabalho. Relacionando assim, as principais causas para a diminuição da produtividade do funcionário e de queixas de dores osteomusculares. Depois de comprovar essa suspeita sugerir modificações do ambiente de trabalho no intuito de gerar melhores condições e aumento da produtividade.

MATERIAIS E MÉTODOS

Foi realizada uma pesquisa de campo, utilizando como pontos de referência o questionário Nórdico e dados antropométricos. Sendo seus resultados confrontados, no intuito de comprovar que as medidas antropométricas inadequadas para um determinado público de trabalhadores podem ser responsáveis pelo afastamento dos funcionários devido ao surgimento de LER/ DORT.

Utilizando como critério de exclusão os funcionários que não utilizavam computadores convencionais (note book) devido a incompatibilidade dos dados a serem confrontados como: altura da mesa ( teclado) e altura do monitor.

A população foi constituída por 17 advogados de um escritório situado na cidade do Recife – PE de ambos os sexos que passam grande parte do tempo trabalhando em computadores.

Durante a execução do trabalho os seguintes materiais foram utilizados: Ficha para identificação de cada funcionário contendo: nome e altura. Em seguida foi Aplicação do questionário Nórdico e em paralelo foi realizada a mensuração das medidas antropométricas do ambiente de trabalho de cada funcionário, analisando altura da mesa, altura da cadeira, distância do monitor do computador e também a altura do teclado para isso utilizou-se uma fita métrica milimetrada de 1 em 1 mm com comprimento total de 150 cm ou 1,5 m. Com base nos resultados  das medidas antropométricas e da altura media dos funcionários foi utilizado um  Software para estimativas antropométricas criado pela Universidade de Juiz de Fora – Engenharia de Produção intitulado de “Antroprojeto”  no intuito de observar se as medidas coletadas estão de acordo  com as do Software. A influência dos distúrbios osteomusculares será verificada através da aplicação do questionário Nórdico.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Foi realizada uma pesquisa de campo onde se obteve uma amostra total de 20 funcionários, para sua análise utilizamos como critério de exclusão o uso de (notebook), estabelecemos uma nova amostra com 17 funcionários sendo essa composta de 6 funcionários do sexo masculino e 11 funcionários do sexo feminino, todos de uso de computadores não portáteis. Os excluídos foram 2 funcionários do sexo feminino que faziam uso de computador portátil e 1 do sexo masculino que não fazia uso de computador. Assim podemos fazer as seguintes análises do total apresentado; as tabelas representam os achados e foram separados por seguimentos corpóreos nos seguintes parâmetros dor, desconforto ou dormência nos últimos 12 meses e nos últimos 7 dias e outra com relação a interrupção das atividades nos últimos 12 meses.

Os resultados apresentados a análise dos sintomas osteomusculares relatados nos membros superiores nos últimos 12 meses. São: 9 (52,9%) advogados apresentaram dor no ombro e 8 (47%) relataram sintomatologia dolorosa no punho, mão e dedos.

A análise de sintomas osteomusculares relatadas nos membros superiores nos últimos 7 dias descrita no gráfico 1, revela que entre os 17 funcionários pesquisados, 4 (23,5%) dos entrevistados apresentaram algum sintoma de dor no ombro e 3 (17,6%) descreveram dor no punho, mãos e dedos. Vale ressaltar que nos últimos 12 meses e nos últimos 7 dias as queixas de dores entre os advogados permaneceram nas regiões dos ombros, punhos, mãos e dedos, não havendo alteração quanto ao local de dor.

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Gráfico 1 – Análise de Sintomas Osteomusculares Para Membros Superiores nos Últimos 7 dias. Fonte: Escritório de Advocacia (Recife – PE)

Estes achados são corroborados por alguns estudos que descrevem sobre o posicionamento dos membros superiores, assim membros elevados e sem apoio levando à contração estática da musculatura de sustentação, podendo resultar em fadiga e favorecer as tendinites de ombros 12.

Foi achado sinais clínicos e sintomas na região do ombro variando entre 7 e 26 % de uma amostra aleatória e esse percentual aumentava com a idade e com o trabalho realizado13. Quanto  análise dos sintomas osteomusculares para membros inferiores nos últimos 12 meses, percentual.

Para a análise dos sintomas osteomusculares nos membros inferiores nos últimos 7 dias, observa-se que no gráfico 2 o relato de dor nos joelhos permanece em 2 (11,7%) dos advogados usuários de computadores.

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Gráfico 2 – Análise de Sintomas Osteomusculares para Membros Inferiores nos últimos 7 dias. Fonte: Escritório de Advocacia ( Recife – PE)

Os valores apresentados sobre a dor, desconforto ou dormência nos últimos 12 meses na região da coluna vertebral, se observa que 9 (52,9%) dos advogados apresentam distúrbios osteomusculares nas regiões cervicais (pescoço) e nas regiõe lombares.

Os maiores percentuais de dor foram na região cervical (pescoço) com 6 (35,3%) casos e na região lombar com 7 (41,1%) casos que estão relatados no gráfico 3, confirmando que estas áreas permaneceram nos relatos de dor nos últimos 7 dias.

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Gráfico 3 – Análise de Sintomas Osteomusculares do Pescoço e da Coluna Vertebral nos  últimos 7 dias. Fonte: escritório de advocacia Recife – PE.

As dores na região cervical começam a aparecer quando a flexão da cabeça, em relação à vertical, for maior que 30º 6. O trabalho estático é altamente fadigante e, quando realizado freqüentemente, pode lesar articulações, tendões e ligamentos. Quando não for possível evitar este tipo de trabalho, recomenda-se que devem ser concedidas pausas de curta duração, mas com elevada freqüência, para permitir relaxamento muscular e alívio da fadiga3 .

Em relação especificamente à coluna vertebral, estudos têm demonstrado que a manutenção de uma postura por tempo prolongado representa um fator de risco no desenvolvimento de alterações e dores, principalmente na região lombar 14.

Os efeitos de diferentes posturas sobre a coluna vertebral revelaram também que a pressão no disco intervertebral na posição sentada é maior que na posição em pé, principalmente se associada à flexão do tronco 3.

A postura sentada ainda constitui uma imobilização das peças do esqueleto em uma atitude de conjunto, que é resultante do trabalho muscular estático, principalmente dos grupos musculares do dorso. Sabe-se, entretanto que, para se manterem saudáveis, os músculos necessitam de pausas após períodos de contração. A condição adversa pode provocar o desenvolvimento de processos inflamatórios nas estruturas osteomusculares com sintomatologias diversas, como a dor 3.

As posturas assumidas pelos trabalhadores colocam em evidência os componentes estáticos e dinâmicos dos mesmos, os quais têm sido associados a vários problemas músculos-esqueléticos e constitui-se em agentes provocativos de dor, desconforto, limitação de movimento e prejuízos funcionais 12. Levando em consideração à altura de cada um dos funcionários e a sua média, que será utilizada no software de antropometria, e as medidas ideais para cada um dos funcionários pode ser observado que existe uma variação de resultados de 8,8cm para a altura das mesas onde a  ideal para o menor funcionário seria de 60,3 cm e para o mais alto que seria de 69,1cm. Analisando a altura dos monitores para o funcionário mais baixo, a medida ideal seria de 110,4cm e já para o mais alto de 126,5cm tendo diferença de 16,1cm entre os resultados e por último as cadeiras, onde essas mostram que os valores variam em 5,7cm, assim o mais baixo dos funcionários deveria ter uma cadeira de 39,1cm de altura e o mais alto dos funcionários uma cadeira com 44,8cm do chão para o assento.

O importante é demonstrar que o lavor ideal obtido através do software de antropometria para uma população com altura media de 1,68cm, levando em consideração os funcionários entrevistados são as seguintes:

Altura da mesa – 64,45cm; altura do monitor – 117,9cm; altura da cadeira – 41,7cm. Mas para ficar  mais fácil de ser visualizado a medida ideal de cada trabalhador e a da sua media esta sendo representado na tabela 1.

Altura dos Funcionários X Altura ideal para cada Funcionário
  Mesa Monitor Cadeira
B. A. C. 1,57 m 60,3 110,4 39,1
L. D. M. 1,58 m 60,6 111 39,3
K. F. de L. 1,58 m 60,6 111 39,3
K. K. M. 1,74 m 66,8 122,3 43,3
M. A. da s. 1,69 m 64,9 118,8 42,1
P. D. 1,6 m 61,4 112,4 39,8
C. R. B. S. 1,6 m 61,4 112,4 39,8
C. R. D. 1,62 m 62,2 113,8 40,3
M. A. P. B. 1,68 m 64,5 118,1 41,8
N. S. R. 1,7 m 65,3 119,5 42,3
A. C. C. 1,64 m 62,9 115,3 40,8
F. S. F. 1,72 m 66 120,9 42,8
J. H. F. 1,8 m 69,1 126,5 44,8
J. N. W. 1,73 m 66,5 121,6 43,1
T. N. 1,79 m 68,8 125,9 44,6
P. W. da S. 1,7 m 65,3 119,5 42,3
R. O. S. 1,8 m 69,1 126,5 44,8
Media das Alturas = 1,68m 64,45 cm 117,9 cm 41,7 cm

Tabela 1 – Analise da altura dos funcionários com relação à altura ideal para cada um deles baseado no Software. Fonte : Escritório de advocacia Recife – PE.

A importância das medidas antropométricas ganhou especial interesse na década de 40, provocada de um lado pela necessidade da produção em massa, pois um produto mal dimensionado pode provocar a elevação dos custos e por outro lado, devido ao surgimento dos sistemas de trabalho complexos onde o desempenho humano é crítico e os desenvolvimentos desses sistemas dependem das dimensões antropométricas dos seus operadores6.

A tabela 02 revela as mensurações reais encontradas nos postos de trabalho. E estas a serão analisadas na pesquisa. Alem de representar também as variáveis das medidas que foram encontradas no dia da aplicação do questionário.

Medidas das Mobílias
Altura da Mesa 72 – 76 cm
Altura do Monitor 108 – 114 cm
Altura da Cadeira 41 – 52 cm

Tabela 2 – Medidas dos mobiliários dos advogados. Fonte: Escritório de advocacia Recife – PE.

Já a tabela 03 nos relata os valores dados pelo software, onde temos apenas os valores ideais levando em consideração que se foi utilizado a altura de 1,68 cm onde  pode se dizer que a altura da cadeira é a única compatível com os postos analisados, na maioria dos casos.

Medidas das Mobílias de Acordo com o Software
Altura da Mesa 64,5 cm
Altura do Monitor 118,1 cm
Altura da Cadeira 41,8 cm


Tabela 3 – Medidas dos mobiliários de acordo com o Software. Fonte: escritório de advocacia Recife – PE.

Alguns autores afirmar a importância do uso de softwares para verificar as medidas antropométricas, estas medidas devem ser tomas, pois um número crescente de pessoas está passando mais tempo diante do computador, o trabalho estar se tornando mais sedentário, com a tendência ao aumento de problemas ergonômicos 18.

Levando em consideração todos os resultados encontrados e co-relacionando eles com as medidas antropométricas encontradas através da mensuração e as dadas pelo programa de computador do ambiente de trabalho verifica-se que a altura da mesa está imprópria para uso, obrigando o funcionário a realizar seu ofício de forma incorreta promovendo uma flexão maior que 90º da articulação do cotovelo além de ter que ficar apoiando o seu antebraço sobre a bancada ou ate mesmo deixando-a em elevação, gerando dor, desconforto ou dormência nesta região onde temos 8 dos 17 funcionários se queixando de dores nos punhos, mãos e dedos nos últimos 12 meses onde 3 destes estão sentindo algum problema nos últimos 7 dias.

Vale ressaltar que a articulação do ombro apresenta em alguns funcionários sintomatologia de dor devido as estruturas mobiliárias inadequadas, obrigando os usuários a trabalharem com elevação ou com flexão do ombro, sendo assim 9 advogados tiveram problemas nos últimos 12 meses e 4 destes nos últimos 7 dias.
Os problemas encontrados no pescoço podem ser semelhantes aos do ombro pois além do usuário está realizando uma atividade com os ombros em elevação ou flexão ainda tem que fazer uma flexão da coluna cervical pois o monitor que deveria estar em uma altura aproximadamente de 118,1 cm está variando entre 108 – 114 cm levando assim ao funcionário a realiza esta flexão devido ele estar em uma altura superior a recomendada.

Quando se compara o valor da altura das cadeiras com a medida sugerida pelo software vemos que ela é a única que se enquadra em parte, pois ela tem uma variação de  41 – 58 cm e a recomendada seria de 41,8 cm  essa conclusão é feita quando fazemos uma análise individual e comprovamos ter 12 funcionários com a altura de suas cadeiras de 42 cm, ou seja, 0.2 cm mais alta que a proposta. Mesmo assim tivemos um número de 9 usuários queixosos com problemas na região lombar.

Tendo em vista todos estes problemas encontrados o interessante seria que cada funcionário exercesse  seu ofício em um ambiente adequado para suas necessidades, mas como isso não é viável devido ao alto custo que poderia ser gerado, com a incerteza da permanência de um empregado no seu cargo levando em conta tanto as demissões quanto os afastamento e ainda pela impossibilidade de verificar  previamente o perfil do grupo que poderá fazer parte da equipe de trabalho. Assim o empregador é obrigado a adquirir seus equipamentos antes de definir o perfil dos seus funcionários e como solução para isso, ele pode tomar como base a media da altura da população brasileira que é de 1.69 cm 16.

Mas como temos que fazer a análise da nossa população! Vamos adotar a altura media de nossa população assim com os valores encontrados atravez do software, altura da mesa de 64,5 cm, altura do monitor de 118,1 cm e altura da cadeira de 41,8 cm e sugerir correções. Estes equipamentos poderiam ser obtidos de maneira que possibilite uma regulagem adequada para cada um, levando em consideração os valores já relatados possibilitando melhores condições de trabalho. As mesas teriam pés reguláveis e as cadeiras com ajuste de altura e em relação ao monitor poderia ser feita apenas a correção da angulação da tela, após a colocação da suspensão da mesma, isso de maneira que o usuário possa utilizá-lo sem ter que fazer flexão ou extensão da coluna cervical para aqueles mais altos ou para os mais baixos. Também não podemos esquecer que essa modificação do ângulo deve evitar reflexos na tela.

Quando se observa o questionário Nórdico, existe um campo para ser preenchido usando como base o afastamento dos funcionários nos últimos 12 meses em relação aos seguimentos corpóreos, mas como na amostra não obtivemos resultados expressivos optamos por retirar. Para titulo de curiosidade dentre todas as regiões analisadas pelo questionário o punho, mãos e dedos foram os seguimentos que se expressarão com 4 casos. Apesar do ombro, pescoço e da região lombar serem as principais áreas de dores seus resultados em relação ao afastamento ou interrupção das atividades não foram expressivos, ou seja,  1 caso no ombro, 2 casos no pescoço e 1 na região lombar.

CONCLUSÃO

Diante do exposto pode-se observar que um mau dimensionamento do posto de trabalho é um forte facilitador para o surgimento de patologias mesmo se o funcionário não desfrutar de longas jornadas de trabalho.

Um ambiente favorável, ou seja, ergonomicamente desenvolvido tanto da forma conceptiva quanto da forma adaptativa para um perfil de funcionário igual ao que foi analisado poderia ser a solução para os problemas, mas como se é visto na literatura seria necessário a inclusão de pausas no trabalho e também ginástica laboral e conscientização dos benefícios de se cuidarem e levarem a serio todas as recomendações para eles repassadas.

Levando em conta o ombro, pescoço e a região lombar que foram os pontos com maior prevalência todos com 9 casos ou seja 52,9 % e estes seguidos por problemas nos punhos, mãos, e dedos assim podemos chegar as seguintes conclusões: baseado em uma ergonomia de adaptação, a mesas seria elevada para uma altura de 64,5 cm e com apoio para o punho em relação ao uso do teclado e do mouse, a elevação da mesa poderia ser feita com a colocação de pés reguláveis e o teclado e mouse seria, feita a aquisição desses apoios. Já em relação o monitor seria elevado para 118,1 cm onde ficaria na linha dos olhos evitando assim a flexão do pescoço essa adaptação seria simples poderíamos confeccionar uma suspensão onde a mesma poderia ter uma abertura na parte de baixo podendo ser usada também como guardar objetos melhorando a organização do posto de trabalho.

A presença de dores na região lombar deve ser levada em consideração para a substituição da cadeira e da mesa do computador. As cadeiras devem ser reguláveis as dimensões do assento e adequadas às dimensões antropométricas, o assento deve permitir variações de postura, o encosto deve ajudar no relaxamento. A cadeira e a mesa formam um conjunto integrado, onde a altura do funcionário é imprescindível para a aquisição do mobiliário adequado.

Neste contexto o uso do software de antropometria e do questionário Nórdico, apresenta-se como ferramentas importantes para garantir um posto de trabalho com mobiliário adequado, prevenindo distúrbios osteomusculares.


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