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Prevalência das Complicações Respiratórias do Paciente HIV, Internado na UTI do HEHA

Prevalência das Complicações Respiratórias do Paciente HIV, Internado na UTI do HEHA

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é uma doença infecciosa crônica, transmissível e fatal na maioria dos casos, para a qual não existe, ainda, vacina e tratamento definitivo. Caracteriza-se por depressão profunda da atividade do sistema imune, levando o hospedeiro a maior propensão a infecções oportunistas, doenças neoplásicas e outra malignidades. (Zeglio et al, 2010; Aguiar e Bonissoni, 2009; Ferreira e Rocha, 2007).

O vírus da imunodeficiência humana (HIV) é transmitido durante a troca de fluídos corporais de pessoa para pessoa por via sexual (sêmen ou secreção vaginal), via sanguínea (sangue) e vertical (da mãe infectada para o feto – durante a gestação, parto ou aleitamento natural), podendo permanecer incubado no organismo humano por muitos anos sem que o indivíduo apresente nenhum sintoma ou sinal de doença. (Santos et al, 2002; Alves, 2009).

O vírus acomete principalmente as células mononucleares, em especial os linfócitos T-CD4 e os macrófagos, podendo também infectar as células B. Para um adulto saudável a contagem média de linfócitos T-CD4 é de aproximadamente 1.000 células/mm3. Porém, em um indivíduo com HIV em estágio crítico, a contagem destas células pode decair até níveis de 200 células/mm3. Esta diminuição significativa compromete a função imune, o que explica o desenvolvimento de diversas infecções oportunistas. (Torres et AL, 2009).

Constitui-se em um grande problema de saúde pública, acometendo as camadas mais produtivas da população. No Brasil, cerca de 630 mil pessoas vivem com o HIV. Do início da epidemia, em 1980, até junho de 2009, foram realizados 544.846 diagnósticos. Durante esse período, foram registradas 217.091 mortes em decorrência da doença, segundo dados do Boletim Epidemiológico de 2009. Por ano, são notificados entre 33 mil e 35 mil novos casos de AIDS. (Zeglio et al, 2010; Ministério da Saúde, 2008).

A maior conseqüência da infecção por HIV em longo prazo baseia-se no fato de tornar os pacientes severamente imunodeprimidos, que interfere negativamente na qualidade de vida, além de trazer sérias complicações funcionais. As complicações pulmonares são causas comuns de morbidade e mortalidade em pacientes aidéticos, sendo mais freqüentes as de natureza infecciosa, com destaque para pneumonia causada pela infecção por Pneumocystis carini e infecções bacterianas incluindo Micobacterium tuberculosis. (Torres et AL, 2009; Nobre, 2008; Ferreira e Rocha, 2007; Thuler, 1998).

Um melhor conhecimento dos descritores clínicos e epidemiológicos das complicações respiratórias pode ser útil na tomada de decisão frente a internações para o diagnóstico e/ ou tratamento de condições clínicas conseqüentes à infecção pelo HIV, permitindo maior empenho nas intervenções a eles dirigidas.

MATERIAIS E MÉTODOS

O estudo, de cunho retrospectivo, descritivo e transversal, foi realizado através de um levantamento junto ao Serviço de Atendimento Médico (SAME), base de dados composta de informações sobre a internação e prontuários dos pacientes, do Hospital Escola Dr. Helvio Auto (HEHA), com objetivo de descrever a prevalência das complicações respiratórias apresentadas por pacientes portadores do vírus HIV que estiveram internados na UTI Geral do hospital citado, no período de Agosto/2009 à Agosto/2010. A pesquisa foi realizada após aprovação do CEP da Faculdade de Alagoas, sob protocolo nº062/10.

Os critérios de inclusão estabelecidos foram: prontuários de pacientes portadores do vírus HIV; prontuários devidamente preenchidos. Foram excluídos da pesquisa os prontuários que não preenchiam os critérios estabelecidos.

Inicialmente, a pesquisa foi composta por 59 prontuários, dos quais 11 (onze) foram retirados do presente estudo por não se adequarem aos critérios de inclusão. Três deles apresentaram dados cadastrais diferentes, com patologias distintas e os outros 08 prontuários não foram localizados, pois o arquivo morto do hospital estudado estava passando por uma reforma.

Para a base conceitual e discussão foram utilizados artigos científicos no idioma português e inglês. Os dados levantados foram tratados utilizando-se os programas Microsoft Office Excel 2007 e Microsoft Office Word 2007.

RESULTADOS

Quarenta e oito prontuários de pacientes portadores do vírus HIV, com quadro de complicação respiratória durante sua internação na UTI, foram avaliados no presente estudo. Uma amostra composta de 36 homens e 12 mulheres, com idade média de 35,83 anos, sendo o paciente mais novo com 18 anos e o mais velho, 58 anos.

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Em relação ao estado civil dos pacientes a maioria eram solteiros(as), computando 31 deles; 6 eram casados(as), 4 viúvos(as), 1 separado e 6 não informaram. No quesito escolaridade, a maioria dos pacientes se enquadrava no Ensino Fundamental (19 deles), 4 não eram alfabetizados, 12 faziam o Ensino Médio, apenas 3 faziam Ensino Superior e 10  não informaram.

Vinte e seis desses pacientes moravam em bairros de Maceió (Tabuleiro dos Martins, Vergel, Trapiche, Benedito Bentes I, Levada, Poço, Chã da Jaqueira, Clima Bom, Feitosa, Jacintinho, Mercado, Ponta Grossa, Serraria e Jatiúca), 17 moravam em cidades do interior e 5 não informaram sua moradia.

Dos 48 pacientes estudados, apenas dois não apresentaram nenhuma complicação respiratória, conforme Tabela 1.  A insuficiência respiratória aguda (IRpA), foi a patologia que mais acometeu os pacientes soropositivos, 36 deles, seguido da Pneumonia (Pneumocistose), 34 deles. Na maioria dos casos, essas duas patologias se apresentaram em associação com outras patologias, como: Tuberculose pulmonar (5 casos), Derrame pleural (2), Broncoespasmo (1), Pneumotórax (1), Atelectasia (1) e DPOC (1).

DIAGNÓSTICO CASOS
IRpA 7
Pneumonia 6
IRpA + Pneumonia 24
Derrame Pleural 2
Tuberculose pulmonar 5
Pneumotórax 1
Atelectasia 1
Broncoespasmo 1
DPOC 1
Sem complicações respiratórias 2

  Fonte: Dados da Pesquisa

Com relação ao comportamento de risco, somente sete pacientes forneceram dados, cinco eram usuários de drogas ilícitas, um homossexual e o outro mantinha relação sexual sem proteção. Vinte e três pacientes já possuíam o diagnóstico de AIDS meses antes da internação, quatro receberam a notícia de soropositividade no ato da internação, ao realizar o teste rápido para HIV. O restante apresentou tempo superior a um ano da patologia, sendo o maior tempo registrado de oito anos.

Apesar da maioria dos pacientes possuírem o vírus há algum tempo, apenas 15 garantiram realizar o tratamento de forma adequada. Vinte e três deles não deram informação e nove afirmaram não realizar nenhum tratamento. Um único paciente informou realizar o tratamento de forma irregular, com períodos de abandono. Demonstrado no Gráfico 2.

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A média do tempo de permanência dos pacientes na UTI foi de 11,97 dias, com tempo mínimo de um dia e máximo de dois meses. Conforme Gráfico 3, dez desses pacientes evoluíram com alta para enfermaria e 38 para o óbito, sendo 12 devido a Parada Cárdio-respiratória.

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DISCUSSÃO

Santos et al (2002)  afirmam que a AIDS aparece em todas as camadas sociais e ao longo dos anos tem havido um aumento do número de casos entre pessoas de menor escolaridade, com ocupações menos qualificadas. Para Zeglio et al (2010),  a  AIDS constitui um grande problema de saúde pública, acometendo as camadas mais produtivas da população.

A amostra do presente estudo foi composta de 36 homens e 12 mulheres soropositivos, revelando uma relação homem-mulher de 3:1. Resultado superior ao encontrado em 2003 por Nobre et al, que evidenciou uma queda na relação homem-mulher de 5:1 para 2:1.

Uma pesquisa epidemiológica realizada em 2002 mostra que tanto no sexo masculino quanto no feminino, a faixa etária dos 30-39 anos mantém-se como a que apresenta maiores coeficientes de incidência de AIDS (Santos et al, 2002). Corroborando com Eyer-Silva et al (2007), onde a média (DP [desvio padrão]) de idade na apresentação foi de 34,6 (DP 11,5), com uma faixa etária de 16-74 anos. Achados semelhantes ao do presente estudo, onde a idade média dos pacientes estudados foi de 35,83 anos.

Autores apontam as complicações pulmonares como causa mais comum de morbidade e mortalidade em pacientes com a síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA), sendo mais freqüentes as de natureza infecciosa, como a pneumonia pelo P. carinii ou Pneumocistose. (Correa et al, 2009; Ferreira e Rocha, 2007; Marchiori et al, 2001;  Weinberg et al, 1993). Laizo et al (2010) afirmam que as complicações, principalmente, as relacionadas à função respiratória, aumentam o tempo de internação na UTI.  Figueiredo e Machado (2003) apontam estimativas que cerca de 75% dos pacientes acabam por apresentar essa complicação ao longo do tempo.

Os sinais e sintomas da pneumocistose são usualmente aqueles de uma pneumonia difusa, os pacientes se queixam de febre, tosse seca e dispnéia progressiva, que pode culminar com um quadro de insuficiência respiratória. (Figueiredo e Machado, 2003).  Quadro clínico encontrado na pesquisa, com predomínio na incidência de Pneumonia associada a IRpA.

Ao revisar os prontuários de pacientes infectados pelo HIV, atendidos no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, Nobre et al  obteve como diagnostico mais comum de infecções oportunistas, um grande número de casos de tuberculose. Apesar de a atual amostra ser menor que a citada acima, nessa análise de prontuários a tuberculose apresentou um número diminuto, apenas cinco casos.

No Brasil, apesar das condições socioeconômicas pouco privilegiadas da maioria da população, a mortalidade vem apresentando uma queda acentuada, sendo o uso de anti-retrovirais um dos principais fatores associados a esta diminuição, além da descentralização do atendimento, que possibilita diagnóstico precoce e intervenção adequada sobre as infecções oportunistas, o que altera consideravelmente a sobrevida dos pacientes. (Nobre et al, 2003; Santos et al, 2002). Contrariando o achado da pesquisa, que mostra uma taxa de mortalidade de 79% (38 óbitos), e assiduidade no tratamento de 31% (15 deles).

CONCLUSÃO

O perfil dos pacientes estudados segue as tendências da epidemia no Brasil (sexo masculino, adultos jovens, solteiros, baixa escolaridade) e que a realização de pesquisas de caráter epidemiológico se faz importante, pois as atualizações quanto à progressão da epidemia de AIDS são fundamentais para guiar e melhorar os programas e ações de saúde.

Em conclusão, o sistema respiratório se apresenta como o mais comumente afetado por doenças oportunistas em pacientes infectados pelo HIV, predominando os casos de Pneumonia por P. carinii, Insuficiência respiratória aguda e Tuberculose.

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