INFLUÊNCIA PULMONAR NO MODO DE NASCIMENTO DE NEONATAIS: UMA COMPARAÇÃO ENTRE CESARIANA E PARTO VAGINAL
INTRODUÇÃO
O recém-nascido termo possui características biomecânicas pulmonares bem distintas do que terá ao final da maturação do sistema respiratório. Os pulmões são pouco elásticos, desta forma, apresentam menor distensibilidade durante a fase de inspiração e expiração. A caixa torácica, por se apresentar mais cartilaginosa, é instável. As costelas são horizontalizadas, com ausência da posterior obliquidade e descendência que possibilita a amplitude dos movimentos respiratório com menor esforço. Apresenta elevação esternal e de cintura escapular, além de um encurtamento muscular fisiológico de cadeia posterior e peitorais.1, 2
O trabalho de parto constitui um processo pulmonar benéfico para o recém-nascido, assim como no âmbito imunológico. Desta forma, a maior frequência de cesarianas pode estar ligada ao aumento da incidência de doenças autoimunes e asma. 3, 4, 5
A cesariana está associada ao aumento do risco de complicações respiratórias a curto e longo prazo pós-natais. 6, 7, 8, 9 Por não ocorrer à compressão torácica durante a passagem do bebê pelo canal vaginal há a diminuição da liberação de catecolaminas, que acontece durante o parto. As catecolaminas assim como as prostaglandinas promovem a secreção de surfactante.3,10 Desta forma, ocorre uma diminuição da concentração de surfactante nas cesarianas eletivas em comparação aos partos normais ou cesarianas realizadas após o início do trabalho de parto.11, 12, 13
O surfactante diminui a tensão superficial pulmonar, desta maneira, reduz as chances de uma doença da membrana hialina, que causa uma internação do recém-nascido na unidade de terapia intensiva neonatal.14, 15, 16
Cesáreas eletivas apresentam um risco pelo menos cinco vezes maior de hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido (HPPN) em comparação a partos vaginais.17, 18 A HPPN é uma condição de hipoxemia e cianose causada por falha na transição respiratória normal.19 O parto cesáreo pode elevar a incidência da doença em até 1 por 27 nascidos vivos.20,21, 22
As cesarianas em primíparas estão associadas ao aumento dos riscos nas gestações posteriores, o que pode causar parto pré-termo, baixo peso ao nascer e morte neonatal.23,24,25,26 Além disso, esta forma de nascimento faz com que haja uma maior taxa de admissão nas unidades neonatais, assim como maior necessidade de suplementação de oxigênio e maior incidência de problemas respiratórios por imaturidade pulmonar.27, 28
Apesar das vantagens do parto vaginal, no Brasil são 52% de cesarianas realizadas sendo destas, 46% no setor público e 88% no setor privado. Apesar da recomendação da OMS ser de que as cesarianas não excedam 15% do total de partos para que se tenha uma diminuição de riscos tanto para o recém-nascido como para a parturiente. 29, 30
OBJETIVO
Este estudo objetivou demonstrar através de uma revisão de literatura os acometimentos pulmonares nos recém-nascidos por cesariana em comparação ao parto vaginal.
METODOLOGIA
No presente trabalho foram utilizados os descritores biomecânica pulmonar neonatal, parto e fisioterapia, nas bases de dados PubMed (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed), SciELO (http://www.scielo.org/php/index.php), Lilacs (http://lilacs.bvsalud.org/en/) e Bireme (http://www.bireme.br/php/index.php), desta forma, foram selecionados os artigos científicos publicados para a realização deste projeto. Foram encontradas 75 (setenta e cinco) publicações, das quais foram lidos todos os resumos. Destes foram escolhidos 50 (cinquenta) para a leitura íntegra. E para a realização do trabalho foram utilizados 30 (trinta e cinco) artigos.
CONCLUSÕES
Baseado no exposto foi possível observar que a cesariana pode ser negativa em aspectos respiratórios para o recém-nascido, causando uma imaturidade pulmonar e internações em unidades de terapia intensiva neonatais, se comparado ao parto vaginal. Sendo assim, é válida a busca de mais evidências acerca das repercussões pulmonares neonatais relacionadas ao tipo de nascimento, visando trazer um benefício respiratório aos bebês.
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