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Fisioterapia em Pacientes Oncológicos sob Cuidados Paliativos: Uma Revisão Integrativa

Fisioterapia em Pacientes Oncológicos sob Cuidados Paliativos: Uma Revisão Integrativa

INTRODUÇÃO

O aumento do índice de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) e o envelhecimento populacional se tornaram as principais causas de agravos à saúde e de mortes nas últimas décadas. As DCNTs são consequência de grandes mudanças nos hábitos de vida trazidos pela globalização, como o sedentarismo, vícios e dietas majoritariamente calóricas e industrializadas20. Neste cenário, o câncer se destaca como um dos agravos à saúde com maiores índices de surgimento de novos casos ao longo dos anos. Na projeção feita pela Organização Mundial da Saúde4, em 2040, os casos de câncer no mundo serão o dobro em relação ao número de casos registrados no ano de 2018, em que 18,1 milhões de pessoas em todo o mundo tiveram câncer e 9,6 milhões morreram da doença.

Apesar do avanço da tecnologia no âmbito da saúde trazer uma grande inovação nos tratamentos relacionados a oncologia e salvar a vida de milhões de pessoas todos os anos, a taxa de mortalidade por câncer ainda é alta. Esse cenário é decorrente, principalmente, de complicações respiratórios, motoras e metabólicas. Assim, a assistência à saúde do paciente oncológico requer uma série de cuidados especiais da equipe multiprofissional, sobretudo quando se trata de pacientes em fase de terminalidade, respeitando as expectativas e necessidades do paciente15,16.

Neste contexto surgem os cuidados paliativos (CP), definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma abordagem aos pacientes e familiares que enfrentam uma situação de risco à vida. Os CP têm como objetivo melhorar a qualidade de vida e ajudar o paciente a viver o mais ativamente possível até sua morte, através do alívio do sofrimento físico, espiritual e psicossocial4.

No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), os cuidados paliativos estão previstos em lei a partir da Resolução nº 41, de 31 de outubro de 2018, publicada no Diário Oficial da União em 2018, que dispõe no Art. 1º sobre as diretrizes para a organização dos cuidados paliativos. Os CP devem ser ofertado dentro dos três níveis de assistência das Redes de Atenção à Saúde (RAS), compreendendo desde a atenção básica até a hospitalar de alta complexidade1.

O cuidado ao paciente sem perspectiva de cura deve fundamentar-se na visão do doente como um ser biopsicossocial, a fim de oferecer uma atenção integral por parte da equipe de saúde. Para que esse objetivo seja alcançado, é necessário que os profissionais envolvidos nesse processo estejam cientes dos princípios do cuidado paliativo e que sejam capazes de reconhecer no processo de trabalho sua função segundo sua especialidade de formação, bem como seu papel dentro da equipe interprofissional14.

A equipe multidisciplinar de cuidados paliativos deve contar com todos os profissionais das mais diversas especialidades que atuem na assistência ao paciente, incluindo o apoio religioso e espiritual, com o único objetivo de melhorar a qualidade de vida desses pacientes, enquanto houver vida12.

A Academia Nacional de Cuidados Paliativos – ANCP (2012) aponta que a abordagem relacionada aos cuidados paliativos vem ganhando cada vez mais espaço, porém, ainda há uma carência com relação a profissionais qualificados para essa demanda. Lidar com a morte e o processo de terminalidade é um grande desafio, visto que o profissional acompanha de perto todos os dilemas do paciente e sua família, convivendo diretamente com sentimentos conflitantes que, muitas vezes, devido a uma cultura ainda muito voltada a cura das enfermidades, pode trazer a sensação de impotência e frustração8,17.

De acordo com os autores acima mencionados, a dificuldade de lidar com os colegas, diferença de personalidades e a falta de comunicação entre os membros da equipe são fatores apontados como entraves na construção do cuidado multidisciplinar, outro fator associado é a falta de preparo da equipe quanto a comunicação com o paciente e sua família.

A fisioterapia, dentro da equipe interprofissional, tem o papel de auxiliar o paciente a viver mais ativamente, através de condutas que visem a manutenção ou a recuperação de sua funcionalidade, permitindo a realização das suas atividades de vida diária (AVD’s) da forma mais independente possível. O fisioterapeuta poderá atuar também no alívio da dor, através de condutas não farmacológicas, além de prevenir ou minimizar os distúrbios causados pelo tratamento oncológico13,21.

Ter uma equipe formada por profissionais fisioterapeutas capacitados e preparados para lidar com estas situações é de extrema importância e faz toda a diferença no cuidado ao paciente e sua família. Portanto, este trabalho teve por objetivo investigar o efeito da fisioterapia em pacientes oncológicos sob cuidados paliativos.

METODOLOGIA

Tratou-se de uma revisão integrativa da literatura sobre a fisioterapia em pacientes oncológicos sob cuidados paliativos, a qual estabeleceu como questão norteadora a seguinte indagação: “Qual a percepção do fisioterapeuta sobre a sua atuação e seus benefícios em pacientes oncológicos sob cuidados paliativos?”.

Diante dessa indagação, foi realizada uma busca nas bases de dados BVS, PubMed e Scientific Electronic Library Online (Scielo), com os descritores cuidados paliativos; oncologia; fisioterapia; sendo estes combinados utilizando-se os operadores boleanos “AND” ou “OR”, para compor a estratégia da busca. O tempo de busca estipulado foi de abril a junho de 2021 e os filtros utilizados foram a seleção dos idiomas de publicação: português, inglês e espanhol, abrangendo o período de 2015 a 2021, disponível em meio eletrônico.

Foram considerados critérios de inclusão os estudos quantitativos, qualitativos de métodos bibliográficos ou de campo e revisão de literatura, que abordassem sobre a temática da pesquisa, e excluídos aqueles não disponíveis na íntegra ou que apresentassem outros assuntos que não correlacionasse a fisioterapia em oncologia.

Após o levantamento das publicações, 71 artigos foram selecionados. Os resumos foram analisados levando-se em consideração o desfecho de interesse. Depois de analisados, elegeu-se 9 artigos que foram feitos sua leitura na íntegra, avaliados no contexto da pesquisa, e que se enquadram na problemática.

Autor e Ano Título Objetivo Metodologia Resultado Conclusão
Cunha; Gardenghi, 2019 A Fisioterapia nos Cuidados Paliativos a Pacientes com Câncer: Uma revisão baseada em evidências O objetivo deste trabalho é delinear a atuação do profissional fisioterapeuta nos Cuidados Paliativos do paciente oncológico. Trata-se de uma revisão não sistemática da literatura As principais intervenções que a fisioterapia pode realizar nos cuidados paliativos do paciente com câncer são os recursos analgésicos, de alívio dos sintomas psicofísicos, de redução e prevenção das complicações linfáticas e de melhora da função pulmonar. Diante do grande potencial de atuação da fisioterapia nos cuidados do paciente oncológico sem possibilidade de cura e da escassez de trabalhos científicos que comprovem os efeitos dos recursos terapêuticos empregáveis
Silva et al, 2021 Atuação da Fisioterapia nos Cuidados Paliativos em Pacientes Oncológicos: Uma revisão integrativa Demonstrar a atuação do fisioterapeuta nos cuidados paliativos em pacientes adultos, os principais recursos e os níveis de evidências científicos dos estudos. Revisão integrativa realizada nas bases de dados: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Medline, nos últimos 10 anos. As atuações do fisioterapeuta destacam-se: na dor e seu aspecto cognitivo-afetivo, dispneia, depuração de muco, fadiga, alterações linfáticas e gerenciamento. As atuações do fisioterapeuta destacam-se: na dor e seu aspecto cognitivo-afetivo, dispneia, depuração de muco, fadiga, alterações linfáticas e gerenciamento.
Góes, 2016 Atuação do Fisioterapeuta nos Cuidados Paliativos em Pacientes Oncológicos Adultos Hospitalizados Importância da inserção do fisioterapeuta em cuidados paliativos nos pacientes oncológicos hospitalizados, identificando as funções mais relevantes. Revisão integrativa, onde os artigos foram explorados e sintetizados de forma reflexiva a fim de obter informações coerentes Distúrbios físicos e respiratórios, sob a intervenção da fisioterapia, obtiveram resposta coerente e satisfatória para o bem-estar do paciente. O papel do fisioterapeuta busca a melhora do bem-estar e a qualidade de vida desses pacientes. Mas se faz necessário melhor preparo do profissional.
Reis, 2018 Cuidado paliativo: a atuação e percepção do fisioterapeuta nas unidades de terapia intensiva Identificar a percepção e atuação do fisioterapeuta diante dos cuidados paliativos dentro da unidade de terapia intensiva. Revisão de literatura, através de levantamento bibliográfico com abordagem explorativa, sobre a atuação fisioterapêutica nos cuidados paliativos dentro do ambiente de unidade de terapia intensiva Paciente em cuidados paliativos em unidade de terapia intensiva, exige uma percepção do fisioterapeuta não apenas clínica, como também emocional. A percepção destes profissionais diante dos CP é em primeiro contato de piedade sobre os pacientes. A relação estabelecida é de confiança, amizade e fraternidade,
Oliveira et al, 2019. Os benefícios da atuação da fisioterapia frente aos cuidados paliativos em pacientes oncológicos: revisão integrativa Revisar por meio de embasamentos literários os benefícios da fisioterapia frente aos cuidados paliativos em pacientes oncológicos O presente estudo é uma revisão integrativa. Realizada nas bases de dados Scielo, BIREME, PUBMED, Cochrane Library, PEDro e Revistas indexadas incluindo apenas os artigos que dão suporte para relevância do tema. Foram obtidos 520 estudos, através das bases de dados eletrônicas com o cruzamento entres os descritores: “Cuidados paliativos” e “Fisioterapia” e “Oncologia”. “Palliative care” and “physiotherapy” and “Oncology”. Os achados inclusos neste estudo mostram resultados positivos sobre a importância da fisioterapia na equipe multidisciplinar neste tipo de cuidado, no quesito melhora da qualidade de vida, bem-estar, alívio da dor.
Canazaro et al, 2021 Contribuição da Fisioterapia nos Cuidados Paliativos em Pacientes Oncológicos Descrever a contribuição da fisioterapia nos cuidados paliativos em pacientes oncológicos Trata-se de uma revisão bibliográfica realizada nas bases de dados Medline, SciELO e PubMed, cujo descritores foram: câncer, oncologia, cuidados paliativos e fisioterapia. Foram encontrados resultados satisfatórios, demonstrando a importância da fisioterapia nos cuidados paliativos em pacientes oncológicos, os protocolos fisioterapêuticos como: Relaxamento muscular, exercícios respiratórios, mudança de decúbito, treinamento muscular Conclui- se que a contribuição da Fisioterapia é de suma importância na manutenção da vida ativa e funcional, promovendo bem-estar dos pacientes.
Maia, 2020 Intervenções Fisioterapêuticas nos Cuidados Paliativos em Pacientes Oncológicos Descrever os tipos de intervenções fisioterapêuticas propostas a pacientes oncológicos em cuidados paliativos. Revisão literária sistemática, com pacientes oncológicos em cuidados paliativos maiores de 18 anos, Segundo o artigo nas análises feitas, revelou que o grupo de intervenção fisioterapêutica, tiveram melhora significativa, principalmente relacionado a dor Foi concluído que a intervenção da fisioterapia nos cuidados paliativos, são eficazes e seguros aos pacientes submetidos, com melhora na dor e qualidade de vida.
Burgos, 2017 Fisioterapia Paliativa Aplicada ao Paciente Oncológico Terminal Descrever os benefícios da atuação do fisioterapeuta nos cuidados paliativos do paciente com câncer terminal. Revisão bibliográfica, pesquisada das bases Scielo, Lilacs e Medline. Selecionado 10 trabalhos para discussão e resultados. Demonstrou a importância da fisioterapia, junto a equipe multidisciplinar, nas intervenções aos pacientes oncológicos em cuidados paliativos. Os estudos encontrados mostram que a fisioterapia tem um papel relevante nos cuidados paliativos, entretanto necessita-se de uma maior oferta e implementação deste tratamento nos serviços de saúde.
Silva, 2019 A visão da Fisioterapia nos Cuidados Paliativos em Pacientes Adultos Oncológicos: Revisão de Literatura Analisar os conceitos e princípios que devem ser adotados frente aos cuidados paliativos de pacientes adultos oncológicos Foi realizada uma pesquisa qualitativa exploratória, como revisão de literatura onde foram utilizados artigos científicos das bases de dados scielo, pubmed e lilacs. A fisioterapia apresenta uma ampla rede de intervenções que podem trazer benefícios ao paciente em estado de Cuidados paliativos, promovendo o controle da sintomatologia, principalmente a dor, mantendo a autonomia do paciente, promovendo educação e orientação aos cuidadores Através desta pesquisa foi possível constatar que a fisioterapia pode interferir de forma positiva na qualidade de vida de pacientes oncológicos em todas as fases de tratamento, inclusive, na fase paliativa.

De acordo com Canazaro3, a fisioterapia tem um grande campo de atuação e, dentro dos cuidados paliativos, assume um papel crucial reduzindo os desconfortos, sobretudo de dor, mobilidade e função respiratória, sendo de extrema importância para funcionalidade e bem-estar do paciente até sua finitude de vida. O cuidar de pessoas com esse perfil é extremamente desgastante e exige do profissional tanto nos aspectos físicos, como também psicológico, visto que o envolvimento profissional e paciente se torna fundamental na eficácia das condutas. A experiencia, formação e maturidade profissional sem dúvidas contribuem de forma positiva nas condutas direcionadas e nos resultados obtidos.

Silva18 corrobora afirmando que atuar com pessoas que estão em terminalidade, é um trabalho pesado, mentalmente, fisicamente e psicologicamente, que por muitas vezes leva ao esgotamento profissional e sensação de sufocamento. Isso repercute também na percepção do profissional fisioterapeuta oncológico, que considera a atuação na área, pesada, complicada, estressante, mas ao mesmo tempo gratificante e enriquecedor, diante dos conhecimentos que são adquiridos, e da gratidão dos pacientes nas medidas de conforto ofertadas.

De acordo com Burgos2, inserir a fisioterapia nos cuidados paliativos, é de extrema necessidade, diante dos efeitos positivos decorrentes das técnicas aplicadas. O controle de dor como exemplo, realizado através da eletroterapia e terapias manuais, trazem conforto, alívio e qualidade de vida. Técnicas aplicadas no âmbito respiratório, que buscam expansão pulmonar, diminuição de cansaço respiratório e higiene brônquica, trazem benefícios desde uma respiração mais fluida, completa e confortável ao paciente oncológico, que por muitas vezes vivencia as consequencias da neoplasia acometida que limita ao máximo a qualidade de vida.

Desta forma McCoughlan11 complementa, que atuar com pacientes em terminalidade e que se encontra desconfortável, e ter a percepção e habilidade de trabalhar nas medidas de conforto a este paciente, se torna um dos maiores presentes recebidos como profissional, onde aprender a respeitar o ser humano quanto a realidade de sonhos e desejos, deixando de lado nossos egos e vontades, torna a percepção como profissional fisioterapeuta mais humanizada, onde identificamos aquilo que se torna essencial e prioridade, e descartando tudo aquilo que não irá mais agregar ao paciente na sua finitude de vida.

McCoughlan11 ainda cita, a importância do fisioterapeuta entender o que é tratar um paciente sem possibilidade de cura, e da transformação profissional, que são essenciais para o enriquecimento da relação profissional e o paciente em terminalidade, tudo isso altera a percepção do fisioterapeuta na avaliação, como também nos valores agregados as condutas e a empatia, corroborando com o que Cunha e Gardenghi5 apresenta, citando que a relação fisioterapeuta e paciente oncológico, construída pela confiança e pelos resultados das abordagens aplicadas, fazem toda diferença no tratamento. O emprego da melhor técnica ou equipamento nas condutas, aproximam o profissional do paciente, e trazem efeitos benéficos, desde analgesia, até mesmo mobilidade, seja no leito ou fora dele.

A impossibilidade de cura não deve significar a deterioração da relação profissional e paciente, ou problema na percepção do fisioterapeuta diante do paciente oncológico em cuidados paliativos. A intervenção fisioterapêutica em pacientes oncológicos sob cuidados paliativos deverá ser eficaz e segura, trazendo melhoras importantes nos aspectos funcionais de dor, desempenho físico e respiratório, afirma Maia9.

Reis17 esclarece a necessidade do paciente de profissionais que o entendam e que tenham uma percepção diante das suas vontades e necessidades. Com isso ele afirma, que a percepção do profissional fisioterapeuta diante de pacientes oncológicos em paliação, sempre está voltada a qualidade de vida, conforto, independência funcional e confiança, onde não apenas dar apoio físico ao paciente, mas também agindo nas questões psicológicas, onde o fisioterapeuta o entenda, escute, saiba suas preocupações, dores, e principalmente, aquilo que o faz bem, para que tudo isso seja usado na construção da conduta e na solidez da relação profissional e paciente.

Para Silva19, admitir que não existe mais recursos curativos para o paciente e que ele se encaminha a finitude de vida, não determina que não há mais o que se fazer, ao contrário, abre-se uma outra gama de recursos, que devem ser direcionados ao paciente e familiar. Estas condutas visam medidas concretas, como alívio de dor e conforto ao paciente, mas também medida como suporte emocional, percebendo a necessidade e ouvindo o paciente, dando espaço para que ele se expresse, fugindo um pouco das medidas fisioterapêuticas motoras e respiratórias, e entendendo o que o paciente precisa. O fisioterapeuta age assim de forma complementar a equipe multiprofissional paliativa, atuando na sua área, e complementando as demais, de forma a alinhas discursos, e acima de tudo, melhorar a percepção profissional diante do paciente, e qualificar cada vez mais as condutas voltadas a paliação.

Goés7 complementam que deve ser meta de todo profissional que atua com cuidados paliativos, principalmente fisioterapeutas, de preparar o paciente para uma morte tranquila, sem desconfortos ou sofrimentos. A promoção de uma morte tranquila e digna ao paciente, é um desafio da equipe de paliação. Com isso o fisioterapeuta dentro da sua área não terá como objetivo, apenas os aspectos físicos e funcionais, mas também espirituais, psicológicos e psicossociais.

Oliveira14, mostra que a fisioterapia tem um conjunto abrangente de recursos e técnicas que complementam os cuidados paliativos, tanto na melhora dos sintomas, quanto na qualidade de vida. Entre os principais recursos estão as terapias para controle de dor, alívio de sintomas psicofísicos, reabilitação de complicações linfáticas, reabilitação nas complicações osteomioarticulares, melhora na função pulmonar, atuação na fadiga, reabilitação de complicações neurológicas e cuidados com úlceras de pressão. Através de terapias manuais, alongamentos, exercícios motores, uso de eletroterapia, estímulos a marcha e mudanças de decúbito, auxiliam no condicionamento físico do paciente, na preservação das capacidades respiratórias, e no alívio da dor. Outras condutas como higienização brônquica, exercícios respiratórios e manobras, minimizam esforços respiratórios, e dão conforto ao paciente nas funções pulmonares. Desta forma o fisioterapeuta dentro de sua percepção e avaliação irá assistir o paciente oncológico terminal da melhor forma, com a conduta mais adequada, respeitando o ciclo de terminalidade.

Para Silva18, o paciente oncológico não é um perfil comum e exige muito do profissional fisioterapeuta, que deve construir um tratamento diferenciado e traçar um plano de tratamento flexível, que se adapte a evolução do paciente e da sua doença. O fisioterapeuta deve estar preparado para assistir o paciente não somente nas questões funcionais, mas emocionais, psicossociais e espirituais, o apoiando, dando suporte emocional e o conduzindo de forma a aprender a conviver com a doença, as limitações e o controle de dor, sendo de extrema importância a esse profissional a capacidade de escutar e ter diálogo quanto as necessidades do paciente.

Desta forma, Reis17 complementa, que o profissional fisioterapeuta é voltado a humanização, diminuindo dores, sequelas, devolvendo funcionalidade, independência e dignidade, trabalhando em constantes situações que se apresentam como cuidados paliativos, a fim de proporcionar bem-estar aos pacientes.

Assim, Cunha e Gardenghi5 apresentam a verdadeira importância deste profissional nos cuidados aos pacientes oncológicos em terminalidade, e esclarecem da escassez de material cientifico, que tragam a comprovação das técnicas fisioterapêuticas empregadas nestes pacientes, mas afirmam que isso não descaracteriza a atuação deste profissional e pelo contrário, pelo bem estar gerado ao paciente, estimula a produção cientifica, caracterizando ainda mais o papel indispensável do fisioterapeuta nos cuidados paliativos oncológicos.

Nota-se, que a fisioterapia oncológica, principalmente em pacientes em terminalidade, é de extrema importância, sendo de crucial interesse a presença deste profissional na equipe multidisciplinar de paliação, visto que a fisioterapia por proporcionar conforto, alívio de dor e qualidade de vida, tem em sua essência as bases do cuidado paliativo, e isso a torna parte essencial do tratamento14.

CONCLUSÃO

Os estudos selecionados e avaliados nessa revisão, demonstram a percepção e importância da intervenção do fisioterapeuta frente o paciente oncológico sob cuidados paliativos, mostrando que a fisioterapia dentro da equipe multiprofissional, desempenha papel de extrema importância, diante das necessidades funcionais, motoras, respiratórias e de dor do paciente.

A visão e avaliação geral do fisioterapeuta, nestas questões de bem-estar e funcionalidade do paciente, ajudam a complementar na intervenção de apoio de toda a equipe de paliação. O envolvimento profissional e paciente, dentro deste perfil de atuação, se torna necessária para percepção do fisioterapeuta, frente a intervenção que será aplicada, e a necessidade que será atendida do paciente, respeitando as limitações da doença, e dando o máximo de independência ao paciente.

Esse estudo teve como principal limitação, a escassez de artigos quanto a importância e eficácia das técnicas fisioterapêuticas aplicadas a pacientes oncológicos e em cuidados paliativos, visto que essa abordagem da profissão só tem sido mais aplicada nos últimos anos.

Desta forma, faz-se necessário que haja mais estudos das técnicas aplicadas a este perfil de paciente, a eficácia das intervenções e das ferramentas utilizadas, para baseado nestas evidências, possam embasar ainda mais a fisioterapia em cuidados paliativos, e sua atuação diante destes pacientes, justificando e implementando protocolos eficazes e disseminando conhecimento aos profissionais da área com resultados palpáveis e aplicáveis, com melhores respostas clínicas.

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Artigo Publicado: 14/07/2022



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