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Efeitos do Posicionamento no Recém-nascido Pré-termo em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal

Efeitos do Posicionamento no Recém-nascido Pré-termo em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal

Apesar das unidades de terapia intensiva terem um alto nível tecnológico, são muito diferentes do meio intra-uterino, o que pode levar a um impacto comprometedor no futuro desenvolvimento e comportamento do recém- nascido (RN) (MOREIRA, 2004). O desenvolvimento inicial de qualquer bebê dá-se em um ambiente auto modulado, mas quando estes nascem antes do tempo de gestação estar completo, ficam sujeitos a um ambiente impessoal (LACY JB & OHLSSON A apud MOREIRA, 2004), com características muito diferentes e sujeitos de uma forma imprevisível a uma grande quantidade de estímulos, a que são expostos muitas vezes ao dia, o que deve levar os RNs a adotarem comportamentos inadequados pela necessidade de reagirem ao estresse.

O recém-nascido pré-termo (RNPT) é menos organizado e responsivo que o RN a termo (RNT), e é mais difícil envolvê-lo em interações. Contudo, ao serem colocados no mundo extra-uterino muito cedo, revelam dificuldade em auto regularem-se, refletindo na diminuição do estado de alerta e sofrem mais rapidamente as variações nas manipulações do ambiente (MOREIRA, 2004).

Segundo MOREIRA, 2004, XAVIER, 2012 e GUIACHETTA, 2010, é cada vez mais claro que as alterações encontradas nos pré-termo, não são atribuídas à prematuridade propriamente dita, mas à diminuição das circunstâncias normalidade do ambiente. O RNPT é considerado normal, quando comparado com a idade gestacional (IG), mas as lesões surgem potencialmente no período em que está na UTI Neonatal.

Adaptação a vida extra-uterina, mais especificamente ao meio ambiente é uma das primeiras dificuldades que o bebê encontra. Os RNPT são particularmente vulneráveis porque o seu sistema nervoso está especialmente sensível aos estímulos anormais tal como a variação da gravidade, ao ruído, à dor, à luz e ao manuseio (MOREIRA, 2004, GUIACHETTA, 2010, XAVIER, 2012 e MADLINGER-LEWIS, 2014).

A ativação dos músculos posturais é gerada antes dos movimentos serem iniciados e envolve constantes mudanças e acomodação. Os componentes passivos e ativos do tônus muscular tem que estar em harmonia com cada um deles para criar estabilidade postural e fluência dos movimentos (GROOT apud MOREIRA, 2004).

Os bebês mais imaturos ou com alguma hipotonia assumem com muita frequência uma postura mais em extensão, pela própria ação da gravidade. Os RNPT de risco apresentam, um tônus postural e tônus muscular por vezes anormal, porque mantêm uma imobilização prolongada, devido a problemas de saúde ou outras causas. Esta persistência de posturas incorretas pode mais tarde interferir com o normal desenvolvimento da cabeça, coordenação olho-mão, mobilidade, sentar, ficar de pé ou marcha (MOREIRA, 2004, SARMENTO, 2007 e XAVIER 2012).

Em relação ao aparelho respiratório, o posicionamento objetiva adequar a relação ventilação-perfusão e proporcionar melhores condições biomecânicas ao segmento tóraco-abdominal, favorecendo assim, um trabalho mais adequado e eficaz do músculo diafragma. (HUSSEY, 1992; GARCIA e NICOLAU, 1996 apud NICOLAU, 2006) O reconhecimento das vantagens e desvantagens do posicionamento, assim como a sua aplicação de forma adequada, é um importante recurso fisioterapêutico para RN de alto risco. (NICOLAU, 2006)

OBJETIVO

Atualização na literatura sobre o tema de posicionamento do recém-nascido pré termos em Unidades de Terapia Intensiva e como isto ajuda ao RN para uma melhor adaptação à vida extra-uterina.

METODOLOGIA

Revisão bibliográfica nas bases de dados: Lilacs, Pubmed, PEDro, Scielo, Medline, com as seguintes palavras chaves e sinônimos em inglês: Fisioterapia “physiotherapy/ physical therapy”, recém-nascido “newborn”, pré termo “preterm”, desenvolvimento motor “motor development”, posicionamento “positioning”. Levou-se em consideração para esta pesquisa os artigos e teses publicados entre 2004 e 2015 para melhor atualização sobre o tema.

DISCUSSÃO

Segundo Fay (1988) apud Moreita (2004), a flexão fisiológica é a típica posição fetal adotada pelo RN nascido a termo sem complicações ou concisões de risco, é a base essencial para permitir o desenvolvimento normal dos movimentos do corpo e ainda em nível de controle do desenvolvimento propriamente dito (MONTEROSSO e GROOT apud MOREIRA, 2004). Assim, no RNPT, esta condição não existe e é iminente o risco de desenvolvimento de posturas em extensão, levando a um afastamento dos membros em relação ao tronco, o que levará a alterações dos padrões posturais básicos e ainda a um tônus inadequado (MOREIRA, 2004 e GUIACHETTA, 2010).

Pode-se observar que um posicionamento adequado favorece um desenvolvimento dito normal e também facilita ou minimiza algumas situações onde se instalem posturas ou padrões patológicos(KONISHI apud MOREIRA, 2004).

KONISHI apud MOREIRA e MADLINGER-LEWIS referem às consequências ao nível do desenvolvimento, por assumir ou manter posturas incorretas, pelo que passaremos a identificar alguns componentes do movimento necessários quer em decúbito dorsal (DD), decúbito ventral (DV) e decúbitos laterais esquerdo (DLE) e direito (DLD) como condição básica para um desenvolvimento harmonioso (GRIFFIN apud MOREIRA, 2004), ou seja, facilitar a atividade entre os flexores e extensores ao nível dos membros superiores e inferiores, do tronco e da cabeça, incrementando uma ativação postura de forma a permitir uma grande variabilidade de posturas tão importante neste início de aquisições motoras e que serão posteriormente marcos de referência ao nível sensório-motor e até deformidades no esqueleto.(MOREIRA, 2004).

Considera-se que os diferentes decúbitos têm um papel relevante na aquisição ou na manutenção de determinadas posturas para um melhor controle postural.

Para promover o alinhamento biomecânico e facilitar o desenvolvimento neuromotor, materiais como: fraudas de tecidos, cueiros, lençóis e toalhas são necessários para promover a contenção parcial dos movimentos das extremidades, proporcionando estabilidade postural e organização do RN sobre o leito (SARMENTO, 2007 e MADLINGER-LEWIS, 2014).

Observa-se que o decúbito dorsal (DD) ajuda a criança a promover e a desenvolver experiências de flexão anti gravitacional, permitindo à criança crescer no que diz respeito ao reportório de movimentos e aprender outros comportamentos. Os movimentos mais comuns são: mover a cabeça independentemente, mover um membro superior ou inferior ou os dois membros superiores ou inferiores. Nesta posição, é mais frequente observarmos movimentos desorganizados. Quando se movem, os membros estão mais afastados do corpo, facilitando a estabilidade proximal induzindo a maturação do controle postural, através da emergência da linha média (SARMENTO, 2007, XAVIER, 2012, JOHNSTON, 2012 e MADLINGER-LEWIS, 2014).

O desenvolvimento da linha média é que promove no RN a informação sensorial interna da estabilidade e a habilidade para a projeção numa organização bilateral (BUKATKO apud MOREIRA, 2004). O equilíbrio entre flexão/extensão permite ao bebê experimentar o controle da linha média, simetria e os movimentos para fora desta. Para que o RN permaneça nesta postura, é necessário circundá-lo com um tecido macio, na tentativa de formar um ninho; assim o RN poderá brincar com as mãos e ocasionalmente leva-las a boca, promovendo a auto regulação comportamental (SARMENTO, 2007).

O decúbito ventral (DV) evita que tronco, pelve e membros permaneçam em extensão sobre o leito. O uso de fraudas dobradas ou rolos para elevar o tronco e a pelve facilita o posicionamento dos membros próximos à linha média em flexão e adução. Deve-se encorajar a posição neutra na região cervical e alternar a lateralização da cabeça, para que não ocorram deformidades de crânio e encurtamento da musculatura do pescoço. Promove estabilidade para a caixa torácica, favorecendo a excursão diafragmática, melhorando a sincronia tóracoabdominal, o movimento das costelas e, consequentemente, a mecânica respiratória. Reduz o número de episódios de apneia, diminui pressão intracraniana, aumenta tempo de sono profundo, reduz episódio de refluxo gastroesofágicos, diminui tempo de choro e desorganização, reduz consumo de oxigênio, regulariza frequência cardíaca e diminui frequência respiratória (ABDEYAZDAN, 2010, CÂNDIA, 2014, JOHNSTON, 2012, MADLINGER-LEWIS, 2014, NEGREIROS, 2011 REJANE, [S.d], SARMENTO, 2007ZAREM, 2013).

Quanto ao decúbito lateral (DL), este estabelece principalmente uma coativação entre agonistas e antagonistas, um controle entre flexão/extensão. Há um melhor contato oculo-manual, consequentemente uma melhoria ao nível contato mão/mão. Para posicionar o RN, um rolo maior deve ser confeccionado e passado na região dorsal, entre as pernas e na região ventral, entre os membros superiores do RN. Facilita o comportamento das mãos na linha média e comportamento mão boca e o DLD favorece o esvaziamento gástrico (SARMENTO, 2007 e DE PÁDUA, 2009 ).

O posicionamento é primordial, para modelar o tônus muscular, porque mesmo ao atingir as 40 semanas de IG, o padrão de flexão é diferente do RN atermo com a mesma idade.

Lembrando que o ninho para conter o RN deve manter os pés na posição neutra e evitar deformidades em eversão quando em prono (DV) (SARMENTO, 2007).

CONCLUSÃO

O estudo permitiu identificar as várias dimensões que envolvem o cuidado de posicionamento do RNPT no leito, revelando o quão importante é a valorização do cuidado individualizado, o cuidado refinado e centrado nas reais necessidades de cada recém-nascido, sendo um processo reflexivo e passível de modificações.

Diante do exposto, torna-se evidente a importância da utilização criteriosa, a partir da análise clínica do RNPT, das diversas posturas, como uma forma terapêutica a ser adotada pela equipe de fisioterapia na UTI Neonatal.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

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