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Cuidados Paliativos de Fisioterapia em Pacientes Oncológicos Hospitalizados

Cuidados Paliativos de Fisioterapia em Pacientes Oncológicos Hospitalizados

INTRODUÇÃO

O câncer é um conjunto de mais de 100 doenças que tem em comum o crescimento desordenado de células, que tendem a invadir tecidos e órgãos vizinhos (metástase). Diversos organismos vivos podem apresentar em algum momento da vida anormalidade no crescimento celular (ROCHA; CUNHA, 2016).

Os primeiros sinais e sintomas de neoplasias podem variar de acordo com a região afetada, a pressão que o tumor gera sobre estruturas adjacentes, a atividade funcional do organismo mediante a patologia e a presença de sangramentos e infecções secundárias à doença.  E a sua descoberta ocasiona um grande impacto na vida do indivíduo, isso se dá devido aos altos índices de mortalidade relacionados a essa patologia, consideravelmente elevados apesar de todos os avanços científicos relacionados ao diagnóstico e terapêutica (BATISTA; MATTOS; SILVA, 2015).

Para Frossard, et al. (2018) sabe-se, que no Brasil o câncer é a segunda causa de morte. Em 2015, segundo o DATASUS foram registrados 209.780 óbitos. Esses dados põem em consideração à compreensão dos fundamentos dos cuidados paliativos, de suas especificidades e aplicabilidades para o desenvolvimento de práticas humanizadas que aprovem o protagonismo, corresponsabilidade e a autonomia de pacientes e familiares, conforme prevê a Política Nacional de Humanização (PNH).

Atualmente as neoplasias malignas são um problema de saúde pública dada sua crescente importância como causa de morbidade e mortalidade em todo o mundo. Estima-se que em 2020 o número de novos casos anuais seja da ordem de 15 milhões em todo o mundo, e cerca de 60% desses ocorrerão nos países em desenvolvimento (NASCIMENTO; MARINHO; COSTA, 2017).

É uma das doenças crônicas degenerativas que mais causam transtornos de diversas dimensões aos pacientes e seus familiares. De acordo com os dados estatísticos da Organização Mundial da Saúde (OMS), são diagnosticados, por ano, 11 milhões de casos de câncer no mundo, e este é responsável por 12,5% dos óbitos (BRASIL, 2001, apud., BURGOS, 2017).

Segundo a GUIMARÃES; ASSIS (2016, p. 85-86):

O fisioterapeuta atua em sinergia com essa equipe, oferecendo um suporte para manter a vida do paciente tão ativa quanto possível. A fisioterapia é uma ciência aplicada que estuda o movimento humano, principalmente na presença de modificações patológicas, pode complementar a assistência paliativa visto que atua com medidas preventivas, ameniza complicações e promove qualidade de vida.

No que tange, a fisioterapia em oncologia é uma especialidade que tem como objetivo preservar, manter, desenvolver e restaurar a integridade cinético-funcional de órgãos e sistemas do paciente, assim como prevenir os distúrbios causados pela terapêutica oncológica, a oncologia em fisioterapia atua nos 4 pilares: promoção, rastreamento, tratamento e cuidados paliativos (NASCIMENTO; MARINHO; COSTA, 2017).

A fisioterapia oncológica está direcionada para: os métodos analgésicos (com eletroterapia); as intervenções nos sintomas psicofísicos como depressão e estresse por meio de terapia manual e técnicas de relaxamento; a atuação nas complicações osteomioarticulares e linfáticas (com cinesioterapia, mecanoterapia, crioterapia e hidroterapia); adequação de órteses, bandagens e drenagem linfática manual; as técnicas e equipamentos para a manutenção e melhora da função pulmonar; a assistência por meio de métodos específicos como Bobath e Kabat aos pacientes neurológicos adultos e pediátricos (ROCHA; CUNHA, 2016).

Para Nascimento; Marinho; Costa (2017) a fisioterapia tem como principal objetivo proporcionar uma melhor qualidade de vida para os pacientes oncológicos minimizando os efeitos adversos do tratamento, através dos cuidados paliativos. Os resultados estão relacionados à recuperação físicofuncional através da aplicação sistematizada de recursos terapêuticos distintos focalizando o controle dos sintomas imediatos mencionados pelo paciente.

O tratamento paliativo ou sintomático tem como objetivo tratar os sintomas acarretados pelo tumor ou pelas metástases. A escolha deste tratamento geralmente é feita quando a cura é evidentemente impossível, sendo utilizada para manutenção da qualidade de vida, prevenção de sintomas específicos e suporte, pois esses cuidados não curativos devem ser analisados individualmente para cada paciente e não devem prolongar o sofrimento (GOMES; OTHERO, 2016).

Essa pesquisa surgiu a partir da convivência diária com pacientes portadores de câncer no hospital, e observando as dificuldades dos profissionais não só de fisioterapia como também de outras áreas de entender e atuar nos cuidados paliativos que por sua vez, possui a finalidade primordial de cuidar dos pacientes cuja doença não responde aos tratamentos curativos.

 Como a fisioterapia abordam, superficialmente, as necessidades dos pacientes terminais e o tema morte, formando profissionais que se baseiam apenas em conceitos técnicos e dão pouco crédito ao relato do paciente.  Advinda de pouca estrutura pública de cuidados paliativos oncológicos adequada à demanda existente aos pacientes terminais). Por isso, é importante a realização deste estudo para complementação e aprofundamento dos conhecimentos dos profissionais que atuam nesta área, otimizando e humanizando o atendimento desses pacientes sem possibilidades de cura.

Cabe ressaltar que a fisioterapia tem importante papel nos cuidados paliativos junto a equipe multiprofissional, possuindo os conhecimentos e recursos fisioterapêuticos específicos para tratar muitos dos sintomas, entre eles: a dor, náuseas, fadiga, dispneia e acúmulo de secreção, melhorando assim a qualidade de vida e o bem-estar desses pacientes oncológicos, bem como, auxiliar nos quadros de edema e linfedema, nos déficits de locomoção/equilíbrio e na perda de funcionalidade, melhora a tolerância aos esforços e aumenta a independência funcional nas atividades de vida diária (ROCHA; CUNHA, 2016).

Diante disso, o objetivo desta pesquisa foi descrever os principais cuidados de fisioterapia oncológico paliativos ao paciente hospitalizados nos últimos 5 anos.

METODOLOGIA 

Trata-se de uma revisão bibliográfica, onde foram analisadas obras cujo tema relaciona oncologia e tratamento fisioterapêutico, sendo as palavras chaves utilizadas: oncologia, câncer, fisioterapia e cuidados paliativos nos períodos de setembro a novembro de 2018.

As fontes de busca adotadas foram: LILACS, MEDLINE e SCIELO, sendo os critérios de inclusão artigos publicados nas línguas portuguesa, no período do período de 2013 a 2018 e os critérios de exclusão os artigos publicados em outras línguas, fora do período de publicação ou aqueles que não tenham relação direta com o tema.

Foram selecionadas 06 obras que atenderam a temática em questão através de leituras completas que correspondem o objetivo desta obra (QUADRO 1).

Para que eleitor compreenda melhor o objetivo deste trabalho, fora construído um quadro analítico que evidencie os autores estudados.

RESULTADOS

Quadro 1- Publicações selecionadas para discussão, capturadas nas bases de dados da BVS publicadas nos últimos 5 anos

Autor; Ano Objetivo da Pesquisa Método

Tamanho da amostra

Principais achados
Burgos, D. B. L. 2014. Descrever os benefícios da atuação do fisioterapeuta nos cuidados paliativos do paciente com câncer terminal. Revisão bibliográfica de obras publicados na BVS.

Foram utilizados 9 obras.

As técnicas fisioterapêuticas complementam os cuidados paliativos, tanto na melhora dos sintomas quanto da qualidade de vida. Entre as principais indicações estão: terapia para a dor, alívio dos sintomas psicofísicos, atuação nas complicações osteomioarticulares, reabilitação de complicações linfáticas, atuação na fadiga, melhora da função pulmonar, melhora dos déficits neurológicos e cuidados com as úlceras de pressão.
Góes, G. S. et al. 2016. Evidenciar a importância da inserção do fisioterapeuta em cuidados paliativos nos pacientes oncológicos hospitalizados, identificando as funções mais relevantes e a resposta terapêutica. Revisão integrativa de obras publicadas na BVS.

Foram utilizadas 20 obras

 

O atuação do fisioterapeuta nos cuidados paliativos busca a melhora do bem estar e a qualidade de vida desses pacientes, através dos conhecimentos e recursos terapêuticos empregados em alguns dos sintomas como dor, problemas osteomiarticulares e/ou síndrome do imobilismo, fadiga, linfedema, disfunções pulmonares entre outros, podendo ajudar o paciente manter a sua autonomia, dando assistência e suporte a manutenção de vida ativa o mais confortável possível.
Guimarães, J. A; Assis, T. R. 2016. Descrever, por meio de uma revisão da literatura, a função do fisioterapeuta nos cuidados paliativos. Revisão bibliográfica de obras publicados na BVS.

Foram utilizados 9 obras.

Os resultados demonstraram que a atuação fisioterapêutica promove a melhora de sintomas como fadiga, dispneia, dor e problemas relacionados ao imobilismo e isolamento social.
Nascimento, I. M. B; Marinho, C. L. F; Costa, R. O. 2017. Apontar as principais ações do fisioterapeuta nos cuidados oncológicos e conhecer melhor alguns dos recursos fisioterapêuticos utilizados no controle da dor. Revisão bibliográfica de obras publicados na BVS.

Foram utilizados 10 obras.

Ao finalizarmos o que  podemos  refletir é  que,  a  fisioterapia  disponibiliza  diversas  técnicas,  tais  como  a  eletroterapia,  cinesioterapia,  termoterapia,  crioterapia  e entre  outras  que  podem  auxiliar  no  tratamento  oncológico  juntamente  com  o

envolvimento de outros profissionais, visando o bem estar do paciente.

Rocha, L. S M; Cunha, A. 2016. Realizar uma revisão bibliográfica sobre  atuação da fisioterapia em oncologia, com enfoque em cuidados paliativos Revisão de literatura de obras publicadas na BVS e livros localizados na Biblioteca da Universidade de Uberaba Campus II.

Foram utilizados 07 obras.

Grande parte dos recursos fisioterapêuticos, para o controle da dor do paciente com câncer. Assim há escassez de estudos sobre a atuação da fisioterapia nos cuidados paliativos de pacientes com câncer.
Souza,  J. A. F. et al. 2017. Verificar o uso dos recursos e técnicas fisioterapêuticas utilizadas no controle da dor do câncer infantil. Revisão bibliográfica de obras publicados na BVS. Também, como estratégia de busca foram utilizados livros e sites institucionais.

Foram utilizados 07 obras.

Os principais recursos utilizados durante a terapia são os brinquedos, desenhos, pinturas, massagens e cinesioterapia, promovendo bem estar para esse indivíduo, aliviando a ansiedade, estresse e consequentemente a dor.

 

DISCUSSÃO

Cuidados Paliativos

O conceito de cuidados paliativos, teve origem no movimento hospice (hospitalidade), originado por Cecily Saunders em 1950, disseminando pelo mundo uma nova filosofia sobre o cuidar, e não só curar, focalizado no paciente até o final de sua vida no que tange o controle da dor e no alívio dos sintomas, ou seja, sua finalidade é de cuidar de pacientes, cuja doença não responde aos tratamentos curativo (BURGOS, 2017).

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os cuidados paliativos são uma abordagem que promove a qualidade de vida dos pacientes e seus familiares diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida, através da prevenção e alívio do sofrimento por meio da identificação precoce, avaliação e tratamento rigoroso da dor e de outros problemas de ordem física, psicossocial e espiritual. As intervenções de reabilitação são estratégias importante para o declínio funcional, resulta em prejuízos nas atividades da vida diária do paciente (MINOSSO; SOUZA; OLIVEIRA, 2016).

Segundo Paula, et al. (2013. p. 247):

A partir dos princípios que norteiam os cuidados paliativos, é preciso implementar modificações nas rotinas de normas e técnicas. Ainda, incluir a atenção aos aspectos emocionais que envolvem os sentimentos tanto do paciente e sua família, quanto da própria equipe de saúde. Para que se efetivem tais mudanças, é necessário que o profissional compreenda a razão de fazer o mesmo procedimento de outra maneira, considerando as necessidades, preferências e escolhas de cada um para a definição de condutas. Dessa forma, é fundamental que a equipe de saúde desenvolva competências acerca da filosofia dos cuidados paliativos, para atender às singularidades e às necessidades de ordem física, psicossocial e emocional do paciente e de seu familiar.

Para Vasconcelos; Pereira (2018) atualmente o conceito de cuidados paliativo devem ser ofertados a pacientes e seus familiares o mais brevemente possível, permitindo seu acompanhamento durante todo o processo da doença potencialmente atemorizante a vida, desde seu diagnóstico até o processo de luto, considerando que o foco da atenção não está voltada a doença a ser curada, mas no paciente em seus aspectos biopsicossociais, compreendido como um ser biográfico, ativo, com direito a orientação e autonomia plena para as decisões a respeito de seu tratamento.

Gomes; Othero (2016) afirmam que os cuidados paliativos são uma abordagem para melhoramento da qualidade de vida de pacientes e familiares que enfrentem uma doença ameaçadora da vida, através da prevenção e do alívio do sofrimento, através da identificação precoce e avaliação do tratamento da dor e outros problemas, físicos, psicossociais e espirituais. Partem dos princípios que a morte deve ser abrangida como um processo natural, parte da vida, e a qualidade de vida é o principal objetivo clínico; não abreviam a morte, nem prologam o processo de morrer;  a família abrange também cuidado; o controle de sintomas é um objetivo essencial da assistência (os sintomas necessitam ser rotineiramente avaliados e efetivamente manejados); pacientes e familiares têm direito a subsídios acerca da sua condição e escolhas de tratamento; as decisões devem ser tomadas de modo compartilhado, respeitando-se valores étnicos e culturais.

Devem ser ofertados ao paciente e a seus familiares o cuidado desde o “início da doença, em conjunto com outras terapias destinadas a prolongar a vida, como a quimioterapia ou a radioterapia, e inclui as investigações necessárias para entender e controlar melhor as complicações clínicas dolorosas. No fim da vida os cuidados são voltados providências tomadas nas últimas horas de vida, em que o paciente se encontra em estado de declínio progressivo e inexorável (FROSSARD, et al. 2018).

Os cuidados paliativos envolvem aspectos relacionadas à qualidade de vida do paciente terminal. Onde ocorre a reafirmação da importância da vida, porém considere a morte como um processo natural; constitui um cuidado que não acelere a chegada da morte, nem a prolongue com medidas desproporcionais (obstinação terapêutica); propiciar alívio da dor e de outros sintomas penosos; integrar os aspectos psicológicos e espirituais na estratégia do cuidado; proporcionar um sistema de apoio à família para que ela possa encarar a doença do paciente e suportar ao período de luto (HERMES; LAMARCA, 2013).

Para Gomes; Othero (2016) os cuidados são: controle correto de dor e outros sintomas; conforto; prevenção de agravos e incapacidades; promoção da independência e autonomia quando possível; manutenção de atividades e individuo significativos para o doente; ativação de recursos emocionais e sociais de enfrentamento do processo de adoecimento e terminalidade; ativação de redes sociais de suporte e apoio e orientação à família.

A proposta dos cuidados paliativos submerge a humanização do cuidar em si, onde o paciente em estado terminal deve ser assistido integralmente, e isto requer complementação de saberes, partilha de responsabilidades, onde demandas distintas se resolvem em conjunto pela equipe multidisciplinar. A compreensão do processo de se dá através da observação, análise, orientação, visando identificar os aspectos positivos e negativos, relevantes para a evolução de cada caso. O paciente não é só biológico ou social, ele é também espiritual, psicológico, devendo ser cuidado em todas as esferas, e quando uma funciona mal, todas as outras costumam serem afetadas (HERMES; LAMARCA, 2013).

Os cuidados paliativos devem ser ofertados ao usuário e seu núcleo de cuidado desde o início da doença, em conjunto com outras terapias destinadas a prolongar a vida, como a quimioterapia ou a radioterapia, e inclui as investigações necessárias para compreender e controlar melhor as complicações clínicas dolorosas. Abarca os cuidados até o fim da vida, que se refere a providências tomadas nas últimas horas de vida, em que o paciente se encontra em estado de declínio progressivo e inexorável (FROSSARD, et al. 2018).

A aplicação da abordagem de cuidados paliativos deve ser realizada desde o momento do diagnóstico que implica em uma variação na necessidade de cuidados no decorrer da doença e, posteriormente, no processo de luto. Ao longo desse percurso, a premência de cuidados se mostra maior logo no início, onde é preciso o acolhimento e a orientação aos pacientes, familiares e/ou cuidadores quanto à doença, reduzindo a ansiedade; seguida por períodos de exacerbação, normalmente em momentos nos quais o paciente apresenta sintomas agudos; alcança estabilidade conforme a doença passa a se comportar de modo crônico e cresce gradualmente, de acordo com o aumento da debilidade do paciente. A necessidade de cuidados paliativos alcança seu ápice nos últimos dias/horas de vida e no momento da morte, sendo atenuada após esse evento, conforme a construção do processo de luto (VASCONCELOS; PEREIRA, 2018).

Cuidados Paliativos Oncológicos

De acordo Brandão et al. (2017) os cuidados paliativos oncológicos exigem esforço emocional e psicológico dos envolvidos e seu principal fundamento é o cuidar, reafirmando a vida e a morte como processo inerente à existência humana e necessita ser realizado de modo humanizado, através do conforto e alívio do sofrimento do paciente oncológico.

O paciente oncológico no estágio terminal deve ser tratado de forma integral. O foco da assistência está voltado para o alívio do sofrimento, dor e não a patologia em si, logo, é caracterizado pela não possibilidade de terapêutica curativa. Os cuidados paliativos oncológicos consistem em medidas que promovem a qualidade de vida de pacientes e aos seus familiares frente a doença através da prevenção e alívio do sofrimento, por meio de identificação precoce, avaliação correta, problemas físicos, psicossociais e espirituais (GÓES, et al., 2016).

Segundo Silva, et al. (2016, p. 226):

Considerando que os princípios do cuidado paliativo comportam uma filosofia de ação que privilegia a promoção da qualidade vida, a prevenção e o alívio do sofrimento, a discussão da integração precoce da paliação nos cuidados aos sobreviventes de câncer é de extrema importância, uma vez que reforça a importância de uma abordagem multidimensional (física, funcional, emocional, econômica e social) das fases que se seguem ao diagnóstico, tratamento e pós-tratamento do câncer.

Os cuidados paliativos oncológicos estabelecem uma relação direta com a morte por se tratar de uma modalidade terapêutica desenvolvida diretamente a pacientes em estados terminais. A comunicação é de suma importância nesse sentindo, pois transmite confiança e oferta oportunidade de verbalização e esclarecimentos. Os cuidados influenciam na qualidade de vida dos pacientes e familiares se caracteriza por seus objetivos, promovendo ações interdisciplinares que aliviam a dor, prevenindo o sofrimento, promovendo suportes psicológicos e espirituais. Para tanto, faz-se necessário uma averiguação que consinta o melhor entendimento das complicações e sintomas relacionados à evolução da doença, considerando a agressividade e comprometimento dos sinais físicos, psicológicos e emocionais (RODRIGUES, et al. 2017).

O cuidado paliativo oncológico visa fornecer esperança, o consolo, o apoio, a assistência de qualidade, a interação profissional-paciente e o estabelecimento de vínculo afetivo. É indispensável que esses profissionais desenvolvam cuidado humanizado, coerente com os preceitos dos cuidados paliativos, na busca de amenização do sofrimento, favorecendo assim a qualidade de vida dos pacientes. Quando hospitalizado, o paciente oncológico e sua família vivenciam situações diversificadas, em que a probabilidade da morte revela-se de maneira inevitável e real. Nesse momento, a família não almeja somente o cuidado, mas deseja manifestações de solicitude que considerem seu ente querido e a si próprio (BRANDÃO, et al. 2017).

Fisioterapia Paliativa a Pacientes Hospitalizados

Segundo Burgos (2017) a assistência fisioterapêutica deve estar presente em todos os estágios do paciente portador de doença oncológica, pois o mesmo atua nas necessidades de prevenção e minimização dos efeitos adversos do tratamento oncológico. Durante a hospitalização, a atuação está voltada para minimização das complicações respiratórias, motoras e circulatórias. Cabe ressaltar, que a fisioterapia paliativa tem como objetivo principal a melhora da qualidade de vida dos pacientes sem possibilidades curativas, reduzindo os sintomas e promovendo sua independência funcional, no entanto é preciso manter uma comunicação aberto com o paciente, familiares e toda a equipe envolvida no cuidar.

Guimarães; Assis (2016, p. 89) afirmam que:

É de vital importância que os fisioterapeutas orientem os cuidadores a respeito do adequado posicionamento do paciente no leito para que esteja confortável e seja facilitada sua funcionalidade, evitando encurtamentos musculares, escaras de decúbito, broncoaspiração e facilitando a dinâmica diafragmática. É necessário orientar e ensinar de maneira prática os manejos e manuseios durante posicionamento, transferências e atividades de vida diária para que sejam feitos com segurança de acordo com o nível funcional do paciente.

Segundo Rocha; Cunha (2016), os principais papéis do fisioterapeuta nos cuidados paliativos oncológicos são: auxiliar o paciente a manter sua identidade; apoiá-lo na manutenção de vida ativa até a morte; gerar conforto; manter a independência dos pacientes; estimular o contato com a família e atuar nos sintomas. Os principais sintomas identificados são: fadiga; dispneia; déficit de locomoção; perda da funcionalidade; ansiedade; espasmo muscular; dor; fraqueza; acúmulo de secreção; úlceras de pressão; perda do equilíbrio; contratura muscular; constipação intestinal e edema.

Pacientes oncológicos necessitam de assistência voltadas no controle da dor, o fisioterapeuta pode utilizar técnicas como: terapias manuais, eletroterapia, termoterapia, cinesioterapia, posicionamentos adequados e técnicas de relaxamento. Normalmente, observa-se nos pacientes com câncer o aumento da tensão muscular causada pela presença da dor, e as terapias manuais através de técnicas incluem: massoterapia, liberação miofascial/ pompage, inibição de trigger points, dessensibilização, relaxamento muscular, diminuição da sobrecarga muscular, liberação cicatricial e pontos de fibrose, redução de bloqueios articulares, controle postural, além da redução do stress e dos níveis de ansiedade (GÓES, et al., 2016).

A fisioterapia é voltada principalmente para o controle da dor através de estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS), termoterapia, crioterapia, massagem terapêutica e cinesioterapia, além da orientação específica aos pacientes, cuidadores e familiares. Cabe ressaltar que, a estimulação elétrica transcutânea possui algumas contraindicações para pacientes oncológicos, como não deve ser colocar sobre tecido neoplásico, pele desvitalizada após radioterapia, pacientes impossibilitados de compreender a natureza da intervenção ou de dar feedback sobre o tratamento (NASCIMENTO; MARINHO; COSTA (2017).

Para que o fisioterapeuta possa traçar suas condutas é necessário realizar a avaliação fisioterapêutica nos pacientes oncológicos, a partir dessa avaliação serão traçados os objetivos da terapia visando à melhora no quadro do paciente. Deve ser realizada diariamente de forma humanizada uma avaliação neurológica, quanto ao tônus muscular e os sistemas sensoriais, avaliação cardiopneumológica, avaliação da marcha, da mobilidade, e da funcionalidade, com objetivo de reduzir as sequelas advindas do tratamento (SOUZA, et al. 2017).

Para Guimarães; Assis (2016) a fisioterapeuta atua significativamente sobre a sintomatologia do paciente oncológico, onde os cuidados paliativos possibilitam o alivio nos quadros: fadiga (o manejo da fadiga compreende estratégias que visam a manter ou aumentar os níveis de energia dos paciente); dor deve ser controlada, pois gera incapacidade, podendo criar um estado adaptativo de prostração, inquietude, desgaste físico e mental); dispneia (instalação de ventilação mecânica não invasiva, recurso que proporciona suporte ventilatório por pressão positiva sem a necessidade de intubação endotraqueal, pois utiliza interfaces distintas que se acoplam a face. Essa intervenção objetiva melhorar as trocas gasosas e reduzir esforço respiratório, evitando em algumas situações a entubação e as complicações que sabidamente podem advir dela); ansiedade (incerteza e medo do futuro); disfunções ósteo-musculares (posicionamento corporal, sendo essa uma estratégia de intervenção muito útil, uma vez que otimiza o transporte de oxigênio, previne complicações pulmonares e ajuda a evitar comprometimentos musculoesqueléticos; as mudanças de decúbito regulares promovem variações interregionais na ventilação e perfusão pulmonar, melhorando as trocas gasosas, a eficácia da tosse e redução do esforço respiratório); constipação intestinal (sintoma muito presente nos pacientes em cuidados paliativos devido ao efeito constipante dos opióides, à inatividade física, ao efeito associado de outros medicamentos e à inapetência, com consequente baixa ingestão de fibras e líquidos. O arsenal de técnicas e intervenções fisioterapêuticas disponíveis para a atuação nesta área são vastos); dentre outros.

A fisioterapia é importante em todos os estágios do câncer terminal e a sua atuação deve ser concomitantes à unidade de cuidados, que abarca de forma abrangente o serviço prestado desde a avalição do paciente, que é de forma completa até a observação das sintomatologias típicas do paciente portador de câncer (BURGOS, 2017).

A fisioterapia paliativa oncológica está voltada para: terapia manual, alongamentos, exercícios passivos e ativos para fortalecimento muscular, mobilizações articulares, posicionamentos, exercícios respiratórios, técnicas de higiene brônquica e suporte de O2 e ventilação mecânica quando necessário. Estes recursos são empregados desde a prevenção que é um dos aspectos fundamentais dos cuidados paliativos, antecipar cuidados para impedir ou amenizar possíveis complicações, até as orientações aos pacientes e aos familiares, feitos de modo a evitar sofrimentos desnecessários (BURGOS, 2017).

O fisioterapeuta é um dos profissionais que trabalha de forma direta com o paciente oncológico, logo, mesmo deve ser capaz de clarificar os objetivos de intervenção, e atuar de modo que constantemente os cuidados devem ser revistos e ajustados face as necessidades do paciente, de forma a minimizar o sofrimento e trazer qualidade de vida ao paciente oncológico (GÓES, et al., 2016).

CONCLUSÃO

A fisioterapia oncológica é uma área que está em constante crescimento, mas que ainda necessita de reconhecimento, pois há locais em que o fisioterapeuta ainda não faz parte da equipe que atua no tratamento do paciente oncológico. Apesar da escassez de material, os estudos encontrados apontaram que a fisioterapia tem um papel relevante nos cuidados paliativos. A visualização da prática executada a sobras pesquisadas dispõe de conhecimentos e habilidades para aplicar métodos e recursos, sobretudo nas sintomatologias do paciente oncológico fora de possibilidade terapêutica.

A atuação do fisioterapeuta nos cuidados paliativos busca na qualidade de vida desses pacientes através dos recursos terapêuticos empregados em alguns dos sintomas como: dor, problemas osteomiarticulares e/ou síndrome do imobilismo, fadiga, linfedema, disfunções pulmonares, suporte a manutenção da vida, dentre outros.

Diminuir o sofrimento é um dos alvos principais na prestação de cuidado paliativos e a reabilitação é uma das estratégias que apresenta maior potencial para alcançá-lo. Alguns dos potenciais benefícios da reabilitação incluem a melhora de mobilidade, fadiga, dor, dispnéia e estado emocional. O planejamento do tratamento deve ser feito de maneira individual e baseado no prognóstico geral e no potencial para a recuperação funcional, assim como no desejo e na motivação do paciente para atingir esse objetivo. Muitas intervenções podem ser utilizadas, como a fisioterapia

Apesar do alcance do objetivo proposto, sugere-se que pesquisas similares sejam realizadas, contribuindo para conhecimento nesta área. E que a fisioterapia disponibiliza de diversas técnicas, tais como a eletroterapia, cinesioterapia, termoterapia, crioterapia e entre outras que podem auxiliar no tratamento oncológico concomitante com o envolvimento de outros profissionais, visando o bem-estar do paciente.

Conclui-se que devido à alta demanda de assistência a pacientes oncológicos em unidades hospitalares, deve-se reforçar estudos sobre e a criação de serviços de cuidados paliativos devem-se criar adequação de um plano assistencial humanizada desde o diagnóstico até a recuperação ou fase terminal tanto para o paciente quanto para o familiar.



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