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Análise Comparativa dos Efeitos da Aplicação do Laser Hélio-Neônio e da Microgalvanopuntura em Estrias Albas

Análise Comparativa dos Efeitos da Aplicação do Laser Hélio-Neônio e da Microgalvanopuntura em Estrias Albas

As estrias representam um problema muito comum e desagradável na maioria das mulheres saudáveis. Define-se como uma atrofia tegumentar adquirida, de aspecto linear e com caráter de bilateralidade. Raras ou numerosas dispõem-se paralelamente umas às outras e perpendicularmente às linhas de fenda da pele conhecidas como Linhas de Langer. Tem como característica principal a atrofia da pele e seus anexos, sendo assim denominada atrófica apresentando adelgaçamento, pregueamento, secura, diminuição da elasticidade e rarefação de pêlos (GUIRRO E GUIRRO, 2004).

A estria é considerada uma alteração dermatológica vista a olho nu situada na derme, camada mais profunda da pele. Essa lesão dérmica é freqüentemente encontrada em regiões que sofrem estiramento excessivo e progressivo da pele como coxas, glúteos e seios (BORGES, 2010). A classificação das estrias se baseia a partir dos estágios de evolução que são interpretados de acordo com sua coloração (JIMENEZ 2003).

Inicialmente, as estrias são eritematosas em decorrência da vasodilatação e do processo inflamatório que ocorre na derme, apresentando coloração rosácea, sendo assim denominadas estrias rubras (HERMANNS, 2006). Ao passar a fase inflamatória, as estrias evoluem para um quadro atrófico, adquirem o aspecto esbranquiçado, quase nacarado, tornando-se mais largas, por causa do rompimento das fibras elásticas e colágenas (SILVA, 2012).

As estrias atróficas são encontradas em ambos os sexos, com predominância no feminino. A maior incidência de estrias acomete meninas entre doze e quatorze anos, e nos meninos, de doze a quinze anos sendo visualizadas em todas as faixas etárias, principalmente a partir da adolescência ou durante a gravidez em decorrência dos picos hormonais (ATWAL et. al, 2006; CHO S et. al., 2006). Tal patologia não acomete pessoas acima de 45 anos nem é comum em pré-puberes (KEDE; SABATOVICH 2006).

Por serem esteticamente desagradáveis como qualquer outra alteração estética ou morfológica, podem gerar uma autoimagem negativa, principalmente entre as mulheres. Isso ocorre devido aos aspectos socioculturais da supervalorização do corpo ideal e do culto à perfeição estética. Contudo, a insatisfação com o próprio corpo é capaz de originar problemas psicológicos como baixa autoestima, depressão e ansiedade e até mesmo a exclusão social (DAVISON, 2005 E GINGRAS et. al. 2004)

A sua etiologia é considerada multifatorial, pois, envolvem diferentes situações clinicas e dessa forma vem sendo sustentada por meio das teorias mecânicas, metabólicas e genéticas para o seu desenvolvimento. A dificuldade a respeito das suas causas deve-se ao fato de estarem relacionadas a diferentes situações clínicas (SILVA; 2012).

A distensão da pele resulta no surgimento das estrias pode ocorrer em decorrência do ganho rápido de peso, crescimento repentino (geralmente ocorrido na adolescência) ou por outros motivos fisiológicos e patológicos: gravidez, uso prolongado de esteróides ou contraceptivos hormonais, síndromes de Cushing e Marfan. Alguns autores acreditam que a principal causa para o aparecimento delas seja a mudança das forças de tensão que atuam sobre a pele (ganho de peso rápido e crescimento repentino), associado a fatores genéticos, contudo ainda existem algumas teorias que tentam explicar seu surgimento (CHO S et. al. 2006).

Existem três teorias que tentam explicar a origem do surgimento das estrias. A primeira delas, a teoria mecânica, considera as estrias como uma seqüela de períodos de rápido crescimento, onde se tem dano às fibras elásticas e colágenas da pele pelo acúmulo de gordura no tecido adiposo como no caso das gestantes e obesos. Já a teoria endócrina sendo a mais aceita está ligada a alterações hormonais, enfatizando a utilização dos hormônios corticóides. O uso de corticóides tópicos apresenta riscos, pois podem causar inibição do tecido conjuntivo dérmico ou alterações na cinética das células epidérmicas ocasionando assim a atrofia cutânea e as estrias atróficas (AZULAY; 2004).

Por fim, a teoria infecciosa supõe que as estrias sejam conseqüências de processos infecciosos que danificam as fibras elásticas. São vários os fatores envolvidos no processo de aparecimento das estrias, atualmente acredita-se que o fator genético é o determinante e tem como fator desencadeante o endócrino (GUIRRO E GUIRRO 2004).

A destruição das fibras colágenas e elásticas ocorre por um processo inflamatório intenso e perivascular numa fase inicial. Após esse período ocorre quebra associada à desgranulação de mastócitos, fazendo com que haja a chegada de macrófagos em torno das fibras elásticas fragmentadas (KEDE; SABATOVICH 2004). A epiderme encontra-se atrófica e indefinida enquanto na derme as fibras elásticas apresentam-se modificadas e as fibras colágenas estão distribuídas paralelamente a superfície seguindo o sentido da força de distensão da pele ( AZULAY; 2004).

Dentre os recursos utilizados como tratamento para estrias na fisioterapia Dermato-Funcional encontra-se a microgalvanopuntura e a laserterapia. A corrente galvânica utilizada na microgalvanopuntura é definida como uma corrente contínua, filtrada e unidirecional. Por apresentar uma ação a nível superficial e conseguir manter a polaridade durante o tempo de aplicação (AGNE; 2013).

O tratamento da estria utilizando a corrente galvânica em microamperagem pode ser aplicada através de várias técnicas. A primeira técnica é escarificação onde ocorre uma resposta de regeneração a uma lesão cutânea por estímulo físico emitido pela agulha com movimentos de “vai e vem” (GUIRRO E GUIRRO; 2004). A técnica pontual é aplicada por toda região da estria, sendo 5 segundos por cada ponto e a técnica subepidérmica se dá a partir da colocação da agulha através de uma incisão paralela subcutânea onde a agulha é levantada e sustentada por 3 a 5 segundos promovendo o “estiramento” da pele (WINTER; 2000). A técnica subepidérmica apresenta como resposta a melhora do aspecto geral, microcirculação e normalização da coloração regional das estrias (BORGES et. al. ,2010).

Já a terapia Laser apresenta também uma ação estimulante da proliferação celular e por este motivo foi eleita para este estudo. A palavra “laser” é um sinônimo para a palavra inglesa Light Amplification by Stimulated Emisson of Radiation, que se traduz para o português como Ampliação da luz pela Emissão Estimulada de Radiação (VEÇOSO; 1993).

O efeito bioquímico da radiação laser ocorre devido à liberação de substâncias pré-formadas como a serotonina, histamina e bradicinina promovendo entre outras coisas a estimulação da produção de ATP, ação fibrinolítica e modificando as reações enzimáticas. Sendo necessário estabelecer padrões de dosagens que possam ser utilizados em qualquer situação. Os padrões utilizados são para efeito analgésico 2 a 4 J/cm², efeito circulatório e antiinflamatório 1 a 3 J/cm² e o efeito cicatrizante de 3 a 6 J/cm² (VEÇOSO; 1993).

Os parâmetros como dosagem, comprimento de onda, freqüência, número de sessões e de repetições pode variar de acordo com a técnica utilizada e com o objetivo a ser alcançando, não existindo dessa maneira um protocolo fixo para a utilização do laser (GONÇALVES; 2000). As vantagens da utilização do laser se mostram por ser mais seguro e não apresentar nenhuma intercorrências durante a aplicação ou gerar eventos adversos (SCHEEDER; 2000).

No tratamento de estrias, o uso do laser vem sendo cada dia mais estudado, no entanto ainda não existem muitos trabalhos relatando sua eficácia. Em 1962, foi desenvolvido o primeiro laser com finalidade terapêutica, um laser de HeNe com comprimento de onda de 632,8nm (BRAGATTO; BRITO, 2000).

O uso da microgalvanopuntura e do laser nas estrias tratam-se de recursos que atualmente vem sendo cada dia mais utilizado, porém, existem poucos estudos que comprovam sua eficácia. Diante desta carência o objetivo desse estudo é comparar o uso da microgalvanopuntura e do laser Hélio-neônio no tratamento de estrias albas e como eles atuam no processo de reparo da estria, contribuindo dessa maneira com conhecimento específicos, e beneficiando os profissionais de Fisioterapia Dermato-Funcional.

MATERIAIS E MÉTODOS

O presente estudo é do tipo descritivo transversal, não randomizado e sem grupo controle foi realizado Associação Caruaruense de Ensino Superior e Técnico –ASCES. O estudo foi realizado após consentimento das voluntárias mediante assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, sendo uma pesquisa conduzida de acordo com o Conselho Nacional de Saúde (Resolução 196/96), analisada e aprovada pelo Comitê de Ética da própria instituição (Parecer nº141/10).

A amostra do estudo foi composta por 20 mulheres com idade 18 a 28 anos, portadoras de estrias albas localizadas na região glútea. Incialmente foi realizado uma triagem na clinica escola de fisioterapia da ASCES. Após identificação das voluntarias as mesmas  foram divididas em dois grupos. O grupo A composto por de 10 mulheres que foram submetidas a 10 sessões de microgalvanopuntura com o STRIAT e grupo B  composto por 10 mulheres que foram submetidas a 10 sessões de terapia com  laser hélio-neônio. As sessões  foram realizada uma vez por semana com duração de 30 minutos.

Como critério de exclusão tivemos as mulheres que realizaram tratamento fisioterapêutico ou médico para estrias, hipertensas, diabéticas, com propensão a quelóides, portadores de hemofilia, vitiligo, Síndrome de Cushing, cardiopata, gestantes, epiléticos e que estivessem sob uso de medicações como esteróides, corticosteróides ou antiinflamatórios.

Antes de iniciar a conduta terapêutica estabelecida, as voluntarias foram submetidas  a uma avaliação fisioterapêutica composta por anamnese e exame físico onde  foram analisadas as seguintes variáveis: mensuração da quantidade através de uma contagem realizada pela fisioterapeuta, espessura por meio de uma régua e observação da alteração da coloração por meio de registros fotográficos padronizados da área com as estrias, utilizando-se câmera digital (Sony Cyber-shot DSC-W120, de 7,2 megapixels) na distância de 45 cm sem zoom.

Para iniciar a conduta foi realizada a higienização da região glútea com álcool a 70% com objetivo de minimizar a resistência à passagem da corrente elétrica e do LASER. No grupo A contendo 10 voluntárias foram submetidas a aplicação da estimulação elétrica utilizando os equipamento de Microgalvanopuntura pela técnica subepidérmica STRIAT® (IBRAMED), com frequência de 150 microamperes por 30 minutos, uma vez por semana, totalizando 10 sessões. Esse método promove o aumento do aporte sanguíneo, de líquidos, de fibroblastos jovens, favorecendo a neovascularização para assim obter-se uma restauração do tecido [17]. Já no grupo B contendo 10 voluntárias foi utilizada a técnica de Laserterapia (LASER PHYSIOLUX Dual BIOSET®) Hélio-Neônio pela técnica pontual com uma dosagem 5J/cm², 12 segundos em cada ponto, uma vez por semana, totalizando 10 sessões. A aplicação pontual ou por pontos acontece pela irradiação de um ponto localizado sobre a superfície da pele normalmente em vários pontos para que toda a área tratada seja irradiada. A distância entre os pontos deve ser de aproximadamente 1 ou 2 cm. A aplicação por varredura ocorre com o laser varrendo toda a área a ser tratada e a aplicação por zona consiste na irradiação de uma área maior que um ponto utilizando lentes divergentes ou fibra óptica tratando de uma só vez a área determinada (COMPAGNONI et. al. 2010).

Após as 10 sessões as voluntárias foram submetidas a uma reavaliação, seguindo os critérios da avaliação fisioterapêutica. O procedimento de tabulação final dos dados foi efetuado através do programa Epi Data (versão 3.1). A fim de detectar erros na entrada de dados, as informações foram re-digitados em outro computador. Através do programa “VALIDATE” do Epi Data, foi gerado um arquivo, contendo informações sobre os erros de digitação, a fim de corrigi-los e orientar o processo de revisão e limpeza do banco de dados. Após a checagem, os dados foram exportados para o programa de análise (SPSS, versão 11.0).

No plano de análise dos dados, para as análises descritivas foi utilizada a média e desvio padrão para as variáveis contínuas (distribuição normal). Nos testes inferenciais foi utilizado o teste t pareado para comparar o antes e depois de cada lado e posteriormente usou-se o teste t não pareado para comparar os lados. Foi adotado um nível de significância de 5%.

RESULTADOS

Na análise estatística das variáveis: quantidade, espessura e coloração realizada de maneira separada (grupo da Microgalvanopuntura e do Laser) não houve significância após 5 e 10 sessões.(Tabela I e II)

 Tabela I. Média e desvio padrão da 5ª sessão de tratamento fisioterapêutico em relação a variáveis relacionadas às estrias, grupo Laser e Microgalvanopuntura.

Variáveis

Laser

Microgalvanopuntura

     P

Quantidade Direito 11,3 ± 3,6 14,5 ± 5,3 0,75  
Quantidade Esquerdo 11,4 ± 4,6 13,8 ± 3,7 0,30  
Largura Direito 1,4 ± 0,5 1,7 ± 0,4 0,80  
Largura Esquerdo 1,7 ± 0,6 1,5 ± 0,5 0,66  
Cor Direito 1,1 ± 0,3 1,6 ± 0,5 0,24  
Cor Esquerdo 1,2 ± 0,4 1,6 ± 0,5 0,77  
         

*p < 0,05

Tabela II. Média e desvio padrão da 10ª sessão de tratamento fisioterapêutico em relação a variáveis relacionadas às estrias, grupo Laser e Microgalvanopuntura.

Variáveis

Laser

Microgalvanopuntura

P

Quantidade Direito 9,2 ± 2,7 11,2 ± 3,4 0,45  
Quantidade Esquerdo 9,9 ± 2,4 10,2 ± 2,3 0,71  
Largura Direito 0,9 ± 0,4 1 ± 0  
Largura Esquerdo 1 ± 0,4 1 ± 0  
Cor Direito 1,4 ± 0,5 1,8 ± 0,4 0,77  
Cor Esquerdo 1,4 ± 0,5 1,8 ± 0,4 0,77  
         

Com análise visual feita por registros fotográficos houve uma melhora significativa com redução da quantidade e espessura das estrias e melhora da coloração das estrias ficando próximo ao aspecto da pele no grupo experimental tratado com a Microgalvanopuntura após as 10 sessões (figura 1.)

estrias-albas

DISCUSSÃO

 De início as estrias apresentam-se eritematosas devido à vasodilatação que está associada ao processo inflamatório, de aspecto róseo são definidas como rubras. Com o passar do tempo apresentam-se hipopigmentadas sendo denominadas como albas (HERMANNS; 2006). Várias terapêuticas podem ser utilizadas no tratamento das estrias tais como a eletroterapia e o LASER (KEDE; SABATOVICH 2004). 

Dentre as técnicas de eletroterapia utilizada está a microgalvonupuntura. Não há um protocolo fixo que determine a intensidade a ser utilizada na aplicação da microgalvanopuntura de acordo com cada técnica. É sugerido que a intensidade varie de 100 a 300 microampéres e os mesmos não diferenciaram o tipo de técnica a ser utilizada com estas intensidades (GUIRRO E GUIRRO; 2004).

Para tratamento de estrias rubras e albas foi criada a galvanopuntura por fisioterapeutas brasileiros, que utiliza a microamperagem. É um método invasivo, onde associa a estimulação elétrica da microcorrente polarizada com o estimulo mecânico da agulha. As estimulações são realizadas na camada dérmica da pele, sendo assim superficial (GUIRRO E GUIRRO; 2004). O uso da microgalvanopuntura melhora a profundidade das estrias diante das primeiras sessões (NAKANO et. al.; 2005).

No presente estudo foi utilizada a corrente microgalvanopuntura pela técnica subepidérmica, com o intuito de promover o aumento da microcirculação local obtendo assim uma melhora do aspecto geral das estrias. Para que haja regeneração do tecido estriado a corrente galvânica tem como objetivo obter um quadro de hiperemia, edema, provocando assim um processo inflamatório agudo no tecido ( MONDO et.al. , 2004).

O processo da microgalvanopuntura mesmo sendo invasivo atua superficialmente fazendo com que a regeneração da estria se dê pelo processo de inflamação aguda localizada sem nenhum efeito a nível sistêmico. A agulha utilizada durante a terapia promove um processo de reparação complexo, cuja finalidade é restabelecer a integridade dos tecidos (PRESSI E LIMA; 2005).

É de extrema importância que durante o período de tratamento sejam dadas orientações aos pacientes quanto à exposição solar, evitando as manchas da pele, como também a não utilização de medicações a fim de resolver o processo inflamatório, pois para o resultado ser benéfico é necessário manter a resposta inflamatória após a estimulação. Em pacientes cardíacos, portadores de marca-passo, neoplasias, gestantes, epiléticos é contra-indicado o uso de corrente elétrica.

Um estudo experimental do tipo duplo cego realizado com uma amostra composta por 10 voluntárias, do sexo feminino, com idade entre 20 e 40 anos, portadoras de estrias localizadas em diferentes regiões do corpo, os mesmos concluíram que o tratamento realizado com o aparelho desligado apresentou resultados mais satisfatórios esteticamente do que quando comparado com o grupo que realizou o tratamento com o aparelho ligado (associado à microcorrente) com intensidade de 60 a 80 microamperes (PRESSI E LIMA; 2005).

Em um estudo comparativo realizado com duas pacientes observou-se que o uso da corrente galvânica no tratamento das estrias foi capaz de intensificar o processo inflamatório a partir de uma pequena lesão do tecido. O estímulo gerado pela corrente promoveu o aumento do número de fibroblastos e mudanças nas fibras colágenas, resultando em modificações importantes da pele, deixando-a com um aspecto mais próximo do normal. Foi utilizada a corrente galvânica por meio das técnicas pontual e deslizamento, com intensidade de 100 microamperes (uA), uma vez por semana, durante dez semanas, com duração de aproximadamente 50 minutos (OSÓRIO; 2005).

No presente estudo após a aplicação da microgalvanopuntura observou-se alteração na coloração da pele estriada. Inicialmente a pele apresentava-se esbranquiçada e após a décima sessão observou-se mudança para uma coloração mais próxima da pele íntegra. Essa alteração da coloração pode ser explicada pelo aumento da vascularização local promovida pela passagem da microcorrente. A melhora da coloração foi observada em todas as pacientes do grupo experimental-1 utilizando a microgalvanopuntura através de registros fotográficos da região glútea na primeira, quinta e última sessão.

Em outro estudo realizado com pacientes que possuíam estrias, utilizando para o tratamento um equipamento de corrente continua filtrada constante, STRIAT e o laser Hélio-Neônio nas estrias recentes. Os resultados obtidos mostram que houve melhora de aspectos, estéticos, psicossociais, relacionamentos pessoais, auto-estima (WHITE; 2006).

A laserterapia de baixa intensidade tem se mostrado eficaz na cicatrização de úlceras cutâneas. Ambas as modalidades, Arsenieto de Gálio [As-Ga] e Hélio-Neônio [He-Ne] e ambas as técnicas por pontos e varredura, tem sido utilizadas no tratamento de feridas abertas (ARANTES; 1991).

O laser possui sua ação em nível celular, pois aumenta o número de fibras colágenas, resultando também no aumento da tensão epidérmica que leva a melhora no aspecto da pele. Sua efetividade é maior quando aplicado imediatamente após o surgimento das estrias (GUIRRO E GUIRRO; 2004), corroborando com o presente estudo, onde não foi observado uma melhora nas estrias albas das voluntárias tratadas no grupo experimental-2 utilizando o Laser com relação às variáveis analisadas, pois todas as voluntárias apresentavam estrias na fase tardia, onde não há presença de vascularização dificultando a ação do Laser no que se refere à reparação da pele.

Estudos realizados experimentalmente demonstraram que o laser terapêutico possui um efeito cicatrizante através da estimulação da matriz colagenosa. Eles utilizaram 24 coelhos da raça Nova Zelândia, realizando uma tenotomia no tendão de Aquiles, seguida de sutura. Os animais foram imobilizados e submetidos a uma dose de 1 J/dia do laser HeNe (632,8 nm) por 14 dias no tendão de Aquiles. No décimo quinto dia os coelhos eram sacrificados e o tendão excisado para posterior análise bioquímica. Observaram um aumento de 26% de colágeno quando comparando com o grupo controle (REDDY; 1998).

Experimentos realizados também demonstraram que o uso do laser estimulou a produção de colágeno no processo de cicatrização tecidual (ABERGEL; 1984). As doses de 1 a 5 J/cm² são recomendadas em laserterapia de baixa potência para conseguir um aumento no número de fibroblastos e conseqüentemente de fibras colágenos, como também ter um incremento vascular e reepitelização (TATARUNAS; 1998).

Em estudos onde foram aplicadas doses de 0,5; 2,5; 5, 10 e 16 J/cm², durante dois dias consecutivos foi observado que 5 J/cm² promoveu a estimulação da atividade mitocondrial, a proliferação celular e a migração dos fibroblastos. Porém quando utilizando doses mais altas essas, diminuíam a proliferação das células promovendo com danos para membrana celular e o DNA (HAWKINS; 2006). Concordando com os autores, no presente estudo a dosagem escolhida foi de 5 J/cm² utilizando o Laser He-Ne na região da derme com o objetivo de obter reparo tecidual.

De acordo com a análise estatística das estrias feita de maneira sistemática pode-se observar um p não significativo para as variáveis de quantidade, espessura e coloração comparando o lado direito e esquerdo do corpo independente do tipo de terapia utilizada. Porém pode-se observar uma melhora do aspecto da pele estriada através dos registros fotográficos. Talvez pelo presente estudo apresentar uma amostra pequena houve essa diferença na análise dos resultados, sendo necessária a realização de mais estudos com um grupo maior de voluntárias para obter uma maior confiabilidade dos resultados.

CONCLUSÃO

No presente estudo não foram obtidos resultados satisfatórios através da análise estatística para as variáveis de quantidade, espessura e comprimento quando comparados o lado esquerdo e direito da região glútea em nenhuma das terapias utilizadas. Em relação aos registros fotográficos houve uma melhora significativa com redução da quantidade e espessura das estrias e melhora da coloração das estrias ficando próximo ao aspecto da pele no grupo experimental tratado com a Microgalvanopuntura. Sendo importante realização de estudos com população amostral maior para que possa beneficiar os profissionais que lidam com fisioterapia dermato-funcional.

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