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A Importância da Fisioterapia na Estimulação Precoce do Recém Nascido Prematuro na UTI Neonatal

A Importância da Fisioterapia na Estimulação Precoce do Recém Nascido Prematuro na UTI Neonatal

1.CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O presente estudo tem como objeto a importância da estimulação precoce em RNPT na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal.

Nas últimas décadas, mudanças progressivas foram registradas nas assistências perinatais e neonatais, garantindo uma redução das taxas de mortalidade em recém-nascidos pré-termo (RNPT). A prematuridade tem sido, há anos, um grande desafio no atendimento em neonatologia, afetando o desenvolvimento e crescimento dos bebês, fazendo com que esses bebês manifestem deficiências na área em que começaria a assumir funções normais à idade (SILVA, 2017).

Recém-nascidos prematuros são aqueles que nascem entre 34 semanas e 36,6 semanas de gestação e que geralmente pesam até 2,500 g e são semelhantes aos (RNAT) Recém-nascidos a Termo, porém são imaturos pelo fato de alguns órgãos ainda estarem em formação, e possui maior risco de vida (TRONCO et al, 2015).

Conforme Santos et al., (2015), as unidades de terapias intensivas neonatais surgiram como finalidade de diminuir os riscos de vida e aumentar a sobrevida dos neonatos, em meados dos anos 80, e através da evolução tecnológica tem surgido cada vez mais, incluindo aparelhos, como, incubadoras aquecidas, monitores cardíacos, ventilador mecânico, instrumentos que geram impactos sonoros, visuais e que altera de modo direto o comportamento dos recémnascidos internados. Durante o período de internação na (UTIN) unidade de terapia intensiva neonatal, os recém-nascidos estão recebendo frequentemente estímulos nocivos, como as próprias intervenções invasivas, a maioria dos bebês que estão expostos a esses riscos são prematuros e geralmente ficam longos períodos hospitalizados na mesma posição, até atingir a estabilidade clínica para a alta hospitalar. O prematuro apresenta constantemente alterações no seu desenvolvimento, como o peso, altura, deficiência de atenção e de linguagem em comparação aos recém-nascidos a termo (ARAKAKI et al., 2015).

Segundo Silva et al (2017), o bebê pré-termo apresenta diferenças anatômicas e fisiológicas quando comparado ao bebê nascido a termo. Essa imaturidade do Sistema Nervoso é um aspecto importante a ser considerado nesse contexto, pois muitos eventos que deveriam ainda acontecer são interrompidos através do nascimento prematuro, como aparecimento de sulcos e giros do encéfalo, proliferação e migração neural, organização e mielinização, conexões neuronais, arborização dendrítica e das terminações axonais. O neonato prematuro também apresenta órgãos em fase de desenvolvimento com morfologia e funcionalidade imaturos, além de particularidades anatômicas e fisiológicas próprias que o diferencia do recém-nascido à termo.

Segundo Roges (2016), neonatos prematuros apresentam maior risco de atraso no seu desenvolvimento neuropsicomotor e não seguem a cronologia dos marcos de desenvolvimento dos nascidos a termo, sendo necessário corrigir a idade do prematuro em relação à sua idade cronológica.

O fisioterapeuta tem papel importante dentro da UTI neonatal, no desenvolvimento motor da criança. Este profissional trabalha com a motricidade humana, não apenas na doença instalada, mas no sentido de prevenir doenças, promover a saúde e o adequado desenvolvimento infantil, podendo atuar no ambiente onde a criança se insere proporcionando condições favoráveis para o seu desenvolvimento global (OLIVEIRA, et al., 2012).

É importante que o fisioterapeuta reconheça quando há desvios no desenvolvimento da criança, principalmente nas condições patológicas, observando por exemplo a atividade reflexa que permanece impedindo a evolução motora voluntária (BELLANI; WEINERT. 2011).

A motivação deste trabalho veio a partir da vivência da autora em UTI neonatal, onde surgiu uma preocupação com o desenvolvimento motor do prematuro durante o período de internação em uma UTIN, que muitas vezes são hiperestimulados de forma inadequada, visto que a própria prematuridade já se torna um fator de risco ao seu desenvolvimento. A intervenção fisioterapêutica tem se mostrado importante e eficaz na melhora do desenvolvimento dos prematuros, além de prevenir possíveis alterações ( BRITO, 2013).

1.1. Questão Norteadora

Diante do exposto, surgiu o seguinte questionamento: quais as evidências na área da saúde acerca da importância da estimulação precoce em recém-nascidos prematuros, em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal?

1.2. Objetivo Geral

Analisar na literatura científica a importância da estimulação precoce no recém-nascido prematuro na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal.

1.3. Objetivos Específicos

→ Abordar sobre recém-nascidos prematuros, bem como suas características e alterações que provocam o atraso no seu desenvolvimento;
→ Identificar as formas de estimulação precoce ao recém-nascido prematuro;
→ Descrever sobre a atuação do fisioterapeuta na estimulação precoce na UTIN.

1.4. Justificativa

A pesquisa justifica-se devido ao aumento do numero de lactentes prematuros e a necessidade de uma intervenção o mais precoce possível, com intuito de proporcionar a funcionalidade o mais próximo do normal.

O presente estudo tem relevância social e acadêmica, pois apresenta a importância da estimulação precoce como uma forma de tratamento para melhorar o desenvolvimento motor de crianças prematuras, além de trazer mais conhecimentos para os acadêmicos sobre o tema proposto através de informações em evidência.

2-REFERENCIAL TEÓRICO

2.1-UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL

O ambiente da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) dá uma experiência ao recém-nascido bastante diferente daquela da vida uterina, uma vez que este é o ideal para o crescimento e desenvolvimento fetal. Embora a importância da UTIN para os neonatos seja zelar pelo bem-estar da criança em todos os seus aspectos (CARTAXO, 2014).

Segundo Silva (2017), a unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN), é uma ala hospitalar especializada, destinada a recém-nascidos prematuros, com baixo peso, malformações de sistemas como, cardiovascular, respiratórios, gastrointestinais neurológicos, entre outros, que, venham a colocar em risco a vida do recém-nascido. A UTIN possibilita maiores chances de sobrevivência, com acompanhamentos intensivos de vários profissionais da saúde e uso de tecnologias avançadas de zero a 28 dias de vida período na qual o recém-nascido apresenta maior vulnerabilidade.

As unidades de terapias intensivas neonatais surgiram como finalidade de diminuir os riscos de vida e aumentar a sobrevida dos neonatos, em meados dos anos 80, e através da evolução tecnológica tem surgido cada vez mais, incluindo aparelhos, como, incubadoras aquecidas, monitores cardíacos, ventilador mecânico, instrumentos que geram impactos sonoros, visuais e que altera de modo direto o comportamento dos recém-nascidos internados (SANTOS et al., 2015).

Alguns recém-nascidos precisam de uma assistência especializada em razão das condições clínicas, como prematuridade, malformações, asfixia Peri natal, infecções congênitas, entre outras. Assim necessitam de um ambiente apropriado, com recursos tecnológicos e humanos adequados, para garantir o tratamento e restabelecimento, pois o RN prematuro pode necessitar de permanência na hospitalização para que se adapte ao ambiente, extra-uterino de forma independente (RIBEIRO, et al. 2016).

Segundo Pontes (2014), a UTIN é um ambiente terapêutico voltado para a recuperação e a sobrevida de recém-nascidos de risco. Devido à necessidade de cuidados especializados ao neonato no ambiente complexo da UTIN, ocorre a separação materno-infantil logo após o nascimento, dificultando assim o cuidado materno e às vezes a formação do vínculo entre o binômio é prejudicado.

Carvalho e Pereira (2017) também relatam que os estímulos podem ser agentes estressores ou estressantes para o bebê que está na UTIN, sendo eles: a manipulação excessiva pelos profissionais, exposição à luz, sono interrompido e procedimentos que são iniciados quando o bebê demonstra estar pronto ou necessitando do mesmo.

A UTIN corresponde a uma área de assistência a recém-nascidos, criticamente enfermos, altamente vulneráveis, que necessitam de cuidados médicos e da equipe de enfermagem especiais e contínuos. Deve ser localizado dentro de uma estrutura hospitalar que disponha de recursos para o diagnóstico e tratamento de qualquer tipo de patologia neonatal, incluindo os procedimentos especializados, próxima do centro cirúrgico e sala de parto (ALMEIDA, 2015).

A unidade de terapia intensiva (UTI) destina-se ao atendimento de pacientes que demandam cuidados complexos e especializados. Seu ambiente é considerado estressante e gerador de uma atmosfera emocionalmente comprometida, tanto para os profissionais como para os pacientes e seus familiares (ROSEIRO, 2017).

Conforme Capeline (2014), inúmeros procedimentos são realizados diariamente nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatal como parte de estratégias terapêuticas que visam garantir a sobrevida dos recém-nascidos prematuros ou a termo, e muitos são intrusivos e potencialmente dolorosos.

A internação na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), tecnologicamente equipada, e a assistência especializada do profissional de saúde são consideradas medidas potenciais na redução da mortalidade infantil.

2.2-RECÉM-NASCIDOS PREMATUROS

O nascimento de uma criança prematura é resultante de varias circunstâncias, trazendo preocupações tanto para as famílias quanto para a sociedade. O nascimento prematuro é um importante problema obstétrico sendo responsável por mais de 75% da mortalidade e da morbidade entre recém-nascidos (OTONI; GRAVE, 2014).

A prematuridade é classificada em duas categorias: espontânea (consequência do trabalho de parto espontâneo ou rotura prematura de membranas) e eletiva (indicação clínica), sendo que esta última representa 20 a 30% dos partos prematuros (TRONCO et al., 2015). Conforme Tronco et al., (2015) os nascimentos de RNPT são considerados um fator de risco para a mortalidade neonatal, apresentam risco de morte 50 vezes superiores aos nascimentos de RNAT.

Marski et al., (2016), afirmam que a maior prevalência de internação em uma UTIN no Brasil é o nascimento prematuro com idade gestacional inferior a 36 semanas e 6 dias. E de acordo com OMS, o Brasil está em 10° lugar com prevalências de partos prematuros, correspondente as 9,2% nascidos ao ano.

O amadurecimento neurológico, habilidades afetivas, motoras, cognitivas e social do recém-nascido (RN), tem início na vida uterina. Quando o feto se encontra no ventre materno, ele recebe estímulos táteis em contato com a parede do útero, estímulos vestibulares pelo movimento do corpo da mãe e por suas próprias trocas de posições e estímulos proprioceptivos (TRONCO et al, 2015).

E, na maior parte do tempo ele dorme, contribuindo para que o seu organismo, que se encontra em desenvolvimento, tenha a capacidade de receber os diversos estímulos de forma adequada e controlada a partir do seu nascimento (KAZEMIER et al, 2014).

Segundo Otoni (2014), entre o sexto mês de gestação até os dois anos de vida de uma criança ocorre a maior progressão cerebral. Porém nem todas as gestações são a termo, vários são os casos de nascimento de RNPT, nascidos antes de 37 semanas, que são classificados de acordo com a idade gestacional (IG) a saber: prematuros extremos com menos de 28 semanas, muito prematuros entre 28 e 32 semanas e prematuros tardios entre 32 e 37 semanas de IG.

Demartini (2016) a etiologia do nascimento pré-termo é multifatorial envolvendo fatores características biológicas da mãe, condições materna e de gestação (assistência ao pré-natal; intercorrências da gestação; características fetais), abrangendo também questões psicossociais (uso de fumo, álcool e drogas, trabalho, atividade física). As diferentes causas do parto prematuro variam de acordo com a idade gestacional, fatores genéticos, sociais e ambientais, podendo ocorrer de forma espontânea ou por indicação médica devido aos riscos maternos e ou fetais.

Outros fatores que se correlacionam com o nascimento de prematuros são, precárias condições de moradia, de nutrição, de saúde; saneamento básico deficitário; baixo nível de escolaridade; uso de drogas, e ausência ou inadequado acompanhamento pré-natal (CARVALHO; PEREIRA, 2017).

No que se refere a assistência pré-natal, a não realização, o início tardio, o número reduzido de consultas ou a baixa qualidade destas, aparecem como risco de nascimento pré-termo. Estudos realizados em diversos países apresentam diferenças significativas quando relacionam nascimento pré-termo a não assistência prénatal (BLENCOWE, e.t al., 2013).

Os efeitos da prematuridade podem perdurar ao longo da vida da criança, tendo como consequência da internação prolongada e de possíveis complicações sequelas principalmente, neurológicas, pulmonares e oftalmológicas afetando diretamente o crescimento e desenvolvimento da criança (PESSOA, 2015).

2.2.1. Desenvolvimento motor RNPT

A prematuridade é um fator capaz de comprometer o desenvolvimento motor da criança, uma vez que torna seu sistema nervoso central e sensório-motor imaturos, e mais vulneráveis em relação aos das crianças nascidas a termo.

De acordo com Barbosa et. al. (2017), o desenvolvimento infantil se inicia desde a vida intrauterina e envolve diversos aspectos como o amadurecimento neural para que ocorram as aprendizagens, e assim, o recém-nascido possa adquirir habilidades sendo elas motora, afetiva, cognitiva e social. O desenvolvimento é um processo que está em constantes transformações, onde todos os cuidados, seja de saúde ou maternal, podem influenciar de forma decisiva (OLIVEIRA, 2015).

Os bebês prematuros são mais vulneráveis ao atraso de desenvolvimento motor, devido à chegada antecipada ao mundo, interrompendo o processo de maturação neural, podendo trazer consequências funcionais, comportamentais ou cognitivas (BARBOSA et. al., 2017)

Segundo Pereira (2016), o comprometimento do desenvolvimento motor de prematuros, assim como o atraso motor, está associado a diversos fatores biológicos relacionados ao nascimento, tais como: idade materna, idade gestacional, baixo peso de nascimento, lesão da substância branca cerebral e morbidades associadas.

A fisioterapia precoce oferece uma grande quantidade de estímulos ao bebê prematuro, sempre levando em consideração suas principais dificuldades com relevância na ausência ou presença de reflexos ou reações de acordo com o desenvolvimento motor (SILVA, 2017).

O conhecimento sobre o desenvolvimento neuropsicomotor é fundamental para o fisioterapeuta, pois a partir do momento que se reconhece o desenvolvimento típico ou normal, se está apto para reconhecer situações atípicas. Essas situações incluem os atrasos e as condições patológicas que alguns prematuros podem apresentar, que requerem intervenção fisioterapêutica com o objetivo de prevenção ou reabilitação.

2.3.A FISIOTERAPIA NA ESTIMULAÇÃO PRECOCE DO RNPT

Durante o período de internação na (UTIN) unidade de terapia intensiva neonatal, os recém-nascidos estão recebendo frequentemente estímulos nocivos, como as próprias intervenções invasivas, a maioria dos bebês que estão expostos a esses riscos são prematuras e geralmente ficam longos períodos hospitalizados na mesma posição, até atingir a estabilidade clínica para a alta hospitalar. O prematuro apresenta constantemente alterações no seu desenvolvimento, como o peso, altura, deficiência de atenção e de linguagem em comparação aos recém-nascidos a termo (ARAKAKI et al., 2015).

A importância da estimulação precoce é modular o tônus e permitir que, pela neuroplasticidade (conexões sinápticas modificadas pela demanda funcional), a criança possa experimentar movimentos e posturas normais desde seu nascimento, favorecendo sua habilitação. Caso contrário, se a criança começar a realizar movimentos e posturas anormais durante o seu desenvolvimento estará aprendendo a interagir com o mundo em padrões anormais, reforçando circuitos neuronais de comportamentos anormais, dificultando e limitando sua qualidade de vida.

Conforme Santos et al., (2015) a estimulação precoce tem como objetivo melhorar respostas motora, cognitivo e amadurecer os sistemas em desenvolvimento no prematuro. Através de exercícios específicos e elaborados de acordo com a natureza do recém-nascido. Buscando melhor desenvoltura nas suas funções diárias, adaptando cada vez mais ao ambiente externo e os reeducando suas funções fisiológicas.

O impacto da estimulação precoce já pode ser visto em curto prazo em recém-nascidos pré-termo e com baixo peso. Proporcionando o fortalecimento do vínculo materno e promovendo maiores ganhos para o desenvolvimento do neonato, a alta hospitalar ocorre de forma mais breve (AMARANTE et al, 2021).

Crianças que nascem prematuras apresentam nos primeiros dias de vida hipotonia de membros inferiores, ausência do controle da cabeça, movimentos abruptos e pouca habilidade para seguir e fixar objetos. Fator que melhora com o amadurecimento progressivo adquirindo assim melhor desenvolvimento motor. E em comparação ao RNAT, os prematuros são mais estimuláveis e tendem a terem hipotonia flexora de membros e hipotonia extensora no pescoço
quando estão sentados (SANTOS et al, 2015).

A EP consiste no planejamento de técnicas psicomotoras específicas a cada faixa etária, através do ensinamento de estímulos sensoriais que condicionam a criança a apresentar uma interação maior com o seu meio, obedecendo à sua constituição com liberdade de expressão para todas as suas percepções. Focado nisso Souza et al.(2019) afirmam que a estimulação precoce é uma ferramenta importante para determinar estímulos e treinamentos adequados nos primeiros anos de vida, de forma a garantir à criança uma evolução tão normal quanto possível.

Antes de iniciar qualquer tipo de intervenção, o neonato deverá ter uma capacidade mínima de controlar suas funções fisiológicas basais e responder aos estímulos do meio ambiente. Portanto, é imprescindível compreender que a quantidade de estímulos proporcionados está diretamente relacionada à sua capacidade, possibilidades e interesses, por isso não necessita forçar o RNPT, nem deixá-lo cansado, pois a eficácia dessa relação é estar ciente de suas capacidades e da medida exata de estímulos necessários para supri-las (ALMEIDA et al., 2014).

Através da estimulação precoce a fisioterapia pode promover ainda um significativo resultado na redução ou alívio da dor, corrigir posicionamentos inadequados e dá orientações aos pais em relação ao manejo e estímulos corretos a serem realizados, estes envolvem intervenção auditiva, visual, tátil, proprioceptiva e vestibular, por meio de atividades motoras precoces (SILVA et al., 2017).

Segundo Almeida et al., (2014), a fisioterapia neonatal baseia-se na interação sensorial, posicionamento terapêutico, facilitação proprioceptiva e neuromuscular, que colaboram para o desenvolvimento e crescimento do neonato e são característicos para reorganização do tônus global, inibição dos padrões de postura, movimentos anormais, estimulação proprioceptiva, ampliação do limiar de sensibilidade cinestésica e tátil e adaptação do comportamento autorregulatório, prevenindo possíveis anormalidades musculoesqueléticas iatrogênicas.

3- METODOLOGIA

A presente pesquisa trata-se de um estudo bibliográfico, do tipo revisão integrativa da literatura a respeito da importância da Fisioterapia na estimulação precoce de RNPT na UTI neonatal.

A escolha do estilo metodológico se deu a partir do entendimento de que a revisão bibliográfica visa a realização de um agrupamento de diferentes pensamentos de forma que isso forneça subsídio para a criação de uma compreensão ampliada acerca do assunto (BOTELHO, 2011).

Para a realização de uma revisão bibliográfica com uma qualidade melhor é importante se escolher a técnica que será realizada, o rigor metodológico garante ao autor maior precisão no momento da busca e a efetivação de uma pesquisa bibliográfica mais sistemática, dessa maneira optou-se para realizar uma revisão bibliográfica do tipo integrativa (BOTELHO, 2011; SOUZA; VIEIRA; SEVERINO; ANTUNES, 2017).

A pesquisa teve como base a seguinte pergunta norteadora: quais as evidências na área da saúde acerca da importância da estimulação precoce em recém-nascidos prematuros, em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal?

A busca foi efetuada através da pesquisa no Portal Regional da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), na qual foram delimitadas as bases de dados da Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Medical Literature Analyses and Retrieval System Online (MEDLINE) e Base de dados de Enfermagem (BDENF).

Optou-se por se utilizar um recorte temporal de publicações dos últimos dez anos, além de serem empregado os descritores específicos, disponíveis no Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), que são eles: Prematuridade; Estimulação Precoce; Fisioterapia; Unidade de Terapia Intensiva Neonatal.Tais descritores serão associados pela utilização do operador booleano “AND”.

Para a realização da terceira etapa do estudo foram empregados os critérios de inclusão e exclusão. Sendo os critérios de inclusão: artigos publicados na íntegra, disponíveis eletronicamente, de maneira gratuita, dentro do corte temporal estabelecido, nos idiomas português e inglês, que estejam dentro da temática proposta. Os critérios de
exclusão foram: artigos repetidos, que não contemple o tema proposto ou que não estejam coerentes com os descritores estabelecidos; além de dissertações, monografias e teses. Para a fase de seleção dos estudos foi realizada a análise dos mesmos, primeiramente através do título, autor e ano de publicação; posteriormente foram analisados os resumos dos artigos e por fim foram lidos os estudos por extenso. A amostra inicial conteve 98 artigos, após leitura e aplicabilidade dos critérios, foram selecionados 07 que atendiam na íntegra o objetivo da pesquisa. Os resultados foram apresentados em formado de tabela e discutidos posteriormente.

4- RESULTADOS E DISCUSSÃO

A prematuridade é uma condição de risco para desvios nos padrões do DNPM, já que, acontece a descontinuação no avanço da formação das estruturas cerebrais. A EP consiste no planejamento de técnicas psicomotoras específicas a cada faixa etária, através do ensinamento de estímulos sensoriais que condicionam o recém-nascido a apresentar uma interação maior com o seu meio, obedecendo à sua constituição com liberdade de expressão para todas as suas percepções (AMARANTES et al , 2021).

Segundo Barbosa et al (2017), os bebês pré-termo são mais vulneráveis ao atraso de desenvolvimento motor, pois a prematuridade interrompe os processos de maturação do cérebro, o que pode levar a alterações estruturais e de forma anatômica, trazendo como resultado incapacidades funcionais, comportamentais e cognitivas. A intervenção precoce é indispensável, uma avaliação motora cautelosa,sistematizada através de testes de triagem do desenvolvimento, com o auxílio de escalas de avaliação motora confiáveis, é possível quantificar possíveis déficits no desenvolvimento motor do prematuro.

A fisioterapia tem o papel fundamental de dar oportunidade para o bebê se desenvolver normalmente, ajudando na sua organização global, ou seja, diagnosticar alterações no desenvolvimento neuropsicomotor. O planejamento de intervenções em fisioterapia, através da estimulação precoce em bebês prematuros, traz vários benefícios e potencializa seu desenvolvimento neuropsicomotor. Assim, seja qual for a causa da prematuridade, ao identificar o atraso, esses programas devolvem aos bebês, após meses de tratamento, uma melhora significativa quanto aos padrões motores normais de cognição e comportamento (SILVA, 2017).

Camargo; Pereira; Moran (2017), relatam em seu estudo, que a estimulação precoce consiste no planejamento de técnicas sensório motoras específicas a cada faixa etária, por meio de estímulos sensoriais que direcionam a criança a maior interação com o seu meio. A estimulação sensória motora engloba programas centrados na prevenção de alterações, logo após o nascimento, quando o cérebro apresenta intensa neuroplasticidade. A técnica consiste em atividades de integração sensorial, que impõem estímulos adequados nos primeiros anos de vida, de forma a garantir à criança uma evolução tão normal quanto possível, bem como de efeitos na aquisição da linguagem, na socialização e na estruturação subjetiva, podendo contribuir, inclusive, na estruturação do vínculo mãe/bebê e na compreensão e no acolhimento familiar desses prematuros.

Theis; Gerzson; Almeida (2016), em seu artigo, relatam que a fisioterapia motora está entre os procedimentos utilizados com a preocupação de diminuir atraso no desenvolvimento neuropsicomotor dos recém-nascidos (RNs). a função do fisioterapeuta no atendimento em UTIs neonatais é identificar o melhor tratamento, a fim de intervir precocemente nas possíveis disfunções motoras advindas do tempo de internação prolongado dos RNs. Cada vez mais, a inserção do profissional fisioterapeuta se faz necessário na assistência multidisciplinar ao recémnascido pré-termo.

Para Vasconcelos (2019), a prematuridade é o maior fator de risco para atrasos no DNPM, no entanto não é o único. A prematuridade é um dos principais fatores desencadeantes de riscos e complicações neonatais, acarretando o desenvolvimento no recém-nascido. Esse acompanhamento, o qual deve ser multiprofissional e insere o fisioterapeuta, garante a maior facilidade do acesso, mais precoce, através da avaliação, diagnóstico diferencial, trata mento e reabilitação, inclusive a Estimulação Precoce (EP), das que necessitem de cuidados especializados.

Medidas de assistência terapêutica nessa população têm sido documentadas e incluem o Fisioterapeuta como profissional importante na assistência dos RNPT internados em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). A estimulação realizada pelo fisioterapeuta, tátil, cinestésica e vestibular apresentam-se como meios para facilitar e manter o desenvolvimento, além de contribuir para o tratamento da doença metabólica óssea, diminuir a dor, estabilizar o padrão motor, o tônus muscular, estimular o desenvolvimento neuropsicomotor, o ganho de peso e a melhor resposta comportamental e motora do RNPT (OLIVEIRA; MENDONÇA; FREITAS, 2015).

5-CONSIDERAÇÕES FINAIS

O nascimento prematuro é um problema grave de saúde pública, sendo o principal responsável pela elevada morbidade e mortalidade neonatal. A contribuição tecnológica sem dúvidas é responsável pela maior sobrevida dessa população, mas para melhorar sua qualidade de vida, é necessário estabelecer programas de estimulação precoce pelo fisioterapêutica de forma contínua e sistematizada nas UTIN, associadas a ações coletivas de toda equipe
multiprofissional.

O presente estudo mostra que o enfoque fisioterapêutico deve abranger de forma global a rotina do RNPT, visto que a interação família-criança traz consequências favoráveis e necessárias ao desenvolvimento motor e social.

Vale ressaltar que o tratamento com uma equipe multidisciplinar é de grande relevância na evolução do RNPT, já que trata cada dificuldade de modo particular, desenvolvendo estratégias de prevenção, orientação e tratamento, afim de minimizar os efeitos causados pela prematuridade.

A revisão integrativa deste estudo proporciona uma compreensão dos benefícios causados pela estimulação precoce em bebês prematuros, construindo conhecimento em fisioterapia e buscando atualizar fisioterapeutas na prática clínica.

Conclui-se que a estimulação precoce realizada pelo Fisioterapêuta promove benefícios durante o processo evolutivo do RNPT e aproxima a idade corrigida da idade cronológica. Sendo de extrema importância no desenvolvimento neuropsicomotor do bebê prematuro, principalmente, quando iniciada na UTI neonatal.

Com o objetivo de minimizar sequelas neuropsicomotoras, redução do tempo de internação e maior chance de sobrevivência com qualidade de vida a curto e longo prazo. Sugerimos mais estudos clínicos utilizando estas estratégias fisioterapêuticas de estimulação precoce, para fortalecer a atuação do fisioterapeuta baseada em evidências.

6- REFERÊNCIAS

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ARTIGO PUBLICADO EM 12/06/2025



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