A Contribuição da Fisioterapia no Trabalho Interdisciplinar no Processo de Qualidade de Vida dos Idosos Institucionalizados
Trabalhar o idoso num enfoque Interdisciplinar é trabalhar uma possibilidade no processo de saúde, compreendendo a saúde como equilíbrio físico, psíquico, social e espiritual.
O tema qualidade de vida segundo Marco (2006) é visto no sentido da autonomia da pessoa idosa como uma condição de satisfação de necessidades. No âmbito da saúde quando visto no sentido ampliado ele se apóia na compreensão das necessidades humanas fundamentais, matérias e espirituais, e tem no conceito de promoção da saúde ser o foco mais relevante. Quando vista de forma mais focalizada a qualidade de vida em saúde está centralizada na capacidade de viver sem doença ou de superar as dificuldades dos estados ou condições de morbidade.
A OMS em seu estudo multicêntrico define a qualidade de vida como a percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida, no contexto da cultura e dos sistemas de valores nas quais ele vive e em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações (Minayo, 2000).
Desde os anos 60 o grupo de idosos passou a ser o grupo etário de crescimento mais expressivo. No período de 1950 a 2025, segundo a OMS,o grupo de idosos no Brasil devera ter aumentado 15 vezes, enquanto que a população total só terá aumentado em 5 vezes. O país com isso ocupará o sexto maior grupo de idosos do mundo, 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2025 (Machado, 2006).
Promover um envelhecimento saudável garantindo uma melhor qualidade de vida passou a ser um resultado esperado nos setores assistenciais e na política pública. De acordo com SUS o pacto pela vida tráz metas pertinentes as questões do envelhecimento: promoção do envelhecimento ativo e saudável; atenção integral integrada à saúde da pessoa idosa; fortalecimento da participação social; implantação de serviços e atenção domiciliar entre outras (Leite, 2010).
Segundo Zimerman (2000), o desgaste do organismo com o passar dos anos é inevitável. Apesar da velhice não ser uma doença, é uma fase na qual o ser humano fica suscetível a elas. O envelhecimento é um processo e, como todo processo, ninguém envelhece de um dia para outro.
À medida que a idade vai aumentando cronologicamente as pessoas passam a ficar menos ativas. Suas capacidades físicas diminuem, o corpo emocional também sofre um declínio ficando mais suscetível às depressões, melancolias, transtornos de humor, isolamento e afastamento social. O sentimento de velhice muitas vezes está ligado ao sentimento de inutilidade e dependência.
Papaléo Neto (2002) salienta que o envelhecimento é conceituado como um fenômeno dinâmico e progressivo, no qual há modificações morfológicas, funcionais, bioquímicas e psicológicas que determinam perda da capacidade de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos patológicos que terminam por levá-lo à morte.
Conforme relatam Mazo et al (2005) as mudanças decorrentes do envelhecimento fazem da terceira idade um período de grande necessidade de ajustamento emocional. A forma como cada indivíduo se adapta ás mudanças físicas, intelectuais e sociais determinará um envelhecimento saudável ou repleto de dificuldade.
Já passamos a fase das grandes epidemias por doenças infecto-contagiosas e virais. Hoje as doenças cujo principal fator de risco é o próprio envelhecimento, tendem a assumir proporções cada vez maiores. Podemos citar como exemplo a doença de Alzheimer que é uma doença neuro-degenerativa caracterizada por perdas cognitivas. A prevalência desta doença praticamente dobra a cada 5 anos após os 65 anos de idade (Freitas, 2002).
Esse é um dos sinais de alerta para profissionais de saúde e gestores públicos, pois essa proporção pode atingir níveis até epidêmicos. È um desafio para enfrentar advindos do envelhecimento populacional.
A divulgação da Carta de Ottawa que é um dos documentos fundadores da promoção da saúde atual diz que este termo está associado a um conjunto de valores: qualidade de vida, saúde, solidariedade, equidade, democracia, cidadania, desenvolvimento, participação e parceria.
Segundo Buss (2000) refere-se também a uma combinação de estratégias, ações do Estado (políticas publicas saudáveis), da comunidade (reforço da ação comunitária), da individualidade (desenvolvimento de habilidade de pessoas), do sistema de saúde (reorientação do sistema de saúde) e de parcerias intersetoriais. Isto é, trabalha com a idéia de responsabilização múltipla seja pelos problemas seja pelas soluções propostas para os mesmos.
Sendo a Geriatria uma especialidade de abordagem multidisciplinar, pois os idosos geralmente têm diversos problemas concomitantes, dessa forma podem-se abranger os mais diferentes aspectos do envelhecimento conseguindo com isso índices altos de sucesso.
Papaléo Netto (2002) expõe que a Geriatria se estrutura atualmente no contexto Gerontológico. A Gerontologia por sua vez pode ser estruturada segundo o autor como um campo científico “multi e interdisciplinar” cujas finalidades são: o estudo das pessoas idosas com características da velhice, enquanto fase final do ciclo de vida, como o processo de envelhecimento e seus determinantes biopsicossociais.
Segundo Ghorayeb e Barros (1999) Quando uma pessoa apresenta algum tipo de limitação ou desconforto físico e mental, significa que esta sofre por algum motivo um decréscimo qualitativo em suas atividades cotidianas.
Trabalhar, portanto o indivíduo idoso numa equipe multidisciplinar é ampliar a possibilidade de melhoras em seu contato com a vida. É ser observado pelos profissionais envolvidos num mesmo contexto, sendo estimulada cada necessidade com interação e de forma plena.
O papel do fisioterapeuta no trabalho com idosos está relacionado com a promoção, manutenção, recuperação, prevenção, reduzir probabilidades de quedas, fortalecimento muscular, equilíbrio, propriocepção, coordenação motora e orientação ao paciente, trabalhando sua qualidade de vida e proporcionando bem estar.
Trabalhar o idoso em seu aspecto psíquico é promover o autoconhecimento, ajudando no reconhecimento dos limites e possibilidades, auxiliando nas expressões emocionais, significando as mágoas, raivas, tristezas e estimular a pulsão de vida. O indivíduo que mantém equilíbrio emocional, tem melhora no sistema de imunidade, protegendo-se também das doenças psicossomáticas, afastando as depressões. Mais expandido para a vida ele permite-se a fazer mais trocas saudáveis e busca seu bem estar.
Em interface com a gerontologia, a fonoaudiologia vem integrar a equipe multidisciplinar, buscando adotar conceitos e ações terapêuticas mais abrangentes de acordo com os avanços técnico-científicos. Através da prática clínica preventiva visa manter o idoso inserido em suas atividades do cotidiano, tais como, comunicação, alimentação, higiene, cognição, socialização, integração familiar, através do diagnóstico e reabilitação proporcionando um envelhecimento de forma produtiva com melhora e/ou manutenção de sua qualidade de vida.
A terapia ocupacional tem sua conduta norteada pelo uso da atividade humana como meio de tratar e/ou reabilitar e prevenir perdas naturais do processo de envelhecimento. Para tanto podemos utilizar atividades lúdicas através de jogos cognitivos, auto-expressivas como pintura e desenho, atividades de expressão corporal, Atividades de Vida Diária entre outras.
De acordo com o perfil do cliente os aspectos a serem abordados são definidos: percepção de esquema corporal, senso percepção, auto-estima, auto-cuidados, sempre focando na autonomia e independência do individuo. Portanto qualidade de vida e envelhecer de forma ativa e saudável é a soma de todos esses aspectos. É estimular o desejo de cuidar-se e viver.
O manter-se ativo pode ser associado ao “manter-se vivo”, é afastar-se do sedentarismo, da ruminação de fixações de pensamentos depressivos e dos preconceitos.
Envelhecer satisfatoriamente depende do equilíbrio entre as limitações e as potencialidades do indivíduo e nas pesquisas atuais, busca-se determinar que os mecanismos compensatórios e adaptativos permitam envelhecer com qualidade de vida e bem estar do ponto de vista biopsicossocial e aumentar o conhecimento sobre as reservas inexploradas do idoso e seu potencial para mudança de maneira a identificar condutas que levem a um envelhecimento bem sucedido.
O processo de envelhecimento determina uma maior susceptibilidade ao desequilíbrio entre as condições de saúde e doença, aumentando a vulnerabilidade físico-funcional e a fragilidade. Isso caracteriza as conhecidas “perdas em cascata”, que agravam progressivamente o estado de saúde do idoso, levando a um colapso de função e a morte.
As ações voltadas à saúde do idoso devem, portanto permitir a permanência de atividade e manter a qualdiade de vida, mesmo na presença de doença ou incapacidades considerando sempre as individualidades de cada um.
O corpo humano é o meio pelo qual o indivíduo se desloca, se expressa e permite realizar todas as atividades da vida diária. Para tanto é necessário cuidar da saúde para ter um retorno funcional significativo. Os benefícios que os exercícios proporcionam ao indivíduo, em especial ao idoso, são inúmeros: o corpo muda, torna-se ágil, descobre sensações e formas de movimentos antes desconhecidas, se aceita melhor, melhora a auto-estima e as reações com o meio, entre outros. Todos estes aspectos repercutem em seu bem estar e até alguns medicamentos tornam-se desnecessários para determinadas doenças ou alterações fisiológicas.
A prevenção de doenças e deficiências, tanto de ordem física, quanto psíquica é conseguida através da prática de atividades físicas, quando algumas modificações atribuídas ao processo de envelhecimento podem ser retardadas, também reduzindo e/ou eliminado os fatores de risco. O ideal é que estas atividades sejam realizadas individualmente, de forma personalidade e pensada em função das capacidades das características e peculiaridades de cada organismo. A assiduidades e disciplina do idoso em relação a atividade também são importantes, pois desta foma, permite observar uma evolução no quadro geral. (Pickles 1998).
Hoje as condutas políticas de saúde procuram trabalhar no foco da manutenção da Qualidade de Vida. Segundo Alleyne GAO (2001) as condutas e tratamentos devem ser avaliados através de variáveis subjetivas que incorporem as percepções dos indivíduos em relação a seu bem-estar.
A partir desse olhar, não só curiosas em entender melhor a situação biopsicossocial do idoso brasileiro, mas almejando ajudá-los, desenvolvemos essa pesquisa que é um projeto piloto iniciando com o grupo de idosos institucionalizados, que parecem apresentar mais carências biopsicossociais, para depois ampliar esse trabalho com outros grupos de idosos.
Segundo Gorayeb e Barros (1999, p.40), “Quando uma pessoa apresenta algum tipo de limitação ou desconforto físico e mental, significa que esta sofre por algum motivo um decréscimo qualitativo em suas atividades cotidianas.”
O trabalho com esses idosos na instituição Casa dos Pobres- São Francisco de Assis – Caruaru PE, após passar pelo processo de avaliação multidimensional recebe o nome de Grupo Movimento. Denominado dessa forma por utilizar a música, cânticos, dança, jogos brincadeiras, movimentos corporais leves, de alongamento e respiratórios. Trabalhando a inclusão da consciência em cada atividade desenvolvida para ampliar a conexão consigo mesmo e com a vida.
Esse grupo é um convite a movimentar-se, mexer-se, viver, permitindo que a energia da pulsão de vida flua livremente.
Segundo Pavan et al (2008). As instituições de idosos aceleram as perdas funcionais já que os mesmos são submetidos às rotinas estabelecidas e perderam seus direitos de expressar seus desejos e deveres. Raramente há propostas de incentivos à independência e autonomia. Muitos apresentam uma boa aceitação asilar referindo considerar os colegas como “família”.Outros relatam à convivência asilar como “depósito de velhos” pois perderam contato com familiares, amigos, vizinhos, com o meio social e a independência ,além de sentirem-se enganados com falsas promessas de retorno para casa ou terem sido levados aos asilos à revelia.
Portanto a importância da compreensão do processo de envelhecimento no contexto amplo (biopsicossocial) e humanizado é urgente.
Algumas culturas como a dos japoneses e chineses, algumas tribos indígenas têm na figura do idoso o modelo de sabedoria, respeitando-os e elevando-os. Já a cultura americana dá importância a produtividade, o financeiro e a beleza. Assim pode-se pensar que o envelhecer carrega o peso da impotência, pela pouca produtividade.
Percebendo que o envelhecer envolve muitos processos que não apenas o físico, optamos por desenvolver essa pesquisa numa abordagem Interdisciplinar trabalhando o mesmo grupo de idosos com as estimulações correspondentes a cada área profissional dos participantes (Fisioterapeuta, Fonoaudióloga , Psicóloga e Terapeuta Ocupacional).
Os exercícios de fisioterapia têm como finalidade manter e melhorar a condição física de modo a ter uma melhor qualidade de vida.
Dentro desta perspectiva a fisioterapia vai preservar a função motora, promover o adiamento da instalação de incapacidades decorrentes do envelhecimento, do tratamento das alterações e dos sintomas provenientes de doenças crônico-degenerativas e agudas, bem como a reabilitação funcional do idoso, de acordo com suas possibilidades físicas. Para tanto, no aspecto preventivo a fisioterapia utiliza alguns recursos: a cinesioterapia profilática, com exercícios físicos globais e especializados, aplicados individualmente ou em grupo, visando a manutenção da funcionalidade do idoso; medidas de educação para a saúde, orientações posturais, análise ergonômica do ambiente onde vive o idoso, para melhoria de sua mobilidade e eliminação do risco de quedas. (Pickles,1998).
A Fisioterapia preventiva está presente em todos os níveis da saúde, sempre buscando a manutenção ou melhora do estado funcional.
Além da conduta fisioterapêutica específica, no âmbito preventivo deve constar também a educação dos idosos, familiares e cuidadores, quanto aos fatores de risco.
A promoção da saúde no âmbito da gerontologia representa um desafio emocionante para o fisioterapeuta, é preciso lembrar em todos os atos, atividades e intervenções que os idosos praticam. Promover a saúde junto aos idosos deve tornar-se um hábito constante. Isso significa que o Fisioterapeuta deve promover a saúde ao se relacionar com o idoso de forma individual, organizar ou colaborar na organização das atividades destinadas a promoção de saúde. (Pickles,1998; Duncan e Studenski,1994;Podsiadio e Richardson, 1991).
MÉTODO
Estudo transversal realizado entre 2009 e 2010, foi realizado em uma Instituição de Longa Permanência, localizado no município de Caruaru, que abriga 74 idosos entre 60 e 98 anos, sendo 44 idosos do sexo masculino e 30 do sexo feminino.
A seleção dos sujeitos considerou o procedimento para coleta dos dados iniciou-se a partir da aplicação do índice de Katz nos 74 idosos residentes na instituição. Destes, 29 tiveram resultados satisfatórios para continuarem no processo seletivo por apresentarem independência e foram submetidos ao MEEM. Após essa etapa, 7(sete) idosos foram excluídos por não atingirem a pontuação necessária. Dos participantes restantes, 2(dois) foram enquadrados nos critérios de exclusão por serem consideradas pessoas com deficiência. Ocorreu um óbito e uma transferência, totalizando 18 idosos aptos a permanecerem no processo seletivo. Esses integrantes foram submetidos ao teste Get Up&Go e todos, atingiram o escore necessário para permanecer na pesquisa.
O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Associação Caruaruense de Ensino Superior (ASCES), protocolo N° 610\09. Recebeu autorização da instituição supracitada e os residentes tiveram sua participação autorizada através do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.
Considerou-se critério de exclusão, idosos com incapacidade funcional, demência e ou deficiência física. Para este fim, foi utilizado o Índice de Katz que avalia a capacidade funcional do indivíduo idoso.De acordo com as 6 (seis) atividades de vida diária, os idosos são classificados em três categorias;independente total, dependente parcial e dependente total. (Duarte et al 2007).
Também foi utilizado o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM), elaborado por (Folstein et al 1975), que verifica; concentração, memória, orientação espacial, temporal e linguagem. É composta por duas partes, a primeira requer somente respostas verbais avaliando a atenção, orientação e memória e a segunda parte avalia a habilidade de escrever uma sentença, nomear objetos, executar comandos verbais e escritos e copiar um polígono. A pontuação máxima do teste é de 30 pontos, no presente estudo dos 30 pontos, considerou-se ponto de corte de 13 para analfabetos, 18 para idosos com 1 a 7 anos de escolaridade e 26 para aqueles com 8 ou mais anos de escolaridade. (Bertolucci et al, 1994).
Para medir equilíbrio e mobilidade dos idosos o teste utilizado foi o Get Up & Go Test. A proposta deste teste é avaliar o equilíbrio sentado, transferência de sentado para posição de pé, estabilidade na deambulação e mudança de curso da marcha, sem utilizar estratégias compensatórias. É considerado independente o indivíduo que realizar essa atividade em 10 segundos ou menos, já aquele capaz de realizar em 20 segundos ou menos considera-se independente em transferência básica, e os que realizam em 30 segundos ou mais são dependentes em suas habilidades motoras e atividade diária.(Mathias et al, 1986).
Além dos testes citados foi utilizada a Escala de Depressão Geriátrica em versão reduzida de Yesavage (GDS-15). É um teste para detecção de sintomas depressivos no idoso, com 15 (quinze) perguntas negativo o afirmativa onde o resultado de 5 (cinco) ou mais pontos diagnostica depressão e o escore igual ou maior que 11 (onze) caracteriza depressão grave (Almeida & Almeida, 1999).
Por fim, Qualidade de Vida neste estudo, foi avaliada pelo instrumento SF-36 (Short Form Health Survey), questionário genérico de avaliação, validado no Brasil, em 1999 por Ciconelli. Divide-se em duas partes, sendo a primeira para avaliar o estado de saúde e a segunda para avaliar o impacto da doença na vida diária do idoso. É um questionário multidimensional, composto por 36 itens contendo questões sobre a capacidade funcional, aspectos físicos, dor, estado geral da saúde, vitalidade, aspectos sociais, aspectos emocionais e saúde mental. Apresenta um escore final de 0 a 100, no qual o 0 (zero) corresponde ao pior estado de saúde e 100 (cem) ao melhor estado de saúde (Ware, 1992).
Concluiu-se o processo de seleção para esse estudo, com 18 idosos; sendo 12 do sexo feminino e 6 do sexo masculino. A estes foi aplicada a Escala de Depressão Geriátrica, Get Up, MEEM, Índice de Katz e o questionário SF-36, uma vez antes da intervenção interdisciplinar e uma vez após a realização dos 15 (quinze) encontros para o processo comparativo.
As atividades foram realizadas no pátio da instituição, um espaço livre, com mesas e cadeiras e boa ventilação e iluminação, onde os residentes já haviam realizado anteriormente atividades de lazer. Os estímulos iniciaram com o uso do calendário do ano corrente e relógio com ponteiros e números, para a orientação temporal, após essa etapa, foi realizada a utilização de músicas regionais e de domínio público com movimentos corporais, e expressão corporal. Durante a estimulação corporal, visou-se, lateralidade, coordenação motora bilateral e ritmo com exemplificação motora, concomitantemente estímulos cognitivos através de comandos verbais, esperando respostas motoras.
Para a análise dos dados, utilizamos os Softwares SPSS13. 0 para Windows e o Excel 2003, todos os testes foram aplicados com 95% de confiança.Os resultados estão apresentados em forma de tabela, as medidas descritivas média e desvio – padrão.O teste Estatístico para avaliar o tratamento dentro do grupo foi o Teste Pareado:de Wilcoxon (não normal).
O trabalho de fisioterapia com idosos está relacionado com a promoção, manutenção, recuperação, prevenção e redução da probabilidade de quedas, fortalecimento muscular, equilíbrio, propriocepção, coordenação motora e orientação ao paciente, trabalhando sua qualidade de vida e proporcionando bem estar.
Neste módulo, os idosos foram trabalhados num Grupo Movimento, numa abordagem Interdisciplinar, com exercícios físicos leves, trabalhos respiratórios, dinâmica em grupo, alongamentos, fortalecimento muscular.
Cada atividade foi desenvolvida com conscientização para ampliar a conexão com a vida. Jogos interativos e danças foram usados para estimular a troca social e reforçar a auto-estima.
De forma geral (atuação interdisciplinar) foram realizadas as seguintes atividades: Estimulação Cognitiva Iniciando caminhada com música com passos lentos e acelerando de acordo com as possibilidades, tomando consciência do corpo usando a respiração para carga e descarga energética; Alongamento com atividades respiratórias, estimulação do toque, rosto, braços, pernas sentindo seu corpo, Jogos e brincadeiras interativas com dinâmica de grupo; Dança individual, em dupla, e em grupo com cantigas regionais sempre trabalhando as emoções e as trocas sociais.
De forma específica, a atuação da fisioterapia se deu sob as seguintes atividades: Exercícios respiratórios (melhora a função dos músculos respiratórios e favorece a função respiratória, permitindo uma melhor tolerância ao esforço e retardando a sensação de fadiga), exercícios para Melhorar equilíbrio e coordenação (Põem em funcionamento os mecanismos que nos permitem caminhar, Flexão plantar fortalece a musculatura do tornozelo e gastrocnêmio, com os pés totalmente apoiados no chão, fica nas pontas dos pés, o mais alto que puder, levando 3 segundos para subir, permanecer 1 segundo e levar 3 segundos para voltar a posição inicial.
Flexão do joelho fortalece a musculatura posterior da coxa e gastrocnêmio, ficar em postura ereta, o executante deve flexionar o joelho, tirando o pe do chão, de maneira que o tornozelo va o mais alto possível. Flexão do quadril, em pe o movimento de levantar a perna por 3 segundos fortalece os músculos da coxa e do quadril. Extensão do quadril fortalece os músculos da região posterior coxa e da região glútea, em pe com os pés ligeiramente afastados um do outro, o tronco deve esta inclinado apoximadamente 45º para frente, a perna deve ser erguida para trás sem flexão do joelho. Elevação lateral dos membros inferiores fortalece os músculos da região lateral da coxa e do quadril, executante permanecer em postura ereta, com os pés ligeiramente afastados elevar lateralmente cada membro, o tronco deve permanecer sempre reto e as pernas estendidas, os pés devem esta apontados para frente. Levantar e sentar sem utilização das mãos fortalece os músculos do abdome, costas, quadril e da coxa.), Retardar o máximo a imobilidade; Melhorar a flexibilidade; Restaurar a força muscular para manutenção de suas atividades diárias; Produzir bem estar; Reduzir a tensão muscular; Diminuir ansiedade; Relaxamento das tensões musculares Remove a fadiga, aumento da circulação sanguínea, Alívio da dor, aumento dos movimentos nas articulações. (Kruel, 2001)
RESULTADOS
Com relação à variável Get Up and GO, o grupo apresentou um desempenho médio após tratamento, sendo o valor médio do desempenho diminuindo de 17,22 segundos para 15,83 segundos e a diminuição foi estatisticamente significativa (p-valor=0,001).
TABELA 1. Get Up and GO
| Variáveis | Antes | Depois | p-valor * | ||
| Get_UP | 17,22 ± | ± 7,612 | 15,83 ± | 6,862 | 0, 001 |
Entre todas as variáveis investigadas, apenas o aspecto social não sofreu melhora. Entre os demais, os aspectos capacidade funcional (p=0,006), limitação por aspectos físicos (p=0,003), apresentaram melhora significativa, já os aspectos vitalidade e saúde mental quando comparadas apresentaram melhoras não significativas.
TABELA 2. Questionário de Qualidade de Vida.
| Momento | |||||
| Variáveis | Antes | Depois | P-valor * | ||
| Média | ± DP | Média | ± DP | ||
| Capacidade funcional | 38,89 | ± 20,973 | 48,33 | 2± 20,147 | 0, 006 |
| Limitação por aspectos físicos | 37,50 | ± 39,528 | 75,00 | ± 29,704 | 0, 003 |
| Dor | 68,56 | ± 19,349 | 73,94 | ± ± 13,269 | 0, 043 |
| Estado geral de saúde | 55,22 | ± 13,432 | 60,61 | 1± 11.351 | 0, 020 |
| Vitalidade | 56,94 | ± ± 16,990 | 57,78 | 1± 14.165 | 0, 951 |
| Aspectos sociais | 67,36 | ± ± 21,920 | 67,36 | 1± 19,712 | 1, 000 |
| Limitação por aspectos emocionais | 29,63 | ± ± 39,422 | 72,22 | ± 38,348 | 0, 004 |
| Saúde mental | 65,11 | ± 13, 843 | 69,11 | 1± 11,045 | 0, 070 |
(*) Teste de Wilcoxon
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DISCUSSÕES
Durante os últimos 10 anos ficou comprovado que os idosos podem se beneficiar com a participação em programas de treinamento de força. Indivíduos com mais de 90 anos podem conseguir ganhos de força durante um período de treinamento de 8 semanas (Fiatarone et al.,1990)
O Treinamento regular conserva e aumenta a força muscular. Aumentos na força muscular foram observados para homens e mulheres com mais de 50 anos depois de oito semanas de exercícios de treinamento de força (367 pessoas envolvidas na pesquisa).
Aumento de força e capacidade funcional pode melhorar a qualidade de vida até mesmo de indivíduos com doenças crônicas;
O treinamento de força é um modo de diminuir o declínio da força e da massa muscular relacionado a idade.
Além da perda de força muscular, a habilidade do músculo para exercer força rapidamente (potência) parece diminuir com a idade;
Essa habilidade é vital e pode servir como um mecanismo protetor na queda. As quedas nos idosos são uma das causas mais importantes de lesões, podem levar a morte e representam um grande problema de saúde pública (Wolinsky &Fitzgerald,1994);
A potência muscular e sua treinabilidade em idosos não tem sido objeto de muitos estudos, mas pode ser até mesmo mais importante que a força muscular para as capacidades funcionais do indivíduo, pois muitas atividades diárias (caminhar, subir escadas, levantar objetos) exigem um desenvolvimento rápido da força ou um certo grau de potência para serem realizadas;
Com idosos Homens (88,5 +/- 6 anos) e Mulheres (8,5 +/- 6 anos), a potência dos extensores de joelho foi significativamente relacionada com a velocidade de levantar da cadeira, velocidade e potência de subir escadas e velocidade de caminhada. (Bassey et al, 1992).
REFERÊNCIAS
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