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Ventilação Mecânica não Invasiva em Paciente Oncológico

Ventilação Mecânica não Invasiva em Paciente Oncológico

INTRODUÇÃO

Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), acontecem todos os anos mundialmente mais de 12 milhões de novos registros e 8 milhões de óbitos por neoplasia(1). Aproximadamente 5 milhões de registros novos acontecem nos países financeiramente desenvolvidos, entretanto 6 milhões acontecem nos países subdesenvolvidos(2). Neste sentido, as neoplasias malignas se configuram como o segundo agente de óbito por patologia, enquanto que nos países subdesenvolvimento ocupa a terceira posição neste ranking(3).
Refere-se a uma doença mundialmente definida como um problema de saúde pública, no qual grande parte dos pacientes demonstra a patologia desenvolvida no instante do diagnóstico, demandando por maiores cuidados(4).
O paciente com neoplasia encontra-se mais predisposto a evoluir para uma insuficiência respiratória e, por fim, demonstrar uma diminuição do calibre das vias aéreas, por causa da compressão interior ou exterior(5).
Na máquina respiratória, os fatores de risco mais observados são o déficit no processo de trocas gasosas por causa de uma mudança na associação ventilação/perfusão, redução dos movimentos do diafragma(6) e dos músculos intercostais por déficit da força muscular, e elevação da frequência cardíaca por causa de uma diminuição da respiração alveolar, que acaba se apresentando mais superficial(7).
Cunha et al(8), enfatizam que o mais relevante aspecto prognóstico para os pacientes oncológicos admitidos na UTI é a demanda por suporte ventilatório.
Nesse contexto, a ventilação mecânica não invasiva eleva expressivamente a ameaça de desenvolver colapso pulmonar e pneumonia, já que o tubo endotraqueal vai além dos recursos de proteção das vias aéreas superiores e se opõe a tosse(8). Ademais, diversos pacientes intubados necessitam serem sedados, elevando ainda mais a possibilidade de surgir algum tipo de desordem respiratória e extrapulmonar(9).
Desta forma, o objetivo do presente estudo foi descrever a utilização da ventilação mecânica não invasiva em paciente oncológico.

MATERIAIS E MÉTODOS

Refere-se a uma revisão bibliográfica cuja pesquisa pelo referencial teórico foi efetivada nas bases de dados a seguir: Literatura LatinoAmericana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs) e Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (Medline).
As bases fazem parte da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) e as referências bibliográficas foram selecionadas mediante os descritores: fisioterapia respiratória, ventilação mecânica não-invasiva e paciente oncológico.
Com o estabelecimento dos descritores, selecionou-se a amostra inicial do estudo, que definiu os critérios de inclusão a seguir: estudos na íntegra, de âmbito nacional e internacional, publicados no ano de 2010 a 2018.
Excluíram-se todos os estudos que não apresentavam subsídio para a fisioterapia e que realizaram suas análises apenas com pacientes pediátricos.

RESULTADOS

Na pesquisa do referencial bibliográfico, 35 publicações eram referentes ao objetivo deste artigo. No que concerne às bases de dados, a Medline se evidenciou com 24 publicações.
No presente artigo foram selecionados dois artigos em 2010, três artigos em 2018, cinco artigos em 2014, 2015, 2016 e 2017, um em 2011, e por fim, dez artigos em 2013.
Houve prevalência de estudos prospectivos, 20 ao todo, 10 foram estudos descritivos e 5 eram artigos de revisão sistemática da literatura.

DISCUSSÃO

A fisioterapia respiratória é essencial no controle dos sinais respiratórios, contudo, para prática da mesma é preciso o entendimento do percurso progressivo da patologia oncológica e a definição dos critérios para sugerir ou contradizer estratégias, sobretudo em cuidados assistenciais(9). O emprego dos métodos disponíveis precisa ser direcionado para o conforto respiratório do indivíduo, profilaxia de desordens pulmonares secundárias à neoplasia e conservação do papel pulmonar, sempre que possível(10).
Em alguns artigos(3,7,11,12,13) fazendo uso de intervenções com atividades fisioterapêuticas no pré-operatório de ressecção pulmonar, observou-se elevação dos parâmetros espirométricos e resistência da musculatura respiratória. Os treinos resistidos foram relacionados à ventilação não invasiva, para assegurar suporte ventilatório no decorrer da efetivação dos mesmos. Tal intervenção de tratamento foi visto como aspecto encarregado pela elevação do VEF1, possibilitando a ressecção cirúrgica(14).
Avaliando o emprego de ventilação não invasiva em 10 pacientes no pós-cirúrgico de câncer pulmonar por meio da implementação prévia de pressão positiva contínua (CPAP) averiguou-se eficiência no restabelecimento do papel respiratório dinâmico e na oxigenação das artérias(15). Em uma outra pesquisa em que 23 pacientes estiveram sob a ventilação com CPAP foi comprovado que a ventilação não invasiva colabora para uma excelente evolução dos pacientes, com poucas implicações hemodinâmicas(16).
No artigo de Montmollin et al(17), os pacientes que estiveram a princípio sob ventilação mecânica não invasiva tiveram uma mortalidade expressivamente inferior aqueles que estiveram sob ventilação convencional. Todavia, grande parte dos pacientes é internada na UTI tardiamente, o que restringe a utilização da ventilação mecânica não invasiva.
A detecção prévia dos indivíduos com mudanças pulmonares é necessário para se conseguir o maior impacto positivo com o método(18). Em contrapartida, também se torna fundamental a detecção prévia de sintomas que demonstrem a falha da ventilação mecânica não invasiva, porque os indivíduos cuja intubação traqueal e ventilação convencional foram proteladas demonstraram mortalidade superior em referências aos pacientes intubados previamente(19).
Em pesquisa efetuada por Azevedo et al(20) o emprego preventivo da ventilação não invasiva por 48 horas depois da cirurgia não diminuiu a prevalência de incidentes pulmonares agudos em indivíduos com diagnóstico de neoplasia pulmonar. Inexistiu reflexo na prevalência de desordem pós-operatórias, óbitos e duração da hospitalização na UTI. Os resultados coincidem com os desfechos de outros artigos, sobretudo quando averiguados os parâmetros relacionados à troca gasosa.
Conforme Shih et al(21), o emprego da ventilação não invasiva durante o pós-operatório de câncer pulmonar pode ser positivo, essencialmente pelo fato de ocasionar desenvolvimento da troca gasosa, minimização da atividade respiratória e diminuição da constituição de colapso pulmonar. E em pacientes apresentando insuficiência respiratória aguda após cirurgia de câncer de pulmão o emprego da ventilação não invasiva foi eficaz para impedir a demanda por intubação orotraqueal em aproximadamente 90% dos pacientes.
Schellongowski et al(22) expõem que a ventilação mecânica não invasiva é eficaz e segura para impedir a demanda por intubação e precisa ser incluída ao tratamento convencional em pacientes que também apresentam insuficiência respiratória como desordem no pós-operatório de câncer de pulmão.
A terapia fisioterapêutica durante o pós-operatório é de fundamental relevância e possui o propósito de reduzir as desordens respiratórias pós-operatórias, sem elevar os gastos referentes à hospitalização, colaborando para a excelente evolução no tratamento dos pacientes acometidos por câncer(23).
Em um dos artigos analisados por Squadrone et al(24), os valores de PaO2, e VEF1 foram expressivamente superiores no grupo que esteve sob ventilação não invasiva, quando confrontados ao grupo controle durante o pós-operatório. Além do mais, a duração da internação na UTI foi expressivamente inferior também neste grupo e, de modo semelhante, a prevalência de colapso pulmonar foi inferior no grupo sob ventilação não invasiva do que no grupo controle.
Outra questão relevante é o período entre a entrada na UTI e o dia em que foi realizada a intubação. Conforme Benekli et al(25), pacientes oncológicos que demonstraram quadro de insuficiência respiratória demandando por ventilação não invasiva por mais de 24h depois de hospitalizado evidenciam um índice de óbito duas vezes superior ao de pacientes que ficaram sob suporte ventilatório por apenas 24 horas.
Em uma pesquisa, Puxty et al(26) confrontaram a eficiência da ventilação mecânica não invasiva com o tratamento convencional em indivíduos que apresentaram infiltrados pulmonares e insuficiência respiratória no pós-operatório de câncer de esôfago. O tempo sob ventilação mecânica não invasiva foi de aproximadamente uma semana, e seu emprego esteve relacionado a uma taxa inferior de reintubação, choque bacterêmico, desconforto respiratório e duração da internação na UTI. Inexistiu desordem e diferenças expressivas entre os grupos, em relação à duração da internação e índice de mortalidade, mesmo tendo sido constatado diminuição desses parâmetros no grupo que ficou sob ventilação mecânica não invasiva.
Shimabukuro-Vornhagen et al(27) sugeriram a utilização de CPAP, para tratar a diminuição da pressão parcial de oxigênio em pacientes com câncer de esôfago obtendo-se poucos índices de reintubação e pneumonia e duração da internação na UTI menor.
Outros artigos(28,29,30,31) confrontaram a utilização de CPAP com métodos de incentivo à tosse apresentando grande restabelecimento dos parâmetros de capacidade residual funcional e pouca indício de colapso pulmonar no grupo que utilizou CPAP.
Chen et al(32) confrontaram a utilização de CPAP e resistência ao fluxo aéreo com PEEP, nos três dias iniciais após a retirada do câncer de esôfago, de 2 em 2 horas, e averiguou-se um índice inferior de reintubação e menor duração sob ventilação mecânica nos indivíduos que empregaram CPAP.
Em referência ao emprego de ventilação não invasiva, o artigo de Torres et al(33), teve como propósito analisar o desenvolvimento do mecanismo pulmonar em pacientes com VEF1 inferior a 70% do predito, sugeridos para ressecção cirúrgica por neoplasia de pulmão. Foi confrontada a amostra que realizou a intervenção, o qual efetuou a ventilação mecânica não invasiva no modo pressão de suporte antes e após a cirurgia de forma preventiva, com outra amostra que recebeu terapia convencional. Após a cirurgia, os dois grupos apresentaram déficit expressivo dos parâmetros espirométricos avaliados. Contudo, os parâmetros permaneceram superiores no grupo que efetuou a intervenção com pressão de suporte.
Diversos artigos(34,35) mencionam a utilização de incentivador respiratório, ventilação não invasiva e respiração profunda combinada a tosse assistida para impedir o surgimento de desordens respiratórias após a cirurgia em indivíduos com neoplasia gástrica. Os pacientes desses artigos não demonstraram dano na higiene brônquica, desse modo efetuou-se somente aceleração do fluxo expiratório como técnica para desobstrução brônquica para profilaxia. A utilização da ventilação não invasiva proporcionou impactos positivos para atingir uma respiração mais pausada e intensa, retrocedendo o padrão respiratório que o indivíduo com neoplasia gástrica demonstrava.

CONCLUSÃO

A neoplasia é uma doença grave e pode gerar implicações principalmente na qualidade de vida desses pacientes.
A fisioterapia respiratória utilizando-se de ventilação mecânica não invasiva apresentou-se efetiva no desenvolvimento de volumes e capacidades respiratórias, resistência da musculatura respiratória, resistência nas atividades de vida diária e prática, e na qualidade de vida nos pacientes com neoplasia.
Deste modo, confirma-se a relevância de detectar pacientes com elevada ameaça de evoluir para uma desordem respiratória e a demanda por delinear condutas profiláticas e curativas, com o intuito de aprimorar o controle de tais desordens. São precisas pesquisas que busquem detectar as práticas fisioterapêuticas mais eficientes, para a profilaxia das desordens pulmonares no paciente oncológico.



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